Um brinde a
Boçalnaro preso
E fica
a pergunta: Como um terrorista, quem fez atentado a bomba no quartel, pôde
virar presidente?
Nos livramos
da barbárie boçalnarista, dum novo golpe militar orquestrado pela
superprepotência, mas não estamos na democracia maravilhosa, dos discursos
ufanistas com linguagem inclusiva e tudo, dos discursos de Xandão, Lula e
outros, em pleno vigor da ideologia-de-gênero. Quem está no poder sempre se
arvora de paladino do estado-de-direito e da liberdade, confundindo sistema
eleitoral com democracia (que é utopia).
Eua
sempre autoproclamando paladino da liberdade e de todas as virtudes e xerife do
mundo. Eu era criança em Brasília em 1972. O ufanismo do sesquicentenário da
independência. Na avenida W3 uma série de comemoração. Eventos de todo
tipo. Um general discursou. Sempre me lembro de que disse estarem defendendo a
liberdade e a democracia.
Naquele
regime o voto era proibido. Agora é obrigatório. Trocamos 6 por meia-dúzia.
O proibido
durante 21 anos. O obrigatório já tem 40.
Pois é
o mesmo em toda parte: Elogio em causa-própria
Ainda temos
voto obrigatório, mesário-escravo, júri-no-laço, pedágio, misandria se
institucionalizando… E nenhum movimento pra acabar com isso. Esquerda? Onde?
A inclinação de Urano
Urano é o único planeta inclinado do sistema solar. Tem inclinação
de 97,77° no eixo-de-rotação,
o que o faz girar praticamente de lado.
Uma teoria sobre a causa da inclinação é a de que um corpo
com o dobro do tamanho da Terra se chocou e o inclinou
Mas se é verdadeira a idéia sobre os astros ocos, pois a
idéia sobre a Terra oca ainda não apresentou contradição, enquanto a da Terra
maciça tem várias, a inclinação se deve a alguma causa da natureza de Urano, na
formação. Choque cósmico não inclina um astro, apenas inverte os polos.
Há 12 mil anos, quando o planetóide da Carolina se chocou
contra a Terra e causou a espantosa catástrofe do mais recente dilúvio (Nome
impróprio mas consagrado), os pólos se inverteram em vez de apenas inclinar o
eixo
Nos astros, sendo ocos, a casca interage gravitacionalmente
com a estrela-anã central, de modo que um choque cósmico sacode a casca, que
logo se reestabiliza. Os astros não são esferas e sim esferóides. Numa esfera
não há equador nem pólo.
Portanto não deve ter sido um choque cósmico a causa da
inclinação de Urano
Não é questão de saber nadar
É um estereótipo arraigado a idéia de saber nadar. Como não
respiramos na água nosso instinto é de permanecer em pé com a cabeça toda fora
dágua. O medo e a falsa idéia de que afundaremos faz o indivíduo engolir e
respirar água.
É necessário educar as crianças sobre que ninguém afunda na
água e que se posicionar deitado de barriga ao alto, relaxando, se flutua com o
nariz fora dágua. Numa piscina se pode permanecer assim indefinidamente, mesmo
dormir. Num rio ou mar esse controle se dificulta, pois mesmo nadadores
experientes podem se afogar. Mas tal postura dá mais chance de sobreviver
controlando a situação com calma e respirando com segurança.
Os resultados de datação
Nossas datações via cabono-14 foram feitas em pedaços de
madeira incrustados no tijolo de barro da principal estrutura da tumba, na
vizinhança da câmara mortuária. Há muito dessa madeira. Foi simples coletar
amostra. Os resultados obtidos vieram de dois laboratórios. No grego Demokritos
os resultados de duas amostras foram de -1834–-2579 (Probabilidade 68,3%) e -2857–-2502 (95,4%). Os
outros resultados vieram de Geochron em Cambride, Massachustes, Eua, de
-2860–-2470 (68,3%) e -2880–-2350 (95,4%).
