quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Brotoeja 7, 1968

Brotoeja 007, RGE, 04.10.1968

 Brotoeja 007, RGE, 04.10.1968 - escã bruto

 

https://www.youtube.com/watch?v=aoC2aY7gDU8

El demonio de Laplace. Por qué la física prohibió predecir el futuro

O azar não existe. Há uma equação total mas que abrange todas as dimensões.

O demônio de Laplace não morreu. Apenas foi mal interpretado.

Se prevemos o futuro, não necessariamente é o nosso. Pode ser dum universo paralelo

E se determinamos algo interativo, o futuro muda. Por exemplo: Uma loteria manipulada.

Não precisão infinita. Infinito não existe. Se necessita abranger todas as dimensões.

 

O gato

Conto de Sérgio Luiz Viotti

Já fazia muito tempo que as pessoas falaram sobre a noite mas eu nunca prestara muita atenção ao que diziam. Nenhuma palavra despertara mais que a curiosidade sobre as cores transformadas. Sempre notara que após da tarde cair as pessoas mudavam. A voz ficava diferente. Percebia cansaço no pai, irritação na mãe, como se a qualquer momento ela fosse se voltar e o recriminar por não importar o que estivesse fazendo:

— Pares com isso!, menino. Não agüento mais!

Talvez fosse a noite o que a cansava assim. Mas ninguém explicava. Supunha ser essa a verdade: A noite cansa. Nada se pode fazer contra ela. Gostava dos novos jogos-de-sombra. De ver como o rosto da mãe parecia se dividir em duas coisas separadas quando ela voltava o pescoço cheio pra dizer algo ao lado. De como o jornal que o pai lia na sala-de-visita, perto do quebra-luz, parecia no tapete a forma dum imenso pássaro curioso pousado com as asas abertas, ou a capa estática dalgum misterioso personagem maléfico nalguma história inventada apressadamente.

Fazia muito tempo que ouvia falar sobre a noite. Guardara frases de cor. Não se pode voltar até casa após certa hora! O sereno que cai quando a noite chega é que faz tanto mal prà saúde. Insistiu em sair na noite com aquele resfriado e foi bem-feito piorar. Agora está de-cama. Eu é que não serei enfermeira! Mas, noutro lado, as histórias sempre adquiriam um ambiente mais negro ainda quando passadas na noite. Se situavam em cemitério, estrada deserta, quarto no escuro e, invariavelmente, quando percebiam que aquela coisa ali perto era ele, o mandavam embora. As histórias noturnas nunca lhe diziam respeito.

Mas é um menino valente! Não tem medo do escuro! Dissera o pai, o afagando no cabelo como se fosse ganhar um cobiçado prêmio por não ter medo do escuro. Naquela noite, deitado, pensou em primeira vez nas coisas que o assustavam. Não conseguiu ligar alguma à noite, que nada tem a ver com isso. Não teme o escuro. Teme o cachorro da vizinha, andar em bonde sozinho, se perder numa loja cheia de gente quando sai com a mãe, fazer algo que sabe não dever fazer e ter de se justificar. Do resto, não.

O menino não está pensando nisso, pulando no terreno cheio de velhas lajes de cimento lascado, onde cresce um mato forte e duro como unha, arranhando as pernas com meias curtas. Quando pediu à mãe licença pra sair, ela disse, sem prestar atenção:

— Vás, mas não mui longe nem venhas tarde demais. Sobretudo não apareças aqui nalta noite. O jantar é às sete.

Antes dela ter tempo de dizer a última palavra o menino já correra na área, abrindo o grande portão de grade recoberto de zinco revestido de pintura terracota descascando cada vez mais. Ganhou a rua e ficou no outro lado, livre, olhando a vastidão do terreno vazio que alguns meses antes abrigava uma imensa garagem de camiões-de-transporte. Demolida, restavam pilastras quebradas, lajes, pilhas de tijolos usados, disformes, de cimento e pedregulho que continuaram grudados a eles após a demolição, velhas tábuas semi-apodrecidas e imensas tinas de metal, pretas e amassadas, que as crianças transformaram em casa particular.

Ninguém apareceu pra brincar. Andou desinteressado dum lado a outro, colecionou pedra, cortou uma quantidade de folhas longas do capim crescente, rabiscou com nacos de tijolo desenhos incompreensíveis nas lajes de cimento fingindo de tela de pintura. E se sentou numa pilastra, vendo que os sapatos se sujaram demais pra voltar até casa sem os limpar. Ali, como estava, tentou cuspir sobre eles, procurando o alvo da ponta imóvel de cada pé. As gotas pesadas, cheias de minúsculas bolhas-de-ar, caíram à poeira e foram absorvidas no calor da tarde por aquela camada fina e pulverizada, se transformando a uma bolinha de barro úmida. As tentativas de cuspir aos sapatos já falhavam mais do que esperaria, quando ouviu vozes mui perto. Ergueu os olhos e viu uns trabalhadores em macacão escuro, carregando num dos ombros, dois a dois, longuíssimas escadas. Na outra mão cada um levava uma lata com tinta.

