sábado, 31 de março de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

— Tua opinião sobre liberar bebida alcoólica na arquibancada durante a copa.
— Sou a favor só no vestiário, na comissão técnica e no banco de reserva.
Allá viene un tarado pelado con su saco en las manos corriendo atrás de la buseta. De torpe la perdió. Y quedó dando puñetazos al aire, airado, reclamando de estafa.
Tradução:
Lá vem um doido careca com seu paletó nas mãos correndo atrás do microônibus. De atrapalhado a perdeu. E ficou dando socos ao ar, irado, reclamando de estelionato.
Pero al lusófono distraído parece:
Allá viene un maniaco sexual desnudo con su testículo en las manos corriendo atrás de una vagina. De cruel la perdió. Y quedó se masturbando lleno de aire, reclamando de extremo cansancio.
Figura extraída de
Muitas vezes encontro matéria sobre dinossauro, onde se diz que tal exemplar pesaria tantas toneladas. Tantas toneladas quando? Hoje, se vivo estivesse, ou quando vivo? Dizem que eram lentos, que teriam vários corações pra bombear sangue a ser tão grande! E uma infinidade de teorias malucas pra explicar a extinção. Tudo porque negligenciam um fator capital: A gravidade era muito menor há milhões de anos. Aqui, em forma de conto, está exposta a tese.
Grato a María Paz por la revisión del texto en castellano
Churrasco de dinossauro
conto de
Mário Jorge Lailla Vargas
12 de abril
Minha sobrinha Emília, de doze anos, me chamou pra ver o imeio que chegara.
— Tio. É o cara que mandou aquele cartum que é um mapa do Brasil com a carapuça do Saci-Pererê e um cachimbo de barro na boca que é o Acre.
— É mesmo. A fenda do Acre faz uma boquinha e o sul uma perna. O que mandou agora?
— Outro desenho. Desta vez um dinossauro com uma só perna, com a carapuça e o cachimbo. Embaixo escrito Sacissauro.
— É um cartum sobre nossa mais recente descoberta. No Brasil foi achado um fóssil de dinossauro. Como faltava uma perna foi batizado Sacissauro.
— Quem é ele? Teu amigo?
— Alguém que viu minha última palestra internética. No começo fiquei fulo, achei que era gozador, quis bloquear mas... Lembras daquele trabalho que te ajudei a fazer?
— Sobre o planetóide que teria causado a extinção dos dinossauros? Uma matéria muito bacana. Eram muito grandes e lerdos. Então caiu um meteoro tão grande que...
— Não! Não! Grandes mas não lerdos. Como um cientista como eu, e tantos outros, não vimos o óbvio? Sinto vergonha. Um mero diletante nos dando uma lição de ciência. Naquela vez que te expliquei sobre a gravidade. Um planeta muito denso atrai um corpo com mais força que outro menos denso, fazendo esse corpo ficar mais pesado. Assim uma pessoa de 70kg pesaria 26,5kg em Marte. Num mundo com fraca gravidade os seres vivos tenderiam ao gigantismo, já num mundo de forte atração gravitacional crescer muito seria um fardo, por isso os seres tenderiam a ser menores.
— Mas como um animal maior que um elefante não seria lerdo e pesado?
— Vamos ao primeiro imeio enviado por Senhor Sauro, pra acompanharmos o raciocínio.
Muchas veces encuentro materia sobre dinosaurio, donde se dice que tal ejemplar pesaría tantas toneladas. ¿Tantas toneladas cuándo. Hoy, si viviese hoy, o cuando vivo? Dicen que eran lentos, que tendrían ¡varios corazones para bombear sangre a ser tan grande! Y una infinidad de teorías malucas para explicar la extinción. Todo porque negligencian un factor capital: La gravedad era mucho menor hace millones de años. Aquí, en forma de cuento, está expuesta la tesis.
Parrillada de dinosaurio
cuento de
Mário Jorge Lailla Vargas
12 de abril
Mi sobrina Emilia, de doce años, me llamó para ver el correo electrónico que llegara.
— Tío. Es el tipo que envió aquella viñeta que es un mapa de Brasil con la caperuza de Sací-Pereré[1] y una pipa de barro en la boca que es el Acre.
— Eso mismo. La hendidura de Acre hace una boquita y el sur una pierna. ¿Qué envió ahora?
— Otro dibujo. De esta vez un dinosaurio con una sola pierna, con la caperuza y la pipa. Bajo escrito Sacisaurio.
— Es una viñeta sobre nuestro más reciente descubrimiento. En Brasil fue encontrado un fósil de dinosaurio. Como faltaba una pierna fue bautizado Sacisaurio.
— ¿Quien es él. Tu amigo?
— Alguien que vio mi última charla internética. En el comienzo quedé furioso, pensé que era burlón, quise bloquear pero... ¿Recuerdas de aquel trabajo que te ayudé a hacer?
— ¿Sobre el planetoide que habría causado la extinción de los dinosaurios? Una materia muy buena. Eran muy grandes y lerdos. Entonces cayó un meteoro tan grande que...
— ¡No. No! Grandes pero no lerdos. ¿Como un científico como yo, y tantos otros, no vimos lo obvio? Siento vergüenza. Un mero aficionado dando una lección de ciencia. Aquella vez que te expliqué sobre la gravedad. Un planeta muy denso atrae un cuerpo con más fuerza que otro menos denso, haciendo ese cuerpo quedar más pesado. Así una persona de 70kg pesaría 26,5kg en Marte. En un mundo con débil gravedad los seres vivos tenderían al gigantismo, ya en un mundo de fuerte atracción gravitacional crecer mucho sería un fardo, por eso los seres tenderían a ser más pequeños.
— Pero ¿como un animal mayor que un elefante no sería lerdo y pesado?
— Vamos al primer correo electrónico enviado por Señor Saurio, para acompañar el raciocinio.