Pegando
a menor data-limite das mais altas temos -2834. Com a mais alta das mais
baixas, -2579. Provavelmente não corremos risco de errar ao supor a madeira ser
de -2834 a -2579, período de 255 anos. Considerando a maior variação possível
diríamos que as datas estão entre -2880 e -2350, período de 530 anos.
Ioannis
coletou duas amostras de calcário da câmara mortuária, uma das quais não serviu
pra análise. O resultado da amostra boa datada por termoluminescência ótica foi
de -3300, com margem-de-erro de ±450 anos.
Uma
data convencional prà morte de Casequemui é -2707. Embora nossas datas via
carbono-14 incluam essa data em seu período, os fragmentos e o calcário não são
tão tardios. Como a data mais antiga possível via carbono-14 é de -2880, e a
menor data possível do calcário de -2850, isso sugere que a tumba de Casequemui
seja dum período de 30 anos entre as duas datas.
Segundo
esses achados a tumba de Casequemui é de 143 a 173 anos mais antiga do que
afirmam algumas cronologias convencionais, e entre 200 e 220 anos mais antiga que
a data comumente aceita pelo instituto alemão no Cairo (Antes de -2600).
Robert Temple, Aurora
egípcia (Egyptian dawn), Madras, São Paulo, 2013, página 220
Notar
que os resultados mais antigos estão há cerca de 5000 anos, a data da chegada
de Vênus como cometa.
Há 5000 anos
Walter
Emery resumiu algumas implicações dessas descobertas em seu panfleto Saqqara
and the dynastic race (Sacara e a corrida dinástica), que foi a
publicação duma aula especial ministrada na faculdade universitária de Londres
em 1952:
Mesmo
após mais de 1 século de pesquisa científica no vale do Nilo uma questão, se
não a principal, enfrentada pelos egiptólogos é a existência do que Petrie
chamava raça dinástica. A civilização faraônica seria o resultado dum
passo repentino a diante na cultura pré-dinástica dos nativos ou se deveu a uma
raça diferente cuja chegada mudou toda a tendência cultural do vale do
Nilo há ~5000 anos?
Robert Temple, Aurora
egípcia (Egyptian dawn), Madras, São Paulo, 2013, página 286
Espécie
diferente. A chegada dos nomos de Sírio e a de Vênus há 5000 anos.
Sobre as academias
Eis o que Robert Temple afirmou sobre as academias
científicas, páginas 404,405:
Inúmeros autores, antigos e atuais, teceram comentário sobre
as culturas atlânticas, mas essas observações raramente receberam a atenção
adequada. Talvez o motivo seja a ausência duma disciplina acadêmica ou
departamento interessado na cultura atlântica. Assim que os arqueólogos
duma região do mundo começam à discutir, se sentem incômodos por vagar além de
suas fronteiras. Nada há que deixe um acadêmico mais nervoso, porque o deixa
exposto a crítica de colega. O mundo acadêmico é cruel, impiedoso. Mesmo o
menor desvio do comportamento consensual pode prejudicar toda uma carreira
acadêmica. Só os, como eu, independentes de favor e aprovação de colega pra
viver podem dizer o que quiserem e ultrapassar fronteira. A cada ano a
competição por emprego na comunidade acadêmica recrudesce, o nível de medo se
agrava e a timidez do discurso aumenta. Qualquer dia o mundo acadêmico encalhará
como mar congelado, e todas as opiniões ficarão rígidas. Então todos se
sentirão seguros.
Robert Temple, Aurora
egípcia (Egyptian dawn), Madras, São Paulo, 2013, página 404
Sobre o idioma francês
Em francês o som U se grafa OU porque grafando
U se pronuncia I gutural como em buffet e no alemão führer,
parecido com o guarani y. Por isso grafam boulevard (Avenida
ampla e arborizada) em vez de bulevar. Na página 436, legenda da figura
70, o autor debocha de tal característica, pois ingleses e franceses, com
secular rivalidade, estão sempre se alfinetando:
Figura
70
● O mapa das viagens do antigo viajante francês do século 19 Méhier de Mathuisieulx
na Líbia mostrando o planalto de Taúna, grafado em francês Tahouna, pois
sempre gostam de enfiar um O a mais em toda oportunidade, no lado
direito superior. Tal região é especialmente rica em trílito, muitos dos quais
foram fotografados por Dowper. Ver pranchas 60–64 e muitas outras no
sítio internético.
