segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Nomes deslocados, impróprios ou estapafúrdios
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Chapeuzinho Vermelho - Capuchinho Vermelho em Portugal, Caperucita Roja em castelhano. Se trata de capuz, aquele grudado ao casaco, não de chapéu, touca ou boné. O título brasileiro é equivocado.
O salário do medo - Se tem um livro que terminei de ler e pensei Cara, esse autor não teve dó das personagens!, foi O salário do medo, escrito pelo francês que viveu algum tempo na América latina, Georges Arnaud. Não é um enredo totalmente verídico mas narra um pouco da realidade dos países produtores de petróleo aqui na América latina, que ao invés de enriquecer apenas se afundavam cada vez mais na pobreza. O vilarejo de Las Piedras, nalgum lugar perto da Guatemala, vivia em função duma empresa ianque de exploração petrolífera. Devido a um acidente causado pela mão-de-obra desqualificada, um dos poços se incendiou, matando vários índios que trabalhavam ali. A única forma de se apagar o incêndio no poço de petróleo seria jogando imensa quantia de nitroglicerina, pra fechar tudo de vez. O detalhe é que as estradas de terra batida são péssimas, o equipamento precário, o transporte só pode ser feito por camião toscamente adaptado pra carregar, serra acima, 400ℓ de nitroglicerina. O pagamento: 2.000 dólares por viagem [Mas então não é salário, que seria mensal]. Alguém se candidata ao emprego? Surpreendentemente, a condição de vida era tão precária que teve até teste de volante. Chegou a ser cômico de tão trágico quando os demais candidatos, empoleirados no camião, batiam na lataria do motorista pra que, nervoso, brecasse e perdesse a chance de faturar o dinheiro. Quatro motoristas foram escolhidos, viajando em dupla. Mário, Bimba, Luigi e Smerloff. Mas na hora de embarcar, Smerloff estranhamente não apareceu (nunca mais, aliás), sendo substituído fortuitamente pelo candidato seguinte na lista, um bandido velho chamado Jo. Doravante é pé na estrada, na ponta dos dedos. Mais da metade do enredo se passa dentro da cabine do camião, mas é tão porreta de bom, que te sentes na carona do veículo, com a nitroglicerina chacoalhando docemente em cima da cabeça. A tradução antiga possui uns maneirismos de época muito legais, que tornam a experiência de ler o livro ainda mais divertida. Recomendado! Lido em 02.2008. Resumo de  Armageddon (Marlon William Teske), 16.10.2010, https://www.skoob.com.br/livro/resenhas/17757/edicao:19148. Le salaire de la peur (O salário do medo) é um filme franco-italiano baseado na obra homônima de Georges Arnaud, dirigido por Henri-Georges Clouzot e lançado em 1953.
Os sobrinhos do capitão - Katzenjammer kids (também chamado de The captain and the kids) é uma história em quadrinhos, criada pelo alemão naturalizado ianque Rudolph Dirks. Como dito em http://gjol.blogspot.com.br/2007/10/os-sobrinhos-do-capito-pestinhas.html: É curioso lembrar que apesar do nome da série no Brasil, os meninos não são sobrinhos do capitão, que só aparece nas estórias a partir de 1902, como náufrago que acabou se radicando na ilha. Sobrinhos pra moralizar, à brasileira, a não muito bem explicada relação entre dona Chucrutes e titio capitão?
 O corcunda de Notre-dame (Notre-dame de Paris) - Vá-saber por quê cargas-dágua o tradutor deixou híbrida a tradução do título do célebre romance de Víctor Hugo, Notre-dame de Paris (Nossa Senhora de Paris, como é nalgumas edições), nome da antiga catedral francesa. Melhor seria O corcunda de Nossa Senhora, O corcunda de Nossa Senhora de Paris ou O corcunda de Paris, ou, ainda, Nossa Senhora de Paris, que é a tradução fiel do título original.
O monstro de loch Ness - Mais um exemplo de tradução híbrida, por ignorância. Loch, em gaélico escocês é lago (lough na Irlanda). Portanto O monstro do lago Negro.
 
A máquina andróide (The android machine), episódio 36 da série Perdidos no espaço. O título se refere à personagem Varda, representada por Dee Hartford (Helena de Tróia no episódio 7 de O túnel do tempo, Presente de grego), que é uma robô humanóide fugitiva porque o fabricante a considera obsoleta. Teria de ser ginecóide, não andróide, pois andróide é o humanóide masculino. Ginecóides é o título duma antologia de ficção-científica mexicana sobre robôs femininos.
Galeria do terror (Night gallery) - A célebre série de conto terrorífico de Rod Sterling. O belo título Galeria noturna redundou no surrado clichê terror disto, aquilo do terror… Uma pena quando se escolhe um título apelativo. Em castelhano é Galería nocturna.
Além da imaginação (Twilight zone) - A outra série de Rod Sterling, com título brasileiro ainda mais apelativo. O título correto seria Zona crepuscular, dando a idéia duma zona assombrada, boca-da-noite, de transição entre o dia e a noite, e, por analogia, entre realidade e sonho. A infeliz adaptação do título faz com que a frase de apresentação …nalgum lugar da zona crepuscular, força o tradutor a fazer pirueta, obtendo o capenga …e fulano encontrou a solução nalgum lugar além da imaginação, o que é muito forçado, se perdendo a idéia de contraste onírico-desperto da versão original.
Em Portugal se chamou A 5ª dimensão. Também em castelhano o mesmo problema: Dimensión desconocida ou La 5ª dimensión
Sobre o narcótico boa-noite-cinderela, postado no 1, a explicação:
O golpe de oferecer bebida batizada com droga, pra narcotizar alguém antes de roubar e ou estuprar não foi batizado por causa do conto-de-fada. A referência foi o quadro de tevê Boa noite, Cinderela, apresentado por Sílvio Santos nos anos 1970. A atração, que premiava participante cuma noite de princesa, era muito popular. Foi baseada nela que a polícia apelidou o golpe. http://mundoestranho.abril.com.br/cultura/por-que-o-golpe-e-boa-noite-cinderela-nao-bela-adormecida/
Mesmo assim, a conexão noite de princesa com narcótico, que está mais pra noite de bruxa, não tem a ver.


Coleção de cartão-postal de Joanco
 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