[1] El Sací-Pereré es un duende brasileño: Un negrito con caperuza roja, pipa de barro y una sola pierna, que anda a salto y viene en un remolino de viento.

terça-feira, 27 de março de 2012

Cartão preferencial
Uma fila no caixa Bradesco. Entrou um sujeito e foi direto ao caixa, ignorando o pessoal da fila, querendo ser atendido primeiro.
— Favor aguardar na fila, senhor.
— Mas tenho prioridade. Olha aqui, meu cartão. Diz Cliente preferencial.
Os outros olharam os respectivos cartões e ali também estava escrito isso.
— Mas todos somos clientes preferenciais.
— Essa não! Não acredito! Ligai ao Procon!
— Todos somos preferenciais, portanto todos iguais. Por isso a fila.
— Tá parecendo mais aquele sujeito que chegou à papelaria e perguntou Tem aquele cartão A meu único amor? Tem, sim senhor. Quero uma resma.
Sempre tem aquele colega de serviço que quando avisas que irás ao caixa vem com a piadinha:
— Ré ré ré. Deposites um pouco em minha conta.
Uma vez respondi assim:
— Claro. Com todo prazer. Me dês cartão e senha e depositarei.
Briga de amor na internete
Ontem fiquei chateada.
 Só porque reclamei que não tens cumplicidade?
 Não. Porque contestei e não me respondeste.
 Mas fiquei quieto pra não pôr lenha na fogueira. Pra não bater boca, pois te estressaria. Não sou desses que gostam de querela, gritar e xingar e querer ter razão.
 É verdade. Tens razão
Na semana seguinte:
 Faz um tempão que não discutimos.
 Discutir?
 É. Discutir a relação.
  [Ai! Começará tudo de novo!]
...
Quais são os super-heróis mais travecos?
Os Ex-men
Qual é o cúmulo do vegetarianismo?
Paciente vegetativo e médico de plantão
Como se chama Super-homem deprimido?
Superam-me
Qual o super-herói de nome redundante?
Mulher Maravilha
À mesa de cirurgia do SUS(to) o médico avisa que não tem verba pra anestesia e por isso o paciente terá de se contentar em tomar uns goles de cachaça e morder um pano. Qual é o nome do filme?
Operação Condor
Um bando terrorista seqüestrou um avião depois de tiroteio e avisou que ninguém entra e ninguém sai. Mas a polícia disse que os que se machucaram na luta precisam ir ao hospital imediatamente. Então os terroristas libertam apenas esses. Qual é o nome do filme?
Passar os feridos
Um caçador estava tocaiando um jaguar que anda comendo bezerro. Junto está o filho de 9 anos, aprendendo com o pai, que, cansado, resolveu tirar uma soneca e deixou o guri de sentinela. Qual o nome do programa?
Criança espera onça
O deputado Juruna ganhou um convite prum encontro com os pele-vermelha mas a esposa só conseguiu autorização da Funai na última hora, após muita briga. Qual o nome do filme?
Passagem para a índia

segunda-feira, 26 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cuentos del número 1 al 9
Primer volumen de la colecta de los cuentos de la revista española Álbum salón:
Número 1, de 21.11.1897 hasta número 9, de 16.01.1898

