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domingo, 10 de julho de 2016

Discurso de Putin na Ônu
2015, 70 anos da Ônu
Senhor presidente, senhor secretário geral, chefes de estado e de governo, senhoras e senhores. No 70º aniversário da assembléia geral da Ônu é oportuno evocar o passado e refletir sobre o futuro comum.
Em 1945 os países que venceram o nazismo uniram esforço pra assentar base sólida prà ordem mundial pós-guerra. Me lembro que foi em meu país, na Criméia, Ialta, que as decisões foram tomadas pra criar a Ônu e os princípios de relação entre os estados. Esse sistema de Ialta nasceu de enorme sofrimento e encarna o preço pago por milhões de pessoas que morreram durante as duas guerras mundiais que devastaram o mundo no século 20. Sejamos objetivos: Esse é o sistema que ajudou a humanidade a atravessar eventos turbulentos e às vezes dramáticos e que preservou o mundo de problemas ainda maiores. A Ônu não tem páreo em legitimidade, representatividade e universalidade. Mas ultimamente com freqüência é alvo de crítica por ineficácia, porque as decisões tomadas teriam contradições insuperáveis, sobretudo junto aos membros do conselho de segurança. Por isso friso que ao longo dos 70 anos de existência da Ônu persistem as diferenças, inclusive com o direito a veto, ao qual recorreram Eua, Inglaterra, França, China, Urs e Rússia. Isso é natural pruma organização representativa. Os criadores da Ônu não acharam que sempre haveria unanimidade. A missão da organização é buscar consenso. Sua fortaleza vem de escutar as diferentes opiniões e levar todas em conta. Cada questão debatida na Ônu pode virar resolução. Como dizem os diplomatas: Se aprova ou se reprova.
Toda decisão que um estado tomar passando encima desse procedimento é ilegítima, contrária ao estatuto da Ônu e afronta ao direito internacional. Todos sabemos que após a guerra fria todos são conscientes de que um centro de domínio único surgiu. Os que estavam no topo da pirâmide foram tentados a pensar serem tão fortes e excepcionais e por isso sabiam mais que os outros e não precisavam recorrer à Ônu, quem autorizaria e legitimaria as decisões necessárias mas que apontaria os obstáculos que realmente estavam no meio do caminho.
Agora se diz que na forma original a organização está obsoleta e terminou sua missão histórica. Naturalmente o mundo está mudando e a Ônu tem de ser coerente com sua missão natural. A Rússia está disposta a trabalhar com seus aliados na base do consenso. Mas consideramos que as tentativas de solapar a legitimidade da Ônu são sumamente perigosas e suscetíveis de colapsar toda a estrutura das relações internacionais. Então só restaria o uso da força. Teríamos um mundo dominado pelo egoísmo em vez do trabalho coletivo, cada vez mais caracterizado pela ditadura que pela igualdade, com menos democracia e liberdade genuína. Um mundo com estados realmente independentes ficaria substituído por um número crescente de protetorados e territórios controlados externamente [estados-vassalos]. O quê restaria da soberania após tudo o que mencionei aqui? Basicamente se trata do direito de escolher livremente o futuro pra cada pessoa, nação ou estado. O mesmo quanto à questão da chamada legitimidade do estado. Não devemos fazer trocadilho, não manipular as palavras. Cada termo dos direitos e assuntos internacionais deve ser claro, transparente e com critérios uniformemente inteligíveis.
Somos todos diferentes e devemos respeitar isso. Ninguém deve se conformar cum modelo único de desenvolvimento como o único correto. Nos lembremos das lições do passado e alguns episódios da história da Urs. As experiências sociais pra exportação. As tentativas de induzir mudanças noutros países na base de preferências básicas ou ideológicas, o que levou a conseqüências trágicas e à degradação em vez de progresso. Mas em vez de aprender com os erros continuam os repetindo. Assim a exportação de revolução, agora chamada democrática, continua. Bastam os exemplos no oriente médio e norte da África. Como o mencionaram oradores anteriores. Desde então os problemas políticos e sociais nessas regiões cresceram durante longo tempo. Naturalmente o povo dali queria mudança. Mas como realmente ficou a situação? Em vez de conseguir reforma há uma agressiva interferência estrangeira, resultado de flagrante destruição das instituições nacionais e estilo de vida. No lugar do triunfo a democracia e do progresso temos violência, pobreza e desastre social.