À coleção Adeene neles!
Karin Knoblich – Regina Duarte

Karin Knoblich
Papel-de-parede no computador e musa oficial de Che Guavira
O correio disponibilizou um sistema de pré-postagem, na romântica idéia de agilizar a postagem na agência. O remetente preenche tudo no sítio do correio na internete e dá um código ao funcionário quando levar o pacote. Seria maravilhoso se funcionasse.
Provavelmente é serviço terceirizado, o que piora as coisas enormemente.
O engraçado é que o funcionário que recebe o pacote costuma ser muito competente, entende e atende muito bem (Tanto que quando chego com o pacote pergunta se fiz a pré-postagem e explica que isso agiliza o atendimento. Isso é competência), enquanto o programador, supostamente alguém mais intelectual e preparado, de quem se esperaria um desempenho admirável, faz um programa que é uma porcaria, não o experimenta pra ver se funciona, não consulta os clientes pra ver o que se pode melhorar. Simplesmente jogou o programa ali, como quem se livra dum fardo incômodo. O resultado é um formulário redundante, cansativo, pouco prático e não editável. O que mostra o nível de alienação e autismo desses profissionais (se é que o são) e descaso dos administradores.
O programa pede as três dimensões do pacote e o peso, como se todo mundo tivesse balança e instrumento de medida a alcance da mão. Pede uma infinidade de detalhes, como se todo remetente fosse funcionário do correio. No final pede de novo coisa já preenchida, como o peso. Como esse peso foi distraidamente preenchido dez vezes menor que o valor real, porque o programa começa cuma vírgula, e o remetente tem de acrescentar zero, o valor conflita com o antes preenchido ou com o valor da quantidade. Mas não dá pra voltar e editar, de tão malfeito é o programa. Exige número telefônico, como se fosse um absurdo o remetente não ter telefone.
Se eu, acostumado a usar computador fico confundido, imagines a pessoa comum, um idoso, etc.
Na primeira vez até consegui preencher. A prova de que o formulário é complicado demais pro povo: A atendente disse que fui o primeiro a apresentar o código da pré-postagem. Mas viu que estava errada a opção documento (era livro), pois tinha de ser não-documento. O funcionário não conseguiu alterar. Teve de fazer tudo de novo, descartando a pré-postagem. Ou seja: Só tempo perdido na infernal barafunda burocrática da pré-postagem.
Não sou programador profissional mas uma de minhas paixões é programar. Fiz muitos programas complexos no antigo basic. Assim posso afirmar que o programa foi feito com descaso, desleixo, sem testar à exaustão. E pelo entorno da página e a tentativa de uso, que os administradores não se importam em garantir que seja útil e funcione perfeitamente.
Por mais que sintamos saudade do correio dos anos 1980, empresa que se transformou numa butique caríssima e cheia de quatro-pesos, com critérios cada vez mais complicados e pouco interessada em facilitar o atendimento cada vez mais lento burocrático e complicado, não posso reclamar dos funcionários que recebem e que entregam os pacotes, que se comportam como amigos, coisa muito rara em funcionários de seja-lá-o-que-for, mas dos programadores e dos administradores, deus-nos-livre-e-guarde!
Agora tento enviar uma reclamação. Até isso é difícil. Só há opções fixas, referentes a postagem específica. Tem de apresentar um código de registro!
A ouvidoria também é inacessível. Exige um protocolo de atendimento!
Reclamar dá mais trabalho que preencher o formulário!
Viste como funciona uma ditadura maquiada?
Tudo faz lembrar a CEF. Sempre com propaganda que tem isso, tem aquilo, que é do povo… Mas quando se precisa usar sempre tem um porém que inviabiliza. Em 2007 tive de fazer minha casa a toque de caixa. Consultei a agência onde tinha a conta-salário. Ali não informava. Tive de ir à agência Barão do Rio Branco, onde tinha uma fila imensa e um atendente arrogante e antipático. A CEF tem um feirão nacional de imóvel. Mas não sabia se teria em Campo Grande. A informação nunca chegava. Enfim não teve o tal feirão aqui.
Nessa época o Bradesco conseguira tomar o lugar da CEF como banco-salário no órgão. Consegui toda informação e fiz o financiamento ali mesmo, sem me levantar da cadeira. Quando deu aquela baixa de juro no primeiro mandato Dilma minhas prestações restantes diminuíram e quitei tudo, me livrando das pesadas prestações.
Já quem tinha financiamento na CEF, não, pois ela só baixou o juro aos empréstimos novos!
● No fim de ano uma barulheira de serra na rua. Finalmente estariam tapando o buraco sempre cheio dágua diante de casa. Mas não. Taparam ao lado, onde não tem buraco!
● O campo-grandense tem mania de grandeza. Gosta de exibir riqueza. Come frango e arrota caviar. Por isso tem tanta camionete. Mas se vê que é ostentação, pois as camionetes nunca estão empoeiradas nem embarradas duma viagem à fazenda, e nunca levam carga na carroceria. Costumam estacionar na esquina, o que tira a visão no cruzamento, pondo em risco quem passa em carro. Esses carros altos, quando estacionados na frente, tiram a visão, fazendo com que pra sair do estacionamento no meio-fio se jogue roleta-russa, sem ver se vem carro. Outro problema foi a liberação de vidro escuro, de modo que não mais se pode ver através do outro veículo nem se o motorista está sinalizando.
● Furgão de empresa não tem erro. É bom ficar longe, pois sempre com pressa, aloucado, costurando, verdadeiros fitipáldis (mas tá mais pra Corrida maluca). Outro a se ficar longe é o chapeleiro em camionete. Geralmente peão de fazenda, sem carteira. Cuidado também se o motorista for adolescente, ainda mais se tiver uma garota ao lado.

No estacionamento do atacadão da Duque de Caxias
Sentido sem sentido

● Cerca de 1977. A professora Elizabete, de história, falando sobre história geral, se dirigiu a um colega meu, Adão, que morava na casa fazendo fundo com a nossa:
— Em qual idade estamos? Antiga, média, moderna ou contemporânea?
— Moderna.
— Aé!? Então estamos no tempo de Pedro Álvares Cabral? Estamos na idade contemporânea!
Claro que não se espera que um garoto de 11 anos conheça o vocábulo contemporâneo. É um daqueles episódios que nunca esquecemos, como tantos outros, que por algum motivo o inconsciente manda deixar ali, não despejar. Estranho me lembrar o nome do colega e da professora. Mistérios do cérebro. Nunca esqueci o endereço nem o telefone donde morei em Brasília, 1971 e 1972, com tis e primos e tive infância feliz: SQS 209, apartamento 106, telefone 43-0863.
Sempre me lembro do episódio quando leio texto, se referindo ao século 20, quando se fala sobre modernismo e se diz coisas como dispõe de equipamento moderno, as modernas instalações, idéias modernas… Até mesmo os grandes nomes da era moderna!
Sempre me faz lembrar do conhecimento sem sabedoria, da culta ignorância daquela professora, uma obesa e muito mal-humorada, distímica mesmo, professora a quem dar aula parecia um fardo terrível.
Quê culpa tinha Adão? Pois se freqüentemente lia e ouvia as expressões que exemplifiquei e muitas mais! É lógico que em sua mente, na minha e em todos nós, se associa moderno a atual, contemporâneo, avançado, novo. Nunca ao tempo de Cabral.
Quem tinha de levar a bronca era o historiador, ou seja-lá o quê era, que inventou essa classificação das eras históricas, pois não como cientista mas como cabeça-de-vento qualquer, criou essa classificação mal-elaborada, equivocada.
Outra grande sacanagem que sempre fizeram com as crianças na escola é cobrar decorar conjugação verbal. Me lembro de que eu era o único que sabia de cor, na ponta-da-língua. Aos outros era uma tortura.
Todos os gramáticos, todas as professoras de português sabem. Só parece que não sabem que é pra usar, não só pra memorizar. Não! Têm aquilo como um rito, como uma jóia a ser guardada, uma reza (Talvez seja inconsciente o vocábulo usado em gramática, que sempre me pareceu bizarro: Oração), estranhamente não conectando a conjugação à construção das frases.
Eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são
Fizera eu, fizeras tu, fizera ele, fizemos nós, fizerdes vós, fizeram eles
Pra quê? Se ninguém usa, pois todo mundo esculhamba as conjugações, sejam jornalistas, escritores, nivelando tudo por baixo. Podes pegar o texto mais culto, a antologia mais cuidadosa, o texto mais pomposo. Nunca vi algum que não fosse total esculhambação de pronomes, preposições, verbos. Mesmo as obras mais pretensiosas usam o português popular, popularesco. Nunca vi e creio que nunca verei. Torturam as crianças estupidamente, pra nada.
E por falar em sistema mal-elaborado, me lembrei duma curiosidade do idioma castelhano, uma palavra impossível.
[Não existe idioma espanhol, e sim castelhano]
A palavra é o imperativo do verbo salir (sair), salle (sai-lhe). A forma popular errônea ¡Salle de aquí! (sai-lhe daqui!), deformando conjugação e uso pronominal, em vez de !Salgas de aquí! (Saias daqui!)
A tal palavra impossível é produto duma grotesca forma de construção da frase.
Mas o caso é que o tal bugue ocorre (ocorreria) porque em castelhano o dígrafo correspondente ao nosso LH é LL. Então salle se pronuncia salhe, quando deveria ser sale, porque, sendo idioma mais arcaico, não usam hífen pra anexar pronome ao verbo e não cai o L supérfluo (como o N em inmediatamente, imediatamente, castelhano e português, respectivamente).
O imperativo de salir é salgas. Salle é uma forma arcaica e esdrúxula, criada por literatos pomposos, que mais deformam que enfeitam o idioma.
— ¡Salgas de aquí!
Outro exemplo é o popular dime, quando o simples e correto é digas.
— Digas lo que quieres
em vez do popular e falsamente erudito
— Dime lo que quieres
Pra ordenar alguém a sair (segunda pessoa) se usaria te e não le (lhe). Le é prà terceira pessoa. O problema é que o uso popular é errôneo, confundindo a segunda e a terceira pessoas: Le en vez de te, suyo en vez de tuyo, en vez de ti, etc. O mesmo problema ocorre em português.

