domingo, 4 de janeiro de 2026

Manda-Chuva, 07-08.1966

 

Manda-Chuva, 07-08.1966

 Manda-Chuva, 07-08.1966 - escã em bruto

 

Restaurei a capa que escaneei duma tirada da internete. Aumentando a 270%, colando encima, e uns retoques, restaurei o lado esquerdo lascado. Dá pra melhorar, mas deixo pra quem é do ramo.

Duns exemplares encadernados, depois arrancados da encadernação. Eta povo indeciso! Este exemplar cum furo-de-traça bem no meio.

Não me considero desenhista. Me espantei o quão bem restauro só usando os recursos do paint. Trabalho amador, é claro.

 



Eis dois exemplos mais trabalhosos. Em ambos o recurso do paint, inverter verticalmente ou horizontalmente fizeram milagre com o braço de guarda Belo e da madame ricaça.

 

No computador devia ter um lugar pro usuário desenhar os próprios símbolos, criar seus tipos (não sei por quê, diabos!, chamam fonte) e emotícones.

Aqui no uorde tem uma seção de caracteres especiais, inserir símbolo, cujo ícone é uma ferradura. Tem símbolo esdrúxulo de todo tipo, pra letras doutros idiomas e outros alfabetos, símbolos pra moeda e tudo o mais que se pensar, mas não segue uma linha lógica nem dá espaço pra se criar quando não se encontra.

Por exemplo: Tem o símbolo mais-ou-menos, da matemática, mas não tem o menos-ou-mais. Alguém com raciocínio simplista, ou melhor, simplório, deduziu que é redundância. Afinal, se x = ±1, se o menos estiver encima do mais, dá no mesmo.

Mas o menos-ou-mais é necessário. Por isso tive de criar como duas figuras, pra, por exemplo, expressar a seguinte fórmula pra tangente:

Eis os dois símbolos, como figura. Colando no texto do uorde, letra tamanho 12, tamanho das figuras a 30%



 Parece mas não é

Na madrugada ouvi um bicho terrível arranhar a porta. Queria entrar de qualquer maneira. Um lobisomem? E agora?! Me levantei, abri a porta, e a criatura entrou. Esses meus gatos são mais folgados que colarinho de palhaço.

Apavorante encontro com a dama-de-branco

O velho terminou o medonho relato dizendo que ninguém no mundo passou tão formidável ameaça mortífera. Discordei.

Pois saibas que há fados muito piores que a morte. Meu relato deixará teu lobisomem no chinelo, e te sentirás afortunado teres enfrentado um simples lobisomem. Medonho foi quando vi uma dama-de-branco!

Absorto, divagando, com mil pensamentos dispersos, eu admirava a estatueta dum anjo pendurada na linda catedral, os vitrais e as pinturas laterais retratando cenas bíblicas. De repente, no fundo do corredor, quase na porta-de-entrada, diáfana visão. Vinha uma dama-de-branco. Lentamente, meio vaporosa e algo transparente, avançando firme.

Não sei por quê não corri. Acho que não é pecado sair correndo duma catedral. Fiquei olhando hipnotizado o que parecia uma sereia cantando.

O olhar brilhava, um sorriso de malícia e crueldade femininas, o andar cadenciado e lento. Comecei a suar frio. Era tarde pra correr. Á! Se eu tivesse uma reza-brava pra fazer a surpreendente aparição se dissolver no ar! Mas por sorte constava que aquela não seria das mais malvadas. Ao menos eu cria assim.

Por quê não corri? Ora! Não sou maricas! Toda a vila riria de mim durante anos!

Eu fechava os olhos, torcendo pra, ao abrir, criatura já não estar. Mas não! Continuava avançando!

Tive a esperança de ser apenas imagem, me atravessar, qual fantasma, e continuar a marcha implacável. Eu desmaiaria, seria acudido por alguém e despertaria num leito aconchegante. Mas não adiantaria. Já estava marcado. Maktub! Estava escrito! A aparição me perseguiria aonde eu fosse. Eu nunca teria sossego.

