domingo, 21 de dezembro de 2014

CSI Campo Grande 5 - O caso das piadas de português

Episódio 5
O caso das piadas de português
Texto de Mário Jorge Lailla Vargas
1
Se é, sai. Se não é, não sai
O CSI Campo Grande foi concebido pra investigar casos que os outros órgãos têm vergonha de investigar. Por isso a agência foi acionada pra desvendar o estranho caso das piadas de português.
A uma semana dum encontro mundial de criminalística uma série de espãs com piadas de português começou a grassar nos meios afins. Isso causou muita preocupação nos organizadores do evento, pois as piadas causariam mal-estar com nossos patrícios.
Por sorte a agência não ficou desfalcada com a saída de Miro, transferido ao CSI Natal, porque se engraçou cuma loura potiguar em suas andanças topográficas no Rio Grande do Norte e se mandou de mala-e-cuia. Assumiu a chefia Cláudio Manuel, o rei do micro, que já foi de tudo, até madeireiro, assim podendo dar mais versatilidade à puída, maltrapilha e esfarrapada agência. E no lugar de Lígia entrou Ramão Pontes, eficiente ajudante de pai-de-santo, pra não desguarnecer o lado místico-parapsicológico das investigações.
A coisa estava tão feia, que até o CSI Campo Grande recebeu uma gozação:
— Sabes como se chama o CSI Coimbra? Se é, sai. Se não é, não sai.
Cláudio telefonou a Mário, consultor honorário interino improvisado:
— Ô, cara. Provei um lote do lote de hidromel, que acabou de maturar aqui, e tava tão bom. Tomei um pileque. Vás adiantando lá.
Quando Mário tocou a campainha soou uma voz:
— A senha!
— O marajá de Aracaju manda já lingüiça de Maracaju com carne de maracajá e suco de maracujá.
O pessoal reunido na roda-de-tereré. Gláuder chegou de Ponta Porã pra ver uns negócios. Estavam discutindo essa verdadeira instituição nacional que é a piada de português. Gláuder metia o pau e quase monopolizava o tema. Quase, porque Ramão é outro páreo duro. Ramão disse:
— Vejamos o que Mário tem a dizer. Gláuder disse que as piadas nasceram porque os portugas são burros mesmo, o que é um evidente absurdo.
— Ramão está certo. A origem do anedotário é mais uma conspiração maçônica. Pra demolir o império dos países católicos, instigaram as independências. Aqui, como somos muito achegados ao colonizador, instigaram as piadas como forma de o ridicularizar. E caímos nessa feito patinhos, em vez de manter uma comunidade ultramarina, como a britânica.
— Quer dizer que as piadas são mais uma conspiração? — Ciro arregalou os olhos. — Então devemos mesmo proibir as piadas?
— São. Mas pra anular a conspiração temos de contar piadas inteligentes e esquecer as ofensivas, pois proibir é outra conspiração.
— Caramba! Que o negócio é enrolado!
Lígia mostrou o relatório do CSI Ponta Porã:
— No mês passado teve o encontro criminalístico mundial em Assunção. Um canal de tevê brasileiro entrevistou um criminalista lusitano. Mal o luso disse estar contente de publicar novas técnicas e outras a ser discutidas no encontro, apareceu um sujeito, evidentemente disfarçado, barba muito negra e espessa e óculos escuros, fazendo bem o estereótipo do espião nos cartuns humorísticos, e disse ser preciso traduzir o português lusitano ao brasileiro: Que o entrevistado disse que queria era ir logo ao encontro no Brasil, pra ver muita mulata e carnaval, mas que sua mulher não pode ver a entrevista. Pensamos que seria um daqueles quadros de câmera escondida tipo topa-tudo mas soubemos que não, e nas fitas gravadas do evento não mais se localizou o misterioso sujeito.
— Ciro tem uma suspeita, pois tem uma correspondente lusitana, Raquel, que detesta brasileiros. — Disse Gláuder.
— Bom... Pois é... Ontem falei com Eugénia, do CSI Vila Real, confirmando que o Se é, sai. Se não é, não sai foi mandado por Raquel.
— Muito estranho. Pela lógica Raquel mandaria como piada de brasileiro. Então, Ciro, conversemos com Raquel em conferência a três. — Disse Mário.
Ficou combinado pro fim de tarde a conferência. Disse Ciro.
— Mas vejas se não ficas ouvindo Agnetha a todo volume. Assim não ouves tocar o telefone.
2
Em mares nem por Dante navegados
A conferência começou no fim de tarde. Ciro apresentou Raquel.
— Pois é, Mário. Raquel é a portuguesa que não gosta de brasileiro.
Conversa vai, conversa vem. O papo se encaminhou às inevitáveis piadas.
— Cê sabe, né?, Mário. Lá eles dão o troco. Contam muita piada de brasileiro.
— Então contes uma, Raquel.
Assim, sem querer, começou uma disputa meio repentista.
A mãe de Zé o mandou comprar água oxigenada, 30 volumes, cremosa. Zé arranjou uma caixa de papelão, catou na prateleira 30 frasquinhos de 100ml de água oxigenada. Como não tinha da cremosa comprou um pote de chantili.
A caixa de supermercado Manuela barrou o comprador.
— Mas como? Só tem três itens aqui!
— Senhor, este é um caixa rápido, máximo 10 volumes. Só este tubinho de água oxigenada tem 20 volumes!
Ciro gritou:
— Mário 1×0!
Por que o Brasil está devastando tanto a Amazônia? As toras de madeira estão estocadas pra largar na frente na pesquisa de células-tronco.
Por que o Brasil foi descoberto por um português? Porque só um português procuraria a Ásia indo ao lado errado.