Coleção de cartão-postal de Joanco








terça-feira, 10 de janeiro de 2017

[Última atualização: 10.01.2017]
Maria é o nome mais comum no Brasil. Tanto é que na tevê um humorista, não me lembro se Juca Chaves ou Agildo Ribeiro, contou que se quisesse entrar nalgum prédio bastaria dizer, na portaria, Quero falar com dona Maria. Improvável ali não ter alguma Maria. Em minha repartição havia as fichas dos processos antigos, em papel recortado do tamanho dum cartão-de-visita, como os dados, pra se localizar, tudo manuscrito e ordem analfabética, antes de informatizar o órgão. Quando aparecia alguém procurando um processo antigo torcíamos pra que o autor não fosse Maria, pois o bolo de ficha referente a esse nome era imenso.
O nome é tão popular que há muito faz parte do folclore, justificando um dicionário-referência.
Ave-maria - Nome duma oração católica, que significa, em latim, salve!, Maria
Banho-maria - Forma de aquecimento brando na qual o objeto a ser aquecido não é exposto diretamente ao fogo e sim na água duma panela ao fogo
Biscoito-maria - Um tipo muito popular de doce feito com farinha de trigo, açúcar, óleo e essência de baunilha. O nome maria, ou marie noutras línguas, está gravado na superfície, com desenhos intrincados na orla. Enquanto o rich tea, um tipo de biscoito inglês, é o mais popular no reino unido, é o biscoito-maria quem faz a delícia noutros países, em particular Portugal, México, Austrália, Brasil, Índia, África do Sul e Espanha. Esse biscoito pode ser consumido como sanduíche com manteiga ou leite condensado, ou coberta com mel, geléia ou marmelada. É muito popular entre as crianças, sendo especialmente dado a bebê após desmanchado em leite. É também um ingrediente utilizado na confecção de receita de sobremesa. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_(bolacha)
E que vantagem Maria leva? Expressão proverbial quando alguém se depara com situação ou proposta na qual não vê lucro nem vantagem. Ou seja: Troca 6 por meia-dúzia ou sai perdendo.
Erva-de-santa-maria, mastruz - (Dysphania ambrosioides) Espécie de planta com flor pertencente à família amarantácea. Uma das plantas mais usadas contra parasita no Brasil, desde verme até parasita doméstico.
João e Maria - (Hansel und Gretel) Conto-de-fada dos irmãos Grimm.
Maria - Forma grega do hebraico Míriam, inglês Mary, francês e alemão Marie. Não é o feminino de Mário.
Maria Bonita - A companheira do cangaceiro Lampião. Nome duma tradicional marcha carnavalesca.
Acordes, Maria Bonita
Levantes pra fazer o café
O dia já vem raiando
e a polícia já está em pé
João Paulino e Maria Angu  - Bonecos gigantes do carnaval paulista. Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro
Maria-branca - A lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta), também conhecida como lavadeira, noivinha, viuvinha (zona-da-mata mineira), maria-branca, maria-lencinho, bertolinha ou pombinho-das-almas e senhorinha, é uma ave passeriforme sul-americana pertencente à família dos tiranídeos. Nalguns lugares no nordeste também é conhecida como lavadeira-de-deus. O nome científico veio do latim fluvius, rio, e do tupi nheenguetá, sussurrando: Pássaro ribeirinho que sussurra.  http://www.wikiaves.com.br/lavadeira-mascarada
Maria-cachucha - Dança espanhola de par solto, sapateada, com castanhola e cantada. Diziam que da Andaluzia.
Maria-cadeira - Na Bahia. Maria-cadeirinha em São Paulo. Coche-quebrado (carro-quebrado) na América hispânica. Cadeirinha do estado do Rio de Janeiro e nordeste. Brinquedo infantil do tipo carneirinho, carneirão. Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro
Maria-chica, balão-faceiro - Dança de Campos, estado do Rio de Janeiro, fazendo parte duma espécie de quadrilha denominada Maria-chica
Maria-chuteira - Mulher interesseira, caça-fortuna, que assedia os jogadores de futebol milionários. Por extensão, mulher que só quer homem rico.
María Comiquera - Pseudônimo de María Paz Lira Toro (MP), de Santiago, musa dos escaneadores de gibi chilenos.
Maria-é-dia, marido-é-dia, peitica - (Elaenea flavogaster) Pequeno pássaro cujo canto onomatopaico (marido-já-é-dia) repete distintamente a frase que o batizou popularmente na Amazônia. É muito recordado por quem viveu naquela região mas comum em todo o Brasil. No nordeste se chama maria-já-é-dia. A peitica nordestina (Tapera nevia) dizemos sem-fim, correspondendo ao saci do sul. Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro
Maria Dusá - Romance de Lindolfo Rocha. A história é ambientada numa região de garimpo a diamante na Bahia, em 1860, um ano depois da terrível seca que ficou conhecida como fome de 60.
Maria Escandalosa - Marcha carnavalesca de Klecius Caldas e Armando Cavalcanti, Carnaval de 1955
Maria-fumaça - As antigas locomotivas a carvão, porque expeliam muita fumaça
Maria-gasolina - Mulher interesseira, que só namora homem que tem carro ou carro caro
Maria-isabel - Carne picada cozida com arroz. Alguns confundem com arroz-carreteiro, que é carne-seca picada com arroz, com condimentos que deixam o arroz pardo.
Maria-Lata-Dágua - Nascida em Diamantina, Minas Gerais, em 1993, Maria Mercedes Duarte ficou conhecida como Maria Lata Dágua. Residindo no Rio de Janeiro, se tornou importante passista das escolas de samba, especialmente na Portela, onde desfilou durante 45 anos. Sua marca inconfundível era sambar carregando uma lata dágua na cabeça. Através do Carnaval do Rio de Janeiro deu visibilidade positiva à figura da mulher negra trabalhadora e lutadora. Encerrou a carreira de passista em 1991. http://criola.org.br/?page_id=481
Maria-louca - Aguardente fabricada em prisão. Foi citada em primeira vez no livro Estação Carandiru, de Dráuzio Varella, produzida secretamente pelos presidiários. A fabricação envolve elaborado processo de fermentação e destilação.
Maria Louca - Maria I (Lisboa, 17.12.1734 – Rio de Janeiro, 20.03.1816). Jaz na basílica da Estrela, em Lisboa, aonde foi transladada. Batizada infanta Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, foi rainha de Portugal entre 1777 e 1816, sucedendo a seu pai, rei José I. Foi ainda princesa do Brasil, princesa da Beira e duquesa de Bragança. Ficou conhecida pelo cognome de A Piedosa ou a A Pia, devido a sua extrema devoção religiosa (foi, por exemplo, quem mandou construir a basílica da Estrela, em Lisboa), e também como A Louca, devido à doença mental manifestada com veemência nos últimos 24 anos de vida. https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061209103657AAnmG0g
Maria-macumbé - Brinquedo infantil de esconde-esconde, pra que uma, que fica de costas ou de olhos vendados, as procure e agarre alguma. O mesmo que pique. Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro
Maria Maria - Telenovela baseada no romance de Lindolfo Rocha Maria Dusá. A história é ambientada numa região de garimpo a diamante na Bahia, em 1860, um ano depois da terrível seca que ficou conhecida como fome de 60.
Maria Mariá - Samba-canção de Benito di Paula
