sexta-feira, 28 de novembro de 2025

J Monteiro da Silva - Flora medicinal - anuário 1987

 

Um brinde a Boçalnaro preso

E fica a pergunta: Como um terrorista, quem fez atentado a bomba no quartel, pôde virar presidente?

Nos livramos da barbárie boçalnarista, dum novo golpe militar orquestrado pela superprepotência, mas não estamos na democracia maravilhosa, dos discursos ufanistas com linguagem inclusiva e tudo, dos discursos de Xandão, Lula e outros, em pleno vigor da ideologia-de-gênero. Quem está no poder sempre se arvora de paladino do estado-de-direito e da liberdade, confundindo sistema eleitoral com democracia (que é utopia).

Eua sempre autoproclamando paladino da liberdade e de todas as virtudes e xerife do mundo. Eu era criança em Brasília em 1972. O ufanismo do sesquicentenário da independência. Na avenida W3 uma série de comemoração. Eventos de todo tipo. Um general discursou. Sempre me lembro de que disse estarem defendendo a liberdade e a democracia.

Naquele regime o voto era proibido. Agora é obrigatório. Trocamos 6 por meia-dúzia.

O proibido durante 21 anos. O obrigatório já tem 40.

Pois é o mesmo em toda parte: Elogio em causa-própria

Ainda temos voto obrigatório, mesário-escravo, júri-no-laço, pedágio, misandria se institucionalizando… E nenhum movimento pra acabar com isso. Esquerda? Onde?

 

A inclinação de Urano

Urano é o único planeta inclinado do sistema solar. Tem inclinação de 97,77° no eixo-de-rotação, o que o faz girar praticamente de lado.

Uma teoria sobre a causa da inclinação é a de que um corpo com o dobro do tamanho da Terra se chocou e o inclinou

Mas se é verdadeira a idéia sobre os astros ocos, pois a idéia sobre a Terra oca ainda não apresentou contradição, enquanto a da Terra maciça tem várias, a inclinação se deve a alguma causa da natureza de Urano, na formação. Choque cósmico não inclina um astro, apenas inverte os polos.

Há 12 mil anos, quando o planetóide da Carolina se chocou contra a Terra e causou a espantosa catástrofe do mais recente dilúvio (Nome impróprio mas consagrado), os pólos se inverteram em vez de apenas inclinar o eixo

Nos astros, sendo ocos, a casca interage gravitacionalmente com a estrela-anã central, de modo que um choque cósmico sacode a casca, que logo se reestabiliza. Os astros não são esferas e sim esferóides. Numa esfera não há equador nem pólo.

Portanto não deve ter sido um choque cósmico a causa da inclinação de Urano

Não é questão de saber nadar

É um estereótipo arraigado a idéia de saber nadar. Como não respiramos na água nosso instinto é de permanecer em pé com a cabeça toda fora dágua. O medo e a falsa idéia de que afundaremos faz o indivíduo engolir e respirar água.

É necessário educar as crianças sobre que ninguém afunda na água e que se posicionar deitado de barriga ao alto, relaxando, se flutua com o nariz fora dágua. Numa piscina se pode permanecer assim indefinidamente, mesmo dormir. Num rio ou mar esse controle se dificulta, pois mesmo nadadores experientes podem se afogar. Mas tal postura dá mais chance de sobreviver controlando a situação com calma e respirando com segurança.

Os resultados de datação

Nossas datações via cabono-14 foram feitas em pedaços de madeira incrustados no tijolo de barro da principal estrutura da tumba, na vizinhança da câmara mortuária. Há muito dessa madeira. Foi simples coletar amostra. Os resultados obtidos vieram de dois laboratórios. No grego Demokritos os resultados de duas amostras foram de -1834–-2579 (Probabilidade 68,3%) e -2857–-2502 (95,4%). Os outros resultados vieram de Geochron em Cambride, Massachustes, Eua, de -2860–-2470 (68,3%) e -2880–-2350 (95,4%).

