domingo, 13 de abril de 2014

5 motivos pra recomendar a edição de O rei de amarelo, da editora Clock tower como a melhor edição brasileira do livro
Como já deveis esta saber que algumas editoras lançaram versões neste mês de abril do livro O rei de amarelo por causa do sucesso da série de televisão True detective. Isso só nos mostra o quanto a obra de Chambers é atual e disputada. Nos dá orgulho saber a perfeita sincronia de nossa equipe. Vamos agora colocar as características de nossa edição:
1 ● O rei de amarelo, da Editora Clock Tower, será editado e encadernado em capa dura, o que permite uma conservação maior e dará destaque à beleza externa.
2 ● A qualidade de nossa capa e a diagramação seguirão o mesmo padrão de nosso livro O mundo fantástico de HP Lovecraft. Em breve divulgaremos a capa e tereis uma idéia de como conseguimos melhorar o que fizemos com a antologia anterior.
3 ● O rei de amarelo, da Editora Clock Tower, virá com muito material extra. Recheamos nossa edição com notas explicativas, ilustrações, uma longa introdução à obra feita por um especialista no assunto e uma biografia reveladora de Chambers, detalhada e com foto.
4 ● Como nossa edição começou muitos meses antes da estréia e do conseqüente sucesso de True detective, diferente de editoras que lançam livro a pressa, estamos preparando a tradução com muito cuidado. Parte desse longo desenvolvimento envolve vários profissionais trabalhando e revisando esse material. Como exemplo, Chambers usa termos dum dialeto, o cockney, que é difícil inclusive pra pessoas nativas de países de língua inglesa. Pra tratar essas traduções contamos com a ajuda duma professora inglesa para sanar dúvida.
5 ● E o principal de tudo: Nosso livro será baseado no estudo do professor e doutor Robert Wright Trebor, do departmento de estudo de filosofia, história, cultura e arte da universidade de Helsinque, que mora na França e está afastado da pesquisa há anos devido a um acidente em motocicleta, mas tem muito a nos contar sobre esse livro.
A realidade é tão assombrosa quanto a ficção. Me envolvi de tal maneira na pesquisa com esse livro que conheci grandes estudiosos e interessados nesse livro no mundo inteiro e sabendo de coisas incríveis. Parece que certos segredos estavam prontos para serem descobertos. São opiniões diversas e inusitadas sobre a obra, como são a do escritor Joseph S. Pulver e de mais meia dúzia de intelectuais sobre o assunto. A diferença de professor Trebor foi que me apresentou algo palpável, que são cópias dos originais que teve acesso quando jovem. Na época que a mansão de Chambers foi abandonada, muitos jovens usavam livros e móveis da casa pra fazer fogueira enquanto acampavam e usavam droga na propriedade. Numa dessas ocasiões os manuscritos foram descobertos. Como tinha muito interesse em literatura, os guardou. Isso comprovei vendo uma cópia duma matéria do The New York times, falando sobre a situação da mansão em Broadalbin antes de ser adquirida por uma igreja.
Na introdução do livro sabereis mais. Não quero estragar a surpresa e expor isso a outras editoras mas posso dizer que existem diferenças entre as edições que conhecemos: A de 1895 e o manuscrito original do livro.
Aguardai ansiosos um grande livro, que tereis muita satisfação em ler!
Por favor, curtis e compartilhai esta conexão, além de opinar.
Abraços