Maria-mijona - Menina ou mulher vestida com saia, calção ou vestido deselegante, mais comprido do que deveria ser. Batata-do-mar, salva-da-praia (Colpomenia peregrina), planta da família das convolvuláceas.
Maria-mole - Doce típico brasileiro, feito com açúcar, clara em neve, gelatina incolor e opcionalmente coco ralado pra cobertura
Maria-molha - Anamburucu, orixá da chuva do candomblé baiano, aportuguesado como Maria-molha ou Maria-das-pernas-longas. Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro
Maria-passa-na-frente - oração pra abrir caminho, um abre-ala católico
Maria-das-pernas-longas - Anamburucu, orixá da chuva do candomblé baiano, aportuguesado como Maria-molha ou Maria-das-pernas-longas. Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro
Maria-preta - Cordia verbenacea. Planta da família boraginácea, também conhecida como maria-preta, maria-milagrosa, catinga-de-barão, pimenteira, salicina. http://www.plantasquecuram.com.br/ervas/maria-preta.html#.V_ALV5grLIU Solanum americanum Mill. Família asparagácea.  Maria-preta, maria-pretinha, aguarágua, aguaraquiá, aguaraquiá-açú, araxixu, caaxixá, carachichu, caraxiocu, caraxixá, caraxixu, erva-de-bicho, erva-mocó, erva-moura, guaraquim, guaraquinha, pimenta, pimenta-de-cachorro, pimenta-de-galinha, pimenta-de-rato, sué, erva-de-santa-maria.  (foto de Anderson Porto) http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=21398 Nome de várias aves: Maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes) , Maria-preta-de-bico-azulado (Knipolegus cyanirostris) , Maria-preta-do-nordeste (Knipolegus franciscanus), Maria-preta-bate-rabo (Knipolegus aterrimus) .
Maria-sapatão - Lésbica, pelo estereótipo de que a mulher masculinizada tem os pés grandes, popularmente número 44.
Maria-sem-vergonha, beijo-turco - (Impatiens walleriana) de origem africana. Tudo nessa Maria é desavergonhado. A maneira como cresce, tão rápido que lhe rendeu o nome científico Impatiens, impaciente, incapaz de esperar. A forma como as cápsulas arrebentam ao contato: Basta um raspão pra que arremessem longe as sementes, daí o outro nome popular, beijo. O jeito dado como se reproduz, bastando um galhinho e alguma umidade pra logo enraizar. E, claro, a capacidade sacana de pular cerca, extrapolar muro e jardim, pra se aninhar sob árvore nativa, em mata fechada, se espalhando tão depressa quanto tiririca, comportamento duma sem-vergonhice tal que lhe rendeu um rótulo, esse, sim, vexatório: Invasora.
É que de moça comportada num vaso dentro de casa, logo sai do controle e invade reservas florestais e áreas de proteção de mananciais, fazendo sombra às mudas de espécies nativas, que não conseguem se desenvolver embaixo dela. Por isso, em várias cidades brasileiras, o cultivo dessa graciosa flor africana está regulamentado, quando não proibido.
Sua popularidade é facilmente compreensível: Pega em qualquer pedaço de terra, mesmo nos solos mais pobres. Existe em grande variedade cromática, com flores brancas, rosas, roxas, laranjas, vermelhas e bicolores, de pétalas simples ou dobradas, que florescem o ano todo. É barata, fácil de achar e vai bem até em ambientes sombreados, colorindo áreas internas em casas e escritórios. Por ter caule e folhas carnudos, capazes de armazenar água, agüenta passar alguns dias sem água, mas o ideal é regar, mantendo a terra sempre úmida.
É uma boa opção de flor para canteiros embaixo de árvores, onde a grama não cresce direito. Deve ser cultivada em duas partes de terra e uma de matéria orgânica (usar composto ou húmus de minhoca). Evitar molhar as flores, pra não manchar nem diminuir sua durabilidade. Lançada no Brasil em 2012, a variedade de folhas bicolores pode passar mais tempo no sol que as de folha verde escura, mas no geral essa espécie prefere sombra ou penumbra, com muita luz natural, mas sem a incidência direta de raio solar.
Com o tempo, vai ficando com flores e galhos fracos. Notando esse comportamento, podar as pontas dos ramos. Se pode tirar muda, mergulhando a parte cortada num copo com água até enraizar. Não é recomendada pra cidade no sul do Brasil por não suportar frio e geada. Mesmo nas regiões mais quentes do país, mudanças bruscas de temperatura podem causar queda de folhas e botões. Se os caules ficarem pretos e moles, diminuir a rega. E fiscalizar as folhas regularmente, pois o ar seco pode favorecer o surgimento de praga, como ácaro e mosca-branca. Adubar a cada 15 dias durante a primavera e o verão, usando um fertilizante líquido misturado à água da rega (um NPK 10-10-10, por exemplo). E ficar de olhos bem abertos, pra que a moça se mantenha comportada no vaso ou canteiro e não vá se engraçar em jardim alheio. http://minhasplantas.com.br/plantas/maria-sem-vergonha/
Maria-tola - Nome popular dado no estado de Minas Gerais a uma ave: Guaracava-de-barriga-amarela, tucão. Ave passeriforme da família tiranídea. Também conhecido por guaracava, guaracava-de-óculos, guracava, maria-tola e tonto (Elaenia obscura). Do grego elaineos, cor de azeite, verde oliva, e do latim obscura, obscuro, escuro: Ave verde oliva escura.  http://www.wikiaves.com.br/tucao
Maria-vai-com-as-outras - Pessoa com fraca personalidade, muito sugestionável pela maioria, que sempre se submete à decisão do grupo, a mercê do efeito-de-manada.
Mariazinha-da-praia - Entidade do candomblé que foi uma pessoa real. O refrão da canção tradicional é assim:
Mariazinha da beira da praia
Como a mulher roda a saia?
É assim, é assim, é assim
É assim que a mulher roda a saia
Nem todo dia é santa Maria - Provérbio que avisa que nada é garantido: Mesmo quando as coisas dão certo em série, de repente pode dar errado.
Três Marias - Nome popular dum asterismo de três estrelas que formam o cinturão da constelação de Órion, o caçador. Outro nome popular presse grupo é Três Reis. As estrelas, facilmente identificáveis no céu pelo brilho e alinhamento, têm o nome de Mintaca, Alnilã e Alnitaque. A constelação tem a forma dum quadrilátero com as Três Marias no centro. As estrelas que formam o cinturão de Órion são facilmente identificadas no céu e são um importante alvo pra se localizar diversas estrelas e constelações. https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%AAs_Marias_(astronomia)
Três Marias - município brasileiro do estado de Minas Gerais. Usina hidrelétrica do estado de Minas Gerais.
Três-marias - Nomes populares: Primavera, buganvília, três-marias, santa-rita. Nome científico: Bouganvillea glabra; B spectabilis e B hybrida. Planta genuinamente brasileira, que ficou conhecida e muito popular mundialmente após ter sido coletada por Louis Antoine de Bougainville, almirante francês que navegou em volta ao mundo no século 18.  http://florplantas.blogspot.com.br/2009/01/primavera.html
Virgem Maria - A segunda divindade do catolicismo, adaptada das deusas-mães das primevas religiões matriarcais. Segundo Laurence Gardner, em Os segredos perdidos da arca sagrada (Lost secrets of the sacred arks), editora Madras, 2007, o conceito de Maria como virgem é erro de tradução, pois significaria simplesmente moça, e não virgem no sentido atual.