Pegando a menor data-limite das mais altas temos -2834. Com a mais alta das mais baixas, -2579. Provavelmente não corremos risco de errar ao supor a madeira ser de -2834 a -2579, período de 255 anos. Considerando a maior variação possível diríamos que as datas estão entre -2880 e -2350, período de 530 anos.

Ioannis coletou duas amostras de calcário da câmara mortuária, uma das quais não serviu pra análise. O resultado da amostra boa datada por termoluminescência ótica foi de -3300, com margem-de-erro de ±450 anos.

Uma data convencional prà morte de Casequemui é -2707. Embora nossas datas via carbono-14 incluam essa data em seu período, os fragmentos e o calcário não são tão tardios. Como a data mais antiga possível via carbono-14 é de -2880, e a menor data possível do calcário de -2850, isso sugere que a tumba de Casequemui seja dum período de 30 anos entre as duas datas.

Segundo esses achados a tumba de Casequemui é de 143 a 173 anos mais antiga do que afirmam algumas cronologias convencionais, e entre 200 e 220 anos mais antiga que a data comumente aceita pelo instituto alemão no Cairo (Antes de -2600).

Robert Temple, Aurora egípcia (Egyptian dawn), Madras, São Paulo, 2013, página 220

Notar que os resultados mais antigos estão há cerca de 5000 anos, a data da chegada de Vênus como cometa.

Há 5000 anos

Walter Emery resumiu algumas implicações dessas descobertas em seu panfleto Saqqara and the dynastic race (Sacara e a corrida dinástica), que foi a publicação duma aula especial ministrada na faculdade universitária de Londres em 1952:

Mesmo após mais de 1 século de pesquisa científica no vale do Nilo uma questão, se não a principal, enfrentada pelos egiptólogos é a existência do que Petrie chamava raça dinástica. A civilização faraônica seria o resultado dum passo repentino a diante na cultura pré-dinástica dos nativos ou se deveu a uma raça diferente cuja chegada mudou toda a tendência cultural do vale do Nilo há ~5000 anos?

Robert Temple, Aurora egípcia (Egyptian dawn), Madras, São Paulo, 2013, página 286

Espécie diferente. A chegada dos nomos de Sírio e a de Vênus há 5000 anos.

Sobre as academias

Eis o que Robert Temple afirmou sobre as academias científicas, páginas 404,405:

Inúmeros autores, antigos e atuais, teceram comentário sobre as culturas atlânticas, mas essas observações raramente receberam a atenção adequada. Talvez o motivo seja a ausência duma disciplina acadêmica ou departamento interessado na cultura atlântica. Assim que os arqueólogos duma região do mundo começam à discutir, se sentem incômodos por vagar além de suas fronteiras. Nada há que deixe um acadêmico mais nervoso, porque o deixa exposto a crítica de colega. O mundo acadêmico é cruel, impiedoso. Mesmo o menor desvio do comportamento consensual pode prejudicar toda uma carreira acadêmica. Só os, como eu, independentes de favor e aprovação de colega pra viver podem dizer o que quiserem e ultrapassar fronteira. A cada ano a competição por emprego na comunidade acadêmica recrudesce, o nível de medo se agrava e a timidez do discurso aumenta. Qualquer dia o mundo acadêmico encalhará como mar congelado, e todas as opiniões ficarão rígidas. Então todos se sentirão seguros.

Robert Temple, Aurora egípcia (Egyptian dawn), Madras, São Paulo, 2013, página 404

Sobre o idioma francês

Em francês o som U se grafa OU porque grafando U se pronuncia I gutural como em buffet e no alemão führer, parecido com o guarani y. Por isso grafam boulevard (Avenida ampla e arborizada) em vez de bulevar. Na página 436, legenda da figura 70, o autor debocha de tal característica, pois ingleses e franceses, com secular rivalidade, estão sempre se alfinetando:

Figura 70 ● O mapa das viagens do antigo viajante francês do século 19 Méhier de Mathuisieulx na Líbia mostrando o planalto de Taúna, grafado em francês Tahouna, pois sempre gostam de enfiar um O a mais em toda oportunidade, no lado direito superior. Tal região é especialmente rica em trílito, muitos dos quais foram fotografados por Dowper. Ver pranchas 60–64 e muitas outras no sítio internético.

