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domingo, 12 de outubro de 2014

Está na moda difamar o passado
Comentário de Nano Falcão,1.10.2014 11:36
Ray Bradbury muito bem profetizou, em Fahrenheit 451, que o politicamente correto é que acabaria com a literatura e só restaria no futuro reality shows (e ele escreveu isso nos anos 50!).
Hollywood há tempos sofre com essa praga. Em todo filme que se passa na idade média por exemplo, não há machismo: Mulheres são sempre avançadinhas, guerreiras, assanhadas. Afinal mostrar a REALIDADE HISTÓRICA, a repressão sexual, com a própria mulher acatando o papel imposto pela sociedade de submissa, seria "machismo". Pra compensar o machismo de outrora nos filmes hollwyoodianos até meados dos anos 80, hoje as mulheres são sempre mostradas em papéis de liderança, coragem, força. O papel de "loser", da pessoa cheia de "dúvidas", do carente, do inseguro, é sempre do homem (mas só se ele for branco e hetero, do contrário será preconceito).
Aliás, outra coisa irritante é a política de cotas forçadas em vigor atualmente no cinema. Se antes havia discriminação visivel nos filmes até novamente, meados dos 80, hoje até em filme com "deuses vikings" como do Thor, tem deus nórdico negro e japonês. As cotas chegaram até Asgard! Agora imaginem se fossem fazer um filme sobre o panteão das deidades japonesas ou africanas, será que ousariam colocar caucasianos no lugar? Todo mundo sabe a resposta.
No fim das contas ao invés de combater o machismo, o racismo e a discriminação, Hollywood só as esconde, ao editar a história e dar a entender que não havia machismo na idade média, que não havia apartheid dentro da sociedade americana até bem pouco tempo atrás, esquecendo-se até que até meados dos anos 50 o exército americano ainda era segregado! (brancos não podiam servir com negros).