Os seguiu. Viraram a esquina e pararam junto a casas a diante, cujas fachadas tinham o ar novo e lavado das reformas. As escadas se apoiaram nas paredes claras e formaram ângulos curiosos, que ele examinou com atenção, procurando contar quantos degraus os homens teriam de subir. Após entender que estavam ali pra repintar de verde-garrafa as calhas do alto suspirou sem curiosidade. Acostumado aos pintores, já não pensava mais que se equilibravam por efeito de magia, e os movimentos ritmados dos braços que se alongavam à direita, depois à esquerda, chegaram a tal monotonia, que o fez voltar os olhos preguiçosos à copa da árvore cujo nome ignorava mas que estava junto a si. Caso tivesse um canivete se distrairia entalhando um desenho na casca nodosa ou deixaria ali a inicial de seu nome ou outra letra. Nunca pôde usar arma-branca, como ouviu a mãe dizer, e a promessa de ter um canivete quando fosse escoteiro foi a única maneira de não continuar sofrendo aquela grande ausência. Até as formas inesperadas do tronco da árvore cresceram como único desinteresse, e as raízes, que antes de se enterrar na terra se torciam sobre si e pareciam o dorso sinuoso de vários animais petrificados como os que vira num livro do pai, serviam de pouso ao corpo sedento de aventura.

Aquele gato ainda acabará embaixo dum carro! Ouviu dizer uma mulher gorda que parou de repente ao lado. A percebeu, olhou ao redor e a viu sozinha. Talvez o dizia pra ele ouvir. Tentou sorrir, sem saber o quê responder. Mas a mulher insistiu, apontando com a mão, o braço esticado e a bolsa dependurada nele exageradamente frágil nas alças velhas, como se fosse cair a seu lado. Ela repetiu a frase e pareceu o enxotar dali. Devia ser assim que enxotava um cachorro da sala, imaginou ele, movendo os braços assim paralelos, de baixo a cima, uma, duas, três vezes. Entendendo que ela o impelia ao salvamento, ficou em pé, espiando o tráfego. O gato já alcançara o outro lado da rua, pequeno e assustado, e andava rente à sarjeta como se não soubesse que devia subir à calçada pra ficar a-salvo.

— Podes atravessar agora, meu bem

Ele atravessou sem olhar a mulher. No outro lado se abaixou cum movimento ensinado, apanhou o gato ao colo, e só então os olhos se alongaram sobre a rua e encontrou o sorriso de aprovação que a mulher dava, e o adeus rápido, uma das mãos ajudando a outra a entrar na luva. Pensou:

— Deve estar achando que o gato é meu

Ao mesmo tempo sentiu os pêlos macios encostando no queixo e o cheiro forte do bicho, um cheiro que não recordava ter sentido antes, uma vez que em sua casa não era permitido animal. O olhou com desconfiança, mas ao encontrar a expressão de espanto amplo e verde-claro, a maneira familiar do gato se apertar de encontro ao peito, as unhas novas firmemente agarradas à camisa, a desconfiança cedeu lugar a uma intimidade imprecisa. Teve súbita vontade de fazer amizade, conversar.

— A velha pensou que és meu

Examinou os olhos, vidrado, esperando resposta

— Se ao menos fosses mais bonito, eu não me importaria, mas não és bonito nem grande. Decerto choravas tanto, que teu dono te atirou à rua. Não foi?

O gato tentava ao lombo num esforço complicado e elástico

— Ei! Me arranhas!

E o puxou a baixo, encontrando tenaz resistência. O corpo se alongava curiosamente entre suas mãos. Sentiu o coração minúsculo bater descontrolado como se com medo, um medo inexplicável de queda e futuro abandono.

— Pronto! Fiques aí. Temes que te largue aqui na rua. Não é? Não largo. Calma!

E passou os dedos de leve no corpo, segurando o rabo enquanto controlava o desejo repentino de o puxar pra ver a reação. O gato suspeitou algo inesperado, se moveu rápido, o arranhou e puxou fios da camisa.

Não ficariam inimigos por causa disso. O menino sentiu prazer em ter de o proteger. O gato atentava ainda com receio aquele pouso macio e alto, o morno das mãos e o cheiro novo daquele pescoço que acabou tocando de leve com a língua áspera. O menino riu, o assustando. Imaginando que estaria com fome, o levou a uma confeitaria onde, na ponta dos pés pra dominar melhor o alto balcão de vidro, pediu um copo de leite frio.

O homem no balcão riu alto, suspeitando

— É pra ti ou pro gato?

E estendeu o braço peludo, a manga arregaçada, tentando fazer um agrado a ambos.

— Como se chama?

O menino hesitou

— Não tem nome? Como pode!?

— Tem! Se chama Pingo — Inventou

O homem parecia crer, pois foi dizendo, a mão enorme escondendo a cabeça do gato:

— Pingo? É um bom nome. É tão raquítico! Como te chamas?