Vislumbrei tudo o que me aconteceria, a perda de tranqüilidade, o sono interrompido toda noite, os berros na madrugada

A dama-de-branco chegou. Como não me mexi, pegou minha mão.

Pois é, meu amigo. A morte e o casamento são as duas coisas que, quando nos lembramos de que um dia chegará nossa vez, dão um arrepio!

Carmen correctum

(Cancioneiro corrigido)

Muitas vezes vemos um conto, filme, idéia, canção… com algo que fica a pulga-atrás-da-orelha, coçando pra dar um retoquinho. Eu faria assim, a gente pensa. Vejamos algumas canções que eu retocaria. Mas encaremos mais como brincadeira.

https://www.youtube.com/watch?v=h6WLgyW3EoY

Marchinha de Sujismundo

Em vez de

É um lixo

é um lixo

esse tal de Sujismundo

vai

É imundo

é imundo

esse tal de Sujismundo

Porque dá mais harmonia, melhora a rima

 

https://www.youtube.com/watch?v=ksIDn2_GuSo

Mangueira, 1987 – No reino das palavras, Carlos Drummond de Andrade

0:34

Itabira, que em seus versos ele tanto exaltou

Aqui temos confusão pronominal. Está citando Carlos Drummond de Andrade. Até ali Carlos é a terceira pessoa (A primeira é quem canta, a segunda quem ouve). Então neste verso seus versos está correto. Mas o ele se refere à quarta pessoa, inexistente no caso. Teria de ser si em vez de ele, pra estar coerente. Mas se omitir o ele fica consertado o verso.

Itabira, que em seus versos tanto exaltou

 

https://www.youtube.com/watch?v=q4IPpk8ioAM

União da Ilha do Governador, 1994 - O despertar dos magos,1:04

Mágico mundo

Mágico mundo

que vai girando sem parar

Eu poria

Mágico mundo

Trágico mundo

que vai girando sem parar

 

https://www.youtube.com/watch?v=9YSNscPYVTg

Canto da terra, Rio Paraguai

0:28

Vai, lá no rio, a chalana subindo o remanso do rio Paraguai

Eu tiraria a redundância (em negrito)

Vai a chalana subindo o remanso do rio Paraguai

1:13

Fascínio e beleza

que a gente não sabe onde está

Se no Paraíso há muito perdido voltou a encontrar

Aqui um erro crasso, creio que do cantor, pois é óbvio que o certo é

Se o Paraíso há muito perdido voltou a encontrar

Pois está dizendo que reencontrou o Paraíso (No plural porque se refere ao local mitológico), que a paisagem é tão bela, que faz analogia com o Paraíso

 

https://www.youtube.com/watch?v=_598KdVd990

Tony Medeiros – Iamã, 1:12

Ruge feroz

Como um tigre a uivar

Nesta belíssima letra um erro crasso que enfeia a canção

Tigre uivando? Tudo bem, licença poética, mas não exageremos

Com boa-vontade dá pra remendar:

Ruge feroz

Como um tigre a caçar

 

https://www.youtube.com/watch?v=ZJBuY2bjpx4

Boi-bumbá Caprichoso - Vento norte

1:05

Vento que vem

Balançar canarana no rio

Vento de traz

A saudade de quem já partiu

Se puser faz em vez de vem, harmoniza mais com traz, montando verso do tipo ABAB, pois antes estava CBAB, só cum par de rima em vez de dois.

Vento que faz

Balançar canarana no rio

Vento de traz

A saudade de quem já partiu

 

https://www.youtube.com/watch?v=hu_XSw4e9GU

Raul Seixas - Tentes outra vez

0:15

Não digas que a canção está perdida

Tenhas fé em Deus

Tenhas fé na vida

Eu colocaria assim:

Não digas que a questão está perdida

Tenhas fé em ti

Tenhas fé na vida

Noutra canção

Eu nasci há 10 mil anos atrás

E nada tem neste mundo que eu não saiba demais

O eu é supérfluo, redundância, mas se nota que ao cantar, pra harmonizar melhor, pois sem o eu parece mui curto, faltando algo, perdendo ritmo, é melhor manter

10 mil anos só pode ser atrás, na frente não dá, absurdo. A redundância é melhor eliminar em prosa, mas aqui atrás rima com demais.