— Mário 2×0!
Nesse instante foi se juntando uma turma ao redor das telas, formando torcida.
No domingo de flaflu no Maracanã fizeram um sorteio dum carro. O sorteado tinha de acertar uma pergunta.
— Qual é o maior oceano? Mar Morto. E o povo gritando:
— Dá mais uma chance! Dá mais uma chance!
— Qual é a capital de São Paulo?
— Olinda.
— Dá mais uma chance! Dá mais uma chance!
— Última chance: Quanto é 2+2?
— 4
E o povo, em uníssono:
— Dá mais uma chance! Dá mais uma chance!
O portuga comprou na loja, no valor de 150 escudos e optou pagar em 3 vezes. Tirou uma nota de 50 escudos.
— Esta é a entrada.
Mais duas notas de 50.
— Esta é pra depositaire no mês que vem. A outra no mês seguinte. Ai, Jesus! Não vás depositaire antes!
— Mário 3×0!
Num acidente aeronáutico em Brasília morreram todos os passageiros. No ano seguinte foi anunciado que dobrou o número de mortos. Foi porque fizeram a reconstituição do acidente.
Morreu o patriarca da família. Todos se juntaram e decidiram comprar um casaco pra ficar apresentável no funeral. Fizeram uma vaquinha e Manuel ficou encarregado de comprar. Todo mês chegava a parcela da compra. Depois de trinta anos os irmãos reclamaram:
— Ô, Manuel! A pesada prestação nunca acaba! Mas que raio de casaco caro aquele pra enterrar papai! Acaso era bordado a ouro?
— Não comprei. Como estava muito caro compensava alugar.
— Mário 4×0!
No Rio de Janeiro o policial disse ao ajudante:
— O bandido fugiu. Não mandei fechar todas as saídas?
— Fechei. Mas fugiu via entrada.
O portuga telefonou à TAP e perguntou:
— Quanto tempo dura a viagem Rio-Lisboa?
— Ã... Deixes ver... Um minuto...
— Muito obrigado!
— Mário 5×0!
Zé não quis entrar na loja. Negociou na calçada mesmo. O vendedor estranhou, mas como tem comprador excêntrico, tudo bem. Pagou três vezes o valor do produto. O vendedor achou que seria um rico excêntrico que fez questão de dar uma boa gorjeta ao bom atendimento. 3 é número cabalístico. Vai ver que fazendo tudo triplo dá sorte.
Noutro dia o comprador entrou na loja e comprou normalmente. O vendedor estranhou e perguntou o motivo da diferença.
— Ô!, mano. Naquele dia tinha uma placa dizendo que era só hoje, pagando em 3 vezes sem entrada.
Manoel ficou preso numa cela diante da dum leproso.  Dia após dia observava o leproso cuidando das feridas.  Até que caiu um dedo do leproso, que o pegou e o atirou na janela. Uma semana depois caiu outro dedo. O leproso o atirou na janela.  Algum tempo depois caiu uma orelha. O leproso a atirou na janela.  Uma semana depois caiu o pé. O leproso o atirou na janela.
 Manoel não agüentou mais e pediu uma audiência com o diretor.
 — Olhes, senhor diretor, não quero ser chamado de dedo-duro, mas o gajo que está na cela diante da minha está fugindo aos pouquinhos.
— Mário 6×0!
Quando Deus fez o mundo foi dividindo os países. Quando fez o Brasil o anjo ajudante ficou admirado:
— Um país tão grande, quase todo tropical. Não tem deserto, furacão, terremoto, vulcão nem geleira. Cheio de rio e floresta. Isso é um paraíso!
— Não é uma beleza? A região geológica mais estável do mundo. Será aqui o jardim do Éden.
E saiu saltitando e cantarolando, todo contente.
O anjo viu o Diabo espiando, com cara de pícaro.
— Ai ai ai!, seu Diabo. Tens a fama de estragar tudo quanto é paraíso. O que aprontarás agora? Soltar uma cobra lá?
O Diabo deu uma risota debochada e disse:
— Esperes pra ver o povinho que colocarei ali!
Por que em Portugal as piadas são contadas na sexta? Pra rirem na segunda.
— Mário 7×0!
Grrrrrr!
Qual é o maior erro de português? Brasil. E não é Brazil!
Por que os portugueses são tão burros? Foi a única maneira de os fazer gostar dos brasileiros.
Taí, Raquel, o gol de honra.
— Mário 8×1!
Então Raquel, irritada com a patriotada de Ciro, decidiu encerrar a disputa.
A torcida pegou uma cadeira e deu umas voltas com Mário sentado nela no alto, num rompante de apoteose olímpica. Logo mais disse:
— Tiro Raquel de minha lista de suspeito. Seu humor é meio recalcado, azedo. Bem diferente do humor gaiato de nosso procurado. Raquel não tem piada de sua autoria. Sempre piada que ouviu ou leu.
3
Sem deixar vestígio
No dia seguinte Mário chegou e entrou após declamar a senha:
— Tive um piti depois do tititi que no Haiti, no Taiti e na lenda do Paititi não tinha tucupi, tipiti nem tepurati, disse o mitaí tepoti.
O pessoal no maior papo na roda-de-tereré. Imagines Gláuder, Ramão e Claudião juntos. Pra Mário e Ciro era mais ouvir que falar. Imperdível. Ramão:
— ...Um amigo meu, que é de lá, disse que Israel e os palestinos não querem a paz porque entra muito dinheiro nos dois lados.
...Cláudio:
— Na escola e nos documentários contam o fim da fase áurea da borracha como uma sacanagem das potências, roubando semente de seringueira e plantando tudo junto na Malásia. Mas não contam por quê fizeram isso. A seiva recolhida forma uma bola grande, que é cortada em tira numa máquina. Os brasileiros fraudavam a venda colocando pedra, o que danificava as máquinas. Então os borracheiros decidiram incentivar um produtor honesto.