Contos do número 1 ao 9
Tradução ao português, de Che Guavira, do primeiro volume da coleta dos contos da revista espanhola Álbum salón:
Número 1, de 21.11.1897 até número 9, de 16.01.1898

quarta-feira, 14 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Colaboração de Joanco
Uma paz em separado
Una paz en separado
John Hereward Allix
Em 1944, depois da efervescência do Dia D e das semanas subse­qüentes, sobreveio um anticlímax, quando minha esquadrilha de bombardeiro foi transferida da Inglaterra à costa de Lago Foyle,[1] no norte da Irlanda. Nossa missão, patrulhas noturnas mar afora, buscando submarino à tona, prometia ser monó­tona. A probabilidade de encontrar um submarino era remota.
En 1944, después de la efervescencia del Día D y de las semanas subse­cuentes, sobrevino un anticlímax, cuando mi escuadrilla de bombardero fue transferida de Inglaterra a la costa de Lago Foyle, norte de Irlanda. Nuestra misión, patrullas nocturnas mar afuera, buscando submarino a la superficie, prometía ser monó­tona. La probabilidad de encontrar un submarino era remota.
Pouco depois de nossa chegada, minha tripulação ficou alerta, o que significava dormirmos com nossos uniformes de vôo e preparados pra decolar em 30 minutos.
Poco después de nuestra llegada, mi tripulación quedó alerta, lo que significaba dormir con nuestros uniformes de vuelo y preparados para despegar en 30 minutos.
Uma noite, cerca de 3h da madrugada, fui acordado pelo ordenança de nosso dormitório. O inimigo atacara ali onde estávamos! Em 5 minutos minha tripulação e eu, seis homens bocejantes, já estávamos reunidos na sala operacional. 20 minutos depois, estávamos voando. Ao rumar a alto mar com meu lento Wellington, vi, a leste, um clarão fulgurante, seguido pela claridade vermelha dum navio-torpedeado se incendiando. Em rápida sucessão três navios foram atingidos. A única coisa que me ocorreu foi que eu tinha que apanhar aquele submarino. Infelizmente, porém, o submarino não veio à tona. Um navio da marinha real lhe captou o eco em ASTIC e o perseguiu até ele ir se abrigar na água neutra da república irlandesa, perto dum comprido braço de mar que se estende na província de Donegal adentro. Depois disso, apesar da zona ser constantemente patrulhada, o submarino inimigo efetuou diversos ataques. E cada vez escapulia ao abrigo neutro.
Una noche, cerca de 3h de la madrugada, fui despertado por el ordenanza de nuestro dormitorio. El enemigo atacó allí donde estábamos! En 5 minutos mi tripulación y yo, seis hombres bostezantes, ya estábamos reunidos en la sala operacional. 20 minutos después, estábamos volando. Al tomar rumbo a alta mar con mi lento Wellington, vi, al este, un claro fulgurante, seguido por la claridad roja de un navío-torpedeado se incendiando. En rápida sucesión tres navíos fueron alcanzados. La única cosa que me ocurrió fue que yo tenía que atrapar aquel submarino. Pero infelizmente el submarino no vino a la superficie. Un navío de la marina real le captó el eco en ASTIC y lo persiguió hasta él se abrigar en el agua neutra de la república irlandesa, cerca de un largo brazo de mar que se extiende en la provincia de Donegal adentro. Después de eso, a pesar de la zona ser constantemente patrullada, el submarino enemigo efectuó diversos ataques. Y cada vez escapaba al abrigo neutro.
Poucas semanas depois minha tripulação se desfez, alguns dos homens tendo completado o tempo de serviço, ficando eu temporariamente dispensado de voar. Me deram dois dias de licença e atra­vessei a fronteira irlandesa indo a uma aldeia na costa de Lago Swilly.
Pocas semanas después mi tripulación se deshizo, algunos de los hombres habiendo completado el tiempo de servicio, quedando yo temporariamente dispensado de volar. Me dieron dos días de licencia e atra­vesé la frontera irlandesa yendo a una aldea en la costa de Lago Swilly.
Era, naturalmente, irregular um oficial das forças de sua majestade entrar na Irlanda, mas, quase todos nossos homens estacionados perto da fronteira faziam o mesmo, vestidos à paisana e com o consentimento tácito dos guardas de ambos lados. Na Irlanda a comida era farta e não racionada e a bebida mais barata. Era uma mudança agradável.
