domingo, 23 de julho de 2017

Lelo 005


Alguns vícios de linguagem em castelhano
Em castelhano vemos quase os mesmos vícios de linguagem do português. Mas vícios não tão comuns no português são o da dupla referência e erro de tempo verbal.
Si tuviera corazón, diría que su corazón fue destrozado
Está dizendo que se tivera (teve no passado ao qual se referiria, mas não houve referência a algum tempo passado, portanto erro verbal) coração (pode ser que hoje tenha), essa pessoa diria que seu coração foi destroçado.
O uso de tuviera, tivera em vez de tuviese, tivesse. Tuviera, tivera, tivesse tido, se refere a ter razão na ocasião referida, passado. Quem diria? A omissão do pronome faz com que a referência seja à terceira pessoa. Se for a segunda, tem de aparecer o pronome, no caso eu. com que quem diria é a mesma pessoa que não tem coração.
Si tuviese corazón, yo diría que su corazón fue destrozado
Se tivesse coração, eu diria que seu coração foi destroçado
¿Qué sucedería si Greta y los demás reaccionaran ante nuestras órdenes enfurruñándose, diciendo palabras amargas, discutiendo?
Reaccionasen, reagissem
¿Qué sucedería si Greta y los demás reaccionasen ante nuestras órdenes se enfurruñando, diciendo palabras amargas, discutiendo?
O quê aconteceria se Greta e os demais reagissem a nossas ordens emburrando, dizendo palavras amargas, discutindo?
Si pudiéramos mirar hacia el tiempo, veríamos la historia entera de Montevideo pasar por allí
Pudiésemos, pudéssemos. O por é excesso de preposição. Hacia, até, mal empregado.
Si pudiésemos mirar nel tiempo veríamos la historia entera de Montevideo pasar allí
Se pudéssemos olhar no tempo veríamos toda a história de Montevidéu passar ali
Un fragmento de existencia tan muerto como si nunca tuviera lugar
Está correto porque se refere ao passado: Um fragmento de existência tão morto como se nunca acontecera (tivesse acontecido)
Si yo estuviera del otro lado, no del lado de la gente, no habría nadie que escuchara mis opiniones
Se eu estivera do outro lado, não do lado do povo, não haveria ninguém que escutara minhas opiniões
Si yo estuviese nel otro lado, no nel lado de la gente, nadie habría que escuchase mis opiniones
Se eu estivesse no outro lado, não no lado do povo, ninguém escutaria minhas opiniões
Era el último de los cinco hijos de un notario y una muchacha de la nobleza, que falleció cuando sólo tenía siete años de edad.
Era o último dos cinco filhos dum escrivão e uma garota da nobreza, que faleceu quando tinha apenas sete anos de idade.
Difícil redigir de forma mais confusa. A única forma que faz sentido e deixa claro:
Era el último de los cinco hijos de una muchacha de la nobleza y un notario que falleció cuando ese hijo sólo tenía siete años de edad.
Era o último dos cinco filhos duma garota da nobreza e um escrivão que faleceu quando esse filho tinha apenas sete anos de idade.
En la edad media surgió un retrato de Satanás más reconocible.
Fue una época de inmenso sufrimiento, que se empeoró con el brote de peste bubónica, la pandemia más devastadora de la historia humana, que mató a millones en toda Europa.
Como la Iglesia no podía proteger a los creyentes de la enfermedad, las representaciones de Satanás se centraron en los horrores del Infierno, reflejando el estado de ánimo del momento y recordándoles a los fieles que se abstuvieran de pecar.
Na idade média surgiu um retrato de Satanás mais reconhecível.
Foi uma época de imenso sofrimento, que piorou com o surto de peste bubônica, a pandemia mais devastadora da história humana, que matou milhões em toda a Europa.
Como a Igreja não podia proteger os crentes da doença, as representações de Satanás se centraram nos horrores do Inferno, refletindo o estado de ânimo do momento y recordando-lhes aos fiéis que se abstiveram de pecar.
Proteger a los creyentes contra la enfermedad, recordando a los fieles que se abstuviesen
Proteger os crentes contra a doença, lembrando aos fiéis pra não pecar
En un bosque de variada vegetación, en algún lugar de los picos orientales de los Cárpatos, un hombre estaba en una noche de invierno observando y escuchando, como si esperara que alguna bestia de los bosques apareciera al alcance de su mirada, y posteriormente, de su rifle.
En un bosque de variada vegetación, en algún lugar de los picos orientales de los Cárpatos, un hombre estaba en una noche de invierno observando y escuchando, como si esperase que alguna bestia del bosque apareciese a alcance de la mirada y del rifle.
Num bosque de variada vegetação, nalgum lugar dos picos orientais dos Cárpatos, um homem estava numa noite de inverno observando e escutando, como se esperasse que alguma besta do bosque aparecesse a alcance do olhar, e do rifle.
Pero dejemos los cohetes por el momento y retornemos al testimonio de Mercedes C, quien nos entregó una de las más completas versiones de la historia del loco de los carteles:
Mi mamá cuenta que después de un par de semanas sin noticias de su mascota, empapeló el barrio con afiches en donde se mostraba la foto del perro y la recompensa para la persona que lo encontrara. Pero el pichicho jamás apareció. Mi mamá dice que, todos los días, el pobre hombre recorría las calles despegando los avisos nuevos que tapaban los afiches con la foto de su perro.
Erro de preposição, pronome, tempo verbal. Notar como o erro de tempo verbal resulta em informação errada, pois está dizendo que o cão foi encontrado, quando quer informar sobre a recompensa a quem o encontrar (caso seja encontrado).
Outra incoerência são as frases sin noticia de su mascota, sem notícia de seu mascote, e la foto de su perro, a foto de seu cão. Nesse parágrafo a primeira pessoa é Mercedes C, recontando o que sua mãe contou sobre um homem que perdeu um cão. A mãe é a terceira pessoa, o dono do cão é a quarta, já que a segunda é o leitor. O cão perdido não pertencia à mãe de Mercedes mas ao homem, a quarta pessoa. Então sin noticia de la mascota de él, sem notícia do mascote dele, la foto del perro de él, a foto do cão dele. Na segunda referência é supérfluo dizer a quem pertence o cão, la foto del perro, a foto do cão.
Outro erro é a frase nos entregó, nos entregou, quando o certo é entregó a nosotros, entregou a nós, pois não fomos nós o que foi entregue e sim a história.
Pero dejemos los cohetes un momento y retornemos al testimonio de Mercedes C, quien entregó a nosotros una de las más completas versiones sobre la historia del loco de los carteles:
Mi mamá contó que después de un par de semanas sin noticia de la mascota de él, él empapeló el barrio con afiche en donde se mostraba la foto del perro y la recompensa para la persona que lo encontrase. Pero el pichicho jamás apareció. Mi mamá dijo que todos los días el pobre hombre recorría las calles despegando los avisos nuevos que tapaban los afiches con la foto del perro.
Mas deixemos os foguetes um momento e retornemos ao testemunho de Mercedes C, quem entregou a nós uma das mais completas versões sobre a história do louco dos cartazes:
Mamãe contou que depois dum par de semanas sem notícia do mascote dele, ele empapelou o bairro com anúncio onde se exibia a foto do cão e a recompensa prà pessoa que o encontrasse. Mas o totó jamais apareceu. Mamãe disse que todo dia o pobre homem percorria as ruas descolando os avisos novos que tapavam os anúncios com a foto do cão.
Yo me encargo básicamente de sepultar a la mayoría de los cuerpos que llegan a este cementerio, es un trabajo de mucha responsabilidad porque tengo los restos de familiares de toda la ciudad en mis manos, y por eso los trato como si fueran míos.
Dupla referência, má pontuação, erro de tempo verbal
Redundância: Se tenho os restos não é preciso dizer que estão em minhas mãos. Se pode dizer tenho os restos ou estão em minhas mãos.
Me encargo básicamente de sepultar a la mayoría de los cuerpos que llegan a este cementerio. Es un trabajo de mucha responsabilidad porque tengo los restos de familiares de toda la ciudad. Por eso los trato como si fuesen míos.
Me encarrego basicamente de sepultar a maioria dos corpos que chegam a este cemitério. É um trabalho de muita responsabilidade porque tenho os restos de familiares de toda a cidade. Por isso os trato como se fossem meus.
Película Si yo fuera rica!…
Filme Se eu fora rica!…
A frase diz que está suspirando o fato de no passado não ter sido rica, quando na verdade o que suspira é o fato de não ser rica. Então a redação correta é Si yo fuese rica!…, Se eu fosse rica!...
Una energía que le augura larga vida al teatro uruguayo
Doble referencia, dupla referência
Los políticos reaccionarán cuando les ataquen a ellos, como pasó con Eta
Doble referencia, dupla referência
Los políticos reaccionarán cuando fueren atacados, como pasó a Eta
Os políticos reagirão quando forem atacados, como aconteceu ao Eta
Aquella frontera que a mí me horrorizaba
Doble referencia, dupla referência
Había estado rezando por su compañera de habitación, que había muerto en la semana anterior, y que la cama en donde estábamos sentados le había pertenecido a ella.
Había estado, havia estado, duplo verbo: Estuviera, estivera.
Había muerto, havia morrido, duplo verbo: Morrera.
Le había pertenecido a ella, Lhe habia pertencido a ela, duplo verbo e dupla referência.
…Estuviera rezando por su compañera de habitación, que muriera en la semana anterior, y que la cama en donde estábamos sentados perteneciera a ella.
…Estivera rezando por sua companheira de quarto, que morrera na semana anterior, e que a cama onde estávamos sentados pertencera a ela.

