- Che Guavira - sítio literário

sábado, 4 de abril de 2015

Um comentário lembrou que os animais não sabem ler. Na rede tem muita postagem de placa que parece se dirigir aos animais. O que faz lembrar a piada de rotular Sal no pote de açúcar pra enganar as formigas.
Faz lembrar outra que postei, das crianças abusando de velocidade em velocípede.
Talvez as pombas saibam ler, porque recentemente esse supermercado atacado era cheio delas.
Se o autor da placa quisesse evitar as piadas escreveria que é proibido entrar com animal.
Analisando a redação da placa:
Animais está claramente como título
De cara o óbvio proibído, ortografia nunca vigente.
O vocábulo expressamente está como vício de linguagem, a famosa redundância, tautologia, elemento supérfluo. Se é proibido, isso já é absoluto. É proibido ou não. Não tem aproximadamente proibido, meio proibido, 30% proibido. A intenção ser enfático, como o bicho que se arrepia pra parecer maior.
É proibido entrar, é proibido entrada, é proibida a entrada. Na placa há um erro de concordância.
O segundo erro de concordância: ...a entrada de animais na loja, mesmo que esteja no colo. Se referindo a animais a concordância tem de ser no plural também, estejam.
Se omitisse o supérfluo que esteja se safaria do erro
...a entrada de animais. Preferível a forma mais simples, ...a entrada de animal, então o esteja concordaria
Na forma singular, sem enumerar, indica número indefinido. Fazer pergunta significa perguntar, não especificando quantas perguntas. Quando é só uma, fazer uma pergunta.
Por isso travesseiro de pena, torta de noz, muro de tijolo, operação de variz, fazer a paz, parque de diversão, banca de revista
Sofisticando mais, entrada à loja, já que entrada na loja seria uma entrada já estando na loja.
Mas é supérfluo dizer isso, porque é óbvio que essa entrada só pode ser a da loja.
Simplificando a placa, o resultado:
Proibido entrar com animal
● Já falei da pitsa e outros tantos produtos que vão ficando gradativamente descaracterizados. Outro problema é o pão integral. Pão integral propriamente dito é um bolo, grosso, consistente. O que temos no comércio é uma mistura, o que dá consistência de pão muito melhorado. Mas o pessoal exagera na mistura e acaba vendendo como integral. Não é só porque põe alguma castanha que o pão seja integral. É uma fraude.
● Os quadrinhistas não perceberam o inconveniente de colocar alguns balões com fundo colorido. Quando o fundo é escuro dificulta a leitura com pouca luz.
● Nos gibis da Mônica Chico Bento vai roubar goiaba no quintal do vizinho e tem vez que se esconde na copa cerrada que mais parece de macieira.
Goiaba é fruta selvagem, quem planta são os passarinhos. Em meu quintal é praga. Chico Bento é o estereótipo do caipira mineiro. Precisa roubar do vizinho se tem goiaba em toda parte?
Goiabeira é arbusto todo esgalhado que não dá copa fechada. Ninguém se esconderia numa goiabeira porque é baixa e de copa aberta.
Gringos ignorantes fazendo filme com cena de carnaval carioca igual ao carnaval caribenho, ainda vá, mas estereótipo aqui mesmo?
Será que Maurício, em suas estórias tão brasileiras não sabe desenhar uma goiabeira?
Na frente de muitas lojas vemos o famigerado aviso de que o estacionamento é reservado e sujeito a guincho. Mas alguém já viu algum carro sendo guinchado? Então por que quem estaciona em vaga pra deficiente não está sujeito a guincho?
Vá entender!
Acredito que é a tecnologia quem deve se encarregar de tornar a vida dos deficientes tão normal quanto de qualquer outro. Esse é o caminho, e não o pesado e oneroso caminho de criar vagas reservadas rampas, e um sem-fim de exceções, culminando na absurda calçada pra cego.
No estacionamento do Comper da Taquaruçu um exagero de vagas pra idoso, cadeirante, etc. A não ser que abriram um supermercado especial pra eles.
● O dicionário da Real Academia Espanhola não põe o nome científico. Um bom truque pra traduzir o nome dum animal ou vegetal é pesquisar o nome científico. Um dicionário não exibir o nome científico é uma deficiência grave. Vejamos o que diz sobre durazno (pêssego):
durazno
(Del lat. duracĭnus).
1. m. duraznero ( variedad de melocotonero).
2. m. Fruto de este árbol.
3. m. Bol., Chile, Ec. y Hond. Nombre genérico de varias especies de árboles, como el melocotonero, el pérsico y el duraznero.
4. m. Am. Fruto de estos árboles.
Diz tudo, menos o nome científico, Prunus persica. Com o nome científico se consegue pesquisar o nome noutro idioma, usando palavras-chave auxiliares.

5 comentários:

  1. caramba ! o que tem de êrro nessa placa!. Será que foi feita por algum
    membro da nossa Academia Brasileira de Letras?
    Neste país tudo é possivel! Gilberto Gil já foi até ministro da educação (?)

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  2. Ah! estava praticando uma injustiça. Esquecendo de outro membro da nossa academia.
    Autor da obra imortal Marimbondos de Fogo!, do nosso ex presidente
    José Sarney.
    Atualmente ele "trabalha" em outras quatro obras:
    Borrachudos Pirofóricos, Igneas Muriçocas, A pirotenia do Mutum e Apis ignea.
    membro da nossa Academia Brasileira de Letras?
    Neste país tudo é possivel! Gilberto Gil já foi até ministro da educação (?)

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  3. Parabéns pela aula de português!

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  4. Que post muito do hilário. kkkkkkk

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