Era, naturalmente, irregular que un oficial de las fuerzas de su majestad entrar a Irlanda, pero, casi todos nuestros hombres estacionados cerca de la frontera hacían lo mismo, vestidos à paisano y con el consentimiento tácito de los guardias de ambos lados. En Irlanda la comida era abundante y no racionada y la bebida más barata. Era un cambio agradable.
Ao chegar a Buncrana me dirigi ao bar duma hospedaria pra tomar um drinque antes do jantar. No bar só havia um homem louro, fumando um cachimbo e cuma garrafa de cerveja na frente. Pedi cerveja também e começamos a conversar. Era preciso ter cautela com o que se dizia em Buncrana. Podíamos ser inter­nados se quisessem averiguar nossa identidade. O louro tam­bém se mostrou cauteloso e evitamos mencionar nossas unidades, a guerra ou outra coisa que pudesse gerar controvérsia.
Al llegar a Buncrana me dirigí al bar de una hospedaría para tomar una bebida antes de la cena. Nel bar solo había un hombre rubio, fumando una pipa y con una botella de cerveza en frente. Pedí cerveza también y empezamos a charlar. Era necesario tener cautela con lo que se decía en Buncrana. Podíamos ser detenidos si quisiesen averiguar nuestra identidad. El rubio tam­bién se mostró cauteloso y evitamos mencionar nuestras unidades, la guerra u otra cosa que pudiese generar controversia.
Era agradável, simpático e com boa conversa. Mas havia algo indefinivelmente diferente em sua pessoa. Percebi, por instinto, que não era da RAF,[2] nem o podia situar na marinha ou no exército britânicos. Tomamos vários copos juntos e jogamos atirar dardo.[3] Mas o tempo todo o problema de quem era continuava remoendo em minha cabeça.
Era agradable, simpático y con buena charla. Pero había algo indefiniblemente diferente en su persona. Percibí, por instinto, que no era de la RAF,[4] ni lo podía situar en la marina o nel ejército británicos. Tomamos varios vasos juntos y jugamos  a los dardos.[5] Pero todo el tiempo todo el problema de quien era continuaba dando vueltas en mi cabeza.
Falava inglês com sotaque que normalmente se associa a Oxforde e a Cambride, e tinha as maneiras dum cavalheiro. Estudando a roupa notei que seu casaco de tuíde e calça de flanela eram bem talhados. Talvez eu estivesse apenas imaginando que nenhum conhecido meu na Inglaterra usaria roupa assim. Mas que importância tinha isso?! Era companhia agradável. O con­videi a jantar comigo. Aceitou.
Hablaba inglés con acento que normalmente se huele a Oxforde y a Cambriye, y tenía los modos de un caballero. Estudiando la ropa noté que su casaca de tuide y pantalón de franela eran bien tallados. Tal vez yo estuviese apenas imaginando que ningún conocido mío en Inglaterra usaría ropa así. ¡¿Pero que importancia tenía eso?! Era compañía agradable. Lo invité a cenar conmigo. Aceptó.
— Ainda não nos apresentamos. Meu nome é John.
— Aun no nos presentamos. Mi nombre es John.
Hesitou um segundo antes de me estender a mão. Disse que seu nome era Charles.
Hesitó un segundo antes de me extender la mano. Dijo que su nombre era Charles.
Durante o jantar fiz uma série de perguntas identificadoras, que respondeu com bastante naturalidade. Obviamente conhecia bem Londres, e melhor ainda Oxforde. Seu conhecimento da Ingla­terra não parecia ser recente, todavia, e referências às mudanças durante a guerra pareciam o deixar nervoso. Doravante adquiri a convicção de que havia algo de errado em si.
Durante la cena hice una serie de preguntas identificadoras, que contestó con bastante naturalidad. Obviamente conocía bien Londres, y mejor aún Oxforde. Su conocimiento de Ingla­terra no parecía ser reciente, todavía, y referencias a los cambios durante la guerra parecían lo dejar nervioso. Desde entonces adquirí la convicción de que había algo de errado en sí.
Subitamente minha suspeita se cristalizou: Seria alemão.
Súbitamente mi sospecha se cristalizó: Sería alemán.
Chegando a essa conclusão foi fácil imaginar o resto. Faria parte da embaixada da Alemanha em Dublim. Mas se era esse o caso, o que faria em Buncrana? Então me lembrei do submarino. Não havia mais dúvida. Só podia ser isso!