Eu nasci há 10 mil anos atrás

E nada tem neste mundo que eu não saiba demais

 

https://www.youtube.com/watch?v=icpHgGAZJ8Q

https://www.youtube.com/watch?v=5tWhQJ8UMOQ

Portela 1986 - Morfeu no carnaval

Tem patrão que é vacilão, mas logo o sujeito da canção está desempregado. Está desempregado ou tem patrão vacilão? Se é samba-enredo, o enredo é confuso.

 

https://www.youtube.com/watch?v=i9-WscD3Xxw

Nara Leão - A banda

0:15

Eu estava a-toa na vida

meu amor me chamou

pra ver a banda passar

cantando coisas de amor

Eu colocaria assim:

Eu estava a-toa na vida

meu amor me chamou

pra ver a banda passar

cantando temas de amor

1:22

A moça feia se debruçou na janela

pensando que a banda tocava pra ela

Se fosse prosa seria o mesmo caso da canção a Carlos Drummond acima, mas como quem compôs era ruim de gramática, foi sorte assim, pois no correto não rima

A moça feia se debruçou na janela

pensando que a banda tocava pra si

A menos que se remendasse, mas também não seria lá grande coisa:

A moça feia se debruçou na janela, e ali

pensou que a banda tocava pra si

https://www.youtube.com/watch?v=780-_d1OZL8

 

https://www.youtube.com/watch?v=780-_d1OZL8

Originais do samba – Do lado direito da rua Direita

Aqui um festival de erro. A começar pelo título, pois se trata dum lugar, não a partir dum lugar: No lado direito da rua Direita.

Do lado direito da rua Direita

Olhando as vitrines coloridas eu a vi

Mas quando quis me aproximar de ti não tive tempo

No movimento imenso da rua eu lhe perdi

E cada menina que passava

Para seu rosto eu olhava

E me enganava pensando que fosse você

E na rua Direita eu voltarei pra lhe ver

Eu a vi. O eu, como no caso da canção de Raul Seixas, preenche espaço, de modo que a redundância está bem. A vi se refere à terceira pessoa. Se fosse à segunda tem de ser te vi.

Mas no verso seguinte me aproximar de ti, ti se refere à segunda pessoa. Então confusão pronominal, confusão referencial. Está falando com a própria ou cuma terceira pessoa? É evidente que à terceira pessoa, pois no final disse pensando que fosse você.

No verso seguinte lhe perdi. O lhe se refere à terceira pessoa. Mas teria de ser a perdi, como no primeiro, a vi, porque lhe se usa em caso de exercer ação, movimento. Lhe perdi não faz sentido.

Para seu rosto eu olhava. Aqui o famigerado português-de-jornalista. Para denota intenção, finalidade. É vício-de-linguagem usar para em vez de a. Mas não é só vício. É erro porque significa outra coisa. Mas estar olhando algo já é estar olhando em direção a algo. Seu rosto eu olhava

No lugar de quis eu poria tentei. No lugar de imenso eu poria intenso.

E cada menina que passava. Menina, propriamente, é criança. Embora no português popular menina, garota, se refere a moça. Não é bom essa confusão.

Na primeira estrofe de 4 versos a rima meio capenga, do tipo ABCB. No segundo, do tipo AABb. A última rima ver com você (~vê com você), olhava harmonizando com enganava.

No terceiro verso, de ti é supérfluo. O eliminando a confusão referencial.

No último, à rua Direita voltarei, não na rua Direita voltarei

Eu comporia assim:

No lado direito da rua Direita

Olhando as vitrines coloridas eu te vi

Mas quando tentei me aproximar não tive tempo

No movimento intenso da rua te perdi

E cada moça que passava

seu rosto eu olhava

E me enganava pensando que fosse você

E à rua Direita voltarei pra te ver

 

Coleção Adeene neles!

Dom Pedro II - Jan Neruda

 

Katia Ebstein – Rita Lee


 Onde anda Clóvis Bornay

 

Coleção Cartão-postal de Joanco

 


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