— Antônio — Fingindo que ia tossir, pra virar o corpo e se livrar da manopla que insistia em ser carinhosa

— Dês a volta ao balcão. Darei um copo com leite e um pires pra Pingo beber um pouco também.

— Não te incomodes

— Não digas que bebereis do mesmo copo! O quê é isso?, menino. É anti-higiênico! Esperes. Darei um pires também.

E sumiu atrás do balcão

Antônio repetiu É anti-higiênico!, achando estranho ouvir ali aquelas palavras usadas por sua mãe cada vez que seu pai exprimia o desejo de ter um cachorro na casa. Além do mais, Antônio teria com quem brincar, querida. Ao que ela retrucava Se tem de brincar, pode brincar conosco, com bicho, não! E o pai Mas os moleques da rua A resposta brava Não e não! Eu já disse que não quero meu filho brincando com bicho, pois é anti-higiênico. Era sempre assim que a conversa terminava.

Pingo hesitou alguns instantes antes de provar o leite, e mesmo após perceber que podia beber livremente, o fez devagar, desacostumado, tentando pôr as patas dentro do pires, o que fez Antônio rir, agachado ao lado. O homem continuou:

— Se o gato é teu é necessário cuidar direito. Há quanto tempo não banhas?

Antônio o ouviu e se sentiu satisfeito com a observação. O olhou e achou que era muito mais alto do que esperava, cuma barriga enorme que vista assim de baixo a cima, parecia solta no ar sob o avental branco meio sujo.

— Achei o gato agora há pouco. Mas é meu, e cuidarei. Só que não banharei porque gato não pode tomar banho. Meu primo deu banho num gato na pia do banheiro, e ele morreu de pneumonia! — Explicou, os olhos arregalado com a revelação.

— Pois faças o mesmo. Mas dês um jeito de o limpar, porque assim está mui sujo, o que é anti-higiênico. — Concluiu esfregando a barriga com as mãos sob o avental.

— Aonde irás? Voltar até casa e achar um caixotinho prele dormir na noite?

— Não. Primeiro brincaremos na praça. Depois irei até casa. Só mais tarde.

— Cuidado ao atravessar a rua. Há muito tráfego nestas horas. E não podes pensar só no gato. Quê idéia brincar na praça! Sabes que é proibido andar nos canteiros?

— Sei. Mas irei ao meio. Lá tem uns pedaços de cimento ao redor do lago onde a gente pode até andar na grama, pois o guarda nem se importa. Vou sempre até lá pra jogar pão aos peixinhos. Hoje Pingo irá comigo.

O homem o acompanhou até a porta, a mão pesada sobre a cabeça de Antônio. Mesmo depois de atravessar a rua, se voltando, o menino o viu dando adeus. Atravessou de novo ao canteiro redondo no meio da praça, e de lá ainda teve de responder ao aceno. Pra consolidar aquela amizade nova apanhou uma das patas de Pingo e o fez fingir um adeus rígido que deixou o homem rindo de longe, afirmando com a cabeça, sempre esfregando as mãos na barriga. E entrou à confeitaria.

— Pronto, Pingo. Desse estamos livres! Então gostas de grama? Estás assustado? Decerto nunca andaste em grama antes. Arranha. Não é? Mas a gente se acostuma.

Se deitou de-lado numa laje, e deixou o gato no centro da meia-lua fo corpo curvado

Aquele canto da praça era mui familiar. Tão seu quanto o desvão embaixo da escada em casa, o canto acimentado do quintal onde empilhava caixotes e as caixas-de-papelão vazias que guardava pra transformar em carros variados, ou o milharal no fundo do quintal da escola, inesperado e misterioso como uma floresta seca. Gostava dali por causa das folhas tão grandes, do lago dum verde grosso, do enorme chorão que o recobria, parecendo esfiapado de propósito pra dar tanta sombra e, acima-de-tudo, da estátua do índio espreitando, que gostava mais e o encantava mas não o sabia. O índio observava a água baça do lago, meio ajoelhado, meio em atitude de salto, exato e imóvel, parecendo que pularia a qualquer momento, soltaria a lança que mantinha inclinada em direção à água com o braço direito, e mataria o peixe escolhido pela mira infalível. Quantas vezes desejara ser aquele índio, tão grande e forte, num mundo longínquo e perigoso que não havia ali e sobre os quais ninguém falava em casa! Mas sabia que existiam. Sabia porque havia entre seus livros muitas histórias sobre índios como aquele.

— Ouças, Pingo. Venhas. Contarei a ti uma história que aconteceu com este índio antes dele ficar assim, metálico. Não é bem de metal que ficou. É que não me lembro do nome, mas isso não tem importância.