Gláuder disse que um amigo tem uma teoria de por que as mulheres são chatas. Seria um fator evolutivo. Sendo chatas forçam o homem a sair do acomodo, se virar. No que Mário não concorda, pois acha que no caso humano esse estímulo é exagerado, atrapalhando em vez de ajudar a evolução.
— Vejam os portugueses, por exemplo. Se aventuraram em mares nunca antes navegados atrás do caminho das índias e depois do caminho das negras, pra fugir das mulheres portuguesas, verdadeiras megeras.
— Ai! Lá vem Glaudão com seus estereótipos!
...Cláudio:
— Falam que os africanos vendiam seus opositores como escravos. Mentira! A história não conta que os portugueses usaram aimorés como mercenários pra caçar negros na costa africana.
Cláudio confessou que sobre o autor das pegadinhas não há vestígio.
— Estamos no mato sem cachorro nem gato! Não temos pista. E o que é pior: Uma consulta ao Ichingue revelou que não há vestígio material. Só falta o meliante ser um piloto de disco voador!
Ramão disse que na próxima sessão perguntaria a seu Carangá se tem pista pro caso, olhando na tigela com água cheia de conchinha, que funciona como bola-de-cristal.
— Já que carecemos de estrutura, dada a pouca verba pelo tradicional e nacional descaso das autoridades, temos de nos apegar ao misticismo.
Com a internete fora do ar, pois por falta de verba cortaram a linha de novo, Lígia sugeriu conexão espírita. Gláuder disse:
— Teoricamente se pode fazer uma sessão espírita conectada com outras, de modo análogo à internete. Seria tipo uma psico-conferência.
Assim se estabeleceu uma espécie de sincretismo do espiritismo cardecista de Lígia com o afro de Ramão. O conflito era que  Lígia tinha de pôr todos de mãos dadas no escuro e Ramão acender umas velas no chão, de três a três dispostas em triângulo. Mas enfim chegaram a um meio-termo após gentilmente expulsar Gláuder, pois como cético cientificista empedernido e admirador de padre Quevedo, dava curto-circuito em toda rede de inconsciente coletivo. Por isso já foi expulso e barrado em centros algumas vezes. Mário:
— Se não é um álien, então será Gasparzinho?
— Quieto! Se tirar sarro, os espíritos não vêm.
Assim conseguiram fazer uma busca numa espécie de Gugol do Além, os registros acáchicos. Lígia estremeceu e desmaiou. Antes de voltar a Ponta Porã fez um relatório sobre a tênue pista, que antes de ser lido foi roubado.
Mas na pressa o ladrão deixou o final do relatório, poucas linhas no começo da página. Mário:
— Mas que doideira! A pista psíquica aponta direto à casa e ao salão de Cleusa.
— A cabeleireira minha amiga! — Ramão disse — Ninguém lá é do tipo intelectual, capaz de fazer essas brincadeiras.
4
O que está encima é igual ao que está embaixo
Cláudio disse que foi ao salão pra falar com Cleusa.
— Disse que nem tinha idéia do que acontecia. Não estava mentindo. Tenho experiência nessas coisas. Mas o contador-fantasma, enviado pelo CSI Maiame, rastreou direto a sua casa. A menos que a casa esteja muito assombrada...
— Mas esse trambolho é confiável?
— Claro. Tecnologia desenvolvida logo após o filme Os caça-fantasma. Rastreia partículas subatômicas que são perturbações das ondas de pensamento.
Ficou olhando, desolado, o que seria um aspirador-de-pó mas era um contador-gáiguer pra rastrear fantasma, e se retirou, coçando a orelha.
Mário foi falar com Ramão num canto reservado.
— Não pedirias pra seu Carangá ver na taça dágua uma pista?
— É que... que... Tinha muita gente pra ser atendida, e quando eu ia falar, depois dum ponto-de-fogo, não deu mais.
— Confesses. É por isso que ficaste enrolando. E foste quem roubou o relatório. É seu Carangá o autor das piadas!
— Imagina! Seu Carangá é analfabeto!
— Mas gosta de brincar!
— Temos de o proteger. É nosso amigo.
— Na segunda terá sessão. Conversemos consigo.
Cláudio voltou cuma folha de papel na mão.
— Mas com os mil diabos! Estamos no ano mundial do 1º de abril? Rodei o programa GhostTrack 4.7, enviado pelo CSI Lasvegas, e imprimiu um retrato-falado do suspeito. É um preto-velho! É muita gozação!
No meio da tarde da segunda-feira foram à sessão. Endereço difícil de achar, já que não tem número na fachada. Deve ser pra despistar os maus espíritos. Na esquina oposta, vigiando dentro dum furgão de vidraça escura, Cláudio esperava surgir alguém que se enquadre ao retrato-falado.
Já no meio da noite Mário e Ramão saíram, rindo como dois bêbados. E Cláudio ali.
— Seu Carangá é o exu mais gente-fina. Um amigão.
— E muito brincalhão.
— As entidades são como as pessoas: Tem simpatia e antipatia, e todos os sentimentos humanos.
O que está encima é como o que está embaixo, o mais célebre provérbio da magia.
— E estava preocupado com a agência não ter o que investigar.
— Inacreditável que seja Cleusa quem incorpora.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Na conexão acima baixar a pasta zipada do Photo editor, essa jóia de programinha que é uma beleza pra manipular figura, infelizmente excluído das versões pós XP.
Basta jogar um atalho do arquivo .exe na tela ou barra de tarefa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Solucionar appcrash

