https://www.youtube.com/watch?v=aoC2aY7gDU8
El demonio de Laplace. Por qué la física prohibió
predecir el futuro
O azar não existe. Há uma equação total mas que abrange
todas as dimensões.
O demônio de Laplace não morreu. Apenas foi mal
interpretado.
Se prevemos o futuro, não necessariamente é o nosso. Pode
ser dum universo paralelo
E se determinamos algo interativo, o futuro muda. Por exemplo:
Uma loteria manipulada.
Não precisão infinita. Infinito não existe. Se necessita abranger
todas as dimensões.
O gato
Conto de Sérgio Luiz Viotti
Já fazia muito tempo que as pessoas falaram sobre a noite
mas eu nunca prestara muita atenção ao que diziam. Nenhuma palavra despertara
mais que a curiosidade sobre as cores transformadas. Sempre notara que após da
tarde cair as pessoas mudavam. A voz ficava diferente. Percebia cansaço no pai,
irritação na mãe, como se a qualquer momento ela fosse se voltar e o recriminar
por não importar o que estivesse fazendo:
— Pares com isso!, menino. Não agüento mais!
Talvez fosse a noite o que a cansava assim. Mas ninguém
explicava. Supunha ser essa a verdade: A noite cansa. Nada se pode fazer contra
ela. Gostava dos novos jogos-de-sombra. De ver como o rosto da mãe parecia se
dividir em duas coisas separadas quando ela voltava o pescoço cheio pra dizer
algo ao lado. De como o jornal que o pai lia na sala-de-visita, perto do
quebra-luz, parecia no tapete a forma dum imenso pássaro curioso pousado com as
asas abertas, ou a capa estática dalgum misterioso personagem maléfico nalguma
história inventada apressadamente.
Fazia muito tempo que ouvia falar sobre a noite. Guardara
frases de cor. Não se pode voltar
até casa após certa hora! O sereno que cai quando a noite chega é que faz tanto
mal prà saúde. Insistiu em sair na noite com aquele resfriado e foi bem-feito
piorar. Agora está de-cama. Eu é que não serei enfermeira! Mas, noutro
lado, as histórias sempre adquiriam um ambiente mais negro ainda quando
passadas na noite. Se situavam em cemitério, estrada deserta, quarto no escuro
e, invariavelmente, quando percebiam que aquela coisa ali perto era ele, o
mandavam embora. As histórias noturnas nunca lhe diziam respeito.
Mas é um menino
valente! Não tem medo do escuro! Dissera o pai, o afagando no cabelo
como se fosse ganhar um cobiçado prêmio por não ter medo do escuro. Naquela
noite, deitado, pensou em primeira vez nas coisas que o assustavam. Não
conseguiu ligar alguma à noite, que nada tem a ver com isso. Não teme o escuro.
Teme o cachorro da vizinha, andar em bonde sozinho, se perder numa loja cheia
de gente quando sai com a mãe, fazer algo que sabe não dever fazer e ter de se
justificar. Do resto, não.
O menino não está pensando nisso, pulando no terreno cheio
de velhas lajes de cimento lascado, onde cresce um mato forte e duro como unha,
arranhando as pernas com meias curtas. Quando pediu à mãe licença pra sair, ela
disse, sem prestar atenção:
— Vás, mas não mui longe nem venhas tarde demais. Sobretudo
não apareças aqui nalta noite. O jantar é às sete.
Antes dela ter tempo de dizer a última palavra o menino já
correra na área, abrindo o grande portão de grade recoberto de zinco revestido
de pintura terracota descascando cada vez mais. Ganhou a rua e ficou no outro
lado, livre, olhando a vastidão do terreno vazio que alguns meses antes
abrigava uma imensa garagem de camiões-de-transporte. Demolida, restavam
pilastras quebradas, lajes, pilhas de tijolos usados, disformes, de cimento e
pedregulho que continuaram grudados a eles após a demolição, velhas tábuas
semi-apodrecidas e imensas tinas de metal, pretas e amassadas, que as crianças
transformaram em casa particular.
Ninguém apareceu pra brincar. Andou desinteressado dum lado
a outro, colecionou pedra, cortou uma quantidade de folhas longas do capim
crescente, rabiscou com nacos de tijolo desenhos incompreensíveis nas lajes de
cimento fingindo de tela de pintura. E se sentou numa pilastra, vendo que os
sapatos se sujaram demais pra voltar até casa sem os limpar. Ali, como estava,
tentou cuspir sobre eles, procurando o alvo da ponta imóvel de cada pé. As
gotas pesadas, cheias de minúsculas bolhas-de-ar, caíram à poeira e foram
absorvidas no calor da tarde por aquela camada fina e pulverizada, se
transformando a uma bolinha de barro úmida. As tentativas de cuspir aos sapatos
já falhavam mais do que esperaria, quando ouviu vozes mui perto. Ergueu os
olhos e viu uns trabalhadores em macacão escuro, carregando num dos ombros,
dois a dois, longuíssimas escadas. Na outra mão cada um levava uma lata com
tinta.