●
Após ler Aurora egípcia, é notável como o conteúdo do
livro é como se o anterior, O mistério de Sírius, não existisse. Como se
Robert Temple sofrera a mesma suposta ameaça a John Alva Keel e Ubirajara
Rodrigues. Nesse ponto o livro foi decepcionante.
Sobre a edição em português, Aurora egípcia tem muito
mais vício-de-linguagem e deficiências que O mistério de Sírio, além de
não pôr entre parênteses os títulos em idioma estrangeiro nem converter as
medidas arcaicas (pé, polegada, etc). Nalgumas ocasiões acrescentava a
conversão entre parêntesis, noutras não. Supérfluo manter as medidas arcaicas.
Quem as quiser consulte o original. E a incoerência de usar o barbarismo site
em itálico mas outro sem itálico. E o excesso de maiúscula.
Já que abordei esse tema, fiz uma campanha, experiência, nos
comentários do iutube, tanto em português quanto em castelhano. Já que 99,99%
dos iutubeiros é hipócrita e interesseiro, punha um breve explicativo, um deles
com a conexão do vídeo dum gramático explicando, sempre que o iutubeiro usava
um vocábulo equivocado. É espantoso o quão disseminado está tanto em português
quanto em castelhano esse tipo de vício. É uma gente que não sabe e não quer
saber, demonstrativo cabal da estupidez reinante em nossa era. Ninguém dá o
braço a torcer, demonstrativo de imaturidade, descaso e arrogância.
Ou seja: Não é porque é a correção dum joão-ninguém, pois
mesmo a explicação dum gramático é desprezada, visto que são tão bovinamente
obedientes ao estereótipo imaginário da linguagem correta.
Tanto em português quanto em castelhano está disseminado o
uso equivocado de ignorar em vez de desprezar. Que o motociclista
ignorou a ordem policial pra parar. Então é inocente quanto a isso, pois ignorar
é não saber.
Caramba! Se tem um vocábulo adequado, pra quê usar outro?
Pra parecer chique, culto, original? É muita burrice.
Além da sistolifobia, sobre a qual já discuti muito
É espantoso o quanto esse horror a contração é onipresente,
como dogma, enfeando o idioma, tirando a fluência e naturalidade, como quem
marcha em vez de andar espontaneamente
É usar vocábulo equivocado o responsável pela deformação e
degeneração dos idiomas, facilitando mal-entendido. Isso é mais grave em
literato e jornalista, quem tem obrigação de redigir bem.
• Tradução em português. Errado. Tradução ao português
porque é movimento. Se passa dum idioma a outro. Traduzir em português é
traduzir dum idioma a outro, tendo o português como padrão. Assim como converter
na base 10 é converter um número duma base a outra, tendo como padrão a base
10. Converter da base 14 à base 12. Nosso padrão mundial é sempre 10, como o padrão
de tradução nacional é o português.
• Invasão do Iraque. Errado. Invasão ao Iraque.
Quando os amariconas invadiram a invasão é sua, não do Iraque. A invasão do
Iraque foi contra o Cuaite.
• Busca pelo nome, busca do nome. Duas formas viciosas
típicas do português-de-jornalista. Busca ao nome.
• Culto dos mortos. Só se for enredo de terror. Culto aos
mortos.
• Destruição do barco. Só se o barco é o autor da
destruição. Destruição ao barco.
• Escapar ao bandido. Redação patusca. O ouropel da redação.
Gente que quer parecer original e erudito e comete bobagem. Escapou do
bandido. Escapar ao incêndio não é fugir dele mas escapar de não-se-o-quê
em direção ao incêndio.