Álbum Garbage pail kids
Gangue do lixo, Basuritas, La pandilla basura… As figurinhas maravilhosamente nojentas que infelizmente não conheci na infância.
Figuras caricatas extremamente criativas, que só são chocantes pra mentes embotadas chafurdando numa moral hipócrita e politicamente correta, o idiotas da objetividade.
Um vídeo de apresentação. Embaixo a conexão Mega pra baixar .cbr, não um álbum específico mas figuras que o postador foi juntando na internete.
Mas no país de origem a coleção está viva. Tem muito cartum de Hilária Clinton e Donaldo Trampa:
Em português:
http://suppaduppa.com/2009/04/06/gang-do-lixo/

Coleção de cartão-postal de Joanco




quinta-feira, 5 de janeiro de 2017



Crônica assuncena
Capítulo 1
Música maravilhosa e lembrança de infância Macaco não olha o próprio rabo Voarias de latão? As duas Nhuguaçu O castelhano macarrônico das aeromoças Dom Quixote e seu escudeiro Chancho Pancho O ocaso do lago azul de Ipacaraí No país da sopa dura Como fiquei milionário no Paraguai Um sebo dusbão O mercado-de-pulga Guarani ou não guarani. Eis a questão!
Visitar Assunção tem um sabor especial não só por ser descendente e porque lá estive quando muito criança mas também porque o Paraguai é sui generis no continente. O país que tem o mapa em forma de pênis é a cultura mais original porque se formou com as reduções jesuíticas, integrando os índios, assim formando uma cultura única, muito diferente dos outros hispano-americanos, que a grosso modo não passam de divisão política artificial.
Tem o guarani como idioma também oficial (na verdade o jupará, uma mescla), rejeitando séculos de preconceito.
Paraguai, México e Brasil são os únicos ibero-americanos com música maravilhosa. Já pesquisei e recebi canções colombianas, peruanas, centro-americanas… Não tem. Me corrijam se eu estiver errado, mas não achei música tão bela e empolgante como as desses três. Na Argentina tem aquela coisa enjoativa que é o bolero, com letras bonitas mas mediano como o fado. Os índios flautistas peruanos, bonitinhas mas é só. As canções colombianas, sem-graça. No Chile tem umas harpas muito boas também, mas entre as cantadas também nada vi de tirar o chapéu. Não existe. Música empolgante, de beleza ímpar, só nesses três.
O guarani dá à canção um romantismo intenso, impossível de conseguir em português ou castelhano. Isso resulta numa beleza ímpar, inefável pra quem não conhece o guarani.
O Paraguai é muito estereotipado na visão do brasileiro, que imagina esse país vizinho só pelas duas zonas francas fronteiriças: Pedro João Cavalheiro e Cidade do Leste. É como um estrangeiro concebendo o Brasil conhecendo só Macapá, Porto Seguro ou Santa Vitória do Palmar.
A influência paraguaia em Mato Grosso do Sul é imensa: O delicioso tereré, a chipa, a sopa paraguaia e outras comidas típicas, o cancioneiro regional e as canções paraguaias, influência mais marcante na toponímia, mais guarani que tupi, como Ponta Porã (ponta bonita), Camapuã, (seio levantado) Caarapó (raiz de erva), Bataguassu (Corruptela de Bataguaçu, grande (guaçu) batá (uma espécie de árvore)), Bataiporã (rio dos batás bonitos. (batá + i = rio, água + porã = bonito. Erroneamente tido como Bata (nome do fundador) + água + bonita) Maracaju (água de maracá, barulhenta), Aquidauana (Segundo uns, no idioma guaicuru, rio estreito. Talvez corruptela de Aquidabã, que em tupi e guarani significa entre rios, terras férteis e aguadas. É nome dum rio paraguaio e duma cidade sergipana. http://www.emdec.com.br/hotsites/nossa_cidade/aquidaban.html)… Aqui também a bola-de-gude se chama bolita, e o que se chama impropriamente pipa ou papagaio aqui também é pandorga (castelhano volantín, também impropriamente cometa).
O brasileiro é muito ignorante e deveria ter vergonha na cara. Macaco não olha o próprio rabo, e não fazer piada de português quando aqui tem mais político ladrão, imprensa muito mais vagabunda e povo mais alienado que lá, e não associar tanto falsificação ao Paraguai, pois é no Brasil que os produtos são os piores, onde no supermercado tem muita comida-lixo e falsificação.
Quando estive em Assunção eu tinha quatro ou cinco anos, por isso pouco me lembro além de dormir ao relento sob calor infernal cum lençol. Me cobria e o calor apertava. Descobria e os mosquitos atacavam… Me lembro de ter ganho um casquinha sorvete de chocolate, que caiu ao chão e ganhei outro, dum guindaste de brinquedo numa vitrina, que eu queria e fiquei querendo, das perfeccionistas miniaturas de veículo Matchbox, que me encantavam, de meu chapéu-de-palha que voou na janela do ônibus rumo a Caacupé, onde mamãe foi pagar a promessa quando me salvei duma desidratação que me fez chorar 12 horas sem parar com seis meses de idade, de correr atrás das galinhas da casa da hospedeira.
Mas o deslumbre pra meus olhos de criança era ver, na estrada ou na cidade, os carros de modelos muito variados, pois como o Paraguai não fabrica, importa, e os ônibus, muito caracaxás, montados, com frente de camião, não a frente lisa como combe mas com capô.
Saí de nossa desmazelada Nhuguaçu, nossa famigerada Buracópolis em 24 de novembro.
Como se diz Buracópolis em guarani?
O parque Ñu Guazú (Campo Grande, em guarani) é uma área verde de 25ha, em Luque, cidade do departamento Central do Paraguai, próximo ao aeroporto internacional Silvio Pettirossi.
Fazer o quê? Mais um lugar com nome gente.
No vôo de volta o comandante anunciou estar chegando à belíssima Campo Grande. Bom, seu comandante, precisa muita imaginação pra chamar Campo Grande de belíssima. Bonitinha ainda vá lá, pois tem gosto pra tudo. Mas belíssima já e forçar demais.
Vôo da Latam, pois fundiram e a Lan com a Tam e chamaram Latam. Quem escolheu o nome devia levar uns cascudos. Vai ver que foi aquele comandante, achou o nome belíssimo. Eu, hem? Latão! Tudo a ver, pois nunca vi sacolejar tanto ao levantar vôo saindo de Nhuguaçu. Depois do caso da Chapecoense disseram que os aviões da latão estão muito sucateados.
Mas não é só por isso que experimentarei ir de ônibus na próxima, Cometa Amambay, pois o avião é cerca de 10 vezes mais caro, dando aquele desvio enorme pra fazer conexão em Sampa, além de ter mudança de aeroporto Congonhas–Guarulhos, com horário apertado, arriscando perder vôo. Na volta fui correndo, pois o embarque já andava. Não compensa, pois Assunção é perto de Nhuguaçu.
Já falei sobre as mensagens gravadas, que soam no aeroporto. A nota pitoresca é gravação avisando que no verão é quando o mosquito se prolifera mais. Proliferar é se reproduzir muito. Então se proliferar é se se reproduzir.
No embarque as mensagem de aviso, não gravadas, fazem ainda mais feio. Anunciam nos três idiomas. Quando em castelhano, um castelhano macarrônico, resultando um idioma híbrido. Diz seguranza em vez de seguridad. Existe, mas é vocábulo desusado. Uma vez eu disse seguranza e minha correspondente não entendeu. O ouvinte castelhano deve entender nada. Ainda mais que não sei por quê-diabos falam o mais rápido possível, como se fosse reza de criança. Ou seja, destinada a algum santo, não ao viajante. Além do quê, o sistema de som é muito ruim. Nalguns pontos é tão rouco que não dá pra entender mesmo com português claro. Teve uma que pronunciou montevídeo! Será que acha que a capital uruguaia se originou como zona franca de videocassete?
Na sala-de-embarque uma senhora se sentou ao lado, decerto vinda de Montevídeo, cum enorme coelho de pelúcia. Ligou à filha, avisando que chegaria depois das 22h. Vede só a barafunda que fez com Sancho Pança, escudeiro de dom Quixote:
— Filha, tô levando o Chancho Pancho. O nome tirei aquele do livro, Dom Quixote. Chancho Poncho, Pancho. É um urso-de-pelúcia enorme. Mas é um coelho…
Pobre Sancho Pança! Se reviraria no túmulo se não fosse personagem fictícia.
Muito educativo. A criança aprendeu muito… Deveria ser um porquinho, porque chancho é leitão em castelhano.
Existe um restaurante mexicano chamado Chancho Panza, que é um trocadilho, assim como em Florianópolis tem o Chico Toucinho, trocadilho com Roger Bacon. E outros trocadilhos como Torre de Pizza, Chopping Center
Algo que diferencia andar no meio duma multidão antigamente e hoje é que o pessoal de hoje anda feito zumbi, ao celular, sem sair da frente. O tanto de gente que poderia encostar na parede pra fuçar seu aparelhinho sem incomodar os que passam, mas não: Ficam no caminho, feito aqueles caipiras nos filmes de Mazarope, abobados no meio da rua. E no trânsito, idem, engarrafando tudo.
O primeiro hotel foi pesquisado no Decolar. Tive de cancela porque a hoteleira mandou recado dizendo que como eu chegaria às 23h e a casa fecha às 18h, não teria como me receber, que ali não é um hotel. Mas como? Se na busca do Decolar estava listando claramente com o título Hotéis!