Os seguiu. Viraram a esquina e pararam junto a casas a
diante, cujas fachadas tinham o ar novo e lavado das reformas. As escadas se
apoiaram nas paredes claras e formaram ângulos curiosos, que ele examinou com
atenção, procurando contar quantos degraus os homens teriam de subir. Após
entender que estavam ali pra repintar de verde-garrafa as calhas do alto
suspirou sem curiosidade. Acostumado aos pintores, já não pensava mais que se
equilibravam por efeito de magia, e os movimentos ritmados dos braços que se
alongavam à direita, depois à esquerda, chegaram a tal monotonia, que o fez
voltar os olhos preguiçosos à copa da árvore cujo nome ignorava mas que estava
junto a si. Caso tivesse um canivete se distrairia entalhando um desenho na
casca nodosa ou deixaria ali a inicial de seu nome ou outra letra. Nunca pôde
usar arma-branca, como ouviu a mãe dizer, e a promessa de ter um canivete
quando fosse escoteiro foi a única maneira de não continuar sofrendo aquela
grande ausência. Até as formas inesperadas do tronco da árvore cresceram como
único desinteresse, e as raízes, que antes de se enterrar na terra se torciam
sobre si e pareciam o dorso sinuoso de vários animais petrificados como os que
vira num livro do pai, serviam de pouso ao corpo sedento de aventura.
Aquele gato
ainda acabará embaixo dum carro! Ouviu dizer uma mulher gorda que parou
de repente ao lado. A percebeu, olhou ao redor e a viu sozinha. Talvez o dizia
pra ele ouvir. Tentou sorrir, sem saber o quê responder. Mas a mulher insistiu,
apontando com a mão, o braço esticado e a bolsa dependurada nele exageradamente
frágil nas alças velhas, como se fosse cair a seu lado. Ela repetiu a frase e
pareceu o enxotar dali. Devia ser assim que enxotava um cachorro da sala,
imaginou ele, movendo os braços assim paralelos, de baixo a cima, uma, duas,
três vezes. Entendendo que ela o impelia ao salvamento, ficou em pé, espiando o
tráfego. O gato já alcançara o outro lado da rua, pequeno e assustado, e andava
rente à sarjeta como se não soubesse que devia subir à calçada pra ficar
a-salvo.
— Podes atravessar agora, meu bem
Ele atravessou sem olhar a mulher. No outro lado se abaixou
cum movimento ensinado, apanhou o gato ao colo, e só então os olhos se
alongaram sobre a rua e encontrou o sorriso de aprovação que a mulher dava, e o
adeus rápido, uma das mãos ajudando a outra a entrar na luva. Pensou:
— Deve estar achando que o gato é meu
Ao mesmo tempo sentiu os pêlos macios encostando no queixo e
o cheiro forte do bicho, um cheiro que não recordava ter sentido antes, uma vez
que em sua casa não era permitido animal. O olhou com desconfiança, mas ao
encontrar a expressão de espanto amplo e verde-claro, a maneira familiar do
gato se apertar de encontro ao peito, as unhas novas firmemente agarradas à
camisa, a desconfiança cedeu lugar a uma intimidade imprecisa. Teve súbita
vontade de fazer amizade, conversar.
— A velha pensou que és meu
Examinou os olhos, vidrado, esperando resposta
— Se ao menos fosses mais bonito, eu não me importaria, mas
não és bonito nem grande. Decerto choravas tanto, que teu dono te atirou à rua.
Não foi?
O gato tentava ao lombo num esforço complicado e elástico
— Ei! Me arranhas!
E o puxou a baixo, encontrando tenaz resistência. O corpo se
alongava curiosamente entre suas mãos. Sentiu o coração minúsculo bater
descontrolado como se com medo, um medo inexplicável de queda e futuro
abandono.
— Pronto! Fiques aí. Temes que te largue aqui na rua. Não é?
Não largo. Calma!
E passou os dedos de leve no corpo, segurando o rabo
enquanto controlava o desejo repentino de o puxar pra ver a reação. O gato
suspeitou algo inesperado, se moveu rápido, o arranhou e puxou fios da camisa.
Não ficariam inimigos por causa disso. O menino sentiu
prazer em ter de o proteger. O gato atentava ainda com receio aquele pouso
macio e alto, o morno das mãos e o cheiro novo daquele pescoço que acabou
tocando de leve com a língua áspera. O menino riu, o assustando. Imaginando que
estaria com fome, o levou a uma confeitaria onde, na ponta dos pés pra dominar
melhor o alto balcão de vidro, pediu um copo de leite frio.
O homem no balcão riu alto, suspeitando
— É pra ti ou pro gato?
E estendeu o braço peludo, a manga arregaçada, tentando
fazer um agrado a ambos.
— Como se chama?
O menino hesitou
— Não tem nome? Como pode!?
— Tem! Se chama Pingo — Inventou
O homem parecia crer, pois foi dizendo, a mão enorme
escondendo a cabeça do gato:
— Pingo? É um bom nome. É tão raquítico! Como te chamas?
