Agosto 2011 - Che Guavira - sítio literário

quarta-feira, 24 de agosto de 2011


ANUÁRIO BRASILEIRO DE LITERATURA FANTÁSTICA 2010
Marcello Simão Branco & Cesar Silva
Numa iniciativa dos jornalistas e pesquisadores de ficção científica e fantasia Marcello Simão Branco e Cesar Silva, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica foi publicado pela primeira vez em 2005. Apresenta um amplo e profundo panorama do cenário fantástico nacional, em suas três manifestações principais, a ficção científica, a fantasia e o horror, além de contemplar também as criações híbridas entre estes gêneros e os chamados trabalhos de “fronteira”, isto é, o fantástico abordado a partir da perspectiva do mainstream literário.
Contém notícias sobre prêmios e personalidades, listas dos livros lançados durante o ano, artigo sobre o mercado editorial, com dados estatísticos e tabelas. Resenhas de vários dos principais livros de autores brasileiros e estrangeiros, entrevista com a “Personalidade do Ano”, ensaio de um especialista convidado, e uma seção histórica com datas e resenhas de livros importantes. A Personalidade do Ano de 2010 foi o premiado escritor Nelson de Oliveira, cujo romance Poeira: Demônios e Maldições (resenhado no Anuário) recebeu o Prêmio Casa de las Americas e foi finalista do Prêmio São Paulo.
O Anuário tem por meta realizar um registro do estado dos gêneros no país, além de auxiliar tanto os leitores em busca do que há de novo, como aos escritores que desejam destrinchar as tendências do mercado. E também a editores e pesquisadores, que estão em busca de um conhecimento mais sistematizado e amplo do que está surgindo e das perspectivas para o fantástico no Brasil. A edição relativa a 2010 é a que lista maior número de obras, até o momento.
O Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica recebeu em 2010 o Prêmio “Melhores do Ano”, na categoria “Melhor Não-Ficção”, concedido pelo site Ficção Científica e Afins, da escritora Ana Cristina Rodrigues.
Repercussões:

“Embora a literatura fantástica enfrente muitos desafios no Brasil, um trabalho árduo de crítica e pesquisa como o do Anuário permite uma base sólida para o desenvolvimento de pesquisas e publicações”.
— Rachel Haywood Ferreira, Iowa State University.
 “As suas carreiras críticas — existentes há anos em várias publicações, e há seis anos no Anuário —, são o balanço global dos gêneros literários que vocês analisam, o mais competente, sério e abrangente, dentro do universo crítico brasileiro.”
André Carneiro, autor de Confissões do Inexplicável.

“O Anuário é uma das publicações de crítica de ficção especulativa mais independentes e de maior personalidade no país. Editores, pesquisadores, colecionadores de livros, escritores e fãs devem encontrar uma fonte de consulta, de avaliações e de opiniões críticas inestimável para dar perspectiva ao momento atual.”
Roberto de Sousa Causo, Terra Magazine.
“Um projeto raro e ambicioso, que apresenta uma perspectiva global e sistematizada a respeito do mercado no Brasil e confere-lhe uma unidade na qual os autores poderão posicionar-se. Além disso, contribui para o crescimento da crítica profissional e do estudo acadêmico, essenciais ao desenvolvimento de qualquer literatura."
Luís Filipe Silva, site Efeitos Secundários (Portugal).
Autores: Marcelo Simão Branco e Cesar Silva
Capa: Silvio Ribeiro
Selo Enciclopédia Galáctica, agosto 2011.
Acabamento: Brochura com laminação brilhante e orelhas
Miolo: 240 páginas PB em papel off-set 75 g/m²
Formato: 14,0 cm × 21,0 cm
Código de Barras: 9772178624005
Preço: R$ 31,90.


Sobre o selo Enciclopédia Galáctica:

Em 2010, a Devir Livraria inaugurou o selo “Enciclopédia Galáctica”, destinado a obras de não-ficção voltadas para a discussão, análise e registro dos gêneros ficção científica, fantasia e horror na literatura, quadrinhos, jogos, cinema e televisão. O selo busca fomentar a produção crítica a respeito desses gêneros e formas de expressão, em um momento em que cresce muito o interesse pela literatura de ficção científica, fantasia e horror no ambiente acadêmico e literário nacional.

O primeiro livro do selo foi Visão Alienígena: Ensaios sobre Ficção Científica Brasileira, de M. Elizabeth Ginway, brasilianista e professora de língua portuguesa e literatura e cultura brasileira na Universidade da Flórida (em Gainesville).

Devir Livraria: Rua Teodureto Souto, 624 - Cambuci - São Paulo-SP, CEP 01539-000
Fone: (0__11) 2127- 8787 - horário comercial
Mais informações: marialuzia.devir@gmail.com
Visite o nosso site: http://www.devir.com.br/