Denílson E. Ricci

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O que é a maldição do faraó
Quando desconhecíamos a física nuclear o funcionamento do Sol era inexplicável e passagens mitológicas como no Maabarata, descrevendo o lançamento duma flecha com a luz de mil sóis, pessoas se esfolando, perdendo unha e cabelo eram explicadas como fantasia ou alegoria. Não podíamos explicar porque pra nós era uma ciência desconhecida. Daí quem desconhece ter a natural tendência a considerar algo sobrenatural.
O mesmo ainda acontece com relação à magia, parapsicologia, etc. Por desconhecermos a ciência psíquica tentamos a força encaixar tudo em nossa ciência racionalista. Não existiram gigantes porque não há evidência, esqueleto, etc. Mas como? Se houver será ignorada, considerada falsa, esquecida.
Tentes explicar o funcionamento do Sol usando apenas a ciência do século 19!
Guy Tarade, em Os arquivos do insólito e Crônicas dos mundos paralelos expôs o conceito de egregor: A matéria armazena pensamento, que é comprimento de onda, como a pilha armazena eletricidade. Imagines uma analogia com o raio lêiser: Concentrar e canalizar o pensamento tal qual o lêiser é luz concentrada e canalizada.
Uma estátua de santo faz milagre porque acumula egregor, recebendo a emoção de milhares, milhões de fiéis. É por isso que as religiões condenam a idolatria, pois cada um teria seu milagre caseiro. Em vez disso fica tudo concentrado na igreja.
O fantasma não é um ser vivo, mas imagem e presença. É periódico e se esmaece com o passar dos séculos. Faz uma rotina cíclica e não interage com quem se apresenta, exatamente como um filme sendo exibido. Não adianta tentar conversar com uma personagem do filme, pois não é um ser vivo que está ali. Por exemplo: O fantasma dum menino que passava correndo e mergulhava no chão, no meio da sala. Pesquisando o caso se soube que ali havia um poço, depois tapado. O menino caiu no poço. A emoção que se gravou na matéria, chamada memória das paredes, gerou esse desempenho cíclico.
Aparição é um fenômeno denominado camarrupa, que é o inconsciente coletivo gerando uma resultante. Assim aparece a virgem com o menino Jesus. Mas como pode aparecer com o menino, se teria morrido com 33 anos? É porque é gerada pelo inconsciente coletivo. Por isso a imagem é exatamente como imaginada. Quando se encontra alguém que se tinha contato só por carta ou telefone se imagina como é a aparência, que nunca coincide com o imaginado, exatamente o contrário da camarrupa. Camarrupa muito carregada pode gerar um ser fantasmagórico autônomo. Alexandra David-Neel relatou como criou uma espécie de golem, que foi ficando rebelde e foi difícil o fazer desaparecer.
Desdobramento é o fenômeno da saída do corpo. Quando mais dormente o corpo mais consistente e material o duplo, que pode viajar a longe do corpo e assumir a forma que desejar (ideoplastia), mas tudo o que acontecer ao corpo repercute no duplo e vice-versa, de modo que a morte do corpo é a morte do duplo. É um recurso natural de sobrevivência ativar o duplo, especialmente em momento de perigo. Um corpo em catalepsia pode sair pra buscar ajuda. Por exemplo, o clássico relato da mulher numa cabana deserta, que precisava de socorro médico, o médico recebe a visita da filha dela, que o guia até lá e desaparece. Ao elogiar a menina ela informa que a filha morreu há muitos anos. Na verdade é ela quem saiu em desdobramento, o intenso desejo de que se a filha estivesse ali a ajudaria faz o inconsciente gerar a forma da filha (por isso aparece com a idade que tinha quando viva e não a que teria então). A confusão de se ver o duplo, se julgando o corpo morto, quando na verdade está catalético, gerou a crença de que existe uma alma imortal, crença que é produto da ignorância, pois sendo o duplo imortal a execução do corpo do vampiro não o eliminaria.
Achei decepcionante o livro A maldição dos faraós, de Philipp Vandenberg, pois só aborda hipóteses da ciência atual. O autor não é conhecedor de ocultismo.
Em Casas que matam, de Roger de Laforest, vemos como funciona o santuário. A maldição do faraó é exatamente isso.
Todos os implicados na violação foram atingidos, mesmo não entrando na tumba, mesmo um ministro que apenas assinou autorização pra empréstimo a uma exposição. Atropelados, se atirando da janela ou suposta picada de mosquito, um dos atingidos disse que não mais podia suportar aqueles horrores. Uma longa lista de vítima.
Somente Howard Carter escapou, porque teria achado um escrito que era o antídoto.
Os egípcios sabiam manipular a forma-pensamento. Negligenciando desenvolver as ciências psíquicas, a deixando mesclar a espiritismo e superstição, o século 20 e 21 tentam encaixar, estilo camisa-de-força, esses acontecimentos às explicações reducionistas, indigentes e ignorantes doutra ciência, como quando psicólogos diziam que os foguetes eram símbolos fálicos expressando a impotência humana.
E o mais estranho é que mesmo pesquisadores do realismo fantástico derrapam diante do desfile de mortes da maldição do faraó. Vide em O livro do mistério, capítulo Fenômenos inexplicados, subcapítulo Objetos malditos: A maldição de que, na opinião dalguns, Lord Carnarvon e seus colaboradores foram vítimas depois de abrir o túmulo de Tutancamão é bastante discutível. Não insistiremos nesse caso, que tem feito correr muita tinta e que todo mundo conhece.
Como disse Jacques Bergier: Isso não é horroroso. Nossa ignorância é que é horrorosa.