— Antônio — Fingindo que ia tossir, pra virar o corpo e se
livrar da manopla que insistia em ser carinhosa
— Dês a volta ao balcão. Darei um copo com leite e um pires
pra Pingo beber um pouco também.
— Não te incomodes
— Não digas que bebereis do mesmo copo! O quê é isso?,
menino. É anti-higiênico! Esperes. Darei um pires também.
E sumiu atrás do balcão
Antônio repetiu
É anti-higiênico!, achando estranho ouvir ali aquelas palavras usadas
por sua mãe cada vez que seu pai exprimia o desejo de ter um cachorro na casa. Além do mais, Antônio teria com quem
brincar, querida. Ao que ela retrucava Se
tem de brincar, pode brincar conosco, com bicho, não! E o pai Mas os moleques da rua… A resposta brava Não e não! Eu já disse que não quero meu
filho brincando com bicho, pois é anti-higiênico. Era sempre assim que a
conversa terminava.
Pingo hesitou alguns instantes antes de provar o leite, e
mesmo após perceber que podia beber livremente, o fez devagar, desacostumado,
tentando pôr as patas dentro do pires, o que fez Antônio rir, agachado ao lado.
O homem continuou:
— Se o gato é teu é necessário cuidar direito. Há quanto
tempo não banhas?
Antônio o ouviu e se sentiu satisfeito com a observação. O
olhou e achou que era muito mais alto do que esperava, cuma barriga enorme que
vista assim de baixo a cima, parecia solta no ar sob o avental branco meio
sujo.
— Achei o gato agora há pouco. Mas é meu, e cuidarei. Só que
não banharei porque gato não pode tomar banho. Meu primo deu banho num gato na
pia do banheiro, e ele morreu de pneumonia! — Explicou, os olhos arregalado com
a revelação.
— Pois faças o mesmo. Mas dês um jeito de o limpar, porque
assim está mui sujo, o que é anti-higiênico. — Concluiu esfregando a barriga
com as mãos sob o avental.
— Aonde irás? Voltar até casa e achar um caixotinho prele
dormir na noite?
— Não. Primeiro brincaremos na praça. Depois irei até casa.
Só mais tarde.
— Cuidado ao atravessar a rua. Há muito tráfego nestas
horas. E não podes pensar só no gato. Quê idéia brincar na praça! Sabes que é
proibido andar nos canteiros?
— Sei. Mas irei ao meio. Lá tem uns pedaços de cimento ao
redor do lago onde a gente pode até andar na grama, pois o guarda nem se
importa. Vou sempre até lá pra jogar pão aos peixinhos. Hoje Pingo irá comigo.
O homem o acompanhou até a porta, a mão pesada sobre a
cabeça de Antônio. Mesmo depois de atravessar a rua, se voltando, o menino o
viu dando adeus. Atravessou de novo ao canteiro redondo no meio da praça, e de
lá ainda teve de responder ao aceno. Pra consolidar aquela amizade nova apanhou
uma das patas de Pingo e o fez fingir um adeus rígido que deixou o homem rindo
de longe, afirmando com a cabeça, sempre esfregando as mãos na barriga. E
entrou à confeitaria.
— Pronto, Pingo. Desse estamos livres! Então gostas de
grama? Estás assustado? Decerto nunca andaste em grama antes. Arranha. Não é?
Mas a gente se acostuma.
Se deitou de-lado numa laje, e deixou o gato no centro da
meia-lua fo corpo curvado
Aquele canto da praça era mui familiar. Tão seu quanto o
desvão embaixo da escada em casa, o canto acimentado do quintal onde empilhava
caixotes e as caixas-de-papelão vazias que guardava pra transformar em carros
variados, ou o milharal no fundo do quintal da escola, inesperado e misterioso
como uma floresta seca. Gostava dali por causa das folhas tão grandes, do lago
dum verde grosso, do enorme chorão que o recobria, parecendo esfiapado de
propósito pra dar tanta sombra e, acima-de-tudo, da estátua do índio
espreitando, que gostava mais e o encantava mas não o sabia. O índio observava
a água baça do lago, meio ajoelhado, meio em atitude de salto, exato e imóvel,
parecendo que pularia a qualquer momento, soltaria a lança que mantinha
inclinada em direção à água com o braço direito, e mataria o peixe escolhido
pela mira infalível. Quantas vezes desejara ser aquele índio, tão grande e
forte, num mundo longínquo e perigoso que não havia ali e sobre os quais
ninguém falava em casa! Mas sabia que existiam. Sabia porque havia entre seus
livros muitas histórias sobre índios como aquele.
— Ouças, Pingo. Venhas. Contarei a ti uma história que
aconteceu com este índio antes dele ficar assim, metálico. Não é bem de metal
que ficou. É que não me lembro do nome, mas isso não tem importância.