• O colar ao pescoço. Outra redação patusca. Não importa se
está dentro ou no exterior do pescoço. O colar no pescoço. Ao
indica movimento.
São exemplos de regras triviais, da escola primária, que
deviam envergonhar, pois tal desprezo evidencia um nível cognitivo mui baixo.
Um pequeno exemplo da indigência cultural-intelectual
reinante:
Bandidos con diferentes
acentos. Pero todos con la misma mala idea: Creer que pueden engañarle a
la ley. Algunos con crímenes mayores. Otros con ego de sobra. Todos con
diversos finales.
Bandidos
com diversos sotaques. Mas todos com a mesma má-idéia: Crer que podem enganar a
lei. Alguns com crimes mais graves. Outros com ego sobrando. Cada um com final
diferente.
Primeiro o vício de usar diferentes em vez de diversos.
Depois dupla referência. A frase final, redação errada, pois diz que cada um
tem diversos finais em vez de que não tem dois com final igual. Exemplo típico
do escrever sem pensar nem revisar, do divórcio entre a lógica e a redação.
Nos clássicos desenhos-animados onde aparecem negros com
beiços exagerados a praga do politicamente-correto decidiu considerar
estereótipo racial ofensivo. Por exemplo, num vídeo sobre a origem do mascote
da revista Mad o iutubeiro disse Nas páginas da Puck infelizmente
não faltavam estereótipos raciais ofensivos. Então se condenariam todos os
desenhos-animados, pois mostram estereótipos especimais ofensivos, pois
caricaturam cão, gato, rato, etc. E mesmo o de A pantera cor-de-rosa, onde o
inspetor Vivaldo é a caricatura aos franceses: Baixo e narigudo. Então se pode
caricaturar francês, cão, gato mas o negro não? Só o negro não?
É muito chato, nesta era de praga do politicamente-correto,
ter que freqüentemente ouvir essas opiniões idiotas
Tais opiniões ranzinzas são produto de ignorância e
estupidez, fazendo eco à deletéria moda do politicamente correto, ferramenta
pra destruir a cultura. Isso é terrorismo cultural.
Se pesquisando a pronúncia da marca Pfizer em cada
país se constata que cada cultura pronuncia a sua maneira sem compromisso de
ser fiel ao original. Mas o brasileiro, com o famigerado complexo de vira-lata,
se crê, pra parecer culto, na obrigação de pronunciar o vocábulo como
supostamente na língua original (maicruoussóft, línux, chérox)
e isso até pra sigla (efbiai, emtivi, reitchbiou). Burrice
cúbica.
A coisa fica patética quando forçam o característico
proparoxítona do inglês em vocábulos doutro idioma. Por exemplo, locutor
desportivo, pra parecer culto, pronunciar Zúrik o topônimo Zurique
(Zürich), que não é de língua inglesa e sim alemã, (https://translate.google.com/details?hl=pt-BR&sl=de&tl=pt&text=Z%C3%BCrich&op=translate).
Isso aliado à sistolifobia, medo mórbido a contração, evitando
contrair preposição com pronome, achando que assim é correto e chique, o que
prejudica a fluidez, a praticidade e a beleza redacional, onde o fluido num
soa enhum, como quem joga futebol como bola cúbica. É irritante
ler e ouvir isso o tempo todo, como se numa dança os movimentos fossem todos
quadrados, robóticos.
O recenseador do IBGE entrevistará um casal
— Puxa! Faz tempo que não entrevistamos um casal
tradicional. João e Maria! Um homem e uma mulher! Até pensei que
não existia mais! Sugerirei uma reportagem no Fantástico. Começarei
entrevistando seu João. Seu João…
— Peraí! Sou Maria. Ela é que é João. É que nos
conhecemos numa clínica de mudança-de-sexo!
Coleção Adeene
neles!
Alfred de Musset - Álvares de Azevedo
Franz Schubert - Nathaniel Hawthorne
Paul Dirac – Pedro
Infante
Richard Feynman – Robert Temple
Heintje Simons – Billy Mummy
Coleção Cartão-postal de Joanco
Criptópolis
Conto de Mário Jorge Lailla Vargas
O Sol já não aparecia. Não sabia se era noite ou dia. A
longa caminhada já a dum sonâmbulo parecia.