Se existe uma PÉSSIMA FORMA de aprender qualquer coisa com História é vendo filme de Hollywood.
http://www.pavablog.com/2014/10/04/o-material-jornalistico-produzido-pelo-estadao-e-protegido-por-lei/?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=bol+426
Aproveites pra ler este texto logo, porque no futuro pode ser proibido por ser muito sabe-se-lá o quê
Há décadas vemos essa lenga-lenga no noticiário. O mais comum sempre foi o de tom puritano-moralista. Quando se quer vender algo basta fabricar uma polêmica, se combina um teatro de discussão. Por exemplo: Nos anos 1990, quando o carnaval paulistano ainda estava incipiente, venderam pouco ingresso pro desfile de escola de samba. Então lançaram a polêmica de que um carro alegórico encenaria uma lua-de-mel. Arranjaram um delegado pra declarar que proibiu o carro desfilar. Patati-patatá, discutiram bastante, chovendo no molhado. Enfim venderam todos os ingressos. No carro alegórico era só um casal de langerri.
A imprensa sempre viveu disso, nesse eterno morde-e-assopra esquizofrênico e amnésico, onde o público é tratado como o mais débil dos débeis mentais.
Agora a moda é difamar o passado. Monteiro Lobato retratava sua ficção com base na condição de sua época. Idem Tom & Jerry.
Agora o subterfúgio covarde de acusar de racismo quem já morreu ou é personagem de ficção, portanto incapaz de se defender.
Esse tipo de sofisma, já muito manjado, é conhecido como idiotice da objetividade. O idiota da objetividade é quem usa dessa forma distorcida e pervertida de raciocínio, tipo fazer análise literária de lista telefônica. Aos que têm preguiça mental, os famosos vidiotas, parece tudo muito lógico.
Já ouvimos tanto reproche, por exemplo, às telenovelas, por serem fantasiosas: Quando uma moça pobre se casa com um rapaz rico, por exemplo. Já ouvi muito dizer: Só em novela mesmo!
Se a ficção retrata uma situação ideal é fantasiosa, se retrata a realidade é conservadora, e no futuro sabe-lá de quê será acusada!
Se a mocinha se casa com rapaz rico uns dizem que é fantasiosa. Se a mocinha se casa com rapaz pobre dirão que é doutrinária, conservadora. Se não se casa dirão que é pessimista ou revolucionária. É difícil agradar a gregos e troianos.
São conceitos que se podem torcer e distorcer conforme o interesse do momento.
É por isso que a cultura do passado fica abandonada: Por que o interesse manipulador que a gerou não mais existe. Agora ela incomoda.
E também, por exemplo, se tendo muita concorrência pra vender os vídeos, propagandear que os seus, editados, ou melhor, mutilados, são mais morais que os outros.
Nesse sentido se pode argumentar qualquer coisa. Tarzã pode ser taxado de anti-ecológico ao matar jacaré a facada. Os filmes épicos serão acusados de incentivar o belicismo. Ou de anti-ecológicos, porque os navios são feitos de madeira.
Então os filmes com as caravelas chegando serão editados? Passaremos a ver Cabral chegar em caravelas de ferro?
E um trecho de texto de Machado de Assis, onde a personagem abre uma boceta de rapé. Terá de editar, né? Uma caixinha de chocolate, então?
Mas depois virá outro crítico, dizendo, com razão, que isso está falseando o passado.
Monteiro Lobato caracterizou tia Anastácia como a típica empregada rural de seu aqui-agora, tal qual a empregada da casa de Tom & Jerry, que é uma típica negra da Luisiana, o estereótipo bem retratado em E o vento levou...
Se nos três exemplos caracterizasse essa típica negra gorda de sotaque carregado como uma branca magra com sotaque alemão, por exemplo, o que aconteceria? O público não se identificaria com o enredo, pois lhe pareceria falso, artificial. Seria como se na telenovela das 8 a empregada fosse uma japonesa intelectual, que fala 10 idiomas. Toda a imprensa desceria a lenha, o público rejeitaria e a telenovela seria cancelada por queda de audiência.
Exatamente o que disseram da personagem que a cantora Sandy fez numa novela, que era uma rípi muito estranha: Que toma banho, não fala palavrão, não fuma, não usa droga, não transa...
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É assim na terra do bicho-homem.
Um vocábulo popular define bem a coisa: Babaquice.
Qualquer telenovela, filme, peça, o que seja, que fosse 100% politicamente correta não teria conflito. Seria tão chata quanto um discurso político.
Nada restaria. Teria de se proibir toda recordação do passado.
Aula de história? Nem pensar!
Das três, uma: Esse sofista é idiota, espertalhão manipulador ou doido varrido.
Quando te deparares com esse tipo de sofista, não te enganes: Estás diante dum manipulador. O que parece ser uma tolice é, na verdade, manipulação maliciosa, maligna.
Que tal argumentar que as três empregadas (tia Anastácia, a de Tom & Jerry e a dO vento levou...) são uma ofensa aos obesos? Ou um incentivo à obesidade? Ai! Pode ser que quando alguém esteja lendo isto o vocábulo obeso seja incorreto. Eu deveria dizer hiper-adiposo, expansivo, rechonchudo, graxamente rico... Ai! Não tenho bola de cristal!
Se continuar cogitando isso ficarei, buuuuu!, neurastênico, como na canção dos anos 1970.
Tenho uma coleção desses moralismos em recorte de jornal, etc. É juíza proibindo uma propaganda porque tal coisa incentiva os jovens a isso e aquilo, aeromoças protestando contra artigo da revista Playboy... E miríades de picuinhas duma sociedade americanizada, onde tudo incomoda alguém, inviabilizando toda manifestação cultural, transformando tudo na televisão sueca, uma sociedade tão certinha e tão chata.
A sociedade sueca é tão civilizada, tão avançada, tão cheia de direito, que é maçante, enfadonha. Pra se fazer um programa de tevê se faz mil ponderações, quase uma enquete, pra não se ferir a baboseira-mor dos séculos 20 e 21, o politicamente correto.
É preciso a humanidade sair da infância e rejeitar essa sem-vergonhice.