Nunca encontré atractivo en pisar lugares tan pesados como los cementerios
Os lugares são os cemitérios
Nunca encontré atractivo en pisar lugares tan pesados cuanto los cementerios
Os lugares não são os cemitérios
Willets lo mandó llamar a la policía, pero a mí me hizo quedarme
Willets lo mandó llamar a la policía, pero a mí me hizo me quedar
A mí me hizo me quedar, tripla autorreferência. Aqui a vírgula é opcional, questão de estilo.
Willets lo mandó llamar a la policía, pero hizo me quedar
Willets lo mandó llamar a la policía, pero me hizo quedar
Willets o mandou chamar a polícia, mas fez eu ficar
Carvajal mandó a un negro que le cortara la cabeza, porque Puelles no le dejó apear, diciendo ser bajeza. El mismo Puelles tomó la cabeza y la llevó a la picota, la mostrando a todos.
Carvajal mandou a um negro que lhe cortara a cabeça, porque Puelles não lhe deixou apear, dizendo ser baixeza. O mesmo Puelles pegou a cabeça e a levou à picota, a mostrando a todos.
Carvajal mandou o quê a um negro que lhe cortara a cabeça?
Se teve a cabeça cortada, como pôde mandar algo?
Redação muito confusa
Había cumplido su palabra de romper la primera lanza, y fue el último en dejar de combatir. Herido gravemente, rodeado de enemigos, cayó al fin, casi exánime, a un golpe de hacha. Reconocido por un soldado de Pizarro, acudió el licenciado Carvajal, hermano del que fue muerto por el Virrey; y después de insultarle se disponía a rematarle con su mano, cuando el capitán Puelles, improbándole su conducta, mandó a un negro que le cortara la cabeza. Entonces, su cabeza fue paseada y exhibida ruidosamente por las calles de la ciudad. (Aguirre Abad, Bosquejo histórico del Ecuador, página 115)
Cumpliera su palabra de romper la primera lanza y fue el último a dejar de combatir. Herido gravemente y rodeado de enemigos, cayó al fin, casi exánime, por un golpe de hacha. Reconocido por un soldado de Pizarro, acudió el licenciado Carvajal, hermano del que fue muerto por el virrey. Después de lo insultar se disponía a lo rematar con su mano, cuando capitán Puelles, improbando su conducta, mandó a un negro cortar la cabeza. Entonces la cabeza fue paseada y exhibida ruidosamente en las calles de la ciudad. (Aguirre Abad, Bosquejo histórico del Ecuador, página 115)
Cumprira sua palavra de quebrar a primeira lança e foi o último a deixar de combater. Ferido gravemente e rodeado de inimigos, enfim caiu, quase exânime, por um golpe de machado. Reconhecido por um soldado de Pizarro, acorreu o licenciado Carvajal, irmão do que foi morto pelo vice-rei. Depois de o insultar se dispunha a o executar com a própria mão, quando capitão Puelles, desaprovando sua conduta, mandou um negro cortar a cabeça. Então a cabeça foi exibida percorrendo ruidosamente as ruas da cidade. (Aguirre Abad, Bosquejo histórico del Ecuador, página 115) http://www.enciclopediadelecuador.com/personajes-historicos/blasco-nunez-vela/
Estudió para poder ser médico
Estudió para ser médico
Del alto de los árboles pudieron ver a los que pasaban
Del alto de los árboles vieron a los que pasaban