domingo, 6 de abril de 2014


À coleção Adeene neles!
Roland Font, que por ironia é o blogueiro da página realismo fantástico, não sabe que é irmão gêmeo de general Cavallo, tirado de O livro do mistério, de Jacques Bergier e Georges H Gallet

Crônicas de Santiago
Da autobiografia não-autorizada de Che Guavira
Só liberada por causa da lei de liberdade de informação
Segunda viagem
2
O apartamento de dona Adriana é um dos do condomínio da rua Curicó cujas sacadas sobressaem na calçada, que por sorte é larga. É que a rua foi alargada, então os apartamentos com vista a essa rua ficaram cara a cara com a calçada duma rua não tão movimentada mas central, resultando nessas sacadas gradeadas como enormes caixas salientes que dão ar bem pitoresco. Fiquei imaginando, como se urbanista, uma forma de aproveitar as sacadas. Não dá pra pôr planta porque depredam. Se tirar diminui a segurança. Penso que a solução seria emendar todos na vertical, num só gradeado, ou pôr tela grossa, com concertina (Concertina deveria ter a ver com concerto. Bom...), pra impedir escalada (como pus em meu muro), como na sacada do fundo, que dá à área interna do condomínio.
Poderia pôr propaganda, pra dar um extra ao morador, se bem que enfeia muito.
A desvantagem é mais pro térreo, mas nem se compara à enorme vantagem de não mais ter de subir escada.
Toda noite eu dormia cuma gata de olhos verdes. Toda não, porque a gata ia e vinha. Amanhecendo abria a porta corrediça da sacada do fundo, pràs gatas verem o movimento do pátio. Senão, tinha uma que ficava estressada e fazia caca embaixo da cama como represália.
No aeroporto de Guarulhos tinha um estande no meio do pátio, donde o pessoal abordava os transeuntes, perguntando se mora no Brasil. Nesse caso é uma promoção na qual basta mostrar que o cartão de crédito está no prazo de validade e ganhará uma maleta. Muito blablablá, muita firula, mandam escolher duas revistas pra receber gratuitamente e então avisam será cobrado apenas o frete. Então não é presente, é venda disfarçada. Se não pode espã no computador, por que pode assim ao vivo e de corpo presente? A administração portuária não deveria permitir esse tipo de picaretagem.
Achei que comprando a passagem no balcão da Tã encontraria enorme flexibilidade, poderia montar a meu gosto o trajeto. Mas é bem ao contrário. A atendente não soube explicar por que na internete a passagem é muito mais barata que ali.
Outra coisa estranha é que até Guarulhos levei líquido na bagagem de mão. Só na escala ao exterior é que soube que em viagem internacional não pode líquido em bagagem de mão. Na ida também quase tive de soltar lastro. Hehehe.
Um regionalismo do linguajar chileno é dizer ya () em vez de (sim). Nunca vi isso no Paraguai.
Numa barraca de sebo de São Diego chegou uma garota pedindo o livro Mi planta de naranja-lima (Meu pé de laranja-lima), de José Mauro de Vasconcelos. Eu disse ao livreiro que é um livro brasileiro e respondeu que é um dos adotados pelas escolas.
Se não acreditas, tem até pra baixar:
Não sei por que esses pedagogos gostam tanto de adotar na escola esses romances melodramáticos ultra-tristonhos, que a criança nem entende o enredo.
Outra curiosidade. Em 2011 enviei a canção Vila Esperança, de Adonirã Barbosa, com letra em português e traduzida a amigos chilenos. Encantou tanto que o retrato do compositor passou a fazer parte da decoração da página Un poco de todo, como la vida misma. Podeis conferir:
Me lembro dessa novela, que vi quando criança. Nunca esqueci a cena do carro da personagem, interpretada pelo inesquecível Cláudio Correa e Castro (Naquela época tinha atores de verdade. Não tinha canastrão cotado pra receber prêmio de melhor ator), morrer porque o carro pifou encima do trilho e não conseguiu dar partida quando o trem ia passando.
Santo Antônio é o maior porto. Homômimo de Campo Grande, pois aqui nasceu como Santo Antônio de Campo Grande. Felizmente caiu a primeira parte. Eta costume besta dar a tudo esses horrorosos nomes de santo.
O passeio em barco foi muito divertido porque o guia de tudo fazia piada. Claro que não podia faltar piada de peruano, boliviano e argentino. No mais, barraca de lembrancinha e restaurante de fruto-do-mar.