Em meu caso não foi suficiente. Então:
Tinha erro, corrigiu. Mas ainda não resolveu

Se não funcionar, o seguinte faz ação complementar à conexão linque acima:
[equipo à computador]
Então foi resolvido o problema
Não sei se são necessários os procedimentos anteriores ou se o último é suficiente.


Interessante relato sobre monumentos a Guia Lopes e Antônio João no Pão-de-açúcar, Rio de Janeiro. Fascinante faceta desconhecida da história ou tipo histórias que não estão na história
Não resisti a comparar o guarda no parque de Medelim, que foi desfiando todo o histórico do monumento naquela praça. Parecia um professor. Que contraste com o carioca relatado na conexão acima!
Precisamos abandonar essa mentalidade tipo não babou está aprovado. Todas as profissões são importantes e merecem capacitação. Qualquer guardinha, mesmo um flanelinha, passa ao turista alguma imagem sobre a mentalidade local.
Era o agente quem deveria informar a turista:
— Vejas, moça: Ali tem um monumento muito interessante sobre nossa história. Aposto que não conheces.
A gente imagina se não fosse a Farc atrapalhando, como estaria o bem-estar colombiano. Mas, quem-sabe?, pode ser essa a causa. A guerrilha é algo que preocupa, angustia muito o colombiano. Talvez seja por causa desse fator de incerteza que o pessoal se una e se empenhe.
O Brasil é vítima de excesso de estabilidade, um filho mimado de Portugal. Estabilidade em demasia leva so comodismo e estagnação.
É o que aconteceu com a Bahia. De tão cantada e decantada virou aquela coisa bizarra mais pra Madonna que pra cultura popular. Foi só com árdua campanha de conscientização que se conseguiu descontaminar o carnaval corumbaense da praga pseudo-carnavalesca de trio-elétrico.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Quase pronto
Os dois hd já no limite foram pifando. Ambos em espelhamento, que não funcionou bem. Agora em vez de dois hd, dois computadores. Foi a melhor solução pra evitar perda de dado. Um pros trabalhos e outro pra internete e becape. Agora com Windows 7 e Office 2013.
Ainda sem condição de editar gibi e rodar OCR.
Os arquivos de correção ortográfica ficaram obsoletos, pois o sistema é diferente. Então estou sem o italiano. As macros, salvas em texto, foram coladas ao visual basic, como sempre. Até o dia que resolverem mudar isso também.
A trabalheira danada é apagar as auto-correções, uma a uma, em cada idioma (por enquanto português, castelhano e o maldito inglês). Obviamente optando por dicionário pré-reforma.
Gostaria de saber quem teve a idéia de jerico de pôr esse monte de auto-correção pra secretária burra. Deve ter algum problema mental. No castelhano são muuuuuiiiiiitas. São substituições automáticas enquanto se datilografa. Assim fizeram uma lista de miríade de erros de datilografia a serem substituídos imediatamente: qeu à que, iso à isso...
Por exemplo: Se datilografar (Não é digitar, como erroneamente dizem. Digitar é só cum dedo na tecla numérica) iso imediatamente é trocado por isso. Assim pode ocorrer de se escrever o nome duma cidade ou personagem antigo, Qeu, (sigla ou fórmula matemática, etc) e não perceber que foi automaticamente trocado pelo supostamente correto e ter um trabalho todo irremediavelmente estragado por essa auto-correção estúpida. E são muitas as palavras que podem causar dano na substituição. Há até palavras que existem e são trocadas! No castelhano até frases corrigindo gramática! Um absurdo!
É uma burrice muito grande, pois essa auto-correção forçada poderia ser editável, salvável em texto, como a macro, poderia ser marcável e desmarcável ou simplesmente oferecida como macro, sendo rodada quando o autor quiser, se quiser.
Quero oferecer o troféu Burro ao cara que teve a burríssima idéia de fazer essa longa e tediosa lista, ainda mais de forma não-editável.
O Windows 7 é excelente, rápido e cheio de facilidade. As poucas perdas em relação ao XP compensam amplamente a mudança. Pena que o excesso de segurança atrapalhe tanto.
Não se pode mais pôr atalho de endereço na tela e não pode jogar arquivo no C raiz. Péssimo.
A forma de arrastar arquivo a diretório ficou prejudicada, embora o manejo de acesso melhorara.
No Word 2010 a letra sombreada foi remanejada. No capitular a sombra, que era bem destacada do XP, ficou quase nula. Control-L virou outra coisa. A prévia ficou prejudicada, tendo de usar o zum em seu lugar.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O mais belo hino nacional
El más hermoso himno nacional
Letra de Joaquim Osório Duque Estrada
Música de Francisco Manuel da Silva
Recortei e guardo até hoje um artigo que o jornal londrino Guardian publicou doze anos atrás, na copa de 2002. O autor fez esfuziante elogio ao hino brasileiro dizendo que é o mais gentil, o mais alegre, o mais melodioso, o mais envolvente. Parece escapado duma ópera de Rossini. Chega a dizer que nosso hino é um dos grandes presentes que o Brasil deu à felicidade humana. É mole?
Recorté y guardo hasta hoy un artículo que el periódico londinense Guardian publicó doce años atrás, en la copa de 2002. El autor hizo electrizante loor al himno brasilero diciendo que es el más gentil, el más alegre, el más melodioso, el más entretenido. Parece escapado de una ópera de Rossini. Llega a decir que nuestro himno es un de los grandes regalos que el Brasil dio a la felicidad humana. ¿Quieres más?
José Horta Manzano
Ouviram, do Ipiranga, nas margens plácidas
Oyeron, del Ipiranga, en las orillas plácidas
Se ouviu, vindo do riacho Ipiranga
Se oyó, viniendo del riachuelo Ipiranga
dum povo heróico o brado retumbante
de un pueblo heroico el clamor retumbante
o retumbante brado dum povo heróico
el retumbante clamor de un pueblo heroico
e o sol da liberdade, em raios fúlgidos
y el sol de la libertad, en rayos fúlgidos
brilhou no céu da pátria nesse instante
brilló nel cielo de la patria en ese instante
Se o penhor dessa igualdade
Si el empeño de esa igualdad
conseguimos conquistar com braço forte
conseguimos conquistar con brazo fuerte
Se com o braço forte conseguimos conquistar a garantia dessa igualdade
Si con el brazo fuerte conseguimos conquistar lo que garantiza esa igualdad
Em teu seio, ó, liberdade
En tu seno, oh, libertad
Desafia, nosso peito, a própria morte!
¡Reta nuestro pecho la propia muerte!
Nosso peito desafia a própria morte (não hesita ante perigo mortífero)
Nuestro pecho reta la propia muerte (No hesita ante peligro mortífero)
Ó, pátria amada
idolatrada
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
Brasil un sueño intenso, un rayo vívido
de amor e de esperança à Terra desce
de amor y de esperanza a la Tierra desciende
Se em teu formoso céu, risonho e límpido
Si en tu hermoso cielo, risueño y límpido
A imagem do Cruzeiro resplandece
La imagen del Crucero resplandece
Gigante pela própria natureza
Gigante por la propia naturaleza
És belo, és forte, impávido colosso
Eres bello, eres fuerte, impávido coloso
E teu futuro espelha essa grandeza
Y tu futuro espeja esa grandeza
Terra adorada
Tierra adorada
Entre outras mil
Entre otras mil
és tu, Brasil
eres tú, Brasil
Ó, pátria amada!
!Oh, patria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
De los hijos de este suelo eres madre gentil
Pátria amada
Brasil!
Deitado eternamente em berço esplêndido
Acostado eternamente en cuna espléndida
[Se refere à plataforma continental sul-americana, a região mais estável do mundo]
[Se refiere a la plataforma continental sudamericana, la región más estable del mundo]
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Al son del mar y a la luz del cielo profundo
Fulguras, ó, Brasil, florão da América
Fulguras, oh, Brasil, florón de la América
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
¡Iluminado al sol del Nuevo Mundo!
Do que a terra mais garrida
De lo que la tierra más garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flor
Tus risueños lindos campos tienen más flor
Nossos bosques têm mais vida
Nuestros bosques tienen más vida
Nossa vida em teu seio mais amor
Nuestra vida en tu seno más amor
Ó, pátria amada
idolatrada
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
Brasil, de amor eterno sea símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
El lábaro que ostentas estrellado
E diga o verde-louro desta flâmula
Y diga el verde laurel de este gallardete
Paz no futuro e glória no passado
Paz nel futuro y gloria nel pasado
Mas se ergues da justiça a clava forte
Pero si yergues de la justicia la clava fuerte
Verás que filho teu não foge à luta
Verás que hijo tuyo no huye a la lucha
Nem teme, quem te adora, a própria morte
Ni teme, quien te adora, la propia muerte
Quem te ama não tem medo de morrer
Quien te quiere no tiene miedo de morir
Terra adorada
Entre outras mil
és tu, Brasil
Ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil!