Após ler Aurora egípcia, é notável como o conteúdo do livro é como se o anterior, O mistério de Sírius, não existisse. Como se Robert Temple sofrera a mesma suposta ameaça a John Alva Keel e Ubirajara Rodrigues. Nesse ponto o livro foi decepcionante.

Sobre a edição em português, Aurora egípcia tem muito mais vício-de-linguagem e deficiências que O mistério de Sírio, além de não pôr entre parênteses os títulos em idioma estrangeiro nem converter as medidas arcaicas (pé, polegada, etc). Nalgumas ocasiões acrescentava a conversão entre parêntesis, noutras não. Supérfluo manter as medidas arcaicas. Quem as quiser consulte o original. E a incoerência de usar o barbarismo site em itálico mas outro sem itálico. E o excesso de maiúscula.

Já que abordei esse tema, fiz uma campanha, experiência, nos comentários do iutube, tanto em português quanto em castelhano. Já que 99,99% dos iutubeiros é hipócrita e interesseiro, punha um breve explicativo, um deles com a conexão do vídeo dum gramático explicando, sempre que o iutubeiro usava um vocábulo equivocado. É espantoso o quão disseminado está tanto em português quanto em castelhano esse tipo de vício. É uma gente que não sabe e não quer saber, demonstrativo cabal da estupidez reinante em nossa era. Ninguém dá o braço a torcer, demonstrativo de imaturidade, descaso e arrogância.

Ou seja: Não é porque é a correção dum joão-ninguém, pois mesmo a explicação dum gramático é desprezada, visto que são tão bovinamente obedientes ao estereótipo imaginário da linguagem correta.

Tanto em português quanto em castelhano está disseminado o uso equivocado de ignorar em vez de desprezar. Que o motociclista ignorou a ordem policial pra parar. Então é inocente quanto a isso, pois ignorar é não saber.

Caramba! Se tem um vocábulo adequado, pra quê usar outro? Pra parecer chique, culto, original? É muita burrice.

Além da sistolifobia, sobre a qual já discuti muito

É espantoso o quanto esse horror a contração é onipresente, como dogma, enfeando o idioma, tirando a fluência e naturalidade, como quem marcha em vez de andar espontaneamente

É usar vocábulo equivocado o responsável pela deformação e degeneração dos idiomas, facilitando mal-entendido. Isso é mais grave em literato e jornalista, quem tem obrigação de redigir bem.

• Tradução em português. Errado. Tradução ao português porque é movimento. Se passa dum idioma a outro. Traduzir em português é traduzir dum idioma a outro, tendo o português como padrão. Assim como converter na base 10 é converter um número duma base a outra, tendo como padrão a base 10. Converter da base 14 à base 12. Nosso padrão mundial é sempre 10, como o padrão de tradução nacional é o português.

• Invasão do Iraque. Errado. Invasão ao Iraque. Quando os amariconas invadiram a invasão é sua, não do Iraque. A invasão do Iraque foi contra o Cuaite.

• Busca pelo nome, busca do nome. Duas formas viciosas típicas do português-de-jornalista. Busca ao nome.

• Culto dos mortos. Só se for enredo de terror. Culto aos mortos.

• Destruição do barco. Só se o barco é o autor da destruição. Destruição ao barco.

• Escapar ao bandido. Redação patusca. O ouropel da redação. Gente que quer parecer original e erudito e comete bobagem. Escapou do bandido. Escapar ao incêndio não é fugir dele mas escapar de não-se-o-quê em direção ao incêndio.