terça-feira, 23 de agosto de 2011


CSI Campo Grande
Episódio 2
O sabotador da cidade morena
El saboteador de la ciudad morena
Texto de Mário Jorge Lailla Vargas
1
O princípio da casquinha
El principio del barquillo
O pessoal todo em volta do computador quando Mário entrou. Gláuder estava achando graça.
— O que o pessoal tá tão empolgado ali? Algum jogo da seleção canelinha?
La gente toda en derredor del computador cuando Mario entró. A Gláuder le parecía gracioso.
— ¿Por que la gente está tan excita allí. Algún juego de la selección canelita?
— É uma campanha, na internete, pra convencer uma guria do CSI Santiago a posar de topilés. Ai! Ninguém merece esta turma: Uma que é mais espiritista que legista, um investigador sexomaníaco, um laboratorista mirim que confunde carboidrato com hidrocarboneto e magnésio com manganês...
— Es una campaña, en internete, para convencer una nena do CSI Santiago a posar de toples. ¡Ay! Nadie merece esta turma: Una que es más espiritista que legista, un investigador sexomaniaco, un laboratorista mirín que confunde carbohidrato con hidrocarburo y magnesio con manganeso...
— Sei! Também estou na campanha. E aí?, pessoal! Ninguém ainda conseguiu convencer Mariazinha?
— Tá difícil. Ela até topou um na praia, mas sem foto! — Disse Ciro.
— Disseram que só aceitaria mediante um anel (de casamento, certamente) mas argumentamos que é um caso pra ganhar colar, não anel.
E levantou a camiseta.
— É assim em Nova Orleãs.
— ¡Verdad! También estoy en la campaña. ¿Y entonces?, muchachos! ¿Nadie aún consiguió convencer Mariacita?
— Está difícil. Ela hasta aceptó un en la playa, ¡pero sin foto! — Dijo Ciro.
— Dijeron que solo aceptaría mediante un anillo (de casamiento, ciertamente) pero argumentamos que es un caso para ganar collar, no anillo.
Y levanto la camisa sin manga.
— Es así en Nueva Orleáns.
Lígia apareceu com o amortecedor dum carro.
— Ai! Tá difícil esta autópsia do carro.
— Autópsia de carro?
Ligia apareció con el amortiguador de un coche.
— ¡Ay! Está difícil esta autopsia del coche.
— ¿Autópsia de coche?
Gláuder explicou:
— O carro que está na autópsia seria o que a investigação apontou como portador do dossiê que a prefeitura quer que seja encontrado antes que se publique uma novela satírica justamente em 26 de agosto, aniversário da cidade. Como se já não bastasse a história da esquina Timelo Rego com Tilasco Pinto, que não é daqui. Acontece que o carro foi encontrado na rodovia saída a São Paulo, atravessado na lateral da pista. O problema é que não foi possível determinar se ia ou vinha. Não sabemos se o carro é da cidade ou de fora.
Gláuder explicó:
— El coche que está en la autopsia sería el que la investigación apuntó como portador del dossier que la prefectura quiere que sea encontrado antes que se publique una novela satírica justamente en 26 de agosto, aniversario de la ciudad. Como se ya no bastase la historia de la esquina Timelo Rego con Tilasco Pinto, que no es de aquí. Ocurre que el coche fue encontrado en la carretera salida a San Pablo, atravesado en la lateral de la pista. El problema es que no fue posible determinar se iba o venía. No sabemos si el coche es de la ciudad o de fuera.
Mário disse:
— Quero dar uma olhada no carro.
— Não. Na gaveta do iemeele não cabe. Está sendo autopsiado na garagem. Vamos.
— Qual o estado de conservação do carro? — Perguntou Mário.
— Bem ruim. Amortecedor detonado, pneus carecas. No geral muito desgastado. — Disse Lígia, apontando o pneu já aparecendo o arame.
Mario dijo:
— Quiero dar una mirada al coche.
— No. En la gaveta del IML no cabe. Está siendo autopsiado en la garaje. Vamos.
— ¿Cual el estado de conservación del coche? — Preguntó Mario.
— Muy malo. Amortiguador detonado, neumáticos lisos. En general mucho desgastado. — Dijo Ligia, apuntando el neumático ya apareciendo el alambre.
Mário sentenciou:
— E ainda há dúvida de se o carro é campo-grandense? Sabeis por que há tanta garagem de carro usado na cidade? Só na área da avenida Bandeirantes tem mais garagem que funerária em volta da Santa Casa. A explicação é simples: O asfalto da cidade é tão remendado que o carro sacoleja mais que mulata no Carnaval. Quem mais sofre é bunda de ciclista. Imagines se será uma cidade ciclística ou turística. Nunca! Não tem carro que agüente. Ocorre que o pessoal endinheirado, que os de fora pensam ser 100% da população, quando o carro tá gasto acha que não compensa consertar e compra novo. Por isso as garagens repletas. Com isso o pátio do detrã lotado. Não é difícil deduzir a cadeia de consumo daí. Né?
Mario sentenció:
— ¿Y aún hay duda de si el coche es campo-grandense. Sabéis por que hay tanta garaje de coche usado en la ciudad? Solo en la área de la avenida Bandeirantes hay más garaje que funeraria en volta de Santa Casa. La explicación es sencilla: El asfalto de la ciudad es tan remendado que el coche sacude más que mulata nel Carnaval. Quien más sufre es nalga de ciclista. Imagines se será una ciudad ciclística o turística. ¡Nunca! No hay coche que aguante. Ocurre que la gente adinerada, que los de fuera piensan ser 100% de la población, cuando el coche está gasto cree que no compensa arreglar y compra nuevo. Por eso las garajes repletas. Con eso el patio del departamento de tránsito lleno. De eso no es difícil deducir la cadena de consumo. ¿No?
— Não falei que esse é o cara? É nosso monk! — Disse Ciro. Mário prosseguiu:
— Sabe aquela casquinha de sorvete típica da cidade, o sorvete Moreninha? É uma casquinha grande, um cascão, cuma grande bola de sorvete de creme coberta por uma fina casca de calda de chocolate, que já tomei muito quando criança. Pois foi batizado em homenagem ao asfalto de Campo Grande, a cidade morena, que é fino feito casca do sorvete Moreninha.
— ¿No dije que ese es el tipo? ¡Es nuestro monk! — Dijo Ciro. Mario prosiguió:
— ¿Sabe aquel barquillo de helado, típico da ciudad, el helado Morenita? Es un barquillo grande, un barcón, con una grande bola de helado de creme cubierta por una fina cáscara de calda de chocolate, que ya tomé mucho cuando niño. Pues fue bautizado en homenaje al asfalto de Campo Grande, la ciudad morena, que es delgado como cáscara del helado Morenita.
