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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Eu vicero, tu viceras, ele vicera, nós viceramos, vós vicerais, eles viceram
● Anos atrás me cansei de procurar na internete um mapa do antigo Mato Grosso, anterior a 1979, quando Mato Grosso do Sul era o sul de Mato Grosso. Não achei. Idem pro antigo Goiás, de antes de Tocantins.
Tive de recorrer a minha coleção enciclopédia Barsa 1973 (ou a Delta Larousse 1976).
Tem gente que joga fora essas enciclopédias porque acham que se tem tudo na internete a enciclopédia está obsoleta. Nem sebo quer saber delas.
Como podem ser tão estúpidos?
Eu disse ao sebista que se a enciclopédia está desatualizada como geografia nunca o estará como história.
Outro exemplo: Já contei sobre o caso das mãos enfeitadas do tio de Lovecraft. A tradução correta é elegante caligrafia, pois hand em inglês também significa caligrafia. Toda a equipe ficou patinando nisso, pois na internete não se achava solução pra traduzir a expressão. Foi fuçando no dicionário inglês-português-inglês, da citada Barsa 1973, que encontrei a solução.
Então esqueças a idéia fajuta de que na internete tem tudo.
A gente imagina que tem tudo no comércio, que tudo está disponível.
Pois quando precisei de mola pra encaixar a estante que eu estava fazendo tomando toda a parede tive de tirar mola de chaveiro, pinça de varal e caneta, pois mesmo em ferro-velho só se acha mola grande.
E muitas outras vezes quando precisei duma coisa assim-e-assão tive de improvisar.
Igual a crença de que vivemos na mais completa liberdade democrática.
Basta pensar no fisco e nas barreiras alfandegárias pra nos dar uma ducha fria.
● O pessoal não quer saber de coisa que mexe com a auto-estima. Quando publiquei a identidade dum episódio de Doctor Mortis com um de Hitchcock apresenta, e depois, apontando a matéria em fóruns, ninguém comenta. É tabu.
Há pouco, na comunidade Taringa, onde uma postagem disse que a queda do ditador argentino Rosas se deveu a altos e baixos do poder. Eu disse que não. Que Rosas planejava ocupar o Rio de Janeiro mas duque de Caxias ocupou Buenos Aires e Montevidéu antes, e Rosas fugiu a um navio inglês, se exilando na Inglaterra.
Então um senhor idoso pediu a fonte, pois nunca soubera de tal coisa.
Colei as conexões e disse que não tenho culpa se os argentinos varrem a baixo do tapete fatos históricos que mexem com sua vaidade.
● Quando do evento do 11.09 nossa imprensa entreguista afirmou que era a primeira vez que Eua sofreu ataque em seu território. Isso não é verdade. Pancho Vila atacou cidades ianques durante a guerra Eua-México. Antes disso, em 1814, os britânicos atacaram Uóchintão e incendiaram a Casa Branca.
● Por que não pode colar em prova? Prova é, como o nome diz, uma forma do aluno provar que conhece. Mas não é pra provar que tem supermemória.
A repressão à cola é um dos arquétipos errôneos dos quais não conseguimos nos desvencilhar. Virou dogma.
Acaso um arquiteto ou engenheiro tem na memória todas as fórmulas que precisar e todos os textos sobre a matéria? Claro que não! Quando precisa fazer um trabalho consulta, pesquisa, pergunta. Então por quê o aluno tem de ter supermemória? Isso é surreal e não reflete o procedimento da execução dum trabalho. A prova deveria simular essa execução do trabalho. O aluno tem de provar que conhece a matéria, é competente no assunto, sabe se virar, resolver o problema e terminar a tarefa, e não absurdamente provar que tem supermemória.
Esse culto dogmático e exaltado à prova é arcaico, autoritário, uma camisa-de-força, coisa do século 19. Já não deveria ter sido do século 20.
● Um sujeito que foi expulso da Pedalada pelada porque erigiu.
O que posso dizer sobre essa imensa intolerância e estupidez?
Em todos os movimentos que envolvem nudez a mesma ladainha: De que essa nudez não implica em sexualidade.
No mundo há dois tipos de maníacos: Os maníacos sexuais e os maníacos anti-sexuais.
O que há de errado em haver sexualidade no contexto?
O problema é que não querem diferenciar entre sexualidade saudável e patológica. Então vão nivelando por baixo.
Vivemos com a tecnologia de nossos tataranetos e a moral de nossos tataravós.
No Peru mulheres indígenas fizeram protestos sociais se postando na calçada, de topilés, entoando cantos tribais.
As autoridades fizeram tempestade em copo dágua alegando que havia menores, garotas de 16 anos nas manifestações.
Outra manifestação de imensa intolerância e estupidez.
Já estamos perto de completar ¼ do século 21 e a nudez ainda é tabu. Quê povo mais infantil! Um bando de hipócritas debilóides que têm vergonha da própria natureza!
Primeiro: Estão impondo a ideologia do branco ao índio, essa pseudomoral vitoriana sem pé nem cabeça.
Segundo: Que pseudoproteção ao menor é essa? Pura hipocrisia.
Terceiro: Essas otoridades não têm mais o quê fazer?
Mas sabemos que nos postos burocráticos não estão os melhores cérebros, assim como não estão nas universidades. Ao contrário. Em atividade tão enfadonha, tão chata, só cérebros indigentes suportam a rotina. É basicamente isso a tragédia espiritual de nossa era. Se age conforme estereótipos, aparências. Faço o que penso que pensam que devo pensar.
Justamente porque os homens inteligentes fogem desses serviços aborrecidos, atolados numa moralidade vaga e suposta, é que eles são mais e mais ocupados por mentes zumbificadas, protocolares, robóticas.
Tudo isso evidencia que o ser humano está muito longe de ter a autêntica mentalidade do século 21.
Uma humanidade ainda muito imatura, muito zumbi. Verdadeiras formigas do intelecto.
Tanto é que toda sexualidade normal é considerada imoral e paradoxalmente defendem furiosamente o direito a perversões sexuais.


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