O céu estranho enevoado, qual geomagnetopatia, induzia
sensação angustiosa de desnorteio intenso e álgido. Então o sujeito respirou
fundo buscando entusiasmo anódino.
A sinuosa trilha nas colinas, pedregosa qual peabiru, em
intermináveis desfiladeiros qual falésias e alcantilados dos contos de Poe
desembocou numa caverna com fachada revestida por ampelopse cuja entrada
tortuosa levando a um sítio recôndito no âmago dum oco monumental.
Ivã Queiroz, arqueólogo descobridor a múmia egípcia e a
muita relíquia e monumento de antigas civilizações do mundo, entrou eufórico
como pressentindo algo insólito. Após longa descida com muitas voltas entre
paredes com estranha fosforescência viu do alto estranha cidade que o fez
lembrar as pétreas ciclópicas urbes de eras primevas e suscitando inefável
sensação onírica das narrativas de Lovecraft.
A vista panorâmica se estendia a longe com a mesma
fosforescência do corredor-de-entrada, inspirando convidativa sensação de
fascínio.
Então se lembrou dos relatos sobre sítios encantados cheios
de tesouro, cujo andarilho descobridor decidiu marcar o local pra voltar mais
apetrechado, e nunca mais reencontrou o local. Dos quantos relatos, como Os
sete adormecidos da lenda chinesa ou o célebre conto Rip van Winkle,
de Washington Irving. Adormecer e ou aceitar comida ou bebida oferecida por
misterioso ser que vive ali faria despertar ao menos vinte anos depois.
Como os navios-fantasma, os monstros criptozoológicos e
criptobotânicos, que surgem temporariamente em tempestade magnética, vindos
quiçá doutro universo, e aqui realizam façanhas como a dos gigantes semideuses
do tempo prími-histórico, certamente essa é uma das tantas criptópoles do
mundo, lendárias, ocultas, ignotas, perdidas ou desaparecidas. Zerzura, Manoa,
Xambala, Agarta…
Como nas catedrais, erigidas sobre nós telúricos, ou os
locais com anomalia magnética, que perturbam o psiquismo e propiciam o trânsito
de espectros (desdobrados, vampiros) intraterráqueos vindos pra assediar e
sugar os seres de consciência desperta, o estado-de-humor ali, seja tudo
etérico e efêmero ou sítio arqueológico terreno e banal, a sensação psicotônica
era de inspirada empolgação.
No fundo da paisagem, formando um horizonte semicircular, um
riacho corria a leste, na direita do observador, se afunilando num bocal que ao
longe o transformava em riacho subterrâneo. Ivã não titubeou em seguir na
beira-rio, pois assim não se perderia, bastando seguir a margem em sentido
contrário pra voltar.
Após meia hora ao longo de gigantesca muralha de pedra que o
fazia parecer uma formiga e cuja espessura não pôde avaliar, chegou ao riacho.
Ali viu gigantesca pirâmide como numa praça transversal.
Então, num sacudir-de-cabeça, como de repente
percebendo estou bobeando!, voltou a um setor da muralha repleto de
sinais estranhos parecendo texto num mural, e, embasbacado, sacando lápis e
papel da mochila, desenhou cuidadosamente o conteúdo do mural com a esperança
de futura decifragem.
A seguir as edificações, sempre líticas, pareciam aposentos
feitos pra gigantes. Colossais sacadas o faziam se sentir gato em morada humana.
Abóbadas ciclópicas aqui-e-ali, com portais gigantescos decorados com
magníficos baixo-relevo o deixavam indagando o quê seriam e quem o usava.
Pouco antes do fim do riacho imensa plataforma qual pirâmide
escalonada, cujos degraus mal podia escalar, tinha no centro a estátua, de
cerca de 3m de altura, dum ser antropomorfo lembrando os moais de Rapanui.