• O colar ao pescoço. Outra redação patusca. Não importa se está dentro ou no exterior do pescoço. O colar no pescoço. Ao indica movimento.

São exemplos de regras triviais, da escola primária, que deviam envergonhar, pois tal desprezo evidencia um nível cognitivo mui baixo.

Um pequeno exemplo da indigência cultural-intelectual reinante:

Bandidos con diferentes acentos. Pero todos con la misma mala idea: Creer que pueden engañarle a la ley. Algunos con crímenes mayores. Otros con ego de sobra. Todos con diversos finales.

Bandidos com diversos sotaques. Mas todos com a mesma má-idéia: Crer que podem enganar a lei. Alguns com crimes mais graves. Outros com ego sobrando. Cada um com final diferente.

Primeiro o vício de usar diferentes em vez de diversos. Depois dupla referência. A frase final, redação errada, pois diz que cada um tem diversos finais em vez de que não tem dois com final igual. Exemplo típico do escrever sem pensar nem revisar, do divórcio entre a lógica e a redação.

 

Nos clássicos desenhos-animados onde aparecem negros com beiços exagerados a praga do politicamente-correto decidiu considerar estereótipo racial ofensivo. Por exemplo, num vídeo sobre a origem do mascote da revista Mad o iutubeiro disse Nas páginas da Puck infelizmente não faltavam estereótipos raciais ofensivos. Então se condenariam todos os desenhos-animados, pois mostram estereótipos especimais ofensivos, pois caricaturam cão, gato, rato, etc. E mesmo o de A pantera cor-de-rosa, onde o inspetor Vivaldo é a caricatura aos franceses: Baixo e narigudo. Então se pode caricaturar francês, cão, gato mas o negro não? Só o negro não?

É muito chato, nesta era de praga do politicamente-correto, ter que freqüentemente ouvir essas opiniões idiotas

Tais opiniões ranzinzas são produto de ignorância e estupidez, fazendo eco à deletéria moda do politicamente correto, ferramenta pra destruir a cultura. Isso é terrorismo cultural.

 

Se pesquisando a pronúncia da marca Pfizer em cada país se constata que cada cultura pronuncia a sua maneira sem compromisso de ser fiel ao original. Mas o brasileiro, com o famigerado complexo de vira-lata, se crê, pra parecer culto, na obrigação de pronunciar o vocábulo como supostamente na língua original (maicruoussóft, línux, chérox) e isso até pra sigla (efbiai, emtivi, reitchbiou). Burrice cúbica.

A coisa fica patética quando forçam o característico proparoxítona do inglês em vocábulos doutro idioma. Por exemplo, locutor desportivo, pra parecer culto, pronunciar Zúrik o topônimo Zurique (Zürich), que não é de língua inglesa e sim alemã, (https://translate.google.com/details?hl=pt-BR&sl=de&tl=pt&text=Z%C3%BCrich&op=translate).

Isso aliado à sistolifobia, medo mórbido a contração, evitando contrair preposição com pronome, achando que assim é correto e chique, o que prejudica a fluidez, a praticidade e a beleza redacional, onde o fluido num soa enhum, como quem joga futebol como bola cúbica. É irritante ler e ouvir isso o tempo todo, como se numa dança os movimentos fossem todos quadrados, robóticos.


 O recenseador do IBGE entrevistará um casal

— Puxa! Faz tempo que não entrevistamos um casal tradicional. João e Maria! Um homem e uma mulher! Até pensei que não existia mais! Sugerirei uma reportagem no Fantástico. Começarei entrevistando seu João. Seu João…

— Peraí! Sou Maria. Ela é que é João. É que nos conhecemos numa clínica de mudança-de-sexo!

 

Coleção Adeene neles!

 

Alfred de Musset - Álvares de Azevedo – Sheridan le Fanu

 

Franz Schubert - Nathaniel Hawthorne

 

Paul Dirac – Pedro Infante

 

Richard Feynman – Robert Temple

 

Heintje Simons – Billy Mummy

 

Coleção Cartão-postal de Joanco

 




Criptópolis

Conto de Mário Jorge Lailla Vargas

O Sol já não aparecia. Não sabia se era noite ou dia. A longa caminhada já a dum sonâmbulo parecia.