A história fora tão longa, diversa, diferente doutras que aprendera. A inventara provavelmente tentando interessar o amigo num segredo seu. Mesmo após Pingo adormecer aninhado perto de seus braços, continuou a pensar, a dizer palavras uma vez ou outra, como se a magia delas fosse o bastante pra o despertar. Talvez adormecera, pois quando enfim deu conta de si, a sombra que o envolvia era maior, mais larga e mais fria do que todas as sentidas antes. Só então percebeu ser quase noite. Os lampiões já estavam acesos. Na glória daquele brilho de prata se espalhando atonitamente no ar imóvel, percebeu que tudo ficara realmente dividido em dois: O lado de luz e o de sombra, como o rosto de sua mãe. Isso o fez se lembrar dela. Se sentou cum movimento de susto, acordando Pingo, quem, ausente, se espreguiçava numa queixa silenciosa.

— Vamos, Pingo. Ela já deve estar nos esperando pra jantar há muito tempo.

E se levantou, o erguendo, começando a andar, o corpo meio doído de ficar tanto tempo deitado na laje dura

Ao mesmo tempo parou numa reflexão súbita: A sua casa não era permitido levar Pingo. Procurou ali, nele, um auxílio pra sua resolução, mas o gato, prisioneiro tácito do abraço macio, o vigiava com duas noites misteriosas no olhar aberto, e roçava o focinho em seu queixo num rápido beijo frio, quase tímido. Antônio sorriu cuma promessa de solução. Deu a primeira volta ao canteiro circular fingindo que isto o ajudaria mais que o silêncio cúmplice do gato que se estreitava mais-e-mais perto de seu peito. Não fora aquele amor se tingir de medo ante o volume da noite e a figura impaciente da mãe esperando, tudo seria perfeito. Ambos estariam juntos num país-de-fantasia onde, tudo permitido, seriam donos e senhores. Ao contrário, a mãe, em desespero, procurava arrancar dalguma planta uma resposta audível, uma resposta que não fosse zanga, fúria, castigo e ameaça. Se sentia preparado pruma grande aventura inesperada na qual ele e Pingo partiriam ao ignoto. Sonho rápido. A cidade exigiria explicação. Um menino e seu gato não se explicam à noite. Um menino e um gato pertencem ao lar, à sala, ao quarto-de-dormir. Pertencem, quando muito, a uma volta no quarteirão, não à enorme cidade que se ilumina contra o sono e parece caminhar em pé, com os olhos fechados. A cada passo passava a ternura daquela amizade amorosa, crescia a responsabilidade do ato-de-salvamento, a vida ameaçada que arrancara da solidão da rua cheia de gente pra cercar da fragrância verde do mistério de sua floresta improvisada. O amor pode pesar infinitamente, mas isto não sabia. O sentimento crescente como o avanço num caminho certo, isso sim, percebia. Mas é difícil definir tais coisas quando é a primeira vez. E, além de tudo, há a noite pra observar. Aquele encanto repentino deu lugar ao desespero duma solidão de sombras. Tentou ficar imóvel sob as manchas de luz até imaginar que ali seria alvo fácil doutros olhares, talvez da mãe, e se afastou pra sentir a falta logo a diante.

Nunca saberia quanto tempo ficou entre hesitação e coragem. Indiferente, Pingo se deixou levar num torpor de preguiça, confiando no destino. Antônio o espiava, uma forma escura entre os braços, e relembrava como o encontrara. Podia o abandonar da mesma maneira e se afastar como se tudo não passara de coisa banal e nenhum carinho o obrigasse a ficar com Pingo. O gato voltaria ao dono. Mas não havia dono. O dono sou eu!, disse, cuidadosamente, o repetindo pra Pingo ouvir. Não houve reação.

— Não sabe que sou o dono! — Murmurou, os olhos enuviados

O receio do suposto dono aparecer o fez reprocurar o abrigo do chorão. Se sentou à beira do lago e percebeu o ruído cantado dágua corrente. O gato se interessou pelos dedos movediços brincando na água. Pensava no abandono doloroso e decidiu um sofrimento maior, de sua escolha, imenso como um sacrifício que exigisse a coragem adulta que seu pai falara tantas vezes, a de enfrentar a noite que todos discutiam, de enfrentar o escuro.

Agora estava ali enfrentando tudo. Se bem que nunca enfrentara a morte (mas ouvira o pai dizer que um amigo morrera corajosamente na revolução!) nem vira algo morto, e ela fosse um final de histórias ouvidas nas refeições, podia a enfrentar também sem receio nem vergonha de sentir medo dela antes ou depois. Pingo não ressentiu o pequeno passeio no ar, a curva lenta que Antônio desenhou consigo ao o erguer alto o olhando fixo. Mas não quis o ver mais. Segurando o corpo com as duas mãos, as sentiu mergulhar na água e afundar num mundo frio e envolvente, encostadas ao fundo do pequeno lago coberto de limo. Os dedos sentiam a luta desigual do coração miúdo batendo. Houve um instante no qual o coração retido entre as mãos parecia crescer e ficar subitamente longínquo e cansado. Abriu os olhos e viu os galhos dobrados do chorão se abrindo largamente. Além, o céu já sem sinal de azul mais claro. Era mesmo mui tarde.