Mais uma de Joanco
Os dois contos em texto:

Cadê Nabil?
Está no Brasil?
Tomou Doril
Fiu!
Sumiu

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Crônicas bogotanas
Da autobiografia não autorizada de Che Guavira
Capítulo 4
  De índio e onça aos zumbis maicojexonianos e chaltonrestonianos táxis e taxifobia Turismo-maravilha e turismo-horror
Crónicas bogotanas
Da autobiografia no autorizada de Che Guavira
Capítulo 4
  De indígena e jaguar a los zombies maicoyexonianos y chaltonrestonianos taxis y taxifobia Turismo-maravilla y turismo-horror
É bem manjado aquele estereótipo, nos grandes centros, de que em Mato Grosso (Mato Grosso do Sul era o sul de Mato Grosso) tinha jaguar andando na rua. Da mesma forma imaginávamos Manaus e Belém com índio selvagem e onça na rua. Sem falar em filmes ianques com cena de carnaval caribenho como se fosse no Rio de Janeiro. Uma lista desses estereótipos seria exaustiva.
Es bien conocido aquel estereotipo, en los grandes centros, de que en Mato Groso (Mato Groso del Sur era el sur de Mato Groso) tenía jaguar andando en la calle. De la misma manera imaginábamos Manaus y Belén con indígena salvaje y jaguar en la calle. Sin hablar en películas yankes con escena de carnaval caribeño como si fuese en Río de Enero. Una lista de esos estereotipos sería exhaustiva.
Antes de ir a Bogotá, como é óbvio, pesquisei um monte de coisa, pois pra empreender essa viagem transamazônica, quase outro planeta, seria uma grande aventura.
Antes de ir a Bogotá, como es obvio, pesquisé mucha cosa, pues para emprender ese viaje transamazónico, casi otro planeta, sería una gran aventura.
Li em http://www.mochileiros.com/dicas-de-viagem-bogota-e-medellin-t46586.html, e reli, pois o texto é confuso pra leitura rápida, ficando confuso se a referência a drogados perambulando na rua é em Bogotá, Medelim ou ambas.
Li en http://www.mochileiros.com/dicas-de-viagem-bogota-e-medellin-t46586.html, e releí, pues el texto es confuso para lectura rápida, quedando confuso si la referencia a drogadictos deambulando en la calle es en Bogotá, Medellín o ambas.
Em minha cabeça se descortinou a vida noturna com os zumbis de Michael Jackson perambulando em todas as esquinas, de modo que no crepúsculo todos teriam de correr se refugiar no hotel, como naquele filme de Charlton Heston (e a anterior, de Vincent Price, Mortos que matam), A última esperança da Terra (da obra de Richard Matheson, Sou a lenda) que não podia deixar de ter um repeteco estragando o filme. Ou mesmo o filme Dagão, do conto de Lovecraft.
En mi cabeza se dibujó la vida nocturna con los zombies de Michael Jackson deambulando en todas las esquinas, de modo que nel crepúsculo todos tendrían que correr se refugiar nel hotel, igual en aquella película de Charlton Heston (y la anterior, de Vincent Price, El último hombre sobre la Tierra), Soy leyenda (da obra de Richard Matheson, Soy leyenda) que no podía dejar de tener un repeteco estragando la película. Lo mismo la película Dagón, del cuento de Lovecraft.
Nas páginas também falaram muito sobre taxista seqüestrando cliente no aeroporto e que o pior era que mesmo taxistas regulamentados praticavam os crimes.
En las páginas también hablaron mucho sobre taxista secuestrando cliente nel aeropuerto y que el peor era que mismo taxistas regulares practicaban los crímenes.
Assim anotei o número de celular do taxista do hotel, Gabriel, pra não pegar táxi na rua. Mas Gabriel estava longe, de modo que tive de pegar um. Sentado no banco traseiro olhava o retrovisor e via os olhos avermelhados do taxista com cara de peruano e poucos amigos.
Así anoté el número de celular del taxista del hotel, Gabriel, para no sacar taxi en la calle. Pero Gabriel estaba lejos, de modo que tuve que pegar un. Sentado nel banco trasero miraba el retrovisor y veía los ojos rojizos del taxista con cara de peruano y pocos amigos.
— Ai! Dobra esquina aqui, dobra ali. Nunca chega!
— Ay! Dobla esquina aquí, dobla allí. ¡Nunca llega!
Enfim cheguei. Só assim perdi a taxifobia bogotânica.
En fin llegué. Sólo así perdí la taxifobia bogotánica.
Ainda mais que pretendia cruzar Bogotá a pé. Mas perguntando a direção do museu do Ouro vários disseram ser longe e haver trechos perigosos no caminho, que é melhor ir de ônibus ou táxi.
Aún más que pretendía cruzar Bogotá a pie. Pero preguntando la dirección del museo de Oro varios dijeron ser lejos y haber trechos peligrosos nel camino, que es mejor ir de autobús o taxi.
Quando fui ao museu do escritor Fernando González com a família de Carlos, em Medelim, anoiteceu. Como todos passeavam com naturalidade, nem pensei nos zumbis transamazônicos.
Cuando fui al museo del escritor Fernando González con la familia de Carlos, en Medellín, anocheció. Como todos paseaban con naturalidad, ni pensé en los zombies transamazónicos.
Assim como havia muito aprendi a desconfiar de relatos de turismo-maravilha, também aprendi a desconfiar dos relatos horroríficos.
Así como había mucho aprendí a desconfiar de relatos de turismo-maravilla, también aprendí a desconfiar de los relatos horroríficos.


domingo, 9 de novembro de 2014

O autor de Casas que matam. A edição castelhana, postada abaixo, ajudou a restaurar três erros tipográficos e propiciou mais notas de rodapé. No subcapítulo O cantor mixuruca enviado ao nada, constatei um problema (não digo propriamente erro) de tradução.
Tanto nesta edição em português quanto na edição castelhana consta o vocábulo inseto. Mas segundo http://en.wiktionary.org/wiki/insecte o vocábulo francês insecte: Pessoa sem valor, desprezível. Embora se use a metáfora inseto como xingamento, no contexto não se encaixa.
Tanto en esta edición en castellano cuanto en la edición en portugués consta el vocablo insecto. Pero según http://en.wiktionary.org/wiki/insecte el vocablo francés insecte: Persona sin valor, despreciable. Si bien que se use la metáfora insecto como injuria, nel contexto no se encaja.
Imagens das três viradas de página, duas com trecho omitido e a terceira repetido, correção a mão:



Como o autor falou sobre as fases da lua, eis uma tabela prática fornecida por meu pai:
Fases lunares
Grãos, sementes: De modo que germine na crescente
Raiz: Plantar na nova
Muda de galho e transplante do chão (arrancando da raiz): Crescente
Poda: Crescente
Tirar a guia (parar de crescer ao alto): Cheia
Madeira (cortar pra conservar): Minguante
Cortar cabelo. Homem (pra crescer menos): Minguante
Cortar cabelo. Mulher (pra crescer mais): Crescente

Granos, semillas: De modo que germine en la creciente
Raíz: Plantar en la nueva
Muda de rama y transplante del llano (arrancando de la raíz): Creciente
Poda: Creciente
Sacar la guía (parar de crescer al alto): Llena
Madera (cortar para conservar): Menguante
Cortar cabello. Hombre (pra crecer menos): Menguante
Cortar cabello. Mujer (para crecer más): Creciente

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O rei de amarelo em novo projeto da editora Clock Tower
O clássico O rei de amarelo, que inspirou a série True detective, em edição especial de fã a fã.
A editora Clock Tower, conhecida pela belíssima antologia de conto de HP Lovecraft lançada em 2013, está em plena campanha de pré-venda duma edição de luxo de O rei de amarelo, de Robert W Chambers, coletânea de contos que giram em torno duma peça teatral maligna, capaz de levar à insanidade todos os que com ela entram em contato. A obra de Chambers influenciou escritores, como HP Lovecraft, Peter Straub, Stephen King e Neil Gaiman.
Se trata de edição limitada (menos de mil exemplares), voltada a colecionadores, e com acabamento de luxo: Capa dura, laminação brilhante, fita marcadora de página e papel tipo pólen.  Além do conteúdo original, o livro contará também com conteúdos extra: Biografia inédita do autor, exemplares numerados, ilustrações exclusivas, contos clássicos que inspiraram Chambers. Se os compradores quiserem terão seus nomes impressos no livro, entre outras. Os compradores do livro também ganharão um elivro exclusivo contendo 6 outros contos complementares de Chambers, acrescentados posteriormente à obra original.
Diante de tudo isso se imagina que o livro custe uma fortuna. mas custa apenas R$74,90, com frete grátis a todo o Brasil.




twitter: @clocktowerpress

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Desenho de Nélson Monsalves, Santiago, Chile
Nova versão do tarado pelado
Não confundir olho de espreitar jacaré com óleo de fritar acarajé
Allá viene un tarado pelado con su saco en las manos, con tesón para transar, corriendo atrás de la buseta. De torpe la perdió. Entonces se arreboló y quedó dando puñetazos al aire, airado, reclamando de estafa, arrojó lejos la porra y gritó:
— ¡Puñeta!
Eso por ser tan chiflado.
Entonces volvió a su boquete, para lubricar su pica y abrir bocetos de brocha gorda.
Tradução:
Lá vem um doido careca com seu paletó nas mãos, com perseverança pra negociar, correndo atrás do microônibus. De trapalhão o perdeu. Então se ruborizou e ficou dando socos ao ar, irado, reclamando de estelionato, atirou longe o cassetete e gritou:
— Que droga!
Isso é que dá ser tão pateta.
Então voltou a sua trilha estreita, para lubrificar sua lança e abrir esboços a pincel grosso.
Pero al lusófono incauto eso suena como:
Allá viene un maniaco sexual desnudo con su testículo en las manos corriendo atrás de una vagina, excitado para follar. De cruel la perdió. Entonces se cimbreó la cintura y quedó se masturbando, lleno de aire, reclamando de extremo cansancio, arrojó lejos el esperma y gritó:
— ¡Masturbación!
Eso por ser tan cornudo.
Entonces volvió a su sexo oral, para lujuriar su pene y abrir vagina de impotente gorda.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

El autor de Casas que matan
Exclusiva colaboración para la página Realismo fantástico
Já preparando a edição em português