O céu estranho enevoado, qual geomagnetopatia, induzia sensação angustiosa de desnorteio intenso e álgido. Então o sujeito respirou fundo buscando entusiasmo anódino.

A sinuosa trilha nas colinas, pedregosa qual peabiru, em intermináveis desfiladeiros qual falésias e alcantilados dos contos de Poe desembocou numa caverna com fachada revestida por ampelopse cuja entrada tortuosa levando a um sítio recôndito no âmago dum oco monumental.

Ivã Queiroz, arqueólogo descobridor a múmia egípcia e a muita relíquia e monumento de antigas civilizações do mundo, entrou eufórico como pressentindo algo insólito. Após longa descida com muitas voltas entre paredes com estranha fosforescência viu do alto estranha cidade que o fez lembrar as pétreas ciclópicas urbes de eras primevas e suscitando inefável sensação onírica das narrativas de Lovecraft.

A vista panorâmica se estendia a longe com a mesma fosforescência do corredor-de-entrada, inspirando convidativa sensação de fascínio.

Então se lembrou dos relatos sobre sítios encantados cheios de tesouro, cujo andarilho descobridor decidiu marcar o local pra voltar mais apetrechado, e nunca mais reencontrou o local. Dos quantos relatos, como Os sete adormecidos da lenda chinesa ou o célebre conto Rip van Winkle, de Washington Irving. Adormecer e ou aceitar comida ou bebida oferecida por misterioso ser que vive ali faria despertar ao menos vinte anos depois.

Como os navios-fantasma, os monstros criptozoológicos e criptobotânicos, que surgem temporariamente em tempestade magnética, vindos quiçá doutro universo, e aqui realizam façanhas como a dos gigantes semideuses do tempo prími-histórico, certamente essa é uma das tantas criptópoles do mundo, lendárias, ocultas, ignotas, perdidas ou desaparecidas. Zerzura, Manoa, Xambala, Agarta

Como nas catedrais, erigidas sobre nós telúricos, ou os locais com anomalia magnética, que perturbam o psiquismo e propiciam o trânsito de espectros (desdobrados, vampiros) intraterráqueos vindos pra assediar e sugar os seres de consciência desperta, o estado-de-humor ali, seja tudo etérico e efêmero ou sítio arqueológico terreno e banal, a sensação psicotônica era de inspirada empolgação.

No fundo da paisagem, formando um horizonte semicircular, um riacho corria a leste, na direita do observador, se afunilando num bocal que ao longe o transformava em riacho subterrâneo. Ivã não titubeou em seguir na beira-rio, pois assim não se perderia, bastando seguir a margem em sentido contrário pra voltar.

Após meia hora ao longo de gigantesca muralha de pedra que o fazia parecer uma formiga e cuja espessura não pôde avaliar, chegou ao riacho. Ali viu gigantesca pirâmide como numa praça transversal.

Então, num sacudir-de-cabeça, como de repente percebendo estou bobeando!, voltou a um setor da muralha repleto de sinais estranhos parecendo texto num mural, e, embasbacado, sacando lápis e papel da mochila, desenhou cuidadosamente o conteúdo do mural com a esperança de futura decifragem.

A seguir as edificações, sempre líticas, pareciam aposentos feitos pra gigantes. Colossais sacadas o faziam se sentir gato em morada humana. Abóbadas ciclópicas aqui-e-ali, com portais gigantescos decorados com magníficos baixo-relevo o deixavam indagando o quê seriam e quem o usava. 

Pouco antes do fim do riacho imensa plataforma qual pirâmide escalonada, cujos degraus mal podia escalar, tinha no centro a estátua, de cerca de 3m de altura, dum ser antropomorfo lembrando os moais de Rapanui.