Llegando a esa conclusión fue fácil imaginar el restante. Haría parte de la embajada de Alemania en Dublín. Pero si era ese el caso, qué haría en Buncrana? Entonces me recordé del submarino. No había más duda. ¡Solo podía ser eso!
Um funcionário de segunda categoria da embaixada, enviado pra trocar sinal com o submarino? Um membro da tripulação do submarino? Era capaz de ser o subcomandante!
¿Un funcionario de segunda categoría de la embajada, enviado para intercambiar señal con el submarino. Un miembro de la tripulación del submarino? ¡Era capaz de ser el subcomandante!
Subitamente percebi que Charles estava me olhando de maneira estranha. Eu não estava prestando atenção ao que me dizia.
Súbitamente percibí que Charles estaba me mirando de manera extraña. Yo no estaba prestando atención al que me decía.
— Perdão. O que estavas falando?, Karl.
— Perdón. Qué estabas hablando?, Karl.
Não fora minha intenção agir com tão pouco jeito mas o efeito da versão alemã de Charles foi eletrizante. Deixou cair o queixo e ficou muito pálido. Foi uma surpresa pra mim que, durante um momento, intimamente, me recusei a aceitar como realidade meu repentino palpite. Devo ter parecido tão alarmado quanto meu companheiro de mesa. Percebi que estava sorrindo tolamente a ele. Evidentemente, era a melhor coisa que eu poderia fazer, pois a palidez desapareceu do rosto e também conseguiu sorrir. Eu disse, com a voz mais normal que me foi possível:
No fuera mi intención actuar con tan poca sensibilidad pero el efecto de la versión alemana de Charles fue electrizante. Dejó caer el mentón y quedó muy pálido. Fue una sorpresa para mí que, durante un momento, íntimamente, me rehusé a aceptar como realidad mi repentino pálpito. Debo haber parecido tan alarmado cuanto mi compañero de mesa. Percibí que estaba sonriendo neciamente a él. Evidentemente, era la mejor cosa que yo podría hacer, pues la palidez desapareció del rostro y también consiguió sonreír. Yo dije, con la voz más normal que me fue posible:
— Foi um truque bastante tolo o meu. Peço desculpa.
— Fue un ardil muy necio el mío. Pido disculpa.
— Muito bem: Ganhaste. O que farás a respeito?
— Muy bien: Ganaste. ¿Qué harás en cuanto a eso?
Eu não sabia, portanto nada respondi. Meu companheiro read­quiriu a calma mais depressa que eu e, antes que minhas idéias se arrumassem, já me sorria afavelmente. Disse, lentamente:
Yo no sabía, por tanto nada respondí. Mi compañero read­quirió la calma más rápido que yo y, antes que mis ideas se arreglasen, ya me sonreía amablemente. Dijo, lentamente:
— Estou compreendendo. Tu tam­bém!
— Estoy comprendiendo. ¡Tú tam­bién!
— É verdade. Minha situação não é muito melhor que a tua. Podemos ambos ser internados!
— Es cierto. Mi situación no es mucho mejor que la tuya. ¡Podemos ambos ser detenidos!
A solução parecia tão ridícula que me pus a rir:
La solución parecía tan ridícula que me puse a reír:
— Presumo que sejas o comandante do submarino abrigado em Lago.
— Presumo que seas el comandante del submarino abrigado en Lago.
Isso o abalou um pouco, e retorquiu:
Eso lo hizo temblar un poco, y contestó:
— O que dizes?
— ¿Qué dices?
— É óbvio. Não achas? Sou membro duma esquadrilha anti-submarino e há meses vos caçamos.
— Es obvio. ¿No te parece? Soy miembro de una escuadrilla contra-submarino y hace meses los cazamos.
— Disseste bem. — Disse, de novo tranqüilizado. — Acho que preciso doutra dose, meu amigo. E tu também.
— Dijiste bien. — Dijo, de nuevo tranquilizado. — Creo que necesito otra dosis, mi amigo. Y tú también.
Eu necessitava de tempo pra pensar no que fazer. Assim, enquanto aguardávamos a outra dose, me encaminhei até a lareira, fingindo estar interessado no quadro acima, enquanto enchia com fumo meu cachimbo.
Yo necesitaba de tiempo para pensar qué hacer. Así, en cuanto aguardábamos la otra dosis, me encaminé hasta la chimenea, fingiendo estar interesado nel cuadro encima, en  cuanto llenaba con tabaco mi pipa.
Devia chamar a polícia pra prender Karl? Se fizesse isso me pediriam meus documentos de identidade e, provavelmente, tanto ele quanto eu ficaríamos presos até o fim da guerra.[6] Ou eu devia assumir a atitude de que aquele terreno neutro nos dava imunidade temporária, como faziam as igrejas?