Entonces Aguirre escribió su famosa carta a Felipe II, desafiando su poder, lo colmando de injuria.
Se refere a Aguirre, que enviou uma famosa carta ao rei Felipe II, desafiando o poder de Felipe II. Mas vede a confusão de pronome na redação acima. Sua famosa carta e seu poder na mesma oração. A primeira pessoa é o redator, a segunda é o leitor, a terceira é Aguirre, a quarta é Felipe II. Seu, sua só pode se referir à terceira pessoa, portanto a famosa carta é de Aguirre e o poder desafiado também. Mas não é. O poder que foi desafiado é de Felipe II, portanto há erro pronominal na redação. Corrigindo:
De él, dele, se refere à quarta pessoa, Felipe II.
Entonces Aguirre escribió su famosa carta a Felipe II, desafiando el poder de él, lo colmando de injuria.
Então Aguirre escreveu sua famosa carta a Felipe II, desafiando o poder dele, o crivando de injúria.
Ratas se comen una niña de tres meses mientras mamá rumbeaba
Excesso de pronome e erro de tempo verbal
Ratas comieron una niña de tres meses mientras la mamá rumbeaba
Ratos comeram una menina de três meses enquanto a mãe rumbeava
Uma esquisitice do castelhano popular é usar o pronome se pra verbo que não é transitivo indireto. Ratos se comeram seria um caso de autofagia.
Ya tened, pues, a grandes rasgos, la historia del Perú, que, como visto, está bastante vinculada a la nuestra. Me olvidé de hablar sobre la última guerra que tuvo esta nación: La guerra con Chile.
Já tendes, pois, a grosso modo, a história do Peru, que, como visto, é muito vinculada à nossa. Me olvidei de falar sobre a última guerra desta nação: A guerra contra o Chile.
No texto desse fragmento é um espanhol visitando o Peru e contando aos sobrinhos, na Espanha, como é o Peru. Se o narrador está na Espanha não pode dizer esta nação, pois se refere ao Peru, não à Espanha, onde estão. Teria de dizer aquela nação.
A guerra não foi com o Chile como aliado mas como inimigo. Então guerra contra Chile.
Hola Vicente, pues te cuento que hace muchísimos años, una vecina ya mayor me contó una historia dónde ella viajaba de una ciudad cercana a la ciudad que es Guadalajara, México; y pues resulta que se baja antes de llegar al lugar a donde se dirigía y no identifica el lugar, no le parece a nada conocida y lo más extraño ocurre que todos los que ahí habitaban eran muy amables.
Problemas de pontuação. Pues te cuento, supérfluo, se já está contando (E sería Pues cuento a ti). Me contó em vez de contó a mí. Ella se usa prà quarta pessoa. No caso é a terceira. Erro de tempo verbal: Baja em vez de bajó, identifica em vez de identificó. No le parece nada, dupla negação e erro de tempo verbal e concordância. Ahí () em vez de allí, pois allí (ali) é onde está a segunda pessoa.
Hola, Vicente. Hace muchísimos años una vecina ya mayor contó a mí una historia sobre su viaje de una ciudad cercana a la de Guadalajara, México. Se bajó antes de llegar al destino y no identificó el lugar, que no se parecía a algún conocido. Y lo más extraño es que todos los habitantes eran muy amables.
Olá, Vicente. Há muitíssimos anos uma vizinha já idosa contou a mim uma história sobre sua viagem duma cidade perto da de Guadalajara, México. Desceu antes de chegar ao destino e não reconheceu o lugar, que não se parecia a algum conhecido. E o mais estranho é que todos os habitantes eram muito amáveis.
Las luces eran vistas por la noche en las ventanas del edificio
O recorrente vício de usar por em vez de em
Está dizendo que a noite via as luzes. Mas a noite não pode ver porque não é um ser vivo e não tem olho. Quem via eram as pessoas. As pessoas viam durante a noite, no período noturno, na noite, dentro da noite.
Las luces eran vistas en la noche en las ventanas del edificio
As luzes eram vistas na noite nas janelas do edifício