A ninguém importa o direito humano, inclusive o direito à vida. Não posso deixar de perguntar aos causadores disso:
— Estais conscientes do que fizestes?
Mas acho que ninguém responderá. Efetivamente as políticas baseadas na arrogância e na convicção do caráter excepcional próprio e na impunidade nunca serão abandonadas. Agora é óbvio que a lacuna de poder criado nalguns países dessas regiões criaram zonas de anarquia que imediatamente se encheram de extremistas e terroristas. Dezenas de milhares de militantes estão lutando sob o pavilhão do estado islâmico. Suas fileiras incluem militares iraquianos desmobilizados na invasão ao Iraque em 2003. Muitos recrutas também vêm da Líbia, país cuja estabilidade foi destruída pela grave violação da resolução 1973 do conselho de segurança da Ônu. Agora as fileiras de radicais recebem membros da oposição síria moderada, apoiada pelos países ocidentais, que os armaram e os capacitaram. Logo desertaram e aderiram ao estado islâmico, que não surgiu do nada. Foi forjado como ferramenta contra os regimes seculares indesejados, estabeleceu um pé no Iraque e na Síria, começou a se espalhar, tentando dominar o mundo islâmico. E planeja ir além. A situação é mais que perigosa. Nessa circunstância é hipócrita e irresponsável fazer buliçosas declarações sobre a ameaça do terrorismo internacional enquanto que se fecham os olhos aos canais de apoio e financiamento aos terroristas, inclusive ao lucro do narcotráfico e tráfico ilícito de petróleo e armamento. Seria igualmente irresponsável tentar manipular os grupos extremistas e os pôr a serviço próprio a fim de atingir objetivo político, com esperança de depois os enfrentar. Com outras palavras: Os liquidar.
Aos que agem assim preciso dizer:
— Estimados senhores. Sem dúvida, estais mexendo com pessoas brutais e cruéis mas que não são primitivas. São tão espertas quanto vós. E nunca se sabe quem manipula quem.
Os dados recentes sobre repasse de armamento a essa oposição tão moderada é a melhor prova disso. Cremos que toda tentativa de brincar com terroristas, ainda pior, os armar, não é só de visão curta mas perigosíssimo e pode fazer a ameaça terrorista recrudescer e engolfar novas regiões, ainda mais quando o estado islâmico treina militantes de muitos países, inclusive europeus. Desafortunadamente, devo dizer que a Rússia não é exceção. Não devemos deixar esses criminosos retornar ao lar e continuar suas ações malignas. Ninguém quer isso. Não é?
A Rússia sempre foi firme e lutou contra o terrorismo em todas suas formas. Hoje prestamos assistência militar e técnica a Iraque, Síria e a todos os países que lutam contra os terroristas. Cremos que é um enorme erro se negar a cooperar com as forças governamentais da Síria, que valentemente lutam contra o terrorismo. Devemos reconhecer que ninguém além das forças armadas de presidente Assad e as milícias curdas realmente lutam contra o estado islâmico e outras organizações terroristas na Síria. Conhecemos todos os problemas e contradições regionais mas nos baseamos na realidade.
O enfoque honesto e direto de Rússia foi usado recentemente como pretexto prà acusar de ambição crescente, como se quem acusa não tivesse ambição. Não se trata de ambição russa mas do reconhecimento de que não podemos mais tolerar a atual situação mundial.
Propomos nos guiar por interesses comuns em vez de por ambição. Baseados no direito internacional devemos unir esforço pra enfrentar os problemas que compartilhamos e criar uma coalizão internacional genuinamente ampla antiterrorismo. Assim como na coalizão contra Hitler, unir uma ampla gama de forças dispostas a resistir com bravura contra os que, como os nazistas, semeiam o mal e o ódio na humanidade. Naturalmente, os países muçulmanos devem desempenhar papel-chave na coalizão, ainda mais que o estado islâmico não só representa ameaça direta contra eles mas que ataca com crimes sangrentos uma das maiores religiões do mundo. Os ideólogos e militantes debocham do Islã e pervertem seus valores humanistas. Quero me dirigir aos líderes espirituais muçulmanos. Sua autoridade e orientação são importantes, pois agora é essencial impedir que os recrutados tomem decisões precipitadas. E aos que já foram enganados e que devido à circunstância estão entre os terroristas, necessitam encontrar um estilo de vida normal: Depor arma e findar o fratricídio.