A história fora tão longa, diversa, diferente doutras que
aprendera. A inventara provavelmente tentando interessar o amigo num segredo
seu. Mesmo após Pingo adormecer aninhado perto de seus braços, continuou a
pensar, a dizer palavras uma vez ou outra, como se a magia delas fosse o
bastante pra o despertar. Talvez adormecera, pois quando enfim deu conta de si,
a sombra que o envolvia era maior, mais larga e mais fria do que todas as
sentidas antes. Só então percebeu ser quase noite. Os lampiões já estavam acesos.
Na glória daquele brilho de prata se espalhando atonitamente no ar imóvel,
percebeu que tudo ficara realmente dividido em dois: O lado de luz e o de
sombra, como o rosto de sua mãe. Isso o fez se lembrar dela. Se sentou cum
movimento de susto, acordando Pingo, quem, ausente, se espreguiçava numa queixa
silenciosa.
— Vamos, Pingo. Ela já deve estar nos esperando pra jantar
há muito tempo.
E se levantou, o erguendo, começando a andar, o corpo meio
doído de ficar tanto tempo deitado na laje dura
Ao mesmo tempo parou numa reflexão súbita: A sua casa não
era permitido levar Pingo. Procurou ali, nele, um auxílio pra sua resolução,
mas o gato, prisioneiro tácito do abraço macio, o vigiava com duas noites
misteriosas no olhar aberto, e roçava o focinho em seu queixo num rápido beijo
frio, quase tímido. Antônio sorriu cuma promessa de solução. Deu a primeira
volta ao canteiro circular fingindo que isto o ajudaria mais que o silêncio
cúmplice do gato que se estreitava mais-e-mais perto de seu peito. Não fora
aquele amor se tingir de medo ante o volume da noite e a figura impaciente da
mãe esperando, tudo seria perfeito. Ambos estariam juntos num país-de-fantasia
onde, tudo permitido, seriam donos e senhores. Ao contrário, a mãe, em
desespero, procurava arrancar dalguma planta uma resposta audível, uma resposta
que não fosse zanga, fúria, castigo e ameaça. Se sentia preparado pruma grande
aventura inesperada na qual ele e Pingo partiriam ao ignoto. Sonho rápido. A
cidade exigiria explicação. Um menino e seu gato não se explicam à noite. Um
menino e um gato pertencem ao lar, à sala, ao quarto-de-dormir. Pertencem,
quando muito, a uma volta no quarteirão, não à enorme cidade que se ilumina
contra o sono e parece caminhar em pé, com os olhos fechados. A cada passo
passava a ternura daquela amizade amorosa, crescia a responsabilidade do
ato-de-salvamento, a vida ameaçada que arrancara da solidão da rua cheia de
gente pra cercar da fragrância verde do mistério de sua floresta improvisada. O
amor pode pesar infinitamente, mas isto não sabia. O sentimento crescente como
o avanço num caminho certo, isso sim, percebia. Mas é difícil definir tais
coisas quando é a primeira vez. E, além de tudo, há a noite pra observar.
Aquele encanto repentino deu lugar ao desespero duma solidão de sombras. Tentou
ficar imóvel sob as manchas de luz até imaginar que ali seria alvo fácil
doutros olhares, talvez da mãe, e se afastou pra sentir a falta logo a diante.
Nunca saberia quanto tempo ficou entre hesitação e coragem.
Indiferente, Pingo se deixou levar num torpor de preguiça, confiando no
destino. Antônio o espiava, uma forma escura entre os braços, e relembrava como
o encontrara. Podia o abandonar da mesma maneira e se afastar como se tudo não
passara de coisa banal e nenhum carinho o obrigasse a ficar com Pingo. O gato
voltaria ao dono. Mas não havia dono. O
dono sou eu!, disse, cuidadosamente, o repetindo pra Pingo ouvir. Não
houve reação.
— Não sabe que sou o dono! — Murmurou, os olhos enuviados
O receio do suposto dono aparecer o fez reprocurar o abrigo
do chorão. Se sentou à beira do lago e percebeu o ruído cantado dágua corrente.
O gato se interessou pelos dedos movediços brincando na água. Pensava no
abandono doloroso e decidiu um sofrimento maior, de sua escolha, imenso como um
sacrifício que exigisse a coragem adulta que seu pai falara tantas vezes, a de
enfrentar a noite que todos discutiam, de enfrentar o escuro.
Agora estava ali enfrentando tudo. Se bem que nunca
enfrentara a morte (mas ouvira o pai dizer que um amigo morrera corajosamente
na revolução!) nem vira algo morto, e ela fosse um final de histórias ouvidas
nas refeições, podia a enfrentar também sem receio nem vergonha de sentir medo
dela antes ou depois. Pingo não ressentiu o pequeno passeio no ar, a curva
lenta que Antônio desenhou consigo ao o erguer alto o olhando fixo. Mas não
quis o ver mais. Segurando o corpo com as duas mãos, as sentiu mergulhar na
água e afundar num mundo frio e envolvente, encostadas ao fundo do pequeno lago
coberto de limo. Os dedos sentiam a luta desigual do coração miúdo batendo.