Coleção de cartão-postal de Joanco



segunda-feira, 17 de julho de 2017

Papai Noel 27, Tom & Jerry

Mais um número dum dos melhores gibis de todos os tempos
  

A Díaz Huertas, O rapto da noiva
Já falei sobre a dificuldade de achar um mapa de Mato Grosso anterior a Mato Grosso do Sul na internete. Este quadro também não achei no Gugle. Tirei da revista Pelo mundo [Pois é. Esse português, mesmo o castelhano, deformado vem de longe] 007, 08.1922, em volume encadernado até o número 11, achado pelo sebista Otávio Marcelino [viste como se usa o pelo?] Mesmo assim há ingênuos que acham que na internete tem tudo e idiotas que jogam enciclopédia ao lixo.

Coleção de cartão-postal de Joanco

 
 
 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Crônica foz-iguaçuense


A mais famosa tríplice fronteira é apenas uma das tantas
Curiosidade mesmo é no continente antártico, múltipla fronteira
Só não o é de fato porque no lugar do pólo existe o buraco da Terra oca
Crônica foz-iguaçuense
Capítulo 1
A tríplice e a múltipla fronteiras Minha definição de catarata Os ônibus quase não evoluíram em décadas Vantagens do transporte rodoviário e do aéreo Cachoeira, cascata e catarata Mais uma de Santos Dumont Um elevador panorâmico sem panorama O resto foi programa-de-índio A ponte do Diabo e o ônibus assassino
Tríplice fronteira é muito comum, a da foz do Iguaçu é apenas a mais famosa. A antártica não é bem múltipla fronteira, pois fronteira pontual não é bem fronteira. O que faz recordar o princípio topológico de que pra se pintar um mapa de modo que países fronteiriços nunca tenham a mesma cor não se necessita mais que cinco cores.
No domingo, 30 de junho, fui a Foz do Iguaçu. Experimentei ir em ônibus, pra evitar os rodeios da conexão Guarulhos e ou Cumbica e ou Viracopos. (O que me faz lembrar que do exterior se pode trazer 12 garrafas de vinho mas se for pacote de café, dois, três. Quem manda no Brasil são os bebuns. Deve ser por isso que o aeroporto se chama Viracopos). O ônibus da Eucatur sai no meio da tarde, atravessa a cidade e pára durante uma hora num inóspito estacionamento ao sol cum restaurante no fundo, pra abastecer, etc. Por quê já não chega à rodoviária pronto pra ir só pode ser por receber comissão do restaurante ou é restaurante da empresa. No fim-de-tarde bate sol-a-pino, de modo que os únicos lugares sombreados são no muro da entrada, longe, e dentro do restaurante.
É digno de reflexão o pouco que os ônibus evoluíram em décadas. São praticamente a mesma coisa desde os anos 1970. Exceto o fato de o motorista ficar isolado, os passageiros encima, quase nada notável de evolução além de ar-condicionado. Mas ar-condicionado não é bem evolução, pois joga muito íon positivo ao ar, e nossa tradição em postergar manutenção… Já-viu, né? Dali até a primeira parada na madrugada, ar gelado demais, resultando numa gripe lascada.
As janelas continuam aquela coisa tosca, travada. Piorada, pois antes podia ser aberta. Agora não podemos nos defender dum motorista trapalhão que nos deixa no frízer, nem do ar viciado. As cortinas, as mesmíssimas, tão toscas e travadas quanto as janelas. Não cobrem tudo nem abrem de vez.
Comparando as vantagens dum e doutro meio de transporte: A viagem rodoviária, muito menos segura, é dez vezes mais lenta e pára muito no caminho, além do desconforto das luzes e breques sempre que atravessa uma cidade. Isso é minimizado no norte e centro-oeste, onde as cidades distam muito entre si. Mas no sul e sudeste é uma cidade encostada na outra. Não tem de fazer estripetise porque os países ficaram com fobia de terrorismo, como se terrorista não soubesse que existe viagem rodoviária. Apesar de estarmos cansados de saber que os atentados de 11.09 são uma farsa, a segurança aérea é exagerada e de opereta. O recosto das cadeiras de ônibus são um horror, atacando a coluna, de modo que é melhor dormir com a cadeira levantada mesmo. As empresas de ônibus mentem, dizendo que tal trajeto é direto. Mas estranhamente pra retirar a bagagem do ônibus se tem de apresentar a etiqueta de despacho, pois tem um funcionário entregando e conferindo, mas no aeroporto fica tudo na esteira, a deus-dará, podendo alguém pegar a bagagem alheia. Vá-entender!
As paradas são uma chatice, especialmente pra trocar de veículo. Mas ao menos não se tem de percorrer corredores quilométricos e confusos como nos aeroportos e com risco de não chegar a tempo de embarcar. Na madrugada tem uma parada numa lanchonete em Eldorado, cujo bufê está sempre vazio. Ramão, que já passou lá, contou que disse à dona do estabelecimento que se não quer ganhar dinheiro que passe o negócio a outro.
Foz do Iguaçu é uma cidade comum. É fronteira com o Paraguai mais ninguém toma tereré. O pitoresco é que, cum pouco de exagero, tudo se chama Catarata. É padaria Cataratas, más a diante farmácia Cataratas. Tem até um hospital Cataratas, mas não é pra cirurgia da cataratas, é mais pra pôr o nome da moda mesmo.
O nome praquela afecção ocular vem da Grécia antiga e tem tudo a ver com o acidente geográfico. Como quem está com catarata nos olhos vê como se estivesse atrás duma catarata, deram esse nome. Eis minha definição aos três acidentes geográficos similares:
Cachoeira - Queda dágua
Cascata - Cachoeira ou cascata escalonada. Dali a expressão efeito cascata.
Catarata - Cachoeira gigante
Como cheguei na manhã de segunda-feira, 1º de maio, corri agendar um passeio às tais cataratas, pra não desperdiçar o feriado. Além do quê no hotel Mirante o chequim é às 14h em vez do tradicional meio-dia. Como cheguei no meio da manhã não pude entrar, apesar de ter muita vaga no hotel, tanto que a diária era promocional. Felizmente o movimento no feriado foi pequeno. Nas vésperas é que foi o pique, com a cachoeira lotada de turista.
