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domingo, 3 de julho de 2016

 Quem nunca teve vontade de brigar de bola-de-neve? Lembra o carnaval de Ponta Porã, com sua tradicional guerra de balão dágua. Nos gibis do pato Donaldo tem muito disso. Pra quem nunca viu neve, um filho de terra tropical como eu, parece encantador. Mas não é tão suave assim. A foto acima é de estudantes de Princetão logo após uma batalha de bolas-de-neve em 1893.
Neve e gelo são muito bonitos em cartão postal mas é um inferno pra quem vive ali. Os carros se chocam porque deslizam e não conseguem frear, as pessoas quebrando braço e perna. Uma professora cujo filho estava morando em Nova Iorque contou que todo dia aparece um com perna ou braço quebrado. Multa pra quem não desobstruir a calçada. Se formam camadas sobre camadas de neve no teto, sacada, canaleta, podendo desabar tudo. Mas isso ainda é fichinha diante das situações horripilantes relatadas nos contos de Jack London.
Estás indignado com multa abusiva? Por quê recebes? A multa caduca se dentro dum prazo da ocorrência até a notificação não for recebida. Ninguém é obrigado a receber uma correspondência que não lhe interessa. Perguntes ao carteiro o quê é, antes de assinar.
Desde a infância estamos condicionados a reverenciar os dicionaristas como seres superiores dotados de imensa sabedoria. Mais um dos tantos estereótipos que desabam graças ao mundo internético. Consultando verbetes em geral, na busca, se percebe que o mundo dos dicionários é uma barafunda infernal, muitas vezes contraditórios entre si. Cada um diz uma coisa. Uns têm tal vocábulo e outros não. Definições díspares, mesmo estabanadas, erros ortográficos, definições erradas, incompletas e ou imprecisas, vícios de linguagem, má pontuação.
Um vício irritante dos dicionários é a supérflua mania de abreviar, o que complica muito, pois a abreviação que pra quem escreve pode ser familiar, pra quem lê vira um enigma, ainda mais se for estrangeiro. No mundo eletrônico, ainda mais internético, abreviar é supérfluo, nada mais que uma mania besta.
Outra característica esquisita dos dicionários é não citar o nome científico ao descrever um animal ou vegetal, o que dificulta a tradução, obrigando a pesquisar noutro lugar pra se certificar sobre a identidade.
Tanto em português quanto em castelhano vemos a definição errada do vocábulo terror, o confundindo com pavor, sendo erradamente definido como medo. Vejamos a definição das três palavras clássicas:
Horror - Feiúra exacerbada. Impressiona pela estética, seja feiúra, nojo, sensação doentia de qualquer espécie. Por exemplo: Um monstro deforme babando e grunhindo.
Pavor - Extremo medo. Um relato de pavor se caracteriza pelo medo exacerbado como característica principal, mesmo que não se saiba o motivo ou que pareça imotivado.
Terror - Se caracteriza por destruição, mutilação, ferimento, dano. O terrorista causa pavor e horror através de destruição, morte. Mesmo que não se sinta medo nem horror a explosões, incêndios e agressões, se trata de terrorismo. Por isso se diz sobre alguém destrutivo, que fulano é terrível.
Portanto não faz sentido dizer que fulano sentiu terror.
Mesmo o dicionário da real academia espanhola comete esse erro.
 É mesmo. A internete pôs tudo de ponta-cabeça
No alto diz que os antigos egípcios eram louros e ruivos
Em baixo diz Os arianos choram: Os viquingues eram negros
Campanha contra o estupro? Querem o quê? Conscientizar o estuprador? O estuprador pensará bem e dirá:
— Eu pensava que elas achavam divertido. Então me regenerarei e não o farei mais.
Posar nua pra campanha anti-estupro. Qual o sentido disso? Isso não tem pé nem cabeça.
Isso se resolve com lei e castração.
Enquanto persistir a ideologia piegas, hipócrita, rasteira e sorrateira do falso direitos humanos, nada se resolverá.
O quê eu ou o leitor comum tem a ver com isso? Nada. Isso não é questão cultural. Se alguém está passando essa idéia, é manipulação maliciosa. O alvo da campanha tem de ser o delinqüente em questão e as autoridades. Quem faz isso é anormal. É bandido e ou doente.
Ou será que já deram direitos ao estuprador? Não é de duvidar.
No mais, é perda de tempo, energia e dinheiro fazer manifestação estabanada que leva a nada. Pior: Serve de catarse e aplaca uma real verve de resolver o problema.
Em postagens do Youtube, em língua inglesa vemos o que em inglês é chamado banned cartoons, desenhos-animados banidos, dizendo que são racistas, só porque os negros são retratados de forma caricata, muito beiçudos.
Estão difamando e injuriando os autores dessas, essas sim, autênticas, obras-de-arte.
Os caras são muito burros. Têm um tesouro, os melhores desenhos-animados do mundo, e em vez de se orgulhar ficam metendo o pau, igual os burros daqui enxovalhando o grande Monteiro Lobato.
Paradoxalmente, isso é uma forma de ignorância e intolerância, uma forma moralista hipócrita de encarar um simples desenho animado, um traço da cultura ianque, que, de tão megalômana, não tem cultura verdadeira.
Falando português claro: Idiotas da objetividade.
Então por quê não dizem que o desenho de Betty Boop é machista? Betty é retratada com a cabeça grande, vestido curto e pernas sensuais.
Então todos os desenhos animados teriam de ser banidos, pois representam animais, crianças e, muito mais, de forma caricata.
Tem o que criticam os humoristas por estereotipar. Mas como se poderia satirizar sem estereotipar? Como desenhar caricatura sem distorcer a fisionomia?
Me lembro de quando um entrevistado disse que não raciocinava sobre hipótese. Um comentarista disse que é impossível o fazer doutra forma. Que desde que a humanidade existe, seja na antiga Grécia ou hoje, só se pode raciocinar sobre hipótese.
Por causa de raciocínios sofistas assim nossas mazelas se multiplicam. No colégio, anos 1970, um professor de educação física não nos deixava jogar futebol. Pra brincar na quadra tínhamos de ir escondido ou ir a outro lugar. Dizia que futebol é desporto de gente ignorante. E deu o exemplo do jogador que, quando um repórter perguntou sobre a expectativa de jogar em Natal (Rio Grande do Norte), disse que seria bom jogar na cidade onde nasceu Jesus.
Temos de ser coerentes. Não devemos usar dois pesos e uma medida.


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