¿Debía llamar a la policía para prender a Karl? Haciendo eso, me pedirían mis documentos de identidad y, probablemente, tanto él cuanto yo quedaríamos presos hasta el fin de la guerra.[7] ¿O yo debía asumir la actitud de que aquel sitio neutro nos daba inmunidad temporaria, como hacían las iglesias?
Supondo que eu informasse à polícia quem era e fôssemos ambos presos, meu serviço a meu país estaria findo. Quanto a Karl, seu lugar seria ocupado pelo subcomandante, e o submarino prosseguiria a atividade.
Suponiendo que yo informase a la policía quien era y fuésemos ambos atrapados, mis servicio a mi país estaría terminado. En cuanto a Karl, su lugar sería ocupado por el subcomandante, y el submarino proseguiría la actividad.
Decidi honrar o santuário que aquele terreno neutro nos concedia.
Decidí honrar el santuario que aquel terreno neutro nos concedía.
Me voltando a Karl eu disse que não via motivo em nos agitarmos só porque, a poucas milhas, es­taríamos tentando matar um ao outro. Concordou.
Me volviendo hacia Karl yo dije que no veía motivo en nos agitar solo porque, a pocas millas, es­taríamos intentando matarnos el  uno al otro. Concordó.
Levamos nossos copos a fora e nos sentamos num banco sob um castanheiro. Ali fiquei sabendo como Karl conseguira falar inglês tão bem. Seu pai fora diretor da sucursal londrina duma empresa alemã, e Karl fora educado num colégio inglês em Oxforde. Só um ano antes de estourar a guerra voltara à Alemanha.
Llevamos nuestros vasos a fuera y nos sentamos nun banco bajo un castaño. Allí quedé sabiendo como Karl consiguiera hablar inglés tan bien. Su padre fue director de la sucursal londinense de una empresa alemana, y Karl fuera educado nun colegio inglés en Oxford. Solo un año antes de estallar la guerra volviera a Alemania.
Perguntei como desembarcara. Contou que o submarino subira à tona na noite anterior e dois membros da tripulação o levaram, a remo, num bote de borracha até a costa, cerca de 7km acima. Deviam voltar depois da meia-noite pra o resgatar.
Pregunté como desembarcara. Contó que el submarino arribara aquí a la superficie en la noche anterior y dos miembros de la tripulación lo llevaron, a remo, nun bote de  goma hasta la costa, cerca de 7km arriba. Debían volver después de media  noche para lo rescatar.
— Passei a manhã comprando ovo nas granjas com a nota de 1 libra que eu guardara como lembrança. A comida fica muito monótona num submarino e meus homens há meses não vêem ovos frescos. Estou com estoque bem grande escondido sob samambaias, mais adiante, na estrada.
— Pasé la mañana comprando huevo en las granjas con la nota de 1 libra que yo guardara como recuerdo. La comida queda muy monótona en un submarino y e mis hombres hace meses no ven huevos frescos. Estoy con estoque bien grande escondido bajo helechos, más adelante, en la carretera.
No crepúsculo Karl disse que precisava ir embora. O acompanhei a pé até a extremidade da aldeia. Quando passamos a última casa, parei.
Nel crepúsculo Karl dijo que necesitaba se marchar. Lo acompañé a pie hasta la extremidad de la aldea. Cuando pasamos la última casa, paré.
— Espero que saias vivo desta guerra, Karl.
— Espero que salgas vivo de esta guerra, Karl.
— Também espero. — Disse, com humor — E desejo o mesmo a ti.
— También espero. — Dijo, con humor — E deseo lo mismo a tí.
— Então, o melhor que tens a fazer é sair de meu caminho. Não me agradaria ter de te fazer voar ao ar.
— Entonces, lo mejor que tienes a hacer es salir de mi camino. No me agradaría te hacer volar al aire.
— Não te preocupes. Não terás essa oportunidade!
— No te preocupes. ¡No tendrás esa oportunidad!
E se afastou lentamente.
Y se alejó lentamente.
Fiquei ali, parado, tomado de pensamentos contraditórios, en­quanto ouvia o ranger dos passos de Karl se afastando na pedregosa estrada irlandesa.
Quedé allí, parado, tomado de pensamientos contradictorios, en­ cuanto oía el chillido de los pasos de Karl se alejando en la pedregosa carretera irlandesa.
Extraído de Segunda guerra mundial, ultra-secreto
Seleções do Reader’s Digest, 1965


