segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Diz que as piadas de português foram criadas porque os brasileiros já não mais agüentavam o abuso do domínio lusitano. Já que não podes enfrentar o opressor, rias dele. Mas hoje o dominador é outro. Será que o brasileiro perdeu a verve? Ou o brasileiro está ianquizado? Então hoje temos de criar as
Piadas de ianque
O Brasil tem as capitais. Eua tem os capitais
O Brasil tem o bom selvagem. Eua tem o capitalismo selvagem
Por que os ianques tanto gostam de duplo sentido? Pra usar nos códigos de guerra?
Não. Pra pedir a América pros americanos
Uma vez fizeram uma experiência. Escolheram um português, um brasileiro e um ianque e deixaram cada um isolado numa tribo indígena.
O português escravizou e converteu os índios, se casou com uma índia, foi buscar uma negra pra amante e chamou a Inquisição pra governar.
O brasileiro se casou com uma índia, fez uma lei considerando os índios tudo menor de idade e chamou a FUNAI pra governar.
O ianque matou todos os índios, chamou gente de todas as outras raças pra viver ali, disse:
— Agôrua vámous cruiar uma demoucruaci-a.
E chamou a Ku Klux Klan pra governar.
Em entrevista um milionário ianque explicava como enriqueceu.
— Como o senhor começou?
— Um dzia mámae me dzisse c-re eu nonca seruía um gruande hómèm. C-re puxei meu p-rai. Fiquei muito contruaruiado e ruesolvi serl alguém. Vendzi uns môuveis pruá môuntarl um açoug-re. Mámãe fícou bruava mas êntendeu c-re isso faruía eu drobruar meu cápital. Depois vend-ri o ruéstou dos môuveis párua compruar ec-ripamêntous. Mámãe me d-reu uma souva. Dêpois, párua compruar uns bois ábatidos tive de venderl a c-rasa.
— E o senhor teve coragem de entrar e contar, a tua mãe, que vendeste a casa?
— Sém Próblemas. Djá tzinha vêndidou mámae.
Um casal resolveu adotar filho. Escolheu um português, um espanhol, um judeu e um ianque. Vinte anos depois o agente de adoção foi visitar o casal pra ver como a coisa tinha ficado.
— Ai, seu doutor, que desastre! A filharada só deu abacaxi. Não sobrou um que prestasse.
— Mas como? O que aconteceu ao português?
— Como não se pode mais usar negro como escravo, entrou no ramo da escravidão branca.
— O espanhol?
— Virou fanático religioso. Anda foragido porque matou alguém por causa duma discussão sobre religião. O sonho dele, já que acabou a inquisição, era fundar um partido semi-democrata ultra-cristão hiper-radical que é fogo.
— E o judeu?
— Ai, que tristeza! Virou advogado!
— Pelo menos o ianque deve ter prestado pralguma coisa.
— Esse me mata de tristeza: Virou guei!
No Inferno teve uma reforma e agora é assim: Cada um é castigado conforme tradição típica da terra onde viveu. Assim um brasileiro tem um castigo diferente dum chinês que tem um castigo diferente dum egípcio, por exemplo.
Então havia uns grupos de recém falecidos no saguão infernal. O Diabo foi dando a sentença a cada grupo.
A russarada estava na maior polêmica, pasmos, não podendo acreditar no que estava acontecendo.
— Mas como? Não podemos estar aqui, mortos não podemos existir mais! Não reconhecemos este julgamento. Deus e Diabo não existem!
Mandou o assistente chamar os balalaicas.
— Ide por aquela porta. Morarão num lugar frio feito a Sibéria onde dia e noite vos embebedareis de vodca.
Outro grupo era de árabes. Também protestava.
— Não aceitamos a sentença do deus cristão. Exigimos nossos direitos diplomáticos. Exigimos um novo julgamento. Queremos ser julgados por Alá!
— Chames os maomés.
O assistente trouxe o grupo pra ouvir a sentença.
— Os levai por aquela porta lá no fim do corredor. Morarão num planeta densamente povoado mas onde não existe mulher.