Houve um instante no qual o coração retido entre as mãos parecia crescer e
ficar subitamente longínquo e cansado. Abriu os olhos e viu os galhos dobrados
do chorão se abrindo largamente. Além, o céu já sem sinal de azul mais claro.
Era mesmo mui tarde.
Soltou as mãos devagar e as abriu lateralmente pra que não
encostassem mais no corpo de Pingo. O chamou uma vez, e sentiu que a água
pingava dos dedos nas pernas, as queimando de frio. Não as enxugou. Se ergueu
com os braços caídos aos lados e atravessou a rua correndo, sem nem olhar os
carros, na esperança de que as mãos estariam enxutas antes de chegar até casa.
Do fundo da praça se voltou a trás pensando que, se
voltasse, o gato ainda estaria adormecido o esperando. Não! Era seu segredo!
Tudo já acontecera. Não podia explicar em casa porque chegaria chorando.
No céu pesava o brilho de muitas noites mortas
Londres, março de 1953
Revista Província de São Pedro 20, 1955
https://www.youtube.com/watch?v=cJJ4odOP96Q
Michael Holm -
Mendocino (ZDF Disco 28.04.1973)
O
vocábulo mendocino é gentílico a Mendonça (Mendoza), Argentina, e também
nome duma cidade californiana, mais uma cidade batizada com o gentílico doutra,
como Londrina e Curitibanos
Esta versão
alemã ficou melhor que a original
https://www.youtube.com/watch?v=Hy3V2BGQKAk
Michael
Holm - Mendocino
Auf der Straße
nach San Fernando
Da stand
ein Mädchen wartend in der heißen Sonne
Ich hielt
an und fragte wohin
Sie sagte
bitte nimm mich mit nach Mendocino
Ich sah
ihre Lippen
Ich sah
ihre Augen
Die Haare
gehalten von zwei goldenen Spangen
Sie sagte
sie will
Mich gern wiederseh’n
Doch dann
vergaß ich leider ihren Namen
Mendocino,
Mendocino
Ich fahre
jeden Tag nach Mendocino
An jeder
Tür klopfe ich an
Doch keiner
kennt mein Girl in Mendocino
Tausend
Träume
Bleiben
ungeträumt
Und tausend
Küsse kann ich ihr nicht schenken
Ich gebe
nicht auf
Und suche
nach ihr
In der heißen
Sonne von Mendocino
Mendocino,
Mendocino
Ich fahre
jeden Tag nach Mendocino
An jeder
Tür klopfe ich an
Doch keiner kennt mein Girl in Mendocino
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Na estrada a São Fernando
uma garota caroneando ao sol escaldante
Parei e perguntei aonde ia
Disse Por
favor, me leves a Mendocino
Vi seus lábios
Vi seus olhos
O cabelo preso por duas presilhas douradas
Disse que queria me rever
Mas esqueci seu nome
Mendocino, Mendocino
Dirijo a Mendocino todos os dias
Bato em todas as portas
Mas ninguém conhece minha garota em Mendocino
Mil sonhos persistem só sonho
E mil beijos que não posso lhe dar
Não desistirei
A procuro
Ao sol escaldante de Mendocino
Mendocino, Mendocino
Dirijo a Mendocino todos os dias
Bato em todas as portas
Mas ninguém conhece minha garota em Mendocino
O quinto trapalhão
As aventuras,
desventuras,
peripécias
e escaramuças
dantescas, burlescas,
picarescas,
rocambolescas,
rabelasianas, pantagruélicas,
homéricas,
quixotescas, estrambóticas,
petalógicas,
inverossímeis e estapafúrdias
do
barão de Nheereí
Pensas que já esmiuçaram tudo sobre Os trapalhões?
Pois contarei minha inédita aventura com o quarteto, que nem Rafael Spacca tem
idéia. Mas não necessita vir pra me entrevistar, pois contarei tudo agora.
Viajando, procurei uma pensão. Achei uma vaga numa casa, um
quarto pequeno. Ao chegar tive enorme surpresa ao ver que meus futuros colegas-de-pousada,
pasmai!, eram, nada-mais-nada-menos que os quatro trapalhões: Didi, Dedé, Muçum
e Zacarias! Didi começou descontraindo:
— Eis chegando um que fez que foi, não foi, e acabou fondo
— Cê num sabe conjugar, Didi. — Eu disse — Fiz que i,
não i, e acabei indo.
— Aiaiai! — Zacarias — Aqui todo mundo fugiu da escola.
Hihihihihi. Sou Zacarias, mineiro-do-queijo, de Sete Lagoas. Aqui Muçum,
carioca-da-gema. Este é Dedé, paulistano-da-clara. E Didi, cearense-do-bode.
Hihihihihi.
Quase fiquei emocionado. Diante de mim, interagindo,
conversando, quatro ídolos da infância. Era como encontrar os personagens de Perdidos
no espaço, O túnel do tempo e Viagem ao fundo do mar!