7 comentários:

  1. Ray Bradbury muito bem profetizou em seu "fahrenheit 451" que o politicamente correto é que acabaria com a literatura e só restaria no futuro reality shows (e ele escreveu isso nos anos 50!).

    Hollywood há tempos sofre com essa praga. Em todo filme que se passa na idade média por exemplo, não há machismo: mulheres são sempre avançadinhas, guerreiras, assanhadas. Afinal mostrar a REALIDADE HISTÓRICA, a repressão sexual, com a própria mulher acatando o papel imposto pela sociedade de submissa, seria "machismo". Pra compensar o machismo de outrora nos filmes hollwyoodianos até meados dos anos 80, hoje as mulheres são sempre mostradas em papéis de liderança, coragem, força. O papel de "loser", da pessoa cheia de "dúvidas", do carente, do inseguro, é sempre do homem (mas só se ele for branco e hetero, do contrário será preconceito).

    Aliás, outra coisa irritante é a política de cotas forçadas em vigor atualmente no cinema. Se antes havia discriminação visivel nos filmes até novamente, meados dos 80, hoje até em filme com "deuses vikings" como do Thor, tem deus nórdico negro e japonês. As cotas chegaram até Asgard! Agora imaginem se fossem fazer um filme sobre o panteão das deidades japonesas ou africanas, será que ousariam colocar caucasianos no lugar? Todo mundo sabe a resposta.

    No fim das contas ao invés de combater o machismo, o racismo e a discriminação, Hollywood só as esconde, ao editar a história e dar a entender que não havia machismo na idade média, que não havia apartheid dentro da sociedade americana até bem pouco tempo atrás, esquecendo-se até que até meados dos anos 50 o exército americano ainda era segregado! (brancos não podiam servir com negros).

    Se existe uma PÉSSIMA FORMA de aprender qualquer coisa com História é vendo filme de Hollywood.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Parabéns pelo texto!

    Vejo que a luta de minorias por melhorias sociais, que reputo como desejáveis, veio carregada com o politicamente correto que é uma idiotice disfarçado de luta contra preconceitos mas que só gera de fato, outros preconceitos.

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  4. Hollywood muda a história. No excelente filme "El Cid", estrelado por Charlton Heston, o personagem principal de mesmo nome é morto por uma flecha, antes de entrar em luta com os mouros. Pra dar mais emoção ao filme,
    Mesmo morto, amarrado em seu cavalo,
    ele finge comandar os seus soldados e expulsar os mouros das
    praias de Valencia.
    A realidade, entretanto, é outra. El Cid morreu em seu castelo em Valencia, em idade avançada, tendo ao lado sua esposa Chimena e suas duas filhas

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  5. Hollywood muda a historia. No filme "A queda do imperio romano", onde Christopher Plummer nos dá uma verdadeira aula de interpretação como o
    imperador Commodus, no final do filme ele morre num emocionante combate de lanças num ringue improvisado com escudos dos soldados.
    Na realidade, Commodus foi morto estrangulado durante um banho por Narciso, um campeão de luta que frequentava o palacio.
    E´de se extranhar bastante, já que o filme teve um historiador famoso
    como consultor do filme: Will Durant. .

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  6. Hollywood muda a historia. No filme "A queda do imperio romano", onde Christopher Plummer nos dá uma verdadeira aula de interpretação como o
    imperador Commodus, no final do filme ele morre num emocionante combate de lanças num ringue improvisado com escudos dos soldados.
    Na realidade, Commodus foi morto estrangulado durante um banho por Narciso, um campeão de luta que frequentava o palacio.
    E´de se extranhar bastante, já que o filme teve um historiador famoso
    como consultor do filme: Will Durant. .

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