Agora é a vez dos vaticanenses.
— Não podeis ficar aqui. Mando-vos de volta à Terra porque sois os fundadores deste lugar e os que mais fazem propaganda da gente. Propaganda enganosa, é certo, mas é assim mesmo que eu gosto.
Mandou chamar o grupo de alemães.
— Chamai os chucrutes.
A alemanzada estava na maior rodada de cerveja. Cada caneco que parecia uma jarra. Cantavam e dançavam. Teve até uma lourinha fazendo estripetise. Eles queriam se despedir dos prazeres da vida, já que estavam indo ao Inferno.
— Í!, pessoal. Calma. Cerveja tomareis, e muito! Ide por aquela porta ali. Vosso castigo será tomar cerveja até passar mal e vomitar, e tomar de novo. Isso todo dia.
Ao grupo de brasileiro, que se despedia no maior samba, uma surpresa: Foram mandados a um lugar paradisíaco com muito samba, mulher e futebol. O assistente se espantou.
— Lugar paradisíaco! Aqui no Inferno?
— Calma, calma. Esperes só pra ver. Lá está cheio de brasileiro. Não há de continuar sendo um lugar paradisíaco por muito tempo.
Não tem castigo pior prum brasileiro do que ficar num lugar cheio de brasileiro.
Então chegou a vez dos ianques. Tava lá a iancarada reunida.
— Chamai os milquecheiques.
Todo mundo sentado no chão em rodinha fazendo bolão pra apostar qual seria o próximo país a ser bombardeado. O bolão da Iugoslávia estava acumulado.
— Estais vendo aquela cortina cor-de-rosa? Cheia de renda e babado.
— Côurtina côur-de-ruôusa áqui no Ínfernou?
— É que vosso castigo é morar no bairro guei do Inferno.
Na sede da ONU tinha vaga pruns cargos. Na sala de espera os candidatos aguardavam. A espera estava longa. Só o que havia pra ler era um grande calendário na parede. Só depois que cada um dos candidatos se levantou, deu uma olhada e rabiscou algo no calendário é que o supervisor apareceu e perguntou o que buscava ali.
O alemão disse que procurou a data da próxima oktoberfest.
O argentino procurou a data da próxima copa e libertadores, já que são a únicas coisas nas quais o país se destaca.
O brasileiro marcou todos os feriados, xingou todos os que cairiam em final de semana ou em suas férias. E a data do próximo carnaval.
O árabe marcou quando poderia ir a Meca.
O português marcou quando faria um cruzeiro transatlântico.
O espanhol marcou a próxima festa junina, pois adora fazer fogueira.
E o ianque marcou a próxima guerra.
Um repórter entrevistando o presidente Jorge Buxe:
— Míster Pruésiden, em teu mandato não haverá revitalização de Nova Iorque? Afinal a cidade é conhecida como a capital do mundo.
— Não. Não. Nada tenho contra a cidade, que até é simpática, mas minha plataforma de governo é que Uóchintão seja a capital do mundo. Também queremos entrar no güinesbuque. Em toda festa junina não tem a maior fogueira? Pois daremos nossa contribuição: Estamos produzindo a maior bombinha junina e com ela aproveitaremos pra reativar o Enola Gay, já que guei é a tradição de nosso país, né? O lançamento será no Iraque, Bagdá, estilo 1001 noites, muito chique. Será um evento muito concorrido, inclusive. Faço questão de tua presença, como convidado, com os outros correspondentes de guerra. E já que a guerra no Iraque não deu certo, nos inspiramos no Brasil e estamos transformando tudo num desfile de escola de samba. É pra ver se tudo acaba em samba. Teremos três carros alegóricos com o enredo Tereré, o gênio da erva contra o engenho da guerra na terra das 1001 noites: Sadã x Satã, uma encrenca das arábias. Primeiro entra o abre-ala, com o carro-erva. No meio as alegorias do carro-guampa. E, encerrando o desfile duma vez por todas, o carro-bomba.

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