O pessoal:
— Quaquaquaquá!
Mário abriu o porta-luva.
— Mais uma evidência de que o carro é da cidade. Nas esquinas do centro, onde tem as placas com o nome de rua, o motorista sofre mais que mãe de maconheiro porque as placas são pequenas e só se pode ler bem perto, quase parando. Na noite o sofrimento é elevado ao quadrado. Tudo foi concebido prà época dos carros-de-boi.
La gente:
— ¡Cuacuacuacuá!
Mario abrió el guantero.
— Más una evidencia de que el coche es de la ciudad. En las esquinas del centro, donde hay las placas con el nombre de calle, el chofer sufre más que madre de marihuanero porque las placas son pequeñas y solo se puede leer bien cerca, casi parando. En la noche el sufrimiento es elevado al cuadrado. Todo fue concebido para la época de los yunta de bueyes.
— Mas donde a dedução? — Ciro.
— Elementar, meu caro Ciro. No porta-luva tem um binóculo de teatro, essencial nesta cidade de placas ridiculamente minúsculas. E segundo nossa legista o freio está gasto pelo hábito de frear picado, óbvio de quem tem de quase parar pra ler as placas na esquina. Mas olha aqui, embaixo do tapete...
— ¿Pero de donde la deducción? — Ciro.
— Elementar, mi caro Ciro. Nel guantero hay un binóculo de teatro, esencial en esta ciudad de placas ridículamente minúsculas. Y segundo nuestra legista el freno está gasto por el hábito de frenar picado, obvio de quien tiene de casi parar para leer las placas en la esquina. Pero mira aquí, bajo el tapete...
Sob o tapete de cada banco um cartaz, impresso a computador:
Aparelho que multa não fica sem manutenção
Bajo el  tapete de cada banco un póster, impreso a computador:
Aparejo que multa no queda sin manutención
— Aparelho?
— Os semáforos pra pedestre. Qualquer um, passeando no centro, verá que os semáforos pra pedestre estão todos queimados. Os que estão funcionando é porque são novos. Eis a dica: Queimou, queimado fica.
— ¿Aparejo?
— Los semáforos para pedestre. Cualquier uno, paseando nel centro, verá que los semáforos para pedestre están todos quemados. Los que están funcionando es porque son nuevos. Eh la dicha: Quemó, quemado queda.
Ciro:
— Temos de descobrir logo, senão perderemos o feriado trabalhando no caso.
Natália entrou, anunciando:
— Pessoal. Tem uma vaga no CSI Brasília. Quem quer trabalhar na capital federal?
Ciro:
— Tenemos de descubrir pronto, si no perderemos el feriado trabajando nel caso.
Natalia entró, anunciando:
— Gente. Hay una vaga nel CSI Brasilia. ¿Quien quiere trabajar en la capital federal?
Ciro:
— Eu não. Lá tem menos feriado. Aqui emenda o 11 de outubro, criação do estado, com o 12, feriado nacional, às vezes dando um feriadão bem comprido. Lá não tem feriado da criação do estado, que é o mesmo do aniversário da cidade: Dois feriados a menos. Tô fora!
Ciro:
— Yo no. Allá tiene menos feriado. Aquí junta el 11 de octubre, creación del estado, con el 12, feriado nacional, a veces dando un feriadazo bien largo. Allá no hay feriado de creación del estado, que es el mismo del aniversario de la ciudad: Dos feriados a menos. ¡No quiero!
2
As teorias
Las teorías
Gláuder apresentou um dossiê com lista de suspeito:
— Minha teoria é que um criador de galinha está revoltado porque a prefeitura mandou acabar com a criação. Um suspeito é um morador de bairro, que entrou com uma ação judicial alegando que a leichimaniose não é motivo pra isso, pois já existe vacina canina, com 92% a 95% de eficácia. Teria de vacinar só uma vez ao ano após as três doses iniciais. É mais barato notificar o morador a extinguir a criação, do que comprar a vacina. A prefeitura alega que a vacina não foi aprovada pelo ministério da saúde. Mas vacina em animal tem de ser aprovada pelo ministério de produtos veterinários.
Gláuder presentó un dossier con lista de sospechoso:
— Mi teoría es que un criador de gallina está indignado porque la prefectura mandó acabar con la creación. Un sospechoso es un morador de barrio, que entró con una acción judicial alegando que la leichimaniose no es motivo para eso, pues ya existe vacuna canina, con 92% a 95% de eficacia. Tendría de vacunar solo una vez al año después as tres dosis iniciales. Es más barato notificar el morador a extinguir la creación, que comprar la vacuna. La prefectura alega que la vacuna no fue aprobada por el ministerio de la salud. Pero vacuna en animal hay que ser aprobada por el ministerio de productos veterinarios.
Ciro:
— Apenas uma desculpa esfarrapada pra não vacinar os cães. Assim como pra não gastar com limpeza desincentivam de se plantar frutífera na calçada. E nessa luta contra a leichimaniose obrigam os quintais a ficarem sem as folhas secas, que mantêm a umidade do solo e produzem húmus. Assim o quintal vira um deserto. Uma política parecida com a dos norte-americanos tentando extinguir os bisões pra vencer os índios.
Ciro:
— Apenas una disculpa rota para no vacunar los perros. Así como para no gastar con limpieza desincentivan de se plantar fructífera en la calzada. Y en esa lucha contra la leichimaniose obligan los quintales a quedaren sin as hojas secas, que mantienen la humedad del suelo e producen humus. Así el quintal se torna un desierto. Una política parecida con la de los norte-americanos tentando extinguir los bisontes para vencer los indios.
Natália teve de sair pra levar à rodoviária sua hóspede.
— É uma tailandesa que é apaixonada pelos ritmos brasileiros. Estava no Rio de Janeiro, passou no nordeste e norte e acabou chegando àqui. Aqui está entediada, quase em choque, pois aqui é tudo parado. Mas agora ficará tudo bem. A estou enviando a Corumbá.
Natalia tuvo de salir para llevar a la estación de autobús su huésped.
— Es una tailandesa que es apasionada por los ritmos brasileros. Estaba e Río de Enero, pasó nel nordeste y norte y acabó llegando hasta aquí. Aquí está tediada, casi en choque, pues aquí es todo parado. Pero ahora quedará todo bien. La estoy enviando a Corumbá.
— Coitadinha. Veio parar logo aqui!
— Vá ser azarada assim lá na Coréia!
— Vai ver está pagando carma de vidas passadas.
— Pobrecita. ¡Vino parar luego aquí!