sábado, 29 de março de 2014

O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft
informativo de abril da produção da 2ª edição
Atenção:
Se recebeste este imeio, significa que fazes parte de nossa lista de interessados no livro.

A lista não é um compromisso de compra, mas manifestação de interesse. Estando nela serás avisado em primeira-mão da pré-venda, portanto não mudes teu imeio e fiques atento. O livro não será vendido em livraria após lançado. Nossa experiência com a 1a. edição é nossa maior credibilidade!

Quem não quer receber o informativo, favor avisar, pois só mandarei informação final quando sair a compra. Estou sendo criterioso e mandando informe uma vez por mês pra não configurar SPAM, além de manter a turma informada.

Produção da segunda edição
Já revisamos o livro, tanto em gramática quanto em conteúdo. Agora caminhamos ao final de rediagramação, que fará nosso livro ainda melhor. Acredito que abriremos a pré-venda ainda em abril.

O acesso é livre a fanpage do facebu, mesmo pra quem não usa o programa. Estejas atento lá pra mais detalhe além dos imeios.


Se possível, divulgar entre os amigos. Se chegarmos a ao menos 500 livros a tendência do preço final é cair muito.
Grande abraço a todos
Denilson

Informativo de abril sobre o livro O rei de amarelo

Se recebeste este imeio é porque fazes parte de nossa lista de pessoas interessadas no futuro livro. Procuramos mandar o informe da produção apenas 1 vez por mês ou a cada 2 meses, pra não configurar SPAM. Mesmo assim, querendo ser informado apenas no momento que abrir a pré-venda, favor avisar.

O livro será vendido apenas no sistema de pré-venda e não estará disponível em livrarias. O pagamento será no fim deste ano e a impressão em janeiro. O acabamento do livro será em capa dura, papel e diagramação da melhor qualidade possível. Esperamos fazer um trabalho ainda melhor que O mundo fantástico de HP Lovecraft, no prelo pra 2ª edição.

Não mude teu imeio, pois é a melhor forma de contato.

Estamos terminando a tradução. Acredito que no fim de abril ou começo de maio estará pronto. Em paralelo a revisão. Será o primeiro livro a ser lançado no mundo, baseado no texto original, que diferirá parcialmente da edição de 1895. Ver a postagem no facebu, pra detalhe.