Soltou as mãos devagar e as abriu lateralmente pra que não encostassem mais no corpo de Pingo. O chamou uma vez, e sentiu que a água pingava dos dedos nas pernas, as queimando de frio. Não as enxugou. Se ergueu com os braços caídos aos lados e atravessou a rua correndo, sem nem olhar os carros, na esperança de que as mãos estariam enxutas antes de chegar até casa.

Do fundo da praça se voltou a trás pensando que, se voltasse, o gato ainda estaria adormecido o esperando. Não! Era seu segredo! Tudo já acontecera. Não podia explicar em casa porque chegaria chorando.

No céu pesava o brilho de muitas noites mortas

Londres, março de 1953

Revista Província de São Pedro 20, 1955

 

https://www.youtube.com/watch?v=cJJ4odOP96Q

Michael Holm - Mendocino (ZDF Disco 28.04.1973)

O vocábulo mendocino é gentílico a Mendonça (Mendoza), Argentina, e também nome duma cidade californiana, mais uma cidade batizada com o gentílico doutra, como Londrina e Curitibanos

Esta versão alemã ficou melhor que a original

https://www.youtube.com/watch?v=Hy3V2BGQKAk

 

Michael Holm - Mendocino

Auf der Straße nach San Fernando

Da stand ein Mädchen wartend in der heißen Sonne

Ich hielt an und fragte wohin

Sie sagte bitte nimm mich mit nach Mendocino

Ich sah ihre Lippen

Ich sah ihre Augen

Die Haare gehalten von zwei goldenen Spangen

Sie sagte sie will

Mich gern wiederseh’n

Doch dann vergaß ich leider ihren Namen

 

Mendocino, Mendocino

Ich fahre jeden Tag nach Mendocino

An jeder Tür klopfe ich an

Doch keiner kennt mein Girl in Mendocino

 

Tausend Träume

Bleiben ungeträumt

Und tausend Küsse kann ich ihr nicht schenken

Ich gebe nicht auf

Und suche nach ihr

In der heißen Sonne von Mendocino

 

Mendocino, Mendocino

Ich fahre jeden Tag nach Mendocino

An jeder Tür klopfe ich an

Doch keiner kennt mein Girl in Mendocino

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Na estrada a São Fernando

uma garota caroneando ao sol escaldante

Parei e perguntei aonde ia

Disse Por favor, me leves a Mendocino

Vi seus lábios

Vi seus olhos

O cabelo preso por duas presilhas douradas

Disse que queria me rever

Mas esqueci seu nome

 

Mendocino, Mendocino

Dirijo a Mendocino todos os dias

Bato em todas as portas

Mas ninguém conhece minha garota em Mendocino

 

Mil sonhos persistem só sonho

E mil beijos que não posso lhe dar

Não desistirei

A procuro

Ao sol escaldante de Mendocino

 

Mendocino, Mendocino

Dirijo a Mendocino todos os dias

Bato em todas as portas

Mas ninguém conhece minha garota em Mendocino

 

O quinto trapalhão

As aventuras,

desventuras, peripécias

e escaramuças

dantescas, burlescas, picarescas,

rocambolescas, rabelasianas, pantagruélicas,

homéricas, quixotescas, estrambóticas,

petalógicas, inverossímeis e estapafúrdias

do barão de Nheereí

Pensas que já esmiuçaram tudo sobre Os trapalhões? Pois contarei minha inédita aventura com o quarteto, que nem Rafael Spacca tem idéia. Mas não necessita vir pra me entrevistar, pois contarei tudo agora.

Viajando, procurei uma pensão. Achei uma vaga numa casa, um quarto pequeno. Ao chegar tive enorme surpresa ao ver que meus futuros colegas-de-pousada, pasmai!, eram, nada-mais-nada-menos que os quatro trapalhões: Didi, Dedé, Muçum e Zacarias! Didi começou descontraindo:

— Eis chegando um que fez que foi, não foi, e acabou fondo

— Cê num sabe conjugar, Didi. — Eu disse — Fiz que i, não i, e acabei indo.

— Aiaiai! — Zacarias — Aqui todo mundo fugiu da escola. Hihihihihi. Sou Zacarias, mineiro-do-queijo, de Sete Lagoas. Aqui Muçum, carioca-da-gema. Este é Dedé, paulistano-da-clara. E Didi, cearense-do-bode. Hihihihihi.

Quase fiquei emocionado. Diante de mim, interagindo, conversando, quatro ídolos da infância. Era como encontrar os personagens de Perdidos no espaço, O túnel do tempo e Viagem ao fundo do mar!

Quando criança eu devaneava com minhas séries preferidas como eu sendo um deles ou um visitante interagindo. Como em Perdidos no espaço, onde tudo se centrava quase só em Guguinha, doutor Esmite e o robô, nos trapalhões quase tudo se centrava em Didi e depois em Dedé. A gente queria ver mais atuação de Zacarias e de Muçum!