[1] Lough: Lago, em gaélico. Nota do digitalizador
Lough: Lago, en gaélico. Nota del digitalizador-traductor
[2] RAF, Real Força Aérea inglesa (Royal Air Force). Nota do digitalizador
[3] No texto original, jogo-das-flechas, a forma lusitana de atirar dardo. Embora o mais apropriado, no contexto, seria batalha naval. Nota do digitalizador
[4] RAF, Real Fuerza Aérea inglesa (Royal Air Force). Nota del digitalizador-traductor
[5] Nel texto original, jogo-das-flechas, la forma lusitana de arrojar dardo. Embora el mais apropiado, nel contexto, sería batalla naval. Nota del digitalizador-traductor
[6] Lembrando: A irlanda era neutra, portanto podendo pender a qualquer lado. Melhor não arriscar. Nota do digitalizador
[7] Recordando: Irlanda era neutra, por tanto pudiendo pender a cualquiera lado. Mejor no arriesgar. Nota del digitalizador-traductor

domingo, 11 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Colaboração de Antônio Ayres

Rapto ou seqüestro?

O rapto do garoto de ouro. Era da série Vaga-Lume, da editora Ática. Não li. Mas o que me chama atenção prum livro infanto-juvenil é exatamente a questão de trazer a palavra rapto logo no título. Marcos Rey (1925-1999) foi um maravilhoso escritor. Quando criança li seu O mistério do cinco estrelas e Um cadáver ouve rádio. E seu irmão, Mario Donato (1915-1992), escreveu uma obra que ficou conhecida após uma míni-série na Rede Globo: A presença de Anita (1948). Escreveu muito antes de Vladimir Nabokov (1899-1977), autor de Lolita, escrito em 1955. Assim como, da mesma forma que Marcos Rey, durante a entrevista de Reali Júnior no programa do Jô, foi falado de rapto do embaixador ianque.
Mas vamos à diferença entre rapto e seqüestro. Rapto, segundo dicionário da enciclopédia Mirador (7ª edição, 1982, o mais completo que tenho), é crime, que consiste em tirar do lar doméstico uma mulher, com o fim de a submeter à satisfação de instinto libidinoso [...]. Segundo o mesmo dicionário, seqüestro é ação ou efeito de seqüestrar [...] e seqüestrar é enclausurar ilegalmente [...]. São quase sinônimos. Porém raptar também pode ser roubar, assim como um rapto é, digamos, um seqüestro. Porém nem todo seqüestro é um rapto.
Fernando Ludovico
29.05.2007

Comentário de Marilea Guimarães, 17.11.2009

O que diferencia o seqüestro do rapto é a finalidade. Seqüestrar é pra se obter vantagem pecuniária e rapto é para fins libidinosos.

Definição incongruente. E se for por outro motivo?
Creio que o motivo não pode servir como critério de definição.
A definição tem de ser por característica do ato, não por subjetivismo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Livro recomendado
Allan & Bárbara Pease - Por que os homens fazem sexo e as mulheres amor
Apesar do título assim mentiroso (Tá na cara que foi Bárbara quem escolheu) é excelente. Sempre achei que elas é que são mais instintivas e animalescas. Por isso eu poria o título invertido.
As continuações são encheção de lingüiça mas esse vale a pena. Taí um livro pra acabar com o machismo e que pode salvar muito casamento.
Apesar de cair no estereótipo de que homem é tudo tarado (nesse ponto cai num machismo ao avesso). Tudo bem, Freud também cometeu esse pecado de fantasiar. O grande mérito é desmanchar a camisa-de-força de que os sexos são iguais. Na verdade nada há tão diferente que os sexos.
O livro trata da diferença cerebral entre os sexos. Explica que as mulheres dominam a expressão verbal, enxergam mais cores, têm paladar mais fino, têm visão periférica (o que lhes permite observar sem dar na vista, enquanto eles têm de virar a cabeça pra olhar) mas não raciocínio espacial. Um homem pode imaginar um cubo girando e se localizar num mapa, enquanto ela se confunde toda. Elas podem fazer várias tarefas ao mesmo tempo, suportam trabalho monótono e são detalhistas. Por isso são poucas as boas escritoras. As mulheres comuns são muito chatas como escritoras, de tão detalhistas.
Por isso na faculdade de engenharia eles predominam, elas no serviço social.
Conta sobre a mulher, espantada ao ver que o filho consegue avaliar de vista se a comida caberá no tapuer. É daí a notória e óbvia dificuldade em estacionar. Não são barbeiras, apenas são deficientes em visão espacial. Enquanto eles se deixariam distrair ao estacionar com o rádio ligado e elas não. O livro explica que elas enxergam melhor na noite mas que é aconselhável que o marido dirija na noite porque elas teriam dificuldade em avaliar a distância, pelo farol, do carro em sentido contrário.
Por isso é errado a fórmula-1, Indy, etc, ser mista.
Mas se criar uma fórmula-1 feminina acaba acontecendo igual no futebol. Já viu, né? Esses magnatas são tudo misógino.
Elas sentem prazer em fazer compra num supermercado lotado na véspera de Natal, enquanto eles acham isso um inferno.
Uma vez fiz um comentário durante a aula e a professora me cortou abruptamente, comentando encima. Fiquei pensando Mas que professora mal-educada! Mas me lembrei do que dizia o livro. Numa reunião feminina é assim: Uma fala dum lado, outra corta, outra fala por cima, numa barafunda infernal. Se uma educadamente esperar a outra terminar de falar, pra ter sua vez, será considerada alguém que não está participando.
Àquelas que se orgulham de amadurecer mais cedo é bom lembrar que o ser humano tem uma infância longa pra desenvolver o cérebro, portanto amadurecimento prematuro prejudica a inteligência. Por isso uma mulher de 30 tem uma cabeça de uma de 15. Estou falando de maturidade.
Muito se diz que elas invadiram todos os redutos profissionais. Claro, aceitando ganhar menos. É por isso que o Bradesco, por exemplo, as prefere: São mais fáceis de intimidar e mais conformistas.
Na política há uma política de cota e mesmo assim se acha dificuldade em preencher as vagas. Com tanta forçação de barra é claro que elas ocupam os espaços.
Outro fator é que elas suportam tarefas enfadonhas. Por isso estão tomando de assalto as repartições públicas, os bancos.
Quer tarefa mais chata que ser bancário, juiz, escrivão, presidente? Não são tarefas masculinas, por isso só homens inferiores conseguem encarar (com raríssimas exceções). Assim suponho que elas sejam garantia de mais qualidade nessas áreas (ao menos por se fazer o que se gosta).
Pra nós tarefas mais divertidas, como escrever este artigo.