Quando criança eu devaneava com minhas séries preferidas
como eu sendo um deles ou um visitante interagindo. Como em Perdidos no
espaço, onde tudo se centrava quase só em Guguinha, doutor Esmite e o robô,
nos trapalhões quase tudo se centrava em Didi e depois em Dedé. A gente
queria ver mais atuação de Zacarias e de Muçum!
No túnel do tempo eu queria mais protagonismo de
doutora Ana!
Quando via o programa sendo criança meu ídolo era Didi, quem
quase sempre levava a melhor. Mas agora, vendo de perto e adulto, vejo graça
mas também deboche, pejorativo, egoísta, maldoso. Agora não me apetece ser
amigo de Didi.
— Em tua terra tem muita lagoa. Em meu estado só tem três.
Sou barão de Nheereí, guaicuru, que é o gentílico pra Mato Grosso do Sul,
guaicuru-da-erva.
— Da erva? Já sei! Do tereré, que é um chimarrão melhorado —
Dedé
Falamos um pouco sobre o tereré, fazer uma roda-de-tereré, a
influência paraguaia e tal. Didi se despediu, pois tinha de sair. Então os três
se desculparam porque tinham de discutir um plano. Eu disse:
— Tem Didi nesse enredo!
— Pois é. — Dedé — Didi vive pregando peça na gente. Tem vez
que ganhamos a parada, mas ultimamente Didi se deu bem em todas. Ontem pôs
tomate rei-humberto na geladeira, e se divertiu vendo a gente morder pensando
que era caqui!
— E o pióris foi quândis pôs pimêntis prà gente pensar que
era cerêjis! Temos que dar um bástis nisso!
— Mas o que mais nos revolta — Zacarias pondo as mãos nas
têmporas — é que vive roubando namorada!
— É. Com aquêlis trejêitis de João Travolta dos pobres, mais
pra Zé Bonitínhis que pra Ronifônis, não sei como a mulherádis cai na dêlis!
Nos juntamos em-roda e propus um plano. Como tínhamos de ver
quando estava chegando, preparei um periscópio de cartolina, pra ver encima do
muro. Em Manual do professor Pardal tem a instrução pra fazer um. Como
fiz várias vezes já sabia de-cor.
A primeira providência era encerar o piso pra quando Didi
entrar escorregar. Mas como não sou menos trapalhão que eles escorreguei umas
quantas vezes no processo. Já estava com o sentador doendo. Quando Didi chegou
o piso do portão já estava bem encerado prele escorregar e levar aquele tombo!
Quando entrou não escorregou porque ao pisar com o direito o sentiu mui liso,
então calçou patim pra patinação no gelo. Comprara o par pra mostrar pro
pessoal. Deslizou patinando em círculo:
— Comprei este patim gozado, sem roda, mas nunca aprendi a
patinar
Quando se lembrou de não saber patinar levou aquele tombo
que fez o pessoal rir muito. Então executamos o plano seguinte. Eu disse cum
estojo de devedê na mão:
— Foste quem encomendou este vídeo de Ângela Bismarque no
carnaval? Peladinha, só tinta no corpo.
— Como é?
— Compraste o de Globeleza. Só corpo pintado.
— Bicho bão!
— Levaste uma pintada, gostaste muito, e queres outra
pintada.
— Cai fora!, Caipora. Sou cearense. Em minha terra só tem
cabra macho!
— E como fazem pra se casar lá? — Dedé alfinetou
— E também só tem bódis fêmis? — Muçum deu a
volta-do-parafuso
— E o endereço pra entrega. Ainda moras naquele bairro Recanto
dos pintados?
Risada geral. Mais alto que tudo soou a marcante risada de
Zacarias.
Didi foi se levantando sofregamente, e resmungou:
— Deixa estar. Vai tê troco. Á se vai!
Muçum ficou olhando via periscópio:
— Pessoal. Doutor Jeca saiu como monstro!
— Monstro?
Dedé explicou:
— Quem aluga o porão é um químico. Um senhor franzino e
alegre. Mas Zacarias cismou que ele só sai transformado em monstro, pois é o
doutor de O médico e o monstro!
Na verdade não tão monstro. É aquele alemão com cara de brabo.
Correram à porta do porão. Muçum cum baldinho-de-tinta na
mão e Zacarias cum pincel, não o sargento mas um pincel mesmo, e escreveram na
fachada Michael Jackson e mistress
Heidi. Dedé não se conteve:
— Cês são burros! O título original abreviado é Doctor
Jekyll and mister Hyde
E expliquei que Heidi, pronuncia ráidi, é uma
novela sobre as aventuras duma garotinha nas montanhas alpinas suíças
Logo chegou doutor Jekyll, quem era aquele moleque-velho,
Ferrugem. Deu olá a todos e se enfurnou no porão.
Pusemos um tapete pra evitar mais escorregada. Em seguida
chegou uma vizinha pra devolver uma farinha emprestada. Tive de me conter pra
não arregalar demais os olhos. Quê louraça! Todas minhas paqueras não-louras
reclamavam que sou doido por louras. Exagero. Né?
Dedé explicou que tal vizinha não tem namorado, e que a
estão disputando:
— Mas o problema é Didi. Na certa jogará sujo.