Outra coisa que não quero mais é pousada. Tem de ser hotel hotel mesmo, senão a gente fica igual hospedado em casa de conhecido, só que pagando. Diz que é comum hoteleiro fingindo te tratar como alguém da família, tentando vender coisas, te mudar a quarto cheio de tranqueira, fazer passeio sem combinar preço antes, te mudar a um quarto entulhado e servir chipa amanhecida no desjejum. E muito mosquito.
No banheiro o cartaz de aviso em português é bem atrapalhado. Colocaram em castelhano, inglês e português um aviso pra não jogar papel, fralda, etc, no vaso sanitário. Em português puseram banheiro em vez de vaso, o que dá a entender que não é pra jogar essas coisas no chão. Mas nos outros dois idiomas fica claro que não é isso.
Quem não conhece aquela canção entoada até por Ângela Maria e Cauby Peixoto, Recuerdo de Ypacaraí (Lembrança de Ipacaraí)?
En una noche tibia nos conocimos
Junto al lago azul de Ypacaraí
Cantabas triste nel camino
Viejas melodías en guaraní
O lago e Ipacaraí está poluído. O lago mais famoso do Paraguai, mais famoso que o belo Danúbio, que também não é azul, tema dessa canção que é um clássico mundial, aonde os assuncenos iam se banhar, poluído. Quê tristeza!
Barracas de artesanato, um dono de barco quase implorando aos poucos turistas dar um passeio no lago. Ali perto um gigantesco hotel, que já hospedou muitas celebridades, abandonado e em ruína porque a poluição do lago quase acabou com o turismo cuja principal atração é o banho lacustre.
Também o parque nacional Ypacaraí, criado pelo decreto 5686/1990, está abandonado e em ruína. As trilhas, principalmente as que levam aos alagadiços ou ao espelho dágua, estão intransitáveis. A proteção é nula e os guardas florestais não têm recurso. http://www.abc.com.py/edicion-impresa/interior/parque-nacional-ypacarai-esta-abandonado-y-en-ruinas-1028982.html
O restaurante do hotel Los Alpes, em São Bernardino, é excelente. É de alemães. A colônia alemã ali é expressiva. Um bufê de almoço e sobremesa muito variados, e aceita em real. O preço é médio, cerca de R$40 por pessoa. Ali provei a sopa paraguaia, que é tão boa quanto a de Ramão.
Emiliana faz uma sopa paraguaia muito boa mas Ramão faz uma que até dona Mercedes, nossa vizinha paraguaia, a mais simpática do bairro, disse que nem no Paraguai é tão boa. Ramão contou que uma vez fez serviu esse prato a convidados, que se muniram de colher-de-sopa, pensando que era sopa mesmo. Recentemente experimentou a fazer recheada. Ficou sublime.
A sopa paraguaia vendida nas padarias e supermercados em Campo Grande são bem ruins em geral.
Diz que, segundo os critérios científicos, o vidro não é um sólido mas um líquido de alta viscosidade. Deve ser esse o caso da sopa paraguaia.
Pra quem não sabe, a sopa paraguaia não é sopa mas um bolo salgado. Só que um bolo muito especial. É como uma polenta, só que muito, muito melhor. Não é com fubá, que deixa muito seco, mas com farinha de milho ou milho-verde. Numa livraria vi um livro intitulado No país da sopa dura.
Eis a lenda da origem desse prato maravilhoso:
Os historiadores contam que dom Carlos Antonio López, presidente do Paraguai entre 1841 e 1862, gostava muito do tykuetï, sopa branca, elaborada com leite, queijo, ovo e farinha de milho, prato que era cotidianamente indispensável em sua mesa.
Um dia, por descuido, a machu, cozinheira, pôs na sopa mais farinha de milho que de costume, o que criou dois problemas: O  tykuetï já não era líquido mas pastoso. E não dava tempo de reiniciar a tarefa ou substituir o prato favorito.
Então, entre temor e engenho, decidiu pôr o preparado a um recipiente de ferro e o cozinhou no tatakua, buraco de fogo, com o qual obteve una sopa sólida. Quando chegou o momento de servir ao presidente, mui temerosa, explicou o sucedido e apresentou a fonte. Ao degustar, dom Carlos a achou tão saborosa, que imediatamente, a batizou como sopa paraguaia. Una variante dessa versão relata que nesse dia dom Carlos convidara embaixadores doutros países pra jantar. Como acontecera o relatado, apresentou o prato como sopa paraguaia.
Outra versão que alude à origem da sopa paraguaia diz que quando os espanhóis chegaram às terras guaranis os nativos os receberam com honra e ofereceram sua melhor comida para os acolher: Carne de caça. Quando acabou a provisão de carne, e verificando que os hóspedes continuavam com fome, os guaranis serviram a comida que habitualmente comiam, feita com farinha de milho ou de mandioca envolta em folha de bananeira, cozida em cinza quente, e dizendo A carne acabou, em guarani: Soô opá. Dali o vocábulo sopa.
Nessa página uma receita que leva ovo. A de Ramão não.
Sopa paraguaia de Ramão
● 5 espigas de milho-verde
● ½ copo de óleo
● 3 colheres (sopa) de manteiga
● 1 colher de fermento químico
● ½ litro de leite
● 1 polentina, milharina ou outro fubá pré-cozido (não usar fubá seco)
● 400g queijo muçarela ralado
● cebola a gosto
Misturar milho, óleo, leite, manteiga. Bater no liqüidificador. Acrescentar a polentina e o fermento.
Dourar a cebola com óleo.
Em fôrma média colocar uma camada da mistura, uma camada de cebola, uma camada de queijo, e a última camada queijo.
Assar a 180ºC durante cerca de 40 minutos.
Assunção se parece mais com Campo Grande ou com Campinas. Uma campo grande com asfalto melhor e uma campinas com gente muito mais simpática. Ramão disse que o asfalto rodoviário é um tapete liso. O ônibus nem chacoalha. Melhor que qualquer asfalto brasileiro. Mas o melhor que tem no país, mesmo na capital, é a segurança. Em Assunção se pode passear sossegado. Basta dizer que o Paraguai é o terceiro país com menor índice de violência na América Latina.
Nas livrarias de livro novo muitos livros interessantes em todos os gêneros, contrastando com as brasileiras, que só têm bestséler. Os sebos é que não são barateiros, pois encontrei muitos que tinham também nas de novo, com o mesmo preço. A La plaza, Antequera com Marechal Estigarribia, é um pequeno sebo e papelaria. Não aceita real nem dólar. Fui trocar na casa de câmbio. Ali fiquei milionário: 1 milhão de guaranis.
Já a San Cayetano, Herrera com Estados-Unidos, é um sebo pra valer, com mesas de promoção a 10.000 guaranis (R$ 6). Muita poeira e traça, livros em todos os estágios de conservação. Faz tempo que não entrava num desse. Daqueles sebos onde se passa o dia inteiro, pondo tudo a baixo e se fica sujo feito limpador de chaminé.
Muitos livros sobre a guerra do Paraguai e contestando a usina de Itaipu. Na próxima ida me centrarei nesses aspectos históricos, pra ter a visão do outro lado. Além de perguntar o quê se pode comprar com 1 guarani. Hehehehe.
O mercado-de-pulga, na rua Eusebio Lillo Robles, domingo, é uma pequena feira na calçada, com livro, objetos de antigüidade, brinquedos, moedas e cédulas antigas e muitas coisas curiosas. No chão uma caixa cheia de bolas pretas. Pensei nas tradicionais bolitas, bolas-de-gude, mas eram balas de chumbo ou ferro usadas na guerra do Paraguai.
Um bom restaurante, indicado pelo hoteleiro e pelo sebista do La plaza é o bar San Roque, Eligio Ayala 796 com Tacuarí. Mas não te assustes com o aspecto de restaurante grã-fino. O preço é bom e o cardápio também.
A pitsaria Romana, Tenente Vera com Capitão Denis Roa 2737, vila Aurelia, é ótima. Brinquei com a atendente:
— Primeiro tenho de experimentar todos os sabores, pra escolher um.
O cardápio é vasto.
Bolsi, Estrella 399, com Alberdi, é outro bom restaurante. Com dois ambientes, um restaurante e outro lanchonete. É muito concorrido mas chegando cedo tem lugar. Boas opções de cerveja. Boa sobremesa. Recomendo a torta do czar.
Tem vários grandes supermercados. Quando teve uma chuva persistente teve um, que fica numa parte baixa, fechou no meio da tarde porque teve área inundada. Muitos bairros inundados, ruas que viraram riacho. Muitas ruas são calçadas com pedra, não paralelepípedo mas pedaços menores e irregulares, por isso mais permeáveis e inundação não tão severa. Muitas árvores caídas e muros desabados.
O hoteleiro faz um tur às cataratas do Iguaçu. A viagem dura 5 horas. Contou que chega turista de toda parte, no momento uma turma do Panamá. Dizem que não tem atração como as cataratas. Contou que um hóspede romano disse que as melhores pitsas são as de São Paulo, que são muito melhores que as de Roma.
A maioria dos hóspedes é argentina. Muitos vão de carro. É comum ver carro com placa argentina. Não vi placa brasileira. A mãe do hoteleiro disse que não gosta de atender argentinos, Son malos!, prefere os brasileiros. Que os paraguaios têm mais afinidade com os brasileiros porque quando acabou a guerra o Paraguai ficou quase sem homem. Só sobrou criança pequena porque até os maiorzinhos morreram. Então a ordem era procriar. Crescei e vos multiplicai! Mesmo porque um forte contingente ficou pra garantir a segurança e evitar a Argentina anexar o país. Falando com o hoteleiro, de como são bonitas as assuncenas. Parecem as bogotanas. Muito mais bonitas que as buenairenses y montevideanas. Disse que as argentinas são secas de corpo. Que a mulher argentina é muito malvada. Sempre tenta dominar o homem. Falando isso a um casal argentino, ela disse que não é bem assim. Depois eu disse:
— Se não é bem assim, é porque é. Confessou!
Cheguei à conclusão que a grande diferença entre o argentino e o chileno é que ninguém gosta de argentino e chileno gosta de ninguém.
A canção de Luis Alberto del Paraná & Los Paraguayos, Flor de Pilar, canta a beleza da mulher de cada região paraguaia, pondo acima a pilarense, espécie de fora-de-concurso, como Wilza Carla e Clóvis Bornay. É a garota-de-ipanema deles. Uma estrofe fala da pele branquinha das assuncenas: Linda asuncena, blanca azucena parecerá.
Estava divertida essa reunião. A mãe do hoteleiro contava anedotas sobre a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, la Barbie, a boneca Barbie, como a apelidaram. Mas enfim o argentino esclareceu o fato de não haver supermercado no centro. É que fizeram uma lei que só permite abrir supermercado e outras lojas grandes na periferia de Buenos Aires.
Diz que o Paraguai é bilingüe mas não é bem assim. Na verdade não é bem o guarani a segunda língua do Paraguai mas o jupará (jopará em castelhano). Tinha noite que meu pai dizia que fará um jupará. Pegava o resto do almoço e fazia uma miscelânea pra jantar. Isso é jupará. Em lingüística é mistura de idiomas. Como disse um erudito num livro que folheei lá: O espanhol chegou e, misturando com a língua nativa, que não dominava direito estropiou o castelhano. O índio, assimilando o castelhano, estropiou a sua.
Disse o lingüista hispano-paraguaio Bartomeu Meliá: No Paraguai não há bilingüismo mas diglossia, porque há duas línguas que não se entendem e vivem em eterno conflito que se nota em seus falantes.
Domingo Aguilera, investigador da cultura popular e narrador bilingüe, arriscou afirmar em seus artículos publicados: Estamos ante una eventual terceira língua no futuro do Paraguai, se continuarem assim as coisas entre ambos idiomas. O guarani já não morrerá a curto nem a médio prazo, apesar de que como todas as línguas e a coisas da vida, como o latim, um dia morrerá.  No futuro a estrutura do guarani mudará, tomará outro rumo, convergindo a outra língua. É uma hipótese das tantas que se planteariam em torno da lingüística no Paraguai.
http://ea.com.py/v2/guarani-castellano-jopara-mbae-piko-naneeee/ Guarani, Castelhano, jupará: ¡Mbaê picô nhanheê! (O quê realmente falamos!)
Considero o Paraguai bilingüe uma idéia muito romântica. Como expus noutro texto, o guarani materno ajudou a descortinar, esclarecer, muito dos topônimos brasileiros, dada a semelhança com o tupi. Mas a realidade do idioma no Paraguai é uma maçaroça, resultando num híbrido que parece se manter só por afeição. Como aconteceu no Vaticano, o papa publicar uma lista de adaptação de neologismos, especialmente informáticos, ao latim, o guarani entremeia termos castelhanos pra preencher lacunas nesses e noutros neologismos.
A postura cultural-educacional pode estar equivocada, como a reforma ortográfica do português, sem intercâmbio de publicação. O resultado é um idioma híbrido que é uma esquisitice muito grande, com ortografia tão complicada que nem o Tradukka e o Google tradutor teve coragem de encarar.
E olha que naqueles tradutores tem cada idioma da arca-da-velha!
A paródia da frase cheiquespiriana To be or not to be, ser ou não ser, carnavalizada, virando Tupi ou não tupi:
Guarani ou não guarani. Eis a questão!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Repassando a figura
Reflexinhos & Reflexões
● Na Síria as mulheres têm igualdade de direito, como tinham na Líbia, que era o país com maior índice de desenvolvimento humano da África. Em ambos um governo popular, não a ditadura imaginada pelos jornais ocidentais.
Quando os ianques entraram na Líbia surgiu uma rede de prostituição nunca vista no mundo árabe. Cadafe acabou com isso. Então acabaram com Cadafe.
Onde os amariconas dominam surge narcotráfico, prostituição e todas as contradições duma sociedade doentia. Fingir que combate o narcotráfico, como fingiam combater o estado pseudoislâmico na Síria. Reféns resgatados não viram alcorão em todo o tempo que ficaram cativos. Os jornalistas ocidentais não foram ao campo de batalha. Redigiam suas reportagens em Londres mesmo, nos gabinetes fechados, com ar condicionado.
Nossa imprensa manipuladora costuma terminar assim a reportagem: …guerra que começou após a dura repressão do ditador Assade no início da primavera árabe.
É tática já muito manjada de chamar de ditador ou tirano todo governante independente, já que os termos soam como pejorativo nas massas ocidentais. Ditador, aquele que dita. Na antiga Grécia se quem tomava o poder não tinha ascendência real não podia se proclamar rei. Se proclamava tirano. Depois o termo virou pejorativo.
Pra começo de conversa: Primavera árabe é um eufemismo. Nome bonito pra coisa feia, analogia à primavera de Praga, quando os soviéticos abafaram uma revolta na Checoslováquia. Longe de ser revolta popular, foram mercenários plantados de quinta-coluna, monitorados via celulares contrabandeados e mantidos via satélite. Revoltas organizadas pelos governos satanistas ocidentais, Israel, Turquia e Arábia Saudita.
E por quê a tal primavera não derrubou o governo saudita, que é uma monarquia absoluta, onde as mulheres nem podem dirigir automóvel, uma monarquia de opereta de beduínos ignorantes? Porque os petrodólares sauditas subornam os amariconas. As mulheres sauditas lutaram pra eliminar a proibição de dirigir carro mas a campanha foi abafada. A mídia ocidental não vociferou contra isso.
Cuba não devemos julgar porque a cuba que vemos pode ser resultado do embargo imposto pelos amariconas desde outubro de 1960 e não por causa do regime adotado.
Eis por quê se deve chamar o estado pseudoislâmico como Daexe, em vez dos outros tantos nomes (Ísis, Isil, estado islâmico…), luta lingüística antiterrorista:
● Não é só Palmares na Amazônia. Em OVNI no Paraguai, Radiografía dun fenómeno desconocido, de Ronald Rodrigo Maidana Torres, Marben, Assunção, 2016 (Não gosto da sigla OVNI, pois sendo de uso corrente já deveria ter virado palavra. Pra ser palavra melhor se presta tirar da sigla em inglês, ufo. Idem o modismo ET, quando há vários termos opcionais, como álien, alienígena, extraterreno, sedope, ou mesmo, se insistir, o aportuguesamento etê, embora não sejam sinônimos): Na página 31 a confusão entre Antropófago e canibal, que até Jô Soares já cometeu. Uma pequena trapalhada: No texto aparece antropofagia (comer carne humana). Na nota de rodapé correspondente aparece canibalismo (Isso mesmo: Como se fossem sinônimos): Ato de comer carne humana, quando na verdade é ato de comer indivíduo da mesma espécie.  Na página 42 situou Cuiabá em Mato Grosso do Sul! Mas Mato Grosso do Sul só foi desmembrado em 1979. Antes não existia esse nome. É comum ver o pessoal aqui protestando quando jornalista que fugia da aula de geografia situa Campo Grande em Mato Grosso ou se refere a Mato Grosso do Sul como Mato Grosso. Mas nunca imaginei que o inverso aconteceria. A verdade é que se temos uma imagem estereotipada do Paraguai, a recíproca parece verdadeira. Na página 43, com imagem infelizmente diminuta e de baixa definição, página do jornal satírico El centinela (A sentinela), de 08.08.1967, com caricatura de paraguaios abaixando a calça e mostrando a bunda a Caxias observando tudo com luneta num dos balões de Caxias, que disse comprados dos ingleses (me consta que dos confederados norte-americanos).
Eis o número do jornal:
Eis outra página do jornal, na época:
Eis a tradução da anedota contada nesse número:
Se conta que um soldado oriental [uruguaio], um dia antes de Flores se retirar do campo-de-batalha, estando numa corriola, disse aos companheiros:
— Ninguém teria coragem de dizer a general Flores de modo que o ouça dizer que limpo a bunda com flores.
Todos responderam que quem o fizesse seria esfolado vivo como são Bartolomeu.
O burlesco soldado replicou:
— Pois amanhã farei isso diante de todos, desde que ponde em minha mão a ração de hoje.
Ficou combinado assim. No dia seguinte, na hora combinada, o soldado apareceu cum ramalhete de flor silvestre. Ao passar perto de seu general, disse com voz clara e fingindo não o ver:
— Joãozinho! Joãozinho! Se tens medo, limpo minha bunda com…
E esfregou o ramalhete na bunda.
Flores, pensando que a cançoneta era dirigida a Joãozinho. Não percebeu o epigrama do soldado, quem sem dificuldade e a pouco custo encheu a pança durante dias, graças ao engenhoso ardil.
Tem gente boba que acha que ler história é chato. Chato é ficar na história oficial, muito resumida e simplista, ou na redundante mitologia do faroeste, com enredos criativos e interessantes mas falsos, e cujo contexto total é estúpido e estéril, porque se centra em tiroteio, valentia pueril e falsa realidade.
Tem 40 números do jornal em Portal guaraní:



● Erro de diagramação em O horror sobrenatural na literatura, de Lovecraft.
Tal qual o erro de diagramação em A casa das bruxas, de Lovecraft, a Francisco Alves faz escola, só que com a bagunça de parágrafos ainda pior.
● Em Histórias da Bahia. Jeitão baiano, de Jolivaldo Freitas, orelha: Numa tarde nublada de domingo, o sol querendo se afirmar depois das estranhas chuvas de novembro.
Só se o Sol estava como problema de auto-afirmação, precisando de psicanálise.
● Numa embalagem de bacalhau congelado dessalgado: Contém peixe
● Esse tal de Nibiru é tão falso que ora aparece representado como verde e azul escuros ora vermelho.
● Nota zero pra restaurantes e lanchonetes que usam garfinho de aniversário de criança. Pior é o garfinho de plástico da sobremesa da Pão&Tal, que quebra até na torta.
● Neste final de ano festa de aniversário de criança de dois anos, sem criança além da aniversariante. Não são evangélicos. Só tem adulto mas a bebida é só refresco de caju e maracujá.
● No vídeo https://www.youtube.com/watch?v=ZrasSItjtm0 mostrando reação de crianças chilenas. Aparece a pimenta-papai-noel porque é um trocadilho entre Chile e chili (pimenta), vídeos apimentados. Brincadeiras de chilenos com falsos presentes aos filhos pequenos, depois entregando o presente verdadeiro. É claro: Reações indignadas, baseadas num fundamentalismo psicológico-piegas muito em voga em época da praga do politicamente correto, de hipócritas sempre de plantão, onde não se pode se divertir, não se pode viver, a não ser robotizado. É uma brincadeira, mais pros outros adultos que pràs crianças. Educativo pros adultos, porque criança daquela faixa etária não pode entender nem apreciar a graça da coisa. Então deixemos o moralismo de lado, pois a coisa, se não é tão graciosa não é tão estúpida quanto façanhas atléticas.
● O uso de este, esse, aquele, aqui, aí, ali nos livros
Alguém está lendo um texto, seja livro ou carta ou outro: A primeira pessoa é o autor. A segunda é o leitor. A terceira e quarta, quando referidas no texto.
Nos textos é comum a confusão no uso desses pronomes. Exemplo, uma carta: Ársia é dum dos maiores vulcões de Marte. Este vulcão tem os lados ligeiramente inclinados.
Por quê este, se o autor, quando escreveu, não estava dentro nem junto ao vulcão?
Se a referência está perto da primeira pessoa, o pronome correto é este.
Se a referência está perto da segunda pessoa, o pronome correto é esse.
Se a referência está longe da primeira e da segunda pessoas, o pronome correto é aquele.
Em referência posicional: Ársia é dum dos maiores vulcões de Marte. Aquele vulcão tem os lados ligeiramente inclinados. Ali a temperatura chega a…
Se a referência está perto da primeira pessoa, o pronome correto é aqui.
Se a referência está perto da segunda pessoa, o pronome correto é .
Se a referência está longe da primeira e da segunda pessoas, o pronome correto é ali.
A confusão acontece também em castelhano (Este, ese, aquel. Aquí, ahí, allí)
…na corte de Luís XIV. Naquela época não se conhecia…
Não sou apegado às coisas deste mundo.
Esta época de ignorância…
Claro que não tem como a época do autor ser diferente da do leitor, a não ser que seja ficção-científica.
Se num livro (seja no prefácio, nota de rodapé, etc) o autor diz Aquele livro será ignorado porque foge ao propósito deste livro. Se refere a determinado livro já citado, que será ignorado no livro em questão, o livro que está sendo lido pelo leitor.
Este país tem inflação alta, aquele média e esse baixa.
Nessa carta o autor (remetente) disse que no país do autor a inflação é alta, no país sobre o qual estava falando é média, e no país do leitor (destinatário) é baixa.

À coleção Adeene neles!

Comandante do estado pseudoislâmico – Inri Cristo

 João – Pelé

Coleção de cartão-postal de Joanco
 
 cartão-postal tipo 3D