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crônicas bogotanas medelinenses
Da autobiografia não autorizada de Che Guavira
Capítulo 3
 A novela mexicana, ou melhor, colombiana da senha do cartão Achas que é uma maravilha a ligação gratuita? Pois vejas só Café no isopor! Um alegre passeio na serra A lindíssima Medelim O sósia de Suassuna Fim da breve visita Itagüi é topônimo tupi
Na ida, já no aeroporto, a senha do cartão internacional não funcionou. Corri à delegacia de atendimento ao turista. A atendente telefonou ao número de atendimento no verso do cartão mas a ligação caía. Só depois me toquei de que deve ter ligado ao primeiro número, sem olhar que era pra atendimento noutro país. Então resolvi ligar do hotel, pois se era só senha seria coisa trivial.
Como socorro retirei 1000 reais no caixa eletrônico e troquei por dólar numa casa de câmbio, pra trocar por peso colombiano lá.
Dona Stella, a dona do hotel, disse que seu irmão, dom Germán, sócio, é quem costumava resolver problema com cartão. Que na manhã seguinte o faria.
Mas dom Germán teve de viajar e não o vi nessa estadia.
No verso do cartão não havia número pra atendimento na Colômbia. Portanto a opção seria outros países.
Do hotel não poderia ligar, pois ali ligação internacional é bloqueada no sistema. Na esquina à esquerda, virando à direita até a outra esquina transversal tem uma casa telefônica e interneteria. O número não completava.
No dia seguinte fui a uma loja da Western Union, num centro comercial perto. Nada. Que não era ali, não tinha como, não sabia informar...
Na interneteria mandei imeio à Treviso, operadora do cartão. A resposta chegou depois de solucionado.
A hoteleira encontrou um número que seria um atendimento. Fui à interneteria mas a ligação dava mensagem de número que não existe. Voltei ao hotel. O número existe. Decerto tentei ligação internacional quando era local. Voltei. De novo não deu. E assim cinco vezes, cada vez com novo porém. Nada.
Liguei ao amigo Ramão, pra se informar no Brasil. Deu vários números que forneceram. Mas eu não conseguia ligar porque eram 0800 e 1800, ligação gratuita, e a interneteria bloqueia ligação gratuita porque tem uma cota pra vender ligação, não pode desperdiçar cota com ligação gratuita.
A ligação gratuita, que teoricamente seria um imenso benefício, em viagem se torna um estorvo, porque tanto hotel como casa telefônica bloqueiam. Um porque é ligação internacional, o outro porque é gratuita.
Eu teria de ligar da casa de alguém, dum morador.
Como tinha de pagar o hotel a hoteleira sugeriu um depósito. Assim Ramão faria um depósito a meu cartão. Pra isso escaneou meu cartão e minha identidade. Então a atendente do cartão disse que não é assim a identidade, que tem um chipe, e anexou ao imeio uma figura da identidade duma brasileira como exemplo. Assim mixou a opção do depósito.
Eu disse que não tem chipe, que se tivesse ficaria sabendo. Que só se implantou agora, porque minha identidade é do ano passado. E como passaria no aeroporto se não valesse?
Quando cheguei de volta fui me informar e enviei imeio à hoteleira, informando que não existe. O chipe será implantando. Só há alguns como teste.
Na noite o sócio, senhor Germán, me chamou a uma conversa à tela do computador e pediu garantia de pagamento. Certamente a preocupação foi por causa do chipe e do cartão que nunca se resolve.
Na sexta-feira na noite já tinha como última solução apelar à embaixada. Seria só na terça, porque na segunda era feriado nacional. Se informaram de que a embaixada abre no sábado no fim de tarde. Mas o taxista do hotel não apareceu. Ficou claro que tentavam evitar a solução via embaixada, vendo se resolvia antes.
Mas no sábado Ramão conseguiu contatar com a Treviso, depois de falar cuma atendente que não quis saber, conseguiu com outro. Fui chamado ao celular da hoteleira, onde um sujeito com sotaque português foi fazendo as perguntas-chave e eu tinha de ir digitando os números do cartão e as opções. Acontece que no celular apareciam as opções que teclei mas decerto era incompatível com o sistema deles. De modo que mesmo aparecendo o número teclado na tela, ouvia mensagem de opção errada.
A hoteleira disse:
— Calma. Não fiques nervoso. Tem de ir fazendo com calma.
Eu explicava que não era isso. Era o sistema que ignorava os números teclados.
Liguei a Ramão e pedi a ligar de novo, vendo se tem um endereço pra eu ir pessoalmente. Não tem.
No domingo nova ligação, nessa vez com sotaque brasileiro. Tudo igual. Avisei que não adianta teclar os números, pois o sistema é incompatível com o do celular. Então após as perguntas-chave avisou pra não teclar, que passaria tudo direto.
Assim fui ouvindo as mensagens de opção, aguardei, foram caindo, passando a diante, até ouvir a senha.
Ufa! Acabou a novela.
Que sabor teve a primeira compra!
Na quinta-feira, 21, dei uma esticada até Medelim. Já que estava perto fui passar um dia, pra conhecer o amigo Carlos Molina, antigo correspondente, pois se não fizer assim os anos passam e ninguém se encontra.
A viagem em terra Bogotá-Medelim (mnemonicamente tobogã-medalhinha) é muito mais demorada que a distância supõe, por ser área montanhosa. 404km em 8h ou 9h, imaginem! Deve ser uma paisagem e tanto, mas fica prà próxima curtir a paisagem. Fui em avião.
A idéia era ir e voltar no mesmo dia, como costumeiro quando se vai a Ponta Porã. Mas a volta daria poucas horas. Ainda mais que a distância do aeroporto a Medelim é grande. Optei voltar na manhã do dia seguinte.
Na ida mais um percalço. Como no bilhete da Edestinos, que imprimi, a viagem no Brasil consta a hora de embarque, nunca perdi vôo aqui. Mas lá a hora impressa é a do vôo, não a do embarque! O que me interessa a hora do vôo? O que interessa é a do embarque. Não podiam encaixar noutro vôo porque dizem que estava tudo lotado, mas pagando a taxa a vaga aparece. Assim, em vez do vôo das 7h fui no das 10h.
No avião serviram café em copo de isopor com colherinha de plástico! Ao descer entreguei a uma comissária, dizendo que esses materiais não podem conter líquido quente, pois são tóxicos.
No aeroporto encontrei Carlos, um sem saber a fisionomia do outro. Sorte que não havia multidão. De cara me lembrou senhor O’Hara de Karatê Kid, embora nada tenha de japonês.
Fomos a um jipe Land-Hover, onde sua esposa, Margarita, nos esperava, e Carlos se jogou na traseira. O esporte do casal é caminhada, escalada, passeios ecológicos desse tipo, daí o jipe.
Dona Margarita ao volante, um percurso de meia hora numa paisagem deslumbrante e cheia de curva, com paredões e densa mata nos dois lados, que lembra muito a serra catarinense. Um posto de pedágio no meio do percurso. A cidade despontou num vale abaixo, o que na serra catarinense corresponderia ao mar.
 A casa decorada com bom-gosto, com pingentes sonoros, um aquário seco. A garagem do jipe é a sala-de-visita. Cada um molda sua casa conforme seus hábitos. Nada mais natural que tenham o jipe no meio da sala, o que deu um toque rústico.
 
Após a troca dos presentes fomos almoçar num restaurante próximo. No começo da tarde um passeio na praça central, onde tem uma maria-fumaça preta como monumento, bibliotecas, algumas estátuas metálicas representando figuras típicas e uma gigantesca estátua de concreto em forma de painel, mostrando os aspectos da colonização.


O guarda de plantão ali, muito culto, deu um histórico geral da feitura do painel, o que significava cada cena.
Medelim não se parece com Bogotá. É ainda mais linda, porque a beleza está na paisagem, não só na arquitetura. E é mais quente, pois em menor altitude. Bogotá é mais são-paulo, uma sampa melhorada, sem prédio alto. Medelim seria a gramado colombiana. Como Campo Grande é a cidade morena, Cuiabá a cidade branca, Medelim é chamada a capital da montanha.
Na praça ficamos esperando a filha de Carlos, e logo mais o genro nos apanhou de carro.
Carlos perguntava à filha onde irmos, pois estava preocupado em me fazer passear Eu disse: Mas a vinda na estrada serrana, no jipe, com estupenda paisagem, já não foi um magnífico passeio? Quantos pagariam caro um passeio assim!
Eu queria deixar claro que não fui passear em Medelim. Só uma esticada pra conhecer Carlos. Um dia corrido daria o mínimo de interferência em seu cotidiano.
No caminho falamos sobre os topônimos tupis. Logo vimos um ônibus ostentando o letreiro Itagüí, uma cidade próxima. Eu disse:
— Mas esse nome é nitidamente tupi!
Fim de tarde, decidiram ir ao museu que foi a casa do escritor local Fernando González, que achei sósia de Ariano Suassuna. Tipo uma sede campestre, estacionamento chão de terra sob as árvores e mesas com guarda-sol. No museu livros desse autor a venda. Carlos me deu Los negroides (Ensayo sobre la Gran Colombia, 1936).
 