O hotel é grande, barateiro e de bom atendimento. O esquisito é a numeração dos quartos, meio enrolada pra achar o quarto, pois num setor ficam os números pares e noutro os ímpares. Só faltava separar os primos também. O café-da-manhã (prefiro dizer desjejum, pra evitar palavra comprida e composta) é sortido, num salão grande.
Os hóspedes pareciam ser campo-grandenses, porque vá-ter ojeriza assim de responder a bom-dia! Realmente, a humanidade está muito longe de formar uma internete mental.
Não sou muito de ver essas coisas turísticas. Ainda mais cachoeira gigante. É pra ver uma vez. Como os estúpidos espetáculos de rojão no reveião: Viu um viu todos. Preferia tomar banho numa uma cachoeira normal. Mas fazer o quê? Vivemos na era do espetáculo. Pior: Do espetáculo espetacular.
Confesso que nesse ponto sou meio ranzinza desde criança. Não teria estímulo pra viajar se não fossem os livros. Ver paisagem. Sei-lá. É bom mas… Outros estímulos mesmo seriam outros sabores, outras mentalidades, outras sensações.
Então se cheguei cerca de 8:30h e teria de esperar até 14h, nada mau sair às 10h ao passeio. Como ao lado do balcão estavam duas moças vendendo os passeios, foi rápido agendar. O furgão parou no caminho, pruma visita a uma tal casa do Chocolate. Duas portuguesas de Porto, que já estiveram ali, preferiram ficar no carro.
Não era pra menos. Não sei pra quê parar ali. Programa-de-índio. É loja cujos preços são pro perfil de turista que vai a Dubai freqüentemente. Na entrada enormes e decorativas pedras cada uma com etiqueta tipo assim pedra tal, pesando 1500kg, R$80.000,00. Perguntei se está incluído excesso de bagagem. No fundo uma lojinha de chocolate, disse o guia que de Gramado, mas achei muito simplória comparando com o resto da loja. Então não sei por quê o nome casa do Chocolate. Mas achei muita graça ter ali bombom Ferrero Rocher. Não vi gente comprando.
São gozadas essas coisas. Em Campo Grande, ou melhor, Buracópolis, tem um restaurante que se chama Luci doces mas a sobremesa não é seu forte.
Consta que foi Santos Dumont quem lutou pra fazer das cataratas uma atração turística. Tanto que tem uma estátua sua ali cuja inscrição diz que não seria justo que tão deslumbrante vista pertencesse a um particular.
São vários passeios. Optei só o parque das Aves e a catarata. Esse parque é muito parecido com o Buin zôo de Santiago do Chile. A ida às cataratas é nuns ônibus abertos, jardineiras. Muita escadaria. Tem gente que inadvertidamente vai levando carrinho-de-bebê e se depara com as muitas ramificações de longa escadaria.
Tem uma passarela que chega ao meio do caminho à catarata, onde chove lateralmente porque a queda dágua levanta gotículas que são levadas longe, causando permanente chuvisca lateral. Na entrada vendem impermeáveis de plástico aos turistas.
Na margem tem um elevador que se diz panorâmico mas que de panorâmico nada tem, pois só tem uma vista frontal enquanto a catarata está na esquerda. O pessoal precisa consultar no dicionário, pra ver o que significa panorâmico. Tá parecendo os pães integrais de Campo Grande.
Em toda a mata ali abundam os quatis. Há cartazes alertando pra não alimentar os quatis, pois quando vêem comida ficam agressivos, mordem e podem transmitir doença, como a raiva. Tem até um, chocante, mostrando uma mão ferida sangrando. São muito mansos e passeiam em toda parte no meio dos turistas, que não ligam pros avisos e alimentam os bichos, com andar meio ondulante e rabo levantado, igual a gata Borralheira aqui de casa, que ficou grandalhona e tem rabo de esquilo.
No final tem um restaurante, onde um funcionário a todo momento corre batendo uma lata pra os afugentar. Mas é uma tarefa inglória, pois enquanto uns fogem outros aparecem noutro lado. Sugeri usar um apito ultra-sônico, que afugenta cão.
No final da tarde uma leve dor-de-cabeça, como perda de sal mineral, mas na noite o catarro subindo não deixou dúvida que era um resfriado.
Na segunda visitei os sebos de Foz já com o desconforto do resfriado. São três pequenos sebos. Destaque ao sebo Cultural, com muito livro bom e barato. Encontrei um Contos magazine a R$2,00. Infelizmente o Cultural é dos que estragam a capa com adesivo.
Na quarta-feira iria aos sebos de Cidade do Leste. Peguei um táxi pra atravessar a ponte. O taxista contou sobre os horários em que a ponte congestiona. Não imaginei que fosse tão problemático a atravessar. As laterais estão gradeadas. Foi a solução pra acabar com aquelas famosas cenas de muambeiros jogando mercadoria do alto da ponte.
E quem-diz que consegui chegar ao destino? Mesmo com tudo anotado e trajeto desenhado como mapa, é um deus-nos-acuda chegar a um endereço, pois só põem o nome da rua, nada de número. Nada a ver com Assunção. O trânsito é um caos. Os carros andam feito uma boiada, sem sinal de tráfego nem faixa no chão. Dei uma olhada na feira de abasto, uma feira pra-lá de feia, só de fruta, verdura e legume, e fui direto à rodoviária, antecipar a volta, pois o resfriado na verdade era uma gripe. Poderia continuar a aventura com um táxi local, mas não dava pra bater perna com o corpo doendo e a perna bamba, necessitando repouso.
Pra completar o programa-de-índio a ponte ficou bloqueada mais de meia hora por causa duns presos sendo levados escoltados, como soubemos depois. Discutíamos qual seria o motivo do bloqueio. Eu disse que só podia ser algo programado, pois havia repórteres ali com câmera.
Cidade do Leste é só pra quem vai especificamente à casa China, etc., comprar importado. Bater perna na cidade é programa-de-índio.
Então, se fizesse questão de ir aos sebos do lado de lá teria de me hospedar ali perto, porque atravessar aquela ponte do Diabo não tem condição!
Diz que Lula cogitou fazer outra ponte, mas até agora… Ali tem de ter umas três pontes, e olhe-lá!
As façanhas foram: Atravessar a ponte do Diabo e sobreviver ao ônibus assassino.