Como atual presidente do conselho de segurança, a Rússia logo convocará reunião ministerial pra avaliar a ameaça ao oriente médio. Em primeiro lugar propomos discutir se é possível chegar a uma resolução destinada a coordenar as ações de todas as forças que enfrentam o estado islâmico e outras organizações terroristas. Essa coordenação deve se basear nos princípios do estatuto da Ônu. Esperamos que a comunidade internacional desenvolva estratégia global de estabilização política e recuperação social e econômica no oriente médio. Então não haverá necessidade de novos acampamentos de refugiado. O fluxo de pessoas obrigadas a deixar o lar literalmente cercou o oriente médio e a Europa. Essas centenas de milhares de pessoas podem se tornar milhões brevemente. É uma enorme e trágica migração, dura lição aos europeus. Quem dera fincar pé de que os refugiados merecem nossa compreensão e apoio mas a única maneira de resolver o problema a nível fundamental é reestabilizar a região, fortalecer as instituições estatais ainda existentes ou convalescentes e prestar assistência global militar, econômica e material aos países em situação difícil e às pessoas que apesar das duras provas não abandonaram o lar. Naturalmente toda assistência a estado soberano pode e deve ser oferecida em vez de imposta, exclusivamente conforme o estatuto da Ônu. Ou seja, tudo conforme o direito internacional. Nossa organização deve apoiar isso. E tudo o contrário ao estatuto da Ônu deve ser rechaçado. Sobretudo é importante restabelecer as instituições estatais na Líbia, apoiar o novo governo iraquiano e prestar assistência global ao legítimo governo sírio.
Garantir paz e estabilidade regional e mundial continua sendo o objetivo-chave da comunidade internacional encabeçada pela Ônu. Isso implica criar uma margem de segurança estável não pra poucos mas pra todos. É um difícil e lento desafio. Não há opção. Mas o bloco com mentalidade da era da guerra fria, que quer explorar novas zonas geopolíticas, ainda está entre nossos colegas. É lamentável que alguns colegas escolheram uma rota difícil, a de explorar novas zonas geopolíticas. Primeiro confirmaram sua política de ampliar a Otã e sua estrutura militar. Primeiro ofereceram aos países pós-soviéticos uma dicotomia ilusória: Ficar ao lado do ocidente ou do oriente. Mais cedo ou mais tarde essa lógica de enfrentamento atearia uma grave crise geopolítica. Foi o que ocorreu na Ucrânia, onde, aproveitando o descontentamento popular com as autoridades de então, se tramou um golpe militar que virou guerra civil. Acreditamos que só mediante a estrita aplicação dos acordos de Minsque de 12.02.2015 se finde a sangria e saia da estagnação. A integridade territorial ucraniana não pode ser garantida com ameaça e força armada. É necessário uma genuína análise dos interesses e direitos da população da região de Donbás, respeitar a vontade dela e coordenar com ela, conforme os acordos de Minsque, os elementos-chave da situação política do país. Isso garantirá que a Ucrância se desenvolva como estado civilizado, vínculo essencial pra criar um espaço comum de segurança e cooperação econômica na Eurásia.
Mencionei esse espaço comum de cooperação econômica. Há pouco parecia que na esfera econômica, com suas objetivas leis de mercado, aprenderíamos a viver sem linha divisória, construindo de maneira transparente e conjunta normas, inclusive os princípios da OMC, estipulando a liberdade comercial, investimento e competição aberta. Mas sanções unilaterais violando o estatuto da Ônu se banalizaram. Além dos objetivos políticos, essas sanções tentam eliminar competição. Quero assinalar outro sinal do egoísmo econômico crescente: Alguns países criaram comunidades econômicas fechadas e  exclusivas, negociando no bastidor e escondido do cidadão dos respectivos países, da população em geral e doutros países. E os cujo interesse será afetado não são informados. Parece que estamos a ponto de enfrentar um fato consumado de que as regras do jogo mudaram a favor dum grupelho privilegiado, sem que a OMC possa dizer algo. Isso desequilibraria o sistema comercial e desintegraria o espaço econômico mundial. Essas questões afetam os interesses de todos os estados e influem no futuro de toda a economia mundial, por isso propomos o discutir dentro da Ônu, OMC e G-20.