Em que pé está o projeto Lovecraft
Hoje, 7 de março de 2012, seguem os trabalhos relativos ao livro O Mundo Fantástico de HP Lovecraft, acredito que até o fim do mês este livro já estará diagramado e doravante fluirá melhor.
Não mais existe uma data limite pra pagamento do livro. Quem quiser adquirir  mais um exemplar pode solicitar. Felizmente já passamos o objetivo mínimo de 200 exemplares (hoje estamos com 212 reservas), de forma que o livro será impresso, com certeza. Não existe mais possibilidade de devolver o dinheiro e cancelar o livro. Agradeço a todos por isso.
Embora esteja aberta a pré-venda do livro, talvez a impressão seja em apenas uma edição pelo sistema off-set. Então pode ser que a segunda edição demore ou nem exista. Talvez impressão por demanda... De qualquer forma o quanto antes garantirem o exemplar, melhor. O importante é garantirmos a qualidade de impressão.
Divulgação
Embora já atingimos a meta mínima, peço a todos o quanto puderem divulgar o livro eu agradeço. Fotos e informações pra reprodução estão no sítio Lovecraft.
Um grande abraço a todos
Denílson

domingo, 4 de março de 2012

Esta é a fisionomia do monstro de Frankenstein do filme Frankenstein, 1931, de James Whale, representado por Bóris Karloff.
O monstro não tem nome nem descrição específica. Víctor Frankenstein é o nome do cientista que o criou, ficando o monstro conhecido como monstro de Frankenstein. Todo o estereótipo que temos hoje se baseia na imagem do monstro desse filme, que ficou como um protótipo. Comparando com as produções seguintes, que mantiveram o protótipo, podemos ver que muitos acabaram não tão parecidos.
 O filho de Frankenstein (The son of Frankenstein), 1939 (Boris Karloff)
 O fantasma de Frankenstein (The ghost of Frankenstein), 1942
 Os monstros, série anos 1960 (Fred Gwynne como Herman)
 Às voltas com fantasmas (Abbott & Costello meet Frankenstein), 1948
A melhor comédia do gênero, divertido, imperdível
Foi refilmado em 1956 com o título de Abbott and Costello meet the killer, Boris Karloff.. Em 2001 o filme foi considerado culturalmente relevante pela Biblioteca do Congresso de Estados Unidos e em 2007 foi escolhido para preservação pelo National Film Registry.
 Gerou uma série de paródias em desenho animado, boneco, doce...
Como este Frankenstein Júnior
 E este retrato dum Frank meio guei
 Mas outros fugiram do protótipo-estereótipo, como o de Thomas Edison, de 1910 (claro, foi muito anterior), 
 Frankenstein unbound (1990)
tá mais pra O exorcista ou Álien
 Il castelo dele donne maledette (aka Frankenstein's castle of freaks), R. Oliver, 1974, onde o monstro ficou com cara de palhaço, por exemplo
Eis uma pequena coleção do