Mesmo para quem não tem facebu, está livre o acesso na fanpage do livro:


Breve divulgaremos o frontispício da capa, que já começamos a trabalhar mais forte de divulgação.
Grande abraço a todos
Denilson


domingo, 23 de março de 2014

Sobre Capitão Nazi:
A primeira estória foi publicada em Captain marvel junior # 08, de 1943, e segue com o criminoso Capitão Nazista querendo se aliar a Eua contra as forças de Hitler. Uma curiosidade da edição nacional é que a capa colorida com o herói da trama já é a primeira página da história. Obrigado pela oportunidade de ler um achado desses.
Maravilha! Parabéns aos responsáveis por esta jóia rara!
A aventura original foi enviada por Joanco, que disse:
Aproveitando a dica de nosso amigo Nabil, consegui localizar a aventura original de Capitão Marvel Junior. Foi disponibilizada por Jim Grim no famoso sitio DCM


Obrigado por todos os comentários

segunda-feira, 17 de março de 2014

sexta-feira, 14 de março de 2014

Dã! Todo mundo pensou que era do Peru.
Eta publicitário criativo!
Qual a cor do cavalo branco de Napoleão?
Sugestão prà filial gaúcha:
Banco de Chile
O banco do Chile
Mas é um baita banco tchileno mesmo, tchê!
Crônicas de Santiago
Da autobiografia não-autorizada de Che Guavira
Só liberada por causa da lei de liberdade de informação
Segunda viagem
A segunda viagem foi bem menos atrapalhada. Mas o que gostei, e me deixou de alma lavada, foi na volta ver a prática da reciprocidade. Agora eles também têm de preencher formulário pra apresentar no guichê da polícia e declarar se levam algo de origem animal, etc, igual nós pra entrar lá.  Quando entreguei, a moça do guichê da PF disse, cum sorriso: Não. Isto é só pra estrangeiro.
Dizem que a restrição é pra evitar a entrada de praga agrícola, mas quem vai de ônibus passa numa boa, e também vai numa boa no correio. Então é claro que não se trata disso, é só um pretexto pralguma outra coisa, pois o maior responsável por entrada de praga é navio.
Uma pena que não pude encontrar minha tão amável correspondente. Em seu lugar estava a empregada, muito azeda e mal-humorada. Mas dona Adriana compensou tudo. Só lamentei o licor de pequi que levei do Mercadão. Uma droga. Licor de açúcar, isso sim! Tinha de usar muita imaginação pra fazer de conta que era de pequi. Que raiva presentear amigos estrangeiros com uma das coisas mais típicas daqui e constatar que o produto é praticamente uma fraude!
O vôo de ida coincidiu com a decisão de Haia sobre a disputa de soberania marítima na fronteira chileno-peruana. Então guardei os jornais que publicaram toda a história da disputa. O Chile choramingando a área marítima que tomou a força, cada um choramingando um pouco e comemorando outro pouco. A história toda é uma barafunda infernal, com o tribunal de Haia, fazendo média, como quando mandou o Brasil devolver a Guiana francesa tomada quando Napoleão invadiu Portugal.
Esses hispânicos são tão conservadores que continuam com o patriotismo do começo do século 19. Alguns feriados são vitória tal na guerra do Pacífico, dia das glórias navais, etc. Imagines se aqui ficássemos fazendo festa na data da batalha de Riachuelo, por exemplo, como ficaria o clima com a paraguaiada? Minha gente, é preciso respirar fundo, não olhar atrás, largar de orgulho besta e sair do século 19.
Têm muita rivalidade com os peruanos, bolivianos e argentinos. Mas era de se esperar, pois rivalidade sempre há com o fronteiriço, sempre é o vizinho quem incomoda.
São muito conservadores, arcaicos mesmo. Diz que nas lojas não atendem bem quem anda de chorte e camiseta. Só de me ver comendo uma tuna (figo-da-índia) com casca, dona Adriana me tomou da mão, escandalizada, dizendo que não se come isso, que pode fazer mal, que se num restaurante me virem comendo assim ficarão olhando, admirados.