Então tive a idéia de surrupiar uma porção do elixir do
doutor, pra transformar Didi em monstro e o tirar da jogada. Zacarias se
prontificou a arranjar a chave.
Entramos ao porão. Zacarias pôs um funil na garrafa pete e
enchemos a meio, não sem derramar um pouco, é claro. Muçum achou que uma
garrafa ali era cachaça.
— Nada de degustar isso. Já pensou virar monstro aqui
dentro?
Levamos a garrafa à cozinha. Ali preparei tereré, pois no
tereré seria a maneira ideal de induzir a tomar o elixir. Elixir ou poção? Acho
que o líquido é um pouco dambos.
Quando Didi apareceu me tomando e ficou curioso:
— Ei!, psite! Quequié isso?
A expressão que Didi sole usar soa a grego, como o linguajar
de Muçum soa a latim
Ofereci pra experimentar o famigerado tereré. Mas Didi parecia
meio ressabiado.
— Esse copo gozado aí?, psite. E esse canudo afrescalhado?
— É a guampa e a bomba
— Sei…
A guampa é feita de chifre. Tem dois aí?
— Não!
Só um! Entendi bem aonde queres chegar com a piada!
— Mas tem bomba. Pode explodir. Credo!
— Didi. Pares de enrolar! — Dedé
— Vâmis! Num sábis o quê tá perdêndis!
— Sei não! Tô com medo de não gostar.
Então apelei a uma paródia, modinha improvisada:
Quem
não gosta de tereré
Bom sujeito não
é
Tem coceira no
pé
A cabeça lelé
É um zé-mané
E
não gosta, nem, de muié
— Daqui! Vô tomá! Sô cearense cabra-macho!
Chupou uns goles, e começou a palhaçada. Fez caras-e-bocas,
grunhiu, pôs a mão à barriga, girou três vezes e disse:
— Treco bão! E num é quiebão? Gostei!
Em seguida franziu o cenho e ficou olhando a parede. O
pessoal:
— Didi. Didíi! Tá passando bem?
— Didi? Didi, não! Doutor Renato! Hum… Acho que abrirei uma revenda deste treco aqui.
Conversaremos mais tarde.
Saiu. O
pessoal foi chegando a passo fino, com cara de espanto. Zacarias:
— Esse
é que é o monstro? Não devia ser o contrário? Deixa eu ir falar com ele.
— Vai
ver que Didi é o estado monstro. Agora, com o elixir, voltou ao normal
Zacarias veio correndo, naquele jeito aloucado, gritando mui
assustado:
— Ai! Iuiuiuiú! Quase tomei um porta-durex na cabeça porque
me distraí e chamei doutor Renato de Didi!
— Me deu vontádis de isprimentá. Quero sabê qual mônstris eu
viro.
— E também saber se todos aqueles esgares eram palhaçada
típica de Didi, ou se efeito do elixir — Dedé passando a guampa a Muçum, quem
passou a Zacarias, e ficaram naquela:
— Cê primeiro
— Não. Passo a guâmpis ao anfitri
— Eu?, hem! Não tenho curiosidade. Vai que viro uma bicha
despirocada!
Enfim Zacarias agarrou a guampa, e deu uma chupada. Os olhos
se reviraram, vesgo, estrábico, rodando, deu aquela risada típica, e de repente
se transformou num cara calvo, com cabelo só nas têmporas.
— Zacarias. Tudo bem? — Dedé. A resposta foi cuma voz
grossa, falando duro:
— Tá me estranhando?, rapaz. Meu nome é Mauro!
— Opa! Tá bom, seu Mauro. Foi mal.
Em seguida foi a vez de Muçum. Tomou. Mas em vez de parecer
passar mal ou entrar em êxtase começou a sambar.
— Muçum?
— Sou Antônio Carlos. Não gosto de apelido!
Muçum2 não falava naquele latim macarrônico
Em seguida Dedé tomou uns goles:
— Quero vê quequieu viro!
Nenhuma reação. Tudo normal. Esperamos um tempão. Tomou
mais, e mais, e nada. Eu disse:
— Parece que teu alterego é tu mesmo. Monstro nato ou nada
tens de monstro.
— É…
Continuo me chamando Dedé
Logo depois Muçum2 telefonou a uns amigos, se reuniram e
fundaram um grupo musical, o Originais do samba. Qualquer dia contarei
como me reunia com o pessoal ali, e como algumas letras foram tema que inspirei
comentando ou improvisando cançoneta ou paródia.
Logo apareceram sargento Pincel e Ted Boy Marino,
apressados, só pra dar um recado. Também experimentaram tereré. O sargento
virou Nélson Ned, e Ted virou Mazzaropi.
— Vamos, Ted. Não sei porque todo mundo ficou tão alto!
— Vamos. Sai da frente!
Em seguida chegou a vizinha. Doutor Renato falou com ela
primeiro. Ela disse estranhar Didi estar um senhor tão sisudo, pois é sempre
tão engraçadinho. Carlos conversava com voz grossa, quase de radialista, Dedé
recitou um poema romântico, e Muçum pôs o grupo pra tocar e a convidou pra
dançar.