À coleção Adeene neles!

Carlos Dickens - Benito di Paula

Marco Nanini - Sterling Holloway

Roberto Carlos - David Carradine
  
Coleção de cartão-postal de Joanco
 

sábado, 17 de junho de 2017

Xuxá 033, 19.06.1951 - O aleijado



 À coleção Adeene neles!
 
Vladimir Putim e Gregório Rasputim têm adeene quase idêntico, conforme respectivas amostras de pêlo púbico
Vladimir Putín y Gregorio Rasputín tienen adeene casi idéntico, conforme respectivas amuestras de pelo púbico
Não há melhor Rasputim que Putim
No hay mejor Rasputín que Putín
Hilária e maluca tese traduzida por Che Guavira
As agências ianques de espionagem acreditam que o monge louco reencarnou no atual presidente da Rússia.
Las agencias yanquis de espionaje creen que el monje loco reencarnó nel actual presidente de Rusia.
É pura coincidência que Gregório Iefimovich Rasputim, confidente do último czar da Rússia, e Vladimir Putim, atual presidente russo, tenham tais sobrenomes semelhantes?
Não!
¿Es pura coincidencia que Gregorio Iefimovich Rasputín, confidente del último zar de Rusia, y Vladimir Putín, actual presidente ruso, tengan tales apellidos semejantes?
¡No!
Na verdade, muitas agências de espionagem em todo o mundo têm provas suficientes pra concluir que o notório monge louco russo especialista em magia negra encontrou um modo de reencarnar como o poderoso ditador russo atual.
En verdad, muchas agencias de espionaje en todo el mundo tienen pruebas suficientes para concluir que el notorio monje loco ruso especialista en magia negra encontró una manera de reencarnar como el poderoso dictador ruso actual.
Disse um agente da CIA disfarçado, em Moscou, falando num esconderijo:
Analisando a amostra de pêlo púbico retirado de lençóis de Putim, e a de Rasputim, tirada do escroto preservado em fluido, vemos uma correspondência quase exata do adeene. Todos da comunidade de espionagem crêem que o louco cenobita do czar Nicolau encontrou um modo de retornar como Vladimir Putim.
Dijo un agente de la CIA disfrazado, en Moscú, hablando en un escondrijo:
Analizando la amuestra de pelo púbico sacado de sábanas de Putín, y la de Rasputín, sacada del escroto preservado en fluido, vemos una correspondencia casi exacta del adeene. Todos de la comunidad de espionaje creen que el loco cenobita del zar Nicolás encontró una manera de retornar como Vladimir Putín.
O experto em Rússia czarista, Maureen Ritchfield, peagadê, professor da universidade de Dublim, apresentou evidências duma conexão entre os dois homens:
A maioria dos historiadores russos concorda que o verdadeiro nome de Rasputim era também Putim. Rasputim foi um sujeito tão bizarro, que os súditos do czar e a corte da czarina o provocavam constantemente, ou o submetiam a razz (gíria em inglês pra chacota). A palavra razz em Russo é ras. Ao longo do tempo ficou conhecido como Razz Putim, ou em russo, Ras Putim, e finalmente Rasputim. Como se vê, temos uma conexão lógica.
Se Putim é realmente a reencarnação ou um descendente direto de Rasputim, isso explicaria a astúcia, o carisma e a sede de poder de Putim.
El experto en Rusia zarista, Maureen Ritchfield, peachedé, profesor de la universidad de Dublín, presentó evidencias de una conexión entre ambos:
La mayoría de los historiadores ruso concuerda que el verdadero nombre de Rasputín era también Putín. Rasputín fue un tipo tan raro, que los súbditos del zar y la corte de la zarina lo provocaban constantemente, o lo sometían a razz (jerga en inglés para burla). La palabra razz en Ruso es ras. Al largo del tiempo quedó conocido como Razz Putín, o en ruso, Ras Putín, y finalmente Rasputín. Como se ve, tenemos una conexión lógica.
Se Putín es realmente la reencarnación o un descendiente directo de Rasputín, eso explicaría la astucia, el carisma y la sed de poder de Putín.
O agente da CIA apresentou outro cenário assustador que circulou entre as agências de espionagem globais:
Rasputim era um manipulador que tinha o czar Nicolau II e a czarina Alexandra na palma das mãos, digamos fantoches reais. É também culpado de ser o instrumento da queda da monarquia durante a revolução bolchevique de 1917, que levou ao regime russo atual, a Rússia de Putim.
Faz sentido Putim usar Trump da mesma forma, como Rasputim fez ao czar, minando a autoridade e a capacidade de governar, após ganhar a confiança. Fica evidente como é fácil Putim galgar o enorme vácuo de poder de Trump.
Se o chamamos Rasputim ou Putim, temos um feiticeiro muito perigoso, escuro, vivendo entre nós, sem limite nos atos pra dominar o mundo. Trump é apenas um insensato peão no xadrez bem jogado de Putim.
El agente de la CIA presentó otro escenario asustador que circuló entre las agencias de espionaje globales:
Rasputín era un manipulador que tenía el zar Nicolás II y la zarina Alejandra en la palma de las manos, digamos marionetas reales. Es también culpable de ser el instrumento de la caída de la monarquía durante la revolución bolchevique de 1917, que llevó al régimen ruso actual, la Rusia de Putín.
Es lógico Putín usar Trump de la misma forma, como Rasputín hizo al zar, minando la autoridad y la capacidad de gobernar, después de ganar la confianza. Queda evidente como es fácil Putín subir los peldaños nel enorme vacuo de poder de Trump.
Si lo llamamos Rasputín o Putín, tenemos un hechicero muy peligroso, oscuro, viviendo entre nosotros, sin límite en los actos para dominar el mundo. Trump es apenas un insensato peón nel ajedrez bien jugado de Putín.