Adeene neles!
Carlos se espantou quando perguntei se tinha ascendência japonesa. Um amigo japonês aqui uma vez disse que deixaria pra me receber no outro dia porque naquele chegaria sua filha e o genro, que ficaria dividido tentando atender duas visitas. Pois é. Se Carlos fosse japonês eu não estaria à mesa consigo, esposa, filha e genro. Se encontraria comigo noutro dia. Disse:
— Digo, sem ter certeza, que pertenço aos nutabes. Se bem que devo ser mistura de indígenas e espanhóis. E, segundo Mário Jorge, de japonês também.
Passamos o fim de noite conversando, sentados na soleira da porta, na calçada, sobre as coisas da terra, a angústia e esperança de solucionar a guerrilha, o clima, a beleza da serra.
Fui dormir. Na verdade apenas me estirei sobre a cama, sem mexer nela, vestido, pronto pra ir. Na madrugada me chamou. O táxi estava à porta, rumo ao aeroporto. Vôo de volta sem café no isopor.
Assim foi a viagem ao país do cata-vento e das maravilhas. Viagem de sonho, inesquecível.
Apêndice
Itagüi é topônimo tupi
Os tupis estiveram na Colômbia central. A figura tirei de
Los tupís estuvieron en Colombia central. La figura saqué de
Concluí que o topônimo da cidade de Itagüi é de origem tupi.
Concluí que el topónimo de la ciudad de Itagüí es de origen tupí
Os tupis tiveram presença e influência no território colombiano muito maior do que se pensa. Vejamos uns detalhes:
Los tupís tuvieron presencia y influencia nel territorio colombiano mucho más de lo que se piensa. Veamos unos detalles:
Segundo Carlos, alguns lugares ali se chamam Tupinamba.
Según Carlos, algunos sitios allí se llaman Tupinamba.
Também vários hotéis e uma canção da dupla Lara e Acosta.
También varios hoteles y una canción del dueto Lara y Acosta.

 No folclore colombiano tem a sereia do arco (sirena del arco), que é uma sereia com máscara, na verdade um antifaz, vermelho, o que seria muito estranho. Mas fica óbvia a origem. É a pintura de urucum, tradicional dos tupis.
Nel folclor colombiano hay la sirena del arco, que es una sirena con máscara, en verdad un antifaz, rojo, lo que sería muy extraño. Pero queda obvio el origen. Es la pintura de urucún, tradicional de los tupís.
O topônimo Itaguaí tem origem na antiga língua tupi e significa rio da enseada da pedra, através da junção dos termos itá (pedra), cuá (enseada) e y (água)
El topónimo Itaguaí tiene origen en la antigua lengua tupí y significa río de la ensenada de la piedra, a través de la junción de los términos itá (piedra), cuá (ensenada) e y (agua)
Minha tia Cecília Figueiredo, que é paraguaia e fala guarani, confirmou:
Mi tía Cecilia Figueiredo, que es paraguaya y habla guaraní, confirmó:
Itagüi (pedra embaixo), güi (embaixo)
Itagüi (piedra embajo), güi (embajo)

O trecho retirado do endereço acima discute a etimologia de Itagüi. Os eruditos estão equivocados.
El trecho retirado del sitio arriba discute la etimología de Itagüí. Los eruditos están equivocados.
 (Abaixo, tradução do trecho em questão)
Uno de los mitos que son soporte de la historiografía tradicional nel municipio de Itagüí consiste en afirmar la existencia de una tribu indígena llamada Bitagüí con su cacique Bitagüí. Sin embargo, en ninguna de las crónicas aparece el nombre de ese cacique o tribu. Muchas de las nominaciones que los españoles adaptaban de 1os indígenas, para las atribuir a un lugar, provenían de confusiones lingüísticas que se daban nel encuentro. El primer saludo o la primera palabra agresiva era entendido y adoptado, atribuyendo significados distintos a los originales y permitiendo se transformar a través del tiempo. Ese fue el caso de la palabra muisca, que, según Graciliano Arcila, significaba blanco y terminó siendo atribuida a las culturas indígenas de las tierras altas de Cundinamarca y Boyacá. Puede pues el nombre Itagüí provenir de cualquier parte, y aunque en algunos estudios se intenta, por ejemplo, buscar palabras catías (Itahui: Evitar, dejar en paz, apartar, abandonar) o chibchas (Ytiquyn: Dedo de la mano), esos estudios empero no se hicieron con rigurosidad científica suficiente y con base en estudios comparativos antropológicos, arqueológicos, lingüísticos o históricos que permitan demostrar que en esa época de la conquista y principio de la colonia existía ya el nombre de Itagüí. Los hallazgos arqueológicos y, en muchos casos, la guaquería realizada en Itagüí, hablan de la existencia de asentamientos indígenas en la zona, pero no se dio importancia a la investigación y al estudio riguroso de esos vestigios.
Um dos mitos que são suporte da historiografia tradicional no município de Itagüi consiste em afirmar a existência duma tribo indígena chamada Bitagüi com seu cacique Bitagüi. Mas em nenhuma crônica aparece o nome desse cacique ou tribo. Muitas das denominações que os espanhóis adaptavam dos indígenas, pràs atribuir a um lugar, provinham de confusões lingüísticas que ocorriam no encontro. O primeiro cumprimento ou a primeira palavra agressiva era entendido e adotado, atribuindo significados diferentes dos originais e permitindo se transformar através do tempo. Esse foi o caso da palavra muisca, que, segundo Graciliano Arcila, significava branco e terminou sendo atribuída às culturas indígenas das terras altas de Cundinamarca e Boiacá. Então o nome Itagüí pode provir de qualquer parte, e se bem que nalguns estudos se tenta, por exemplo, buscar palavras catias (Itahui: Evitar, deixar em paz, apartar, abandonar) o chibchas (Ytiquyn: Dedo da mão), mas esses estudos não foram feitos com rigor científico suficiente e com base em estudos comparativos antropológicos, arqueológicos, lingüísticos ou históricos que permitam demonstrar que nessa época da conquista e princípio da colônia já existia o nome de Itagüí. Os achados arqueológicos e, em muitos casos, o garimpo realizado em Itagüí, falam da existência de assentamentos indígenas na zona, mas não se deu importância à investigação e ao estudo rigoroso desses vestígios.