O poema de Dedé:
Minha
deusa à Terra descida
Teus olhos são
duas safiras reluzentes
Este nariz
arrebitado, como o mastro dum navio
Navio no qual
quero navegar esta melena ondulada
Que
são mares procelosos nunca dantes navegados
Minha participação foi cum selo que preparei presse fim já
noutras ocasiões. No selo tem a gravura duma caneca com cerveja clara e os
dizeres encima Selo-de-qualidade,
e embaixo Esta loura é autêntica.
— Com licença, senhorita. Tenho a honra de te marcar cum
selo que garante autenticidade. Neste mundo, onde quase tudo é falso, uma loura
autêntica é peça rara.
Mostrei bem, e colei o selo no braço dela
E assim passamos uma noite memorável. Quando ela se foi nos
sentamos nos sofás. O pessoal começou a se gabar. Didi2:
— Cês num tem chance! Mulher gosta de capitalista, com poder
aquisitivo. Estabilidade. É isso que o instinto feminino procura. Um macho
protetor e provedor.
— Imagina! Até a marchinha reconhece que é dos carecas que
elas gostam mais!
— Nada disso! Se for sensata gostará mais dum cara sóbrio,
elegante, cavalheiro, sem estereótipo. Um poema daqueles derrete qualquer
coração!
— Nada a ver! É dançar é o melhor recurso pra conquistar o
coração duma mulher.
Rebati todos os argumentos com o meu:
— Todo mundo equivocado. Já cansamos de ver no trabalho,
escola, festa, em todo lugar, mulher reclamando de cantada-clichê. Isso as
aborrece muito. O que elas gostam é de cara criativo, cheio de imaginação. Por
isso com aquele selo tem pra ninguém. Já ganhei! Uma vez eu ia dar um anel de
diamante pra minha noiva. Mas logo me bati na cara, Cê tá doido? Ela odiará essa cantada-clichê. Sabe que
mulher gosta de cantada criativa! Então respirei fundo e achei uma porca
pra parafuso grande, que se ajusta bem no dedo, e dei como anel-de-noivado, com
toda pompa, prela ficar feliz, pois elas gostam de cantada criativa, divertida.
Quase fiz a burrada de dar anel de diamante, coisa brega e manjada, nada
criativa. Cês precisavam ver a cara de espanto que fez. Certamente não esperava
se divertir tanto. Pois então…
Mas qual era o nome daquela ex-noiva? Peraí. Tem as outras, quem também se
divertiram muito, mas também não me lembro os nomes…
Dedé me
deu uma almofadada no lombo:
—
Qualé?, cara. Bem se vê que nada entendes de mulher!
— Mas
quem entende? Nem o Diabo, pois que tem chifre!
Tudo empatado. Breve silêncio, e o efeito do elixir passou.
Didi disse:
— Tá pra mim! Muié gosta de cara bem-humorado, sempre
brincalhão. Esse sou eu. Naquela vez que banquei o João Três Voltas.
— Nhão, nhão, nhão, nhão! É até dito popular, tá no
folclore, o tal do mineirinho come-quieto, que finge que só gosta de queijo!
— Mantenho meu argumento de que finura e elegância são a
chave-do-sucesso. Mulher gosta de ser tratada com suavidade, ternura. De quê
adianta ser careca ou capitalista se for grosso?
— Qui nádis! Todo
mundo sábis que as lôuris são chegádis num neg
Logo mais a loura reapareceu porque esqueceu uma chave
nalgum lugar, e procurou. Chegando à cozinha viu a guampa e decidiu degustar.
Voltou chupando na bomba:
— Quequié este suco verde gostoso neste copo gozado com este
canudinho chique?
Zacarias saltou assustado:
— Cara! Cê esqueceu a guampa preparada encima da pia, e ela
achou!
— Ai! Meu-deus!
A loura começou a se transformar. Virou Vera Verão!, quem
deu umas voltas ao redor do pessoal, olhando muito cada um, deu aquele rodopio
dizendo Epa!:
— Cada um mais lindo! Não sei qual escolher!
O pessoal vai a rodeando pra arrastar à porta. Enfim
conseguem a expulsar delicadamente.
Enquanto isso, pasmo com o que via, fui tomar uns goles. Mas
como também sou trapalhão esqueci de repor a erva, pra não tomar o elixir, e o
tomei distraído!
— Não! Ele virou Rafael Spacca!
— Não me clorofórmio! O maior fofoquêiris!
— Esse aí conta a vida da gente pra todo mundo! — Zacarias
Levei uma surra de almofada dos quatro e fui expulso. Só
chegando a uma pensão passou o efeito do elixir.
Assim foi minha aventura como o quinto trapalhão
Coleção Adeene
neles!

Onde andam senhor Miyagi e Richard Gere
E o vício podría (poderia) em vez de puede
(pode)
Coleção Cartão-postal de Joanco















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