● Não me venhas com Exu Tranca-Rua. O que precisamos é Exu Tapa-Buraco.
● Voltando ao historiador do século 31. Sobre a heresia dos cátaros pensaria no bloqueio de Catar pela Arábia Saudita.
Confundiria a tribo sul-mato-grossense Caiuá com a tribo pele-vermelha Caioua.
● Agora a moda é nova idade glacial e novo dilúvio. Mas isso só se cair mais um planetóide. Há cerca de 11.500 anos o meteoro da Carolina causou o mais recente dilúvio e uma idade glacial por causa da fuligem vulcânica que encobriu o céu e deixou o Atlântico como lodo durante cerca de mil anos. Dali as lendas da era quando não existiam as estrelas nem o dia.
● O ciclope da mitologia grega é uma alegoria poética dum vulcão. O olho único é a cratera, donde lança pedra. Na natureza não há animal de olho único (a não ser que seja apenas um sensor ótico), pois o olho em par tem a finalidade de localizar a terceira dimensão, ou seja, a distância, dum objeto visto, por triangulação. Um caolho não mediria com precisão a distância do alvo, ou seja, não precisaria se está mais perto ou mais longe.

O mesmo fazem os ouvidos. Trabalhei num escritório onde tinha uma mesa com três telefones. Como tenho surdez parcial no ouvido esquerdo (não ouço o tique-taque do relógio nesse ouvido), não sabia qual tocava. Algumas vezes acertando na terceira tentativa.

Coleção de cartão-postal de Joanco





quinta-feira, 8 de junho de 2017

Grandes temas de lo oculto y lo insólito 3 de 4

  

 Os míni-bandidos e um conto de Bóris Karloff

● Concluir que porque há concha nas margens o lugar esteve no nível do mar pode ser um engano, já que, como disse Otto Muck em O fim da Atlântida (Alles über Atlantis: Alte thesen - Neue forschung), a espantosa catástrofe que causou o mais recente dilúvio universal produziu ondas que atingiam o pico do Himalaia.
Os cientistas, aparentemente tão rigorosos e demonstrativos, fazem suposições apressadas e irresponsáveis que pouco a pouco viram dogma por acomodação. Essa das conchas é apenas uma. Basta um cientista ou diletante filosofar que a inteligência humana se desenvolveu por causa das mãos e de observar as estrelas, a idéia se solidifica como tártaro dentário e se estabelece como dogma não-escrito. Como esse, muitos estereótipos científicos e cinematográficos sofrem o mesmo fenômeno. Outros dogmas são de que a Terra tem gravidade constante ao longo da existência, de que a Terra é maciça e tem o núcleo de ferro fundido, e muitos outros.
● Uma inversão dos nomes de dois extremos geográficos:
A constituição da cidade-estado grega é conseqüência de longo processo. Conforme Mossé, o que conhecemos como civilização grega se desenvolveu entre os séculos -8 e -4, em extensa área que ia do mar Negro (as então chamadas colunas de Hércules) ao estreito de Gibraltar, então conhecido como ponto Euxino.