No túnel do tempo eu queria mais protagonismo de doutora Ana!

Quando via o programa sendo criança meu ídolo era Didi, quem quase sempre levava a melhor. Mas agora, vendo de perto e adulto, vejo graça mas também deboche, pejorativo, egoísta, maldoso. Agora não me apetece ser amigo de Didi.

— Em tua terra tem muita lagoa. Em meu estado só tem três. Sou barão de Nheereí, guaicuru, que é o gentílico pra Mato Grosso do Sul, guaicuru-da-erva.

— Da erva? Já sei! Do tereré, que é um chimarrão melhorado — Dedé

Falamos um pouco sobre o tereré, fazer uma roda-de-tereré, a influência paraguaia e tal. Didi se despediu, pois tinha de sair. Então os três se desculparam porque tinham de discutir um plano. Eu disse:

— Tem Didi nesse enredo!

— Pois é. — Dedé — Didi vive pregando peça na gente. Tem vez que ganhamos a parada, mas ultimamente Didi se deu bem em todas. Ontem pôs tomate rei-humberto na geladeira, e se divertiu vendo a gente morder pensando que era caqui!

— E o pióris foi quândis pôs pimêntis prà gente pensar que era cerêjis! Temos que dar um bástis nisso!

— Mas o que mais nos revolta — Zacarias pondo as mãos nas têmporas — é que vive roubando namorada!

— É. Com aquêlis trejêitis de João Travolta dos pobres, mais pra Zé Bonitínhis que pra Ronifônis, não sei como a mulherádis cai na dêlis!

Nos juntamos em-roda e propus um plano. Como tínhamos de ver quando estava chegando, preparei um periscópio de cartolina, pra ver encima do muro. Em Manual do professor Pardal tem a instrução pra fazer um. Como fiz várias vezes já sabia de-cor.

A primeira providência era encerar o piso pra quando Didi entrar escorregar. Mas como não sou menos trapalhão que eles escorreguei umas quantas vezes no processo. Já estava com o sentador doendo. Quando Didi chegou o piso do portão já estava bem encerado prele escorregar e levar aquele tombo! Quando entrou não escorregou porque ao pisar com o direito o sentiu mui liso, então calçou patim pra patinação no gelo. Comprara o par pra mostrar pro pessoal. Deslizou patinando em círculo:

— Comprei este patim gozado, sem roda, mas nunca aprendi a patinar

Quando se lembrou de não saber patinar levou aquele tombo que fez o pessoal rir muito. Então executamos o plano seguinte. Eu disse cum estojo de devedê na mão:

— Foste quem encomendou este vídeo de Ângela Bismarque no carnaval? Peladinha, só tinta no corpo.

— Como é?

— Compraste o de Globeleza. Só corpo pintado.

— Bicho bão!

— Levaste uma pintada, gostaste muito, e queres outra pintada.

— Cai fora!, Caipora. Sou cearense. Em minha terra só tem cabra macho!

— E como fazem pra se casar lá? — Dedé alfinetou

— E também só tem bódis fêmis? — Muçum deu a volta-do-parafuso

— E o endereço pra entrega. Ainda moras naquele bairro Recanto dos pintados?

Risada geral. Mais alto que tudo soou a marcante risada de Zacarias.

Didi foi se levantando sofregamente, e resmungou:

— Deixa estar. Vai tê troco. Á se vai!

Muçum ficou olhando via periscópio:

— Pessoal. Doutor Jeca saiu como monstro!

— Monstro?

Dedé explicou:

— Quem aluga o porão é um químico. Um senhor franzino e alegre. Mas Zacarias cismou que ele só sai transformado em monstro, pois é o doutor de O médico e o monstro!

Na verdade não tão monstro. É aquele alemão com cara de brabo.

Correram à porta do porão. Muçum cum baldinho-de-tinta na mão e Zacarias cum pincel, não o sargento mas um pincel mesmo, e escreveram na fachada Michael Jackson e mistress Heidi. Dedé não se conteve:

— Cês são burros! O título original abreviado é Doctor Jekyll and mister Hyde

E expliquei que Heidi, pronuncia ráidi, é uma novela sobre as aventuras duma garotinha nas montanhas alpinas suíças

Logo chegou doutor Jekyll, quem era aquele moleque-velho, Ferrugem. Deu olá a todos e se enfurnou no porão.

Pusemos um tapete pra evitar mais escorregada. Em seguida chegou uma vizinha pra devolver uma farinha emprestada. Tive de me conter pra não arregalar demais os olhos. Quê louraça! Todas minhas paqueras não-louras reclamavam que sou doido por louras. Exagero. Né?

Dedé explicou que tal vizinha não tem namorado, e que a estão disputando:

— Mas o problema é Didi. Na certa jogará sujo.

Então tive a idéia de surrupiar uma porção do elixir do doutor, pra transformar Didi em monstro e o tirar da jogada. Zacarias se prontificou a arranjar a chave.