Num arroubo de inspiração poética e ardor científico, saudou
a estátua como se a um deus se dirigisse:
Enigmática
figura de eras primevas
Quão sabedor
sobre priscas eras
A ti dedico a
música-das-esferas
A
mim sabedoria e vida longevas
Olhou em volta da estátua e a desenhou pacientemente, indo e
voltando pra conferir detalhe, cansado e sonolento.
Já se via coberto de glória, recebendo o título de sir
Ivã, dando palestra e entrevista, com banquete em sua homenagem, livros em
louvor… Aquilo tudo
deixaria no-chinelo as ânforas desenterradas, os ladrilhos decorados salvos do
olvido e estatuetas resgatadas de salões escuros após intenso labor com as
mesmas técnicas dos saqueadores-de-tumba
Se deitou aos pés da estátua, vencido por sono e cansaço, apenas
pruma soneca revigorante, não sem um temor supersticioso de despertar décadas
depois, mas embevecido por glória futura, e levar aquela estátua àlgum museu.
Fechou os olhos e formulou o pensamento:
— Esta criptópole batizo Criptópolis
Mas qual o sonho da escada de Jacó, da Bíblia, ou Os
sonhos na casa da bruxa, de Lovecraft, o enredo do sonho era nítido e
consistente como sonho lúcido
Num
futuro remoto a arqueologia tradicional é tida como bárbara por causa dos
grandes avanços das ciências psíquicas. Por isso o período entre a renascença e
o século 21 é chamado era bárbara.
Um
erudito palestrando sobre arqueologia:
—
É lamentável que durante séculos os toscos arqueólogos poluíram a egregor dos
sítios e peças. Pensamento é comprimento-de-onda que se grava na matéria
circundante como eletricidade numa pilha. O arqueólogo estar presente antes do
processo de metagnomia pra mapear e ler o pensamento ali gravado, com seu
pensamento polui a egregor, memória-das-paredes original. É como fazer uma
festa numa cena-do-crime. Há 150 anos o grande paranormalólogo Érico Dantas
lutou pra preservar o acervo psíquico dos sítios arqueológicos, o que abriu uma
trilha essencial à criminalística, pois pôs fim ao obscurantismo supersticioso,
embasbacado e pueril prevalescente até a era bárbara ante os fantasmas e
assombros em geral. Postura que desperdiçava um recurso valioso à
criminalística, pesquisa científica e muitas outras áreas. Graças à metagnomia
praticamente não há mais evento que permaneça ignoto. Qualquer evento pode ser
restaurado e recuperado. Não existe mais segredo. Por isso tanto os arqueólogos
quanto os demais pesquisadores tradicionais, outrora tão admirados, são
execrados como ignorantes que muito lamentamos não terem fracassado na busca pra
hoje estar intata a memória-das-paredes dos locais pesquisados.
Naquela
época a ciência da era bárbara é tida como grosseira, tosca, dogmática. Seus
cientistas como feiticeiros de caixa-negra, materialistas do capitalismo
selvagem, amantes de estereótipo, petulantes sacerdotes do racionalismo
exaltado e furioso se crendo com o rei na barriga, vistos do mesmo modo que os
arrogantes pedantes da era bárbara viam os medievais.
Num
giro cinematográfico o sonho passa a crianças numa biblioteca, fazendo um
trabalho escolar. Folheando um grande livro sobre a era bárbara, pois tal era
os fascinava como a medieval fascinava os do século 20, viam retratos sobre
arqueólogos dos séculos 19 a 21 e fotos sobre escavação. A professora comparando
tal método com as operações invasivas do primórdio da cirurgia.
O
sonho se interrompe com as crianças saindo
Despertou com a vívida impressão da ronda-de-sonho. Longo
instante pensativo qual a dantesca célebre escultura O pensador, de
Augusto Rodã, e se levantou pra sair.
O clarão da radiosa manhã o ofuscando na saída, avançou com
passo firme, transtornado com tudo aquilo
Resta saber a resultante daquela crise na cabeça de Ivã











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