Comentei a dona Adriana sobre o vício de linguagem de se usar dois verbos em vez de um. Disse que é porque muita gente escreve e fala mal. Que os cubanos falam muito mal. Que detestam os peruanos mas que tem de reconhecer que falam muito bem, um castelhano impecável. Disse também que é engraçado o fato de que no Chile os homens são bruscos no falar e as mulheres falam suave, enquanto os brasileiros, ao contrário, os homens falam de modo suave e agradável e as mulheres de modo brusco e atropelado. Um amigo aqui comentou que lá fora gostam de ouvir brasileiros conversando, porque o idioma soa muito musical.
Ali há muitos peruanos e bolivianos fugindo da pobreza. Também há negros, coisa que não conheciam, e que causam muitos problemas. Disse que assustam um pouco esses negros. Eu disse que ninguém sai de sua terra se está bem. Só se sai a construir um mundo novo quando não se tem mais espaço ou se está desconfortável em seu torrão. Como quando os sulistas que povoaram Mato Grosso. Durante muito tempo paranaense era sinônimo de espertalhão, malandro, vigarista, porque os que vêm desbravar são aventureiros, artistas desambientados, comerciantes fugindo da competição dum mercado saturado, idealistas de todo tipo, ladrões. Enfim, gente de todo tipo. Portanto é mais provável terem chegado negros desambientados em sua terra. Não é porque são negros. Os escravos trazidos ao Brasil tinham uma bagagem cultural muito maior que os imigrantes italianos. Eram versados em árabe, dentre eles reis (tem até o filme Chico rei), pois eram povo de nação vencida e assim vendida como escravo.
Os chilenos também têm muitos problemas com os mapuches, mas é porque são atiçados por essas ongues de fachada, não porque são índios. Mas também faltou um marechal Rondon.
Ali impera a mesma paranóia de criminalidade, por causa de noticiário criminal estar onipresente na televisão. Assim vivem se trancando, com cortina, enclausurados, como se um instante que se abra a cortina alguém de fora estará olhando. Igual aqui, onde tem gente que chega a fazer muro de 5m de altura.
Não consomem verdura, e nem pensar em água de poço, porque, não sei quando, houve uma epidemia de cólera. Mas cólera é de água contaminada de superfície, não subterrânea. Eu disse que desconfio muito dessas estórias, porque se uma vez teve uma epidemia, perpetuam a paranóia pra todo mundo aceitar essa água envenenada com cloro e flúor, assim como aqui instigam o mito de leite contaminado, inventam que galinha veicula leichimaniose, etc, pra que a única opção seja alimento industrializado.
Falando sobre a rivalidade com os vizinhos, disse:
— Agora a Bolívia quer de volta a saída ao mar. Muito fácil!, né? Faz uma guerra pra conquistar, perde, e depois quer de volta o que perdeu. Antes Chile era o mais pobre da região. Bolívia e Peru se uniram contra o Chile e foi um deus-nos-acuda, uma mobilização nacional como nunca vista. Ganhamos não sei como!
Então respondi:
— Foi com ajuda do Brasil. O dono dum sebo que visitei nas torres de Tajamar contou que na guerra do Pacífico (eta nome esquisito pruma guerra!) o Chile teve ajuda do imperador dom Pedro.
Fui às torres de Tajamar, no bairro Providência, uns edifícios cujo térreo consiste numas galerias que lembram muito as de Brasília, cheia de sebos mas livros muito caros. Assim melhor comprar na Estante Virtual, mesmo com o frete caríssimo, olho-da-cara, do correio.
Nos sebos da rua São Diego e do mercado persa sim, há baratos e caros.
Andando no centro notei que também há postes e árvores no meio da calçada. Numa esquina central e muito movimentada até um hidrante no meio da calçada. Se é algo raro em Campo Grande é hidrante, coisa que eu só via nos gibis do tio Patinhas. Igual cachorro correndo atrás de gato, multa por estacionar na frente de hidrante: Coisas que só se vê em gibi.