Entramos ao porão. Zacarias pôs um funil na garrafa pete e enchemos a meio, não sem derramar um pouco, é claro. Muçum achou que uma garrafa ali era cachaça.

— Nada de degustar isso. Já pensou virar monstro aqui dentro?

Levamos a garrafa à cozinha. Ali preparei tereré, pois no tereré seria a maneira ideal de induzir a tomar o elixir. Elixir ou poção? Acho que o líquido é um pouco dambos.

Quando Didi apareceu me tomando e ficou curioso:

— Ei!, psite! Quequié isso?

A expressão que Didi sole usar soa a grego, como o linguajar de Muçum soa a latim

Ofereci pra experimentar o famigerado tereré. Mas Didi parecia meio ressabiado.

— Esse copo gozado aí?, psite. E esse canudo afrescalhado?

— É a guampa e a bomba

— Sei… A guampa é feita de chifre. Tem dois aí?

— Não! Só um! Entendi bem aonde queres chegar com a piada!

— Mas tem bomba. Pode explodir. Credo!

— Didi. Pares de enrolar! — Dedé

— Vâmis! Num sábis o quê tá perdêndis!

— Sei não! Tô com medo de não gostar.

Então apelei a uma paródia, modinha improvisada:

Quem não gosta de tereré

Bom sujeito não é

Tem coceira no pé

A cabeça lelé

É um zé-mané

E não gosta, nem, de muié

— Daqui! Vô tomá! Sô cearense cabra-macho!

Chupou uns goles, e começou a palhaçada. Fez caras-e-bocas, grunhiu, pôs a mão à barriga, girou três vezes e disse:

— Treco bão! E num é quiebão? Gostei!

Em seguida franziu o cenho e ficou olhando a parede. O pessoal:

— Didi. Didíi! Tá passando bem?

— Didi? Didi, não! Doutor Renato! Hum… Acho que abrirei uma revenda deste treco aqui. Conversaremos mais tarde.

Saiu. O pessoal foi chegando a passo fino, com cara de espanto. Zacarias:

— Esse é que é o monstro? Não devia ser o contrário? Deixa eu ir falar com ele.

— Vai ver que Didi é o estado monstro. Agora, com o elixir, voltou ao normal

Zacarias veio correndo, naquele jeito aloucado, gritando mui assustado:

— Ai! Iuiuiuiú! Quase tomei um porta-durex na cabeça porque me distraí e chamei doutor Renato de Didi!

— Me deu vontádis de isprimentá. Quero sabê qual mônstris eu viro.

— E também saber se todos aqueles esgares eram palhaçada típica de Didi, ou se efeito do elixir — Dedé passando a guampa a Muçum, quem passou a Zacarias, e ficaram naquela:

— Cê primeiro

— Não. Passo a guâmpis ao anfitri ozis.

— Eu?, hem! Não tenho curiosidade. Vai que viro uma bicha despirocada!

Enfim Zacarias agarrou a guampa, e deu uma chupada. Os olhos se reviraram, vesgo, estrábico, rodando, deu aquela risada típica, e de repente se transformou num cara calvo, com cabelo só nas têmporas.

— Zacarias. Tudo bem? — Dedé. A resposta foi cuma voz grossa, falando duro:

— Tá me estranhando?, rapaz. Meu nome é Mauro!

— Opa! Tá bom, seu Mauro. Foi mal.

Em seguida foi a vez de Muçum. Tomou. Mas em vez de parecer passar mal ou entrar em êxtase começou a sambar.

— Muçum?

— Sou Antônio Carlos. Não gosto de apelido!

Muçum2 não falava naquele latim macarrônico

Em seguida Dedé tomou uns goles:

— Quero vê quequieu viro!

Nenhuma reação. Tudo normal. Esperamos um tempão. Tomou mais, e mais, e nada. Eu disse:

— Parece que teu alterego é tu mesmo. Monstro nato ou nada tens de monstro.

— É… Continuo me chamando Dedé

Logo depois Muçum2 telefonou a uns amigos, se reuniram e fundaram um grupo musical, o Originais do samba. Qualquer dia contarei como me reunia com o pessoal ali, e como algumas letras foram tema que inspirei comentando ou improvisando cançoneta ou paródia.

Logo apareceram sargento Pincel e Ted Boy Marino, apressados, só pra dar um recado. Também experimentaram tereré. O sargento virou Nélson Ned, e Ted virou Mazzaropi.

— Vamos, Ted. Não sei porque todo mundo ficou tão alto!

— Vamos. Sai da frente!

Em seguida chegou a vizinha. Doutor Renato falou com ela primeiro. Ela disse estranhar Didi estar um senhor tão sisudo, pois é sempre tão engraçadinho. Carlos conversava com voz grossa, quase de radialista, Dedé recitou um poema romântico, e Muçum pôs o grupo pra tocar e a convidou pra dançar.