Antígona e a ética trágica da psicanálise, Ingrid Vorsatz

● O que conhecemos como colunas de Hércules é o estreito de Gibraltar, entre o sul da Espanha e o norte da África. Mas no passado houve outras.
Em entrevista à agência russa de notícia Sputnik, Frau contou que, enquanto se acredita que os chamados pilares de Hércules definem o que é conhecido como estreito de Gibraltar, na verdade estariam localizados no estreito da Sicília. Portanto a ilha misteriosa descrita por Platão é a Sardenha.
Também entre o mar de Mármara e o mar Negro, separando Ásia de Europa, um estreito que já foi chamado colunas de Hércules.
As colunas de Hércules à qual Platão teria se referido seriam não o estreito de Gibraltar mas o estreito que outrora comunicava ao Mediterrâneo o lago Tritônis de Diodoro, o atual Chott-el-Jerid, lago salgado e sazonal no Saara, que seria ao mesmo tempo o mar Atlântico que Platão erradamente tomara por oceano.
[…] as medidas de Platão estariam exageradas por um fator de 30 (devido à confusão entre estádios gregos e a unidade de medida egípcia), e essa Atlântida seria apenas uma colônia da Atland frísia referida por Oera-Linda
Thet Oera-Linda bok, um manuscrito escrito em frísio, que apareceu em 1867 e foi traduzido ao inglês em 1876. O texto, datado de 1256, afirma ser uma cópia de manuscritos ainda mais antigos, que datariam de -2194 a 803. Mas tudo indica que é fraude. O papel no qual foi escrita parece ser do século 19. Conta a história duma terra chamada Atland, povoada por ancestrais dos frísios, povo do extremo norte da Holanda e Alemanha, que teria afundado no mar do Norte em -2194, e de seus descendentes, que teriam difundido a civilização e a escrita da Fenícia a Tiauanaco. Essa versão nórdica da Atlântida teria grande influência nas teses sobre a superioridade dos arianos.
O geólogo alemão Paul Borchardt defendeu idéia semelhante em 1926. Identificou o antigo monte Atlas não com a cadeia do Magrebe que hoje tem esse nome, mas com as montanhas Ahaggar, no coração do Saara. Tentou estabelecer correlação entre os nomes dos dez filhos de Posêidon indicados por Platão com os de tribos berberes modernas e afirmou que as colunas de Hércules eram colunas propriamente ditas, dum templo desaparecido. Sugeriu que a Atlântida, rica em metal, seria o palácio de bronze de Alcínoo, de Odisséia, e também a cidade de bronze mencionada em Mil-e-uma noites. Perto de Cabes encontrou o resto duma fortaleza que pensou ser a Atlântida mas que logo se mostraram ter pertencido a uma cidade romana.
Em 2002 o jornalista italiano Sergio Frau publicou o livro Le colonne d'Ercole (Os pilares de Hércules), no qual afirmou que antes de Eratóstenes os gregos localizavam os pilares de Hércules no estreito da Sicília. Seria só após a época de Alexandre que o geógrafo os relocalizou. Segundo sua tese, a Atlântida seria a civilização nurágica da Sardenha, devastada por um vagalhão. Os sobreviventes fundaram a civilização etrusca. Mas a descrição de Platão seria influenciada por Cartago.
Também em 2004, Christian M Schoppe e Siegfried G Schoppe publicaram Atlantis und die sintflut (Atlântida e o dilúvio) no qual afirmaram que a Atlântida seria a costa noroeste do mar Negro, que submergira em -5.510. O mar Negro seria até então um lago dágua doce mas uma elevação do nível do mar fez o Mediterrâneo fluir ao Bósforo (que nesse caso seriam os pilares de Hércules), provocando a inundação.
Não é de espantar que haja tanta confusão no tema Atlântida. Se os investigadores ignoram que os rios mudam de curso ao longo dos milênios, que os nomes, muito pior, mudam muito mais, isso sem falar nas falsificações históricas e à arapuca de se acreditar em documentos duvidosos, vejamos um exemplo gritante:
Heracléia no mar de Mármara

Heracléia no mar Negro
Asiana seria todo ou parte do que Platão chamava Ásia
Notar que a norte da Armênia há um local chamado Ibéria e a nordeste Albânia
Imaginemos um historiador do século 31 estudando a desaparecida e enigmática civilização do século 21 cujos idiomas estão tão desaparecidos quanto o latim. Quanta confusão faria com Guadalajara no México e Espanha, Cartagena colombiana e espanhola, Córdoba argentina e espanhola, as quantas Santiago que há, tantos rio Grande, rio Negro, quantas cidades ianques com nome de cidade grega, Nova Iorque no Maranhão…
Ainda mais a confusão que faria com a Galícia, que em português é uma região histórica da Europa central, com a Galiza, que em castelhano se chama Galicia. Galícia, Galiza, Gália, Galiléia. Quê confusão faria! Não se sairia melhor que nós com nossa barafunda bíblica e atlante. O dâniquem do século 31 defenderia a tese de que no século 20 já colonizaram Europa, o satélite de Júpiter, o confundindo com o continente terreno.
Carcóvia - Uma das maiores cidades da Ucrânia, na região de Carcóvia
Cracóvia - Cidade do sul da Polônia, na margem do rio Vístula
● Folheando um enorme livro de arquitetura campo-grandense no sebo Hamurábi, eu disse ao vendedor:
— Está desatualizado
— É que…
— As ruas não têm buraco. 
● A manchete dum artigo no Linkedin:
Enquanto o prefeito de São Paulo, João Dória, e a justiça paulista travam uma guerra particular pela internação compulsiva de...
Sem comentário…

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