Nos passeios a pé não encontrei os famigerados cachorros inimigos do transeunte. Aqui não se pode andar na calçada sem levar um susto ao passar diante duma casa que tem cachorro. É uma praga brasileira. Uma amigo aqui tem três cadelas. Quando vou até lá tenho de esperar no outro lado da rua, pois os malditos bichos latem tão alto que chega a doer os ouvidos. Só não soltarei rojão quando proibirem criar esses bichos porque odeio rojão.
Também não tem a cesta pra pôr saco de lixo, que usam aqui na calçada. Mas o melhor de tudo é que não existe essa maluquice daqui, que é a faixa pra cego na calçada, coisa feia e desconfortável. Já puseram até no aeroporto de Guarulhos. O carrinho bate, como uma barreira, quando tem de atravessar uma. Coisas que nunca vi: Cego andando nessa faixa, cadeirante no rebaixado da calçada (mas bicicletas sempre) e enterro de anão. Talvez Nélson Ned...
Outra coisa que não se vê lá é mulher bonita. Claro que o bonito é um conceito pessoal e cultura e consiste em harmonia dos traços, simetria com um pouco de assimetria, e traços harmônicos e desarmônicos há em todas as raças.
Se persiste o conceito glacial boboca e preconceituoso de elegância, de que quanto mais roupa, de pele, casaco de couro, mais chique e elegante, e que quanto menos roupa mais brega, também temos o direito de expressar nosso velho, surrado e estereotipado conceito de mulher bonita.
A passagem foi comprada ida-e-volta na Edestinos. Ficou aquela coisa atravessada TAM-Lan. Tã comprou Lã mas a fusão está mais pra confusão, de modo que ficou contramão confirmar na Tã quando a passagem é da Lã. Foi então que a Tã ficou tantã fazendo bobagem com a bagagem. Primeiro que na ida foi direto mas na volta tem de sacar as malas em Guarulhos e chequinar elas de novo. Foi então que se deu o maior tantã. No chequim em Santiago tive de fazer uma recomposição por excesso de peso. Passando à bagagem de mão uns tantos livros, deu 7kg de mão. A atendente da Lã disse que são 23kg na bagagem despachada e 8kg na de mão. Então resta 1kg. Muito bom! Mas como teve a esquisitice de redespachar as malas, o atendente da Tã em Guarulhos disse que a bagagem de mão era excessiva, passando do limite de 5kg!
— Mas comprei passagem de avião. Por que irei de balão?
— Que balão?
— Em viagem de balão é que tem de soltar lastro, pro balão subir. Então tenho de jogar fora uns livros pra continuar a viagem? Pensei que era tudo padrão internacional. No chequim de saída o limite era 8kg. Na escala é 5kg? Tenho de soltar lastro! Ou sois estagiários do hospício?
— Bom... Se a passagem foi comprada duma só vez, então vale o primeiro peso.
Me fez lembrar quando fui ao correio em 2012, enviar um estojinho de DVD num envelope. A atendente disse que tinha de ser numa caixa. Peguei a caixa, rasguei os endereços do envelope e colei na caixa. No dia seguinte tive de enviar outro. Fui à mesma agência-franquia mas era outra funcionária atendendo. Disse que não era pra pôr em caixa mas em envelope...
Mas o cúmulo da coincidência foi que ganhei o concurso de escaneio do Realismo fantástico e os livros-prêmio a receber na volta. É verdade que fui o único participante... Mas poderia ter pego o prêmio pessoalmente, pois Roland é de Santiago.

domingo, 9 de março de 2014

quinta-feira, 6 de março de 2014

A coleção Nada se cria, tudo se copia (lei de Chacrinha)
Edição extra 098, 1979          Tribilín 001, 1967

À coleção xxxx
Eike Batista                         Sebastián Pinhera


À coleção Adeene neles!:
[X]
Figura retirada a pedido da pessoa retratada