O poema de Dedé:

Minha deusa à Terra descida

Teus olhos são duas safiras reluzentes

Este nariz arrebitado, como o mastro dum navio

Navio no qual quero navegar esta melena ondulada

Que são mares procelosos nunca dantes navegados

Minha participação foi cum selo que preparei presse fim já noutras ocasiões. No selo tem a gravura duma caneca com cerveja clara e os dizeres encima Selo-de-qualidade, e embaixo Esta loura é autêntica.

— Com licença, senhorita. Tenho a honra de te marcar cum selo que garante autenticidade. Neste mundo, onde quase tudo é falso, uma loura autêntica é peça rara.

Mostrei bem, e colei o selo no braço dela

E assim passamos uma noite memorável. Quando ela se foi nos sentamos nos sofás. O pessoal começou a se gabar. Didi2:

— Cês num tem chance! Mulher gosta de capitalista, com poder aquisitivo. Estabilidade. É isso que o instinto feminino procura. Um macho protetor e provedor.

— Imagina! Até a marchinha reconhece que é dos carecas que elas gostam mais!

— Nada disso! Se for sensata gostará mais dum cara sóbrio, elegante, cavalheiro, sem estereótipo. Um poema daqueles derrete qualquer coração!

— Nada a ver! É dançar é o melhor recurso pra conquistar o coração duma mulher.

Rebati todos os argumentos com o meu:

— Todo mundo equivocado. Já cansamos de ver no trabalho, escola, festa, em todo lugar, mulher reclamando de cantada-clichê. Isso as aborrece muito. O que elas gostam é de cara criativo, cheio de imaginação. Por isso com aquele selo tem pra ninguém. Já ganhei! Uma vez eu ia dar um anel de diamante pra minha noiva. Mas logo me bati na cara, Cê tá doido? Ela odiará essa cantada-clichê. Sabe que mulher gosta de cantada criativa! Então respirei fundo e achei uma porca pra parafuso grande, que se ajusta bem no dedo, e dei como anel-de-noivado, com toda pompa, prela ficar feliz, pois elas gostam de cantada criativa, divertida. Quase fiz a burrada de dar anel de diamante, coisa brega e manjada, nada criativa. Cês precisavam ver a cara de espanto que fez. Certamente não esperava se divertir tanto. Pois então… Mas qual era o nome daquela ex-noiva? Peraí. Tem as outras, quem também se divertiram muito, mas também não me lembro os nomes…

Dedé me deu uma almofadada no lombo:

— Qualé?, cara. Bem se vê que nada entendes de mulher!

— Mas quem entende? Nem o Diabo, pois que tem chifre!

Tudo empatado. Breve silêncio, e o efeito do elixir passou. Didi disse:

— Tá pra mim! Muié gosta de cara bem-humorado, sempre brincalhão. Esse sou eu. Naquela vez que banquei o João Três Voltas.

— Nhão, nhão, nhão, nhão! É até dito popular, tá no folclore, o tal do mineirinho come-quieto, que finge que só gosta de queijo!

— Mantenho meu argumento de que finura e elegância são a chave-do-sucesso. Mulher gosta de ser tratada com suavidade, ternura. De quê adianta ser careca ou capitalista se for grosso?

— Qui nádis!  Todo mundo sábis que as lôuris são chegádis num neg ozis!

Logo mais a loura reapareceu porque esqueceu uma chave nalgum lugar, e procurou. Chegando à cozinha viu a guampa e decidiu degustar. Voltou chupando na bomba:

— Quequié este suco verde gostoso neste copo gozado com este canudinho chique?

Zacarias saltou assustado:

— Cara! Cê esqueceu a guampa preparada encima da pia, e ela achou!

— Ai! Meu-deus!

A loura começou a se transformar. Virou Vera Verão!, quem deu umas voltas ao redor do pessoal, olhando muito cada um, deu aquele rodopio dizendo Epa!:

— Cada um mais lindo! Não sei qual escolher!

O pessoal vai a rodeando pra arrastar à porta. Enfim conseguem a expulsar delicadamente.

Enquanto isso, pasmo com o que via, fui tomar uns goles. Mas como também sou trapalhão esqueci de repor a erva, pra não tomar o elixir, e o tomei distraído!

— Não! Ele virou Rafael Spacca!

— Não me clorofórmio! O maior fofoquêiris!

— Esse aí conta a vida da gente pra todo mundo! — Zacarias

Levei uma surra de almofada dos quatro e fui expulso. Só chegando a uma pensão passou o efeito do elixir.

Assim foi minha aventura como o quinto trapalhão

 

Coleção Adeene neles!

 
Onde anda Sérgio Reis

 
Onde andam senhor Miyagi e Richard Gere

 
Onde anda Collor

 
Onde anda Chaves

E o vício podría (poderia) em vez de puede (pode)

 
Nazi chora. Cadê o Irã?

 
Onde anda Xandão

 
Onde anda Putin

 
Onde anda Zelenski

 
Onde anda aiatolá Comeíni

 

Coleção Cartão-postal de Joanco

 






 

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