— Va ser azarada así allá en Corea!
— Va ver está pagando carma de vidas pasadas.
Gláuder tinha uma teoria:
— Pois minha teoria é de que Campo Grande perdeu a sede da copa porque não tem vida noturna. Em Cuiabá o comitê da FIFA foi levado em turnê a tudo quanto é boate, puteiro, etc. Enquanto aqui tudo foi levado muito a sério.
Gláuder tenía una teoría:
— Pues mi teoría es de que Campo Grande perdió la sed de la copa porque no tiene vida nocturna. En Cuiabá el comité de la FIFA fue llevado en turné a todo cuanto es boate, putero, etc. En cuanto aquí todo fue llevado muy a serio.
Mário chegou pro tereré.
— Salve! Temos de contratar Mário pra nosso CSI.
— Se não fosse tão avesso a chefia e trabalho em equipe!
— Não é tanto assim. Deixai eu tomar um gole, pra ativar no cérebro meu raciocínio cherloquerrolmesco e edgaralampoesco e explicar minha teoria. Afinal como aqui falta verba, falta material, falta salário, tem de compensar com dedução.
Mario llegó para el tereré.
— ¡Salve! Tenemos que contratar Mario para nuestro CSI.
— ¡Si no fuese tan avieso a jefe y trabajo en grupo!
— No es tanto así. Dejad yo tomar un trago, para activar nel cerebro mi raciocinio cherloquerrolmesco y edgaralampoesco y explicar mi teoría. A final como aquí falta verba, falta material, falta salario, tiene de compensar con deducción.
Foram interrompidos por um aviso de que abriu concurso ao CSI Nova Orleãs. Ciro:
— Tô fora! Tem que falar inglês e lá o cara não é só perito. Corre atrás do bandido, igual policial mesmo. Eu hem! Bom... Se bem que o Carnaval neorleão é legal.
— É mesmo. E por que sempre a corrida do bandido termina num alambrado, que ele tenta escalar e não consegue? Bom... Mas minha teoria é a seguinte: O sabotador do 26 de agosto é alguém que detesta Campo Grande.
Fueron interrumpidos por un aviso de que abrió concurso al CSI Nueva Orleáns. Ciro:
— ¡No quiero! Hay que hablar inglés y allá el tipo no es solo perito. Corre atrás del bandido, igual policía mismo. ¡Oh, no! Bueno... Si bien que el Carnaval neorleán es bueno.
— Es verdad. ¿Y por que siempre la corrida del bandido termina nun alambrado, que él intenta escalar y no consigue? Bueno... Pero mi teoría es la siguiente: El saboteador del 26 de agosto es alguien que detesta Campo Grande.
— Mas então temos a cidade toda de suspeito!
— E os de fora também! É que em rolo assim sempre tem mulher no meio. Um amigo me contou sobre uma edição da Playboy de 1992. Não sei a edição exata. Estou procurando nos sebos. A revista elegeu Campo Grande a pior cidade pra se paquerar no Brasil!
— É mesmo! E olha que aqui não é terra de mulher assim tão bonita...
— ¡Pero entonces tenemos la ciudad toda de sospechoso!
— ¡Y los de fuera también! Es que en lío así siempre hay mujer nel medio. Un amigo me contó sobre una edición de Playboy de 1992. No sé la edición exacta. Estoy procurando en los sebos. La revista eligió Campo Grande la peor ciudad para se coquetear nel Brasil!
— ¡Es verdad! Y mires que aquí no es tierra de mujer así tan bonita...
— Quando viajo vejo como é diferente. Até em Curitiba a gente leva cantada mas aqui não. Elas passam reto, sem olhar ao lado, como se estivessem visitando, num presídio, a ala dos estupradores.
— O sabotador deve ser alguém oprimido por essa realidade.
— Isso! Alguém que não pode sair, que tem de agüentar.
— Cuando viajo veo como es diferente. hasta en Curitiba se lleva cantada pero aquí no. Ellas pasan recto, sin mirar al lado, como si estuviesen visitando, nun presidio, la ala de los estupradores.
— El saboteador debe ser alguien oprimido por esa realidad.
— ¡Eso! Alguien que no puede salir, que tiene de aguantar.
Nesse momento chegou a notícia de que um morador do Aero-rancho reuniu a vizinhança prum tereré e distribuiu um panfleto incitando todos a ficarem em casa em 26 de agosto porque as comemorações seriam tudo programa-de-índio, como sempre.
— Então o suspeito não é da cidade, pois qual campo-grandense se enturma com os vizinhos?
— E quem era esse indivíduo?
— Não foi identificado, pois se mudara àli havia poucos dias.
En ese momento llegó la noticia de que un morador del Aero-rancho reunió la cercanía para un tereré y distribuyó un panfleto incitando todos a quedaren en casa en 26 de agosto porque las conmemoraciones serían todo un programa super fome, como siempre.
— Entonces el sospechoso no e de la ciudad, ¿pues cual campo-grandense se junta con los vecinos?
— ¿Y quien era ese individuo?
— No fue identificado, pues se mudara hasta allí había pocos días.
3
O misterioso cuiabano
El misterioso cuiabano
O serviço secreto da prefeitura desbaratou um esquema montado no palanque da festa pra 26 de agosto. Com uma simples conexão a exibição dum clipe musical no telão da praça seria substituída pela dum clipe satírico onde um grupo encapuçado cantava:
El servicio secreto de la prefectura desbarató un esquema montado nel palco de la fiesta para 26 de agosto. Con una sencilla conexión la exhibición de un clipe musical nel telón de la plaza sería substituida por la de un clipe satírico donde un grupo encapuzado cantaba:
Campo Grande
Moreninha feia
Não tem tanta curva
nem praia de areia
Por que essa morena
Que, todo mundo conta
Que é até meio sonsa
e nunca sai de casa
Tem de ser tão cara?
Campo Grande
Todo mundo disse
Não tem prato típico
Não tem seu ritmo
Nem petxe com matxitxe
Campo Grande
Morenita fea
No tiene tanta curva
ni playa de arena
¿Por que esa morena
Que, toda gente cuenta
Que es hasta medio sonsa
y nunca sale de casa
Tiene de ser tan cara?
Campo Grande
Toda la gente dijo
No tiene plato típico
No tiene su ritmo
Ni petxe con matxitxe [pez con maxixe (Cucumis anguria)]
— Petxe com Matxitxe! Sotaque cuiabano!
— Pessoal! A análise do cheiro de almoço que recolhemos no casebre alugado pelo técnico de som comprovou que era peixe assado recheado com banana.
— Prato típico cuiabano! O suspeito é cuiabano!
— ¡Petxe con Matxitxe. Acento cuiabano!
— ¡Gente! La análisis del olor de almuerzo que recogimos en la choza alquilada por el técnico de son comprobó que era pez asado relleno con banana.
— ¡Plato típico cuiabano. El sospechoso es cuiabano!