Num arroubo de inspiração poética e ardor científico, saudou a estátua como se a um deus se dirigisse:

Enigmática figura de eras primevas

Quão sabedor sobre priscas eras

A ti dedico a música-das-esferas

A mim sabedoria e vida longevas

Olhou em volta da estátua e a desenhou pacientemente, indo e voltando pra conferir detalhe, cansado e sonolento.

Já se via coberto de glória, recebendo o título de sir Ivã, dando palestra e entrevista, com banquete em sua homenagem, livros em louvor… Aquilo tudo deixaria no-chinelo as ânforas desenterradas, os ladrilhos decorados salvos do olvido e estatuetas resgatadas de salões escuros após intenso labor com as mesmas técnicas dos saqueadores-de-tumba

Se deitou aos pés da estátua, vencido por sono e cansaço, apenas pruma soneca revigorante, não sem um temor supersticioso de despertar décadas depois, mas embevecido por glória futura, e levar aquela estátua àlgum museu.

Fechou os olhos e formulou o pensamento:

— Esta criptópole batizo Criptópolis

Mas qual o sonho da escada de Jacó, da Bíblia, ou Os sonhos na casa da bruxa, de Lovecraft, o enredo do sonho era nítido e consistente como sonho lúcido

Num futuro remoto a arqueologia tradicional é tida como bárbara por causa dos grandes avanços das ciências psíquicas. Por isso o período entre a renascença e o século 21 é chamado era bárbara.

Um erudito palestrando sobre arqueologia:

— É lamentável que durante séculos os toscos arqueólogos poluíram a egregor dos sítios e peças. Pensamento é comprimento-de-onda que se grava na matéria circundante como eletricidade numa pilha. O arqueólogo estar presente antes do processo de metagnomia pra mapear e ler o pensamento ali gravado, com seu pensamento polui a egregor, memória-das-paredes original. É como fazer uma festa numa cena-do-crime. Há 150 anos o grande paranormalólogo Érico Dantas lutou pra preservar o acervo psíquico dos sítios arqueológicos, o que abriu uma trilha essencial à criminalística, pois pôs fim ao obscurantismo supersticioso, embasbacado e pueril prevalescente até a era bárbara ante os fantasmas e assombros em geral. Postura que desperdiçava um recurso valioso à criminalística, pesquisa científica e muitas outras áreas. Graças à metagnomia praticamente não há mais evento que permaneça ignoto. Qualquer evento pode ser restaurado e recuperado. Não existe mais segredo. Por isso tanto os arqueólogos quanto os demais pesquisadores tradicionais, outrora tão admirados, são execrados como ignorantes que muito lamentamos não terem fracassado na busca pra hoje estar intata a memória-das-paredes dos locais pesquisados.

Naquela época a ciência da era bárbara é tida como grosseira, tosca, dogmática. Seus cientistas como feiticeiros de caixa-negra, materialistas do capitalismo selvagem, amantes de estereótipo, petulantes sacerdotes do racionalismo exaltado e furioso se crendo com o rei na barriga, vistos do mesmo modo que os arrogantes pedantes da era bárbara viam os medievais.

Num giro cinematográfico o sonho passa a crianças numa biblioteca, fazendo um trabalho escolar. Folheando um grande livro sobre a era bárbara, pois tal era os fascinava como a medieval fascinava os do século 20, viam retratos sobre arqueólogos dos séculos 19 a 21 e fotos sobre escavação. A professora comparando tal método com as operações invasivas do primórdio da cirurgia.

O sonho se interrompe com as crianças saindo

Despertou com a vívida impressão da ronda-de-sonho. Longo instante pensativo qual a dantesca célebre escultura O pensador, de Augusto Rodã, e se levantou pra sair.

O clarão da radiosa manhã o ofuscando na saída, avançou com passo firme, transtornado com tudo aquilo

Resta saber a resultante daquela crise na cabeça de Ivã


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