Contrariamente à política de exclusividade, a Rússia propõe harmonizar os projetos econômicos regionais. Me refiro à chamada integração de integrações baseada em normas comerciais internacionais universais e transparentes. Como exemplo cito nossos planos de interligar a união econômica euroasiática e a iniciativa chinesa dum cinturão econômico da rota da seda. Continuamos crendo que harmonizar o processo de integração dentro da união euroasiática com a européia é sumamente promissor.
Os temas que afetam o futuro de todos os povos inclui o desafio da mudança climática mundial. É de nosso interesse que a conferência da Ônu sobre a mudança climática, a celebrar em dezembro próximo em Paris, seja um sucesso. Como parte de nossa contribuição nacional prevemos reduzir até 2030 as emissões de gás de efeito estufa 70% ou 75% do nível de 1990.
Mas sugiro um olhar mais amplo no tema. Diminuiríamos o problema durante certo tempo, fixando cupões, cotas de emissão prejudicial ou tomando outras medidas meramente táticas. Mas isso não resolveria o problema. Temos de mudar o foco. Nos concentrar em introduzir tecnologia fundamentalmente nova inspirada na natureza, comensal e harmônico com o ambiente. Também restabeleceríamos o equilíbrio entre a biosfera e a tecnosfera, afetadas pelas atividades humanas. É um desafio planetário. Mas acredito que a humanidade tem potencial pra o enfrentar. Devemos unir nosso esforço. Me refiro especialmente aos estados com sólida base investigativa e que avançaram muito em ciência fundamental. Proponho convocar um foro especial, sob os auspícios da Ônu, prum exame global sobre os temas relativos ao esgotamento dos recursos naturais, destruição ambiental e mudança climática. A Rússia está disposta a copatrocinar tal foro.
Em 10.01.1946, em Londres, que a assembléia-geral da Ônu se reuniu pra seu primeiro período de sessão. Senhor Zuleta Ángel, diplomata colombiano e presidente da comissão preparatória, declarou aberto o período de sessão, criando uma definição concisa dos princípios básicos que a Ônu doravante seguiria: Livre arbítrio, desafio aos truques e planos malignos,e espírito cooperativo. Suas palavras devem guiar a todos nós. A Rússia acredita no enorme potencial da Ônu, que deve nos ajudar a evitar outra guerra mundial e conseguir uma cooperação estratégica junto a outros países. Trabalharemos sempre pra fortalecer o papel central de coordenação da Ônu. Acredito que trabalhando juntos faremos do mundo um lugar pacífico, estável e seguro, e criaremos as condições pro desenvolvimento de todos os países, estados e nações.
Obrigado

Agente da CIA John Perkins Revelou: Eua rouba petróleo e nióbio do Brasil.
Corrupção, políticos judas



2 comentários:

  1. Esse boçal vem falar de direitos humanos sendo presidente do país que ocorre isto:

    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/07/menino-morre-em-sala-de-aula-durante-sessao-de-bullying-homofobico.html

    "Os agressores foram expulsos da escola mas o caso não recebeu repercussão no país em que maltratar homossexuais não é discutido, pois não se pode falar sobre o tema, sendo crime fazer qualquer tipo de 'propaganda' gay."

    Ao menos a sua tradução do livro de apologia à homofobia faz mais sentido agora.

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  2. Fazer propaganda de perversão tem de ser crime mesmo
    Os doentes têm de ser tratados, não incentivados a assumir a doença, sem deboche nem agressão
    Como a lei brasileira quanto à prostituição. A prática é uma anomalia que não é crime, mas é crime incentivar, agenciar, etc.
    É assim que tem de ser.

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