Ciro telefonou a Mário pra dizer que a teoria estava errada. Que tudo indica que o sabotador não é um campo-grandense oprimido e sim um cuiabano que se sente rival.
— Mas Ciro, a rivalidade entre as duas cidades era na época que aqui era Mato Grosso. O movimento separatista usava todas as armas pra desmoralizar o outro lado, igual quando da independência nacional se criou piada de português. Uma vez o professor, dando aula na universidade, citou a revista Veja e disse: A revista Óia, que é o nome da revista Veja em Cuiabá. Mas depois que se criou Mato Grosso do Sul a rivalidade perdeu o motivo gerador e se extinguiu, Cuiabá ficando algo tão distante quanto Manaus e Belém. A beleza cultural da piada não persistiu como a de português.
Ciro telefoneó a Mario para decir que la teoría estaba errada. Que todo indica que el saboteador no es un campo-grandense oprimido y sí un cuiabano que se siente rival.
— Pero Ciro, la rivalidad entre las dos ciudades era en la época que aquí era Mato Grueso. El movimiento separatista usaba todas las armas para desmoralizar el otro lado, igual cuando de la independencia nacional se crió chiste de portugués. Una vez el profesor, dando aula en la universidad, citó la revista Vea y dijo: La revista Ojea, que es el nombre de la revista Vea en Cuiabá. Pero después que se crió Mato Groso del Sur la rivalidad perdió el motivo generador y se extinguió, Cuiabá quedando algo tan distante cuanto Manaus y Belén. La belleza cultural del chiste no persistió como la de portugués.
— É mesmo. Um cuiabano anti-campo-grande não faz sentido. A menos que seja um completo psicopata doido-varrido.
— Es verdad. Un cuiabano anti-campo-grande no tiene sentido. A menos que sea un completo psicópata loco-barrido.
4
A múmia cuiabana gelada ou o governador faraônico
La momia cuiabana helada o el gobernador faraónico
Ciro foi destacado pra investigar nos chous de cantor sertanejo, baiano, etc. Já saía quando Mário chegava.
— Ué? Por que Lígia tá tão brava?
— É que no telejornal saiu uma reportagem sobre uma motorista que atropelou e matou um ciclista porque se distraiu procurando um batom na bolsa. Então fez reportagem sobre motorista e motociclista distraído mas nada de ônibus. É que ontem Lígia teve de frear bruscamente pra não bater num ônibus porque agora o motorista acumula a função de cobrador. Reclamou à emissora mas não saiu reportagem sobre os ônibus.
Ciro fue destacado para investigar en los espectáculos de cantante campesino, baiano, etc. Ya salía cuando Mario llegaba.
— ¿Oh. Por que Ligia está tan brava?
— Es que nel teleperiódico salió una reportaje sobre una motorista que atropelló y mató un ciclista porque se distrajo procurando un lápiz labial en la bolsa. Entonces hizo reportaje sobre chofer y motociclista distraído pero nada del autobús. Es que ayer Ligia tuvo de frenar bruscamente para no se chocar contra un autobús porque ahora el chofer acumula la función de cobrador. Reclamó a la emisora pero no salió reportaje sobre los autobús.
— Vamos?, Mário. Ingresso grátis pra me ajudar a investigar os técnicos de som.
— Qualé?, Ciro. Não vou a esses chou, nem que me paguem.
— Vamos?, Mário. Ingreso gratis para me ayudar a investigar los técnicos de son.
— ¿Qué es eso?, Ciro. No voy a esos espectáculos, ni que me paguen.
E apontou o dedo a um grande mapa do Brasil pendurado na parede.
— Por exemplo: Imagines um grupo baiano que traga um trio-elétrico pro carnaval do Pedrossiã. Olhes o mapa de Minas Gerais, coalhado de cidade. O de São Paulo e Rio de Janeiro. O sul, então. Difícil imaginar que essas cidades não requisitem o evento. Então os grupos vão se distribuindo. E o que chega àqui? Rebotalho do rebotalho do rebotalho. Não, amigo. Tô fora!
Y apuntó el dedo a un grande mapa de Brasil pendiente en la pared.
— Por ejemplo: Imagines un grupo baiano que traiga un trío-eléctrico para el carnaval de Pedrosián. Mires el mapa de Minas Generales, cuajado de ciudad. Lo de San Pablo y Río de Enero. El sur, entonces. Difícil imaginar que esas ciudades no quieran el evento. Entonces los grupos van se distribuyendo. ¿Y lo que llega hasta aquí? Residuo del residuo del residuo. No, amigo. ¡No quiero!
E pôs sobre a mesa um esquema que desenhara.
— Vejas só o que os pesquisadores da revista UFO descobriram. Aqui! Este mausoléu do cemitério Santo Antônio é, na verdade, uma tumba criogênica.
— Oba! Adoro esses assuntos de mistério, conspiração, alienígenas, etc. É terminar o serviço e falaremos sobre isso.
—Melhor abortar esse serviço porque esta é uma pista que pode elucidar o caso.
Y puso sobre la mesa un boceto que dibujara.
— Mires qué los investigadores de la revista UFO descubrieron. Aqui! Este mausoleo del cementerio Santo Antonio es, en verdad, una tumba criogénica.
— ¡Oba! Adoro esos asuntos de misterio, conspiración, alienígenas, etc. Es terminar el servicio y hablaremos sobre eso.
—Mejor abortar ese servicio porque esta es una pista que puede elucidar el caso.

O pessoal se reuniu em volta.
— O pessoal da revista UFO tem informação de que alguns ex-governadores estão criogenizados, esperando despertar quando for restituído o salário vitalício. Mas este seria um protótipo, um caso mais antigo. Um governador ou importante funcionário da época da divisão do estado, que não foi divisão mas desmembramento, desgostoso do rumo histórico, fora posto numa câmara criogênica pra despertar quando Mato Grosso voltasse a ser o que era. Uma versão diz que seria um governador ensandecido com mania de grandeza faraônica, adepto das idéias da serra do Roncador ter uma conexão subterrânea com o Tibete...
La gente se reunió alrededor.
— El equipo de la revista UFO tiene información de que algunos ex-gobernadores están criogenizados, esperando despertar cuando sea restituido el salario vitalicio. Pero este sería un prototipo, un caso más antiguo. Un gobernador o importante funcionario de la época de la división del estado, que no fue división pero desmembramiento, disgustoso del rumbo histórico, fuera puesto en una cámara criogénica para despertar cuando Mato Grueso volviese a ser lo que era. Una versión dice que sería un gobernador ensandecido con manía de grandeza faraónica, adepto de las ideas de la sierra del Roncador tener una conexión subterránea con el Tibet...
— Tomara que pegara carona num disco voador.
— Caramba! Até os ufólogos descobrem mais que nós do CSI!
Gláuder esfregou a mão e deu uma risota de satisfação e alívio.
— Sabeis o que isso significa? Que estamos livres desse pepino. Doravante o assunto estará nas mãos do Arquivo-X Campo Grande.
— Ojalá tenga ido invitado nun platillo volante.
— ¡Caramba. Hasta los ufólogos descubren más que nosotros del CSI!
Gláuder fregó la mano y dio una risita de satisfacción y alivio.
— ¿Sabéis lo que eso significa? Que estamos libres de ese lío. A partir de ahora el asunto estará en las manos del Archivo-X Campo Grande.




segunda-feira, 22 de agosto de 2011


● Lanchonetes, restaurantes e pitsarias estão proibidos de cobrar dos moto-entregadores caso a entrega se atrase. http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/07/08/lei-proibe-comercio-de-incentivar-motoboy-a-correr.jhtm É preciso a população se conscientizar de que essa pressão pra entrega imediata é um incentivo aos acidentes motociclísticos. Sempre que possível vás buscar a pitsa. Procures evitar pedir entrega. E se pedir, que não tenha pressa. Uma aquecida no forno resolve.
● Durante a transmissão dos jogos mundiais militares, no Rio de Janeiro, durante a transmissão da decisão do futebol feminino, a comentarista disse que as holandesas ganharam a medalha de prata e comemoraram com champanha no vestuário. Disse que isso não é bom, comemorar com bebida alcoólica, que se querem comemorar deve ser na vista de todos.
Se comemorassem tomando champanha em público condenariam também.  Diriam mil bobagens. São adultas, já ganharam o título e comemoraram na intimidade do vestuário. Caramba! Moralista hipócrita é sempre contra!
Quem disse que teu propalado esporte é coisa sadia? Grande estereótipo, isso sim! Mundo dos anabolizantes, do formalismo excessivo, da manipulação, da competitividade exacerbada, dos ferplei de mentirinha, da falta de cultura. Não tem moral pra falar mal de champanha. Se ferplei não fosse hipocrisia a França cederia a vaga na copa à Irlanda, por ter feito gol la mano-de-dios. Na decisão sub-20, Brasil x Portugal, o comentarista, muito perspicaz, observou que quando tinha português caído os portugueses não paravam pra atender. Bastava o Brasil tomar a bola e pediam ferplei! Já se notou como esses comentaristas e narradores não têm cultura? Só sabem de desporto mesmo. Mas isso é um mal da imprensa.É uma grande mentira a propalada idéia de que o tal do esporte (que na verdade é desporto) é saudável. O mundo desportivo é uma indústria poderosa e o sistema tem interesse em que as pessoas cultuem o desporto e não a cultura. Eurico Santos, em Histórias, lendas e folclore de nossos bichos, expôs essa idéia, explicando que os bichos mais modorrentos são os que vivem mais, que não há medalhista velhinho. Quanto mais ativo, mais curta a vida. Assim o arganaz e o colibri tem vida muito curta porque gastam logo a força vital. Na verdade, como toda máquina, o coração tem uma média de tantos milhões de batidas, como o mause tantos milhões de cliques. Usando muito a vida útil se abrevia.
Ralisco, Guadalarrara? O que é isso?! Em português as palavras Jalisco e Guadalajara devem ser pronunciadas com J de jacaré. Afinal Argentina não se pronuncia Ar-rentina. Dizemos Londres e não London, Venezuela e não Veneçuêla. Não digas expert se já existe o termo equivalente, experto (pronuncia esperto). Não digas bacon, slogan, design, canyon, tsunami. Digas toucinho, lema, projeto, desfiladeiro, vagalhão.
Não idiomatizar termos de uso corrente é sintoma de decadência cultural, de ignorância e mau-gosto. Muitas vezes burrice mesmo.
O seguinte texto é pra leitura e compreensão em língua portuguesa. Analisar este conto de terror. As palavras desconhecidas devem ser procuradas num dicionário de língua portuguesa (sic).

Feedback on-line dum office boy sem stress

Fui contratado por uma empresa franchising de marketing, merchandising e leasing online, a Interprise Network Travel Williams Company of Business, conhecida como o rainha do bestseller situada no edifício Empire New Trade, e tinha de ser testada minha performance, principalmente no serviço de delivery. Fui ver o stand da firma no shopping.
Dei um show. Mostrei que tenho knowhow (Bom seria cobrar royalty, ou copyright, que seja!) Isso aplacou um pouco o apartheid que eu sofria por causa de meu look meio punk meio hippy (apesar de eu ser mais pra funk) com meu blue jeans tipo cowboy de farwest, meu background tipo filme noir (adoro um cult movie) e meu hair tipo grease meio trash. Isso me deixava meio down. Fosse eu careca e seria chamado de skinhead. Sabe como é: Eu era teen. O pessoal era metido a sociality, com ar de muito chic, se achava muito vip e se vestia muito fashion: Black tie, prêt-à-porter. Só usava shampoo importado dos States. Ainda bem que nunca comentei meu hobby predileto: Rock’nroll da hardcore tipo heavy metal, rapp, street dance. Até um reggae eu encaro. Eles na certa preferiam oldies, jazz, twist, swing, blues. Não dava mole a eles:
— Me dá um time, brother!
Fui ao show room mostrar que sei usar computador. Cruzei o hall e vi um personal trainer com um laptop e um kit training e cooper, um barman distraído com seu walkman, um garçon com uma garrafa de champagne e uma promoter com seu notebook. Na sala ao lado uma aula com slide. Minha sala tinha layout que era o must, com design muito mad, mas seria boa prum happy hour num weekend. Tinha até directv. Um quadro na parede ostentava um slogan muito zen. O computador era bem equipado. Tinha um belo screensaver. Tinha até nobreak pra caso de blackout, scanner, web camera, drive de CD ROM, impressora inkjet a laser com buffer extra e winchester de 300 gigabytes. Liguei a máquina e parecia cheia de bug. Faltava algum plugin ou codec. Nada achei no diskette. Dei um restart. Torcia pra ser problema de software, pois de hardware seria pior. Então teria de pesquisar em link de softs freeware ou shareware. Parecia que um hacker, cracker ou phreacker estava atacando. Rodei o scandisk. Felizmente tudo tinha backup. Mas logo ficou tudo OK. Foi só trocar o mouse. Nem precisei fazer o checkup previsto. Quanta novidade após o longplay e da fita cassette. Muita coisa mudou desde o tempo do basic. No rack muitos CDs e DVDs, além de videogames e um stock de chip de memória ram.
Entrei na internet pra visitar o site da firma na net e configurar a webcam. Tive de achar um crack. Podia até escolher o browser. Bastaria eu fazer um download, um upload e mandar um e-mail após criar meu nickname e minha password. Tinha de fazer tudo dentro do script. Temi que exigissem que eu criasse minha homepage, ou, mais na moda, meu blog. Só sabia que lidaria com release, coisa que tenho de saber o que é. Quem sabe editar meu ebook? Então deixei o display em standby.
No final uma palestra com videotape com direito a replay encerrada com perguntas onde respondi o que é string, spam, a diferença entre bit e byte e o que é e-commerce.
Como era véspera do réveillon, nosso patrão, um gentleman, entregou a cada um o hollerith e o ticket e nos convidou a almoçar num self service no shopping center. Escolhemos o Nelson’s Steak House, que era o point da cidade. Fomos todos numa linda pickup a diesel. Outros foram num jeep e o resto num buggy. Era hora do rush e na pressa nos acidentamos mas nada sofremos, graças ao airbag. Com o susto fiquei gelado como um iceberg. Por isso almocei só uma fatia de croissant light e uma diet coke. Fiquei com água na boca vendo o pessoal pedir fondue, strogonoff, hotdog com ketchup e creamcheese e cocktail de kiwi, cheeseburger com chopp, cheese-egg com cerveja bock ou pilsen, hamburger com whisky ou wodka. Até chester à parmegiana com bacon. Na sobremesa milkshake com yogurth, mousse de grapefruit, banana split com marshmallow e chantilly, cafezinho com stevia.
No final uns foram ao playcenter, outros à boite de striptease, e a mulherada, claro, foi às lojas ver soutien, lingerie, pegnoir, aquelas coisas de lycra, de nylon, de cryon, pele de vison, collant, bikini e maillot.
Cheguei a meu hábitat, minha kitchenette que nem tinha living mas que pra mim era uma sweet, cansado e faminto como se tivesse atravessado um grande canyon. Famintos também meu bulldog, meu doberman e meu pitbull. Na Eurochannel a chamada do filme de Lassie, a collie aventureira, um flash do primeiro set do volley e do segundo round duma luta de kung-fu full-contact, o score duma partida de futebol society e outra de squash e em seguida o jornal City News falando do empeachment do presidente, uma entrevista com o glamour da miss Kwait e o filme sobre o Halloween. Passava muito cartoon na hora. Queria ver um filme de Frankenstein. Nada de Oscar, por favor! A última notícia, um novo desodorante spray, não ouvi por causa do estrondo dum boeing decolando próximo. Tirei do freezer um tupperware uma fatia de pizza e uma sfiha.
Já com sono lendo meu songbook recebi um telefonema avisando que minha professora enlouquecera.
— Não! O que aconteceu com a teacher?
Agora ela passa o dia de olhos virados, indo de parede a outra, conjugando assim o verbo:
Eu downlodeio
Tu downlodeias
Ele downlodeia
Nós downlodeamos
Vós downlodeais
Eles downlodeiam

Eu performanceio
Não, eu performanço
Não, eu performo
...
(mais uns anos e as poucas palavras em português do texto serão eliminadas)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


● Locutor da TV Brasil (TVE) na decisão da medalha de ouro do vôlei de praia masculino, Brasil x China, sábado, 23.07.2011, jogos mundiais militares: Aqui não tem uma informação que você não perca.
Incrível como tem página que apresenta letra de canção, errada. Algumas transcrevem de ouvido e o que não se entendeu vai de qualquer jeito.
● Se em português o Róbinson é Crusoé, por que o Daniel não é Defoé?
● O tal sonífero Boa noite, Cinderela. Quem pôs esse nome nunca leu conto de fada. Deve ser o mesmo que pronunciou a frase anacrônica Será uma batalha de Sansão contra Golias. As personagens Branca-de-neve e bela adormecida foram narcotizadas mas Cinderela não.
● Todo mundo falando de Eua dar um calote na dívida, o que seria um caso inédito. Inédito? Aquele país que nem nome tem já nasceu dando calote. No livro Escritores e espiões, de Fernando Martínez Laínez, editora Relume Dumará, agosto de 2005, no capítulo Pierre-Augustin Caron Beaumarchais - O espião do iluminismo, sobre esse escritor, autor de duas obras famosas: O barbeiro de Sevilha e As bodas de Fígaro, marcos europeus do teatro e da música, e que levou grande ajuda aos colonos revoltosos que proclamaram a independência de Estados-Unidos, consta que, apaixonado pela causa, conseguiu convencer o governo francês de que ajudar a luta dos colonos seria uma maneira de enfraquecer a Inglaterra, inimigo tradicional. Com uma empresa de fachada conseguiu levar armas e equipamento aos rebeldes americanos mas o pagamento que seria em tabaco e outros artigos. Como o governo francês tinha de fingir de nada saber os americanos tiveram o pretexto pra rejeitar a dívida. A novela se encerrou não com o pagamento da